{"id":19287,"date":"2007-09-20T10:39:44","date_gmt":"2007-09-20T10:39:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19287"},"modified":"2007-09-20T10:39:44","modified_gmt":"2007-09-20T10:39:44","slug":"cadeias-produtivas-e-mercado-externo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19287","title":{"rendered":"Cadeias produtivas e mercado externo"},"content":{"rendered":"<p><em>A nomea&ccedil;&atilde;o do carioca Mario Diamante &agrave; Ancine completa o processo de transi&ccedil;&atilde;o do grupo respons&aacute;vel pela revitaliza&ccedil;&atilde;o dos programas de fomento e regula&ccedil;&atilde;o do cinema nacional de posi&ccedil;&otilde;es chave na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas do audiovisual no Minist&eacute;rio da Cultura para a dire&ccedil;&atilde;o da Ancine. O novo diretor, que ocupou cargo de assessor na Secretaria do Audiovisual do MinC, foi assessor na Ancine por dois per&iacute;odos, no &uacute;ltimo como superintendente de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico da ag&ecirc;ncia e esteve na assessoria do BNDES na reestrutura&ccedil;&atilde;o dos investimentos do banco em cultura, se junta aos colegas Manoel Rangel e Leopoldo Nunes, hoje respectivamente diretor-presidente e diretor da ag&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Pelas posi&ccedil;&otilde;es que ocupou durante a gest&atilde;o Lula, n&atilde;o &eacute; de se estranhar sua declara&ccedil;&atilde;o recente na sabatina que o levou ao cargo, quando sua indica&ccedil;&atilde;o foi aprovada pela Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o do Senado. Na ocasi&atilde;o, afirmou que ir&aacute; trabalhar para tornar a ind&uacute;stria brasileira do audiovisual auto-sustent&aacute;vel, e tamb&eacute;m que, embora a ag&ecirc;ncia possa se orgulhar do aumento da produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica, dos 30 filmes anuais em 2002, quando criada, para os 70 filmes anuais produzidos atualmente, o Brasil est&aacute; aqu&eacute;m do seu potencial, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; penetra&ccedil;&atilde;o do filme brasileiro em seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio, de apenas 12%, contando ainda com um n&uacute;mero reduzido de salas.<\/p>\n<p>Diamante j&aacute; foi presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do Rio de Janeiro, em duas gest&otilde;es. Dirigiu ainda o document&aacute;rio Get&uacute;lio Starling (1986) e os curtas-metragens Dama da noite (1999) e Carro-Forte (2002).<\/p>\n<p>Em entrevista ao 100canais, realizada na semana da p&aacute;tria, Diamante fala sobre sua trajet&oacute;ria no governo Lula, de pol&iacute;ticas de fomento ao audiovisual, da quest&atilde;o da sustentabilidade no setor e de pol&iacute;ticas de regula&ccedil;&atilde;o do mercado, aprofundando quest&otilde;es colocadas na recente sabatina no Congresso.<\/em><\/p>\n<p><strong>100canais &#8211; Sua ascens&atilde;o &agrave; Ancine se deu tamb&eacute;m a partir de sua milit&acirc;ncia na Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do Rio de Janeiro, passando por espa&ccedil;os institucionais na Secretaria do Audiovisual (SAV-MinC) e no BNDES. O que vem de importante do Mario, &ldquo;l&iacute;der de categoria de base&rdquo;, para estes espa&ccedil;os, e hoje para a dire&ccedil;&atilde;o da ANCINE?<br \/><\/strong>Mario Diamante &#8211; Tem uma coisa, por ser aquele espa&ccedil;o uma lideran&ccedil;a setorial, que &eacute; a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas setoriais. Em minha milit&acirc;ncia, sempre briguei pelo desenvolvimento do audiovisual como um todo, e sempre achei que n&atilde;o apenas o sucesso dos curtas e document&aacute;rios bastaria para garantir uma boa posi&ccedil;&atilde;o do audiovisual nos mercados interno e externo.<\/p>\n<p>Desde aqueles tempos, a preocupa&ccedil;&atilde;o nossa era com a economia do setor como um todo. Neste sentido, mesmo o document&aacute;rio e o curta-metragem, apesar de feitos de forma pontual pelas produtoras, tinham um conjunto que realizava a&ccedil;&otilde;es de mercado. Ajudei a articular a ABD (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Documentaristas) em &acirc;mbito nacional, &oacute;rg&atilde;o que tinha nacionalmente a presen&ccedil;a do Leopoldo Nunes e em S&atilde;o Paulo do Manuel Rangel. Desde o come&ccedil;o, estas pessoas tinham como preocupa&ccedil;&atilde;o a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda nos filmes. E para que estes filmes conseguissem ter impacto no mercado, formamos um conv&ecirc;nio que gerou uma economia de escala, facilitando a quest&atilde;o operacional.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol&iacute;tico, o sucesso do cinema brasileiro ser&aacute; poss&iacute;vel somente com a diversidade, na forma e na tem&aacute;tica. Sendo sint&eacute;tico, trago da milit&acirc;ncia a preocupa&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento setorial, preocupa&ccedil;&atilde;o que me levou a me engajar na pol&iacute;tica setorial.<\/p>\n<p><strong>E que projetos e articula&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o poss&iacute;veis ou est&atilde;o sendo iniciados para a classe dos curtametragistas e documentaristas na Ancine? Na SAV\/MinC voc&ecirc; atuou na viabiliza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica nacional em &acirc;mbito externo. Devemos esperar pol&iacute;ticas da Ancine tamb&eacute;m neste sentido com sua chegada na dire&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>MD &ndash; Antes de mais nada, acho importante colocar que meu papel aqui na ag&ecirc;ncia &eacute; de car&aacute;ter executivo. Venho balan&ccedil;ando a bandeira do desenvolvimento setorial desde que entrei na Secretaria do Audiovisual (SAV), e nela trabalhei junto ao BNDES na estrutura&ccedil;&atilde;o de uma linha espec&iacute;fica para as salas de exibi&ccedil;&atilde;o, o que aprofundei quando fui para a assessoria do banco. Ainda na SAV, me aproximei da Apex Brasil, ag&ecirc;ncia de exporta&ccedil;&atilde;o do governo brasileiro. O mercado externo se mostrava ent&atilde;o como fonte de recursos para realiza&ccedil;&atilde;o e mercado para a compra para produtos locais, e ainda se mostra. De certa forma, todas estas a&ccedil;&otilde;es tiveram in&iacute;cio na gest&atilde;o do Leopoldo Nunes na SAV, como chefe de gabinete de Orlando Sena, e refletiram no per&iacute;odo de reestrutura&ccedil;&atilde;o da Ancine, concomitante. A partir da&iacute;, minha rela&ccedil;&atilde;o posterior no BNDES permitiu ajudar a montar a estrutura dos FUNCINES e do modelo de fomento atrav&eacute;s de recursos incentivados que foi a base para o lan&ccedil;amento do Procult e do departamento de economia da cultura do banco (veja entrevista sobre o tema aqui) [linkar com minha entrevista com o S&aacute; Leit&atilde;o], departamento tocado hoje pela competente Luciane Gorgulho. <\/p>\n<p>Ap&oacute;s o BNDES, vim para a Ancine estruturar a superintend&ecirc;ncia de desenvolvimento econ&ocirc;mico, esp&eacute;cie de micro de tudo que est&aacute;vamos realizando. A superintend&ecirc;ncia passou a atuar de forma pr&oacute;-ativa com o mercado. Isso abrange desde estandes criadas em eventos do mercado, com a finalidade de se comunicar com ele e de articular com ele, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de um &iacute;cone de co-produ&ccedil;&atilde;o internacional, que tem aumentado muit&iacute;ssimo nos &uacute;ltimos anos no pa&iacute;s, seja pela a&ccedil;&atilde;o individual dos produtores de TV e independentes, seja pela a&ccedil;&atilde;o do governo, articulada, para dar a estes produtores um patamar melhor do que o que vinham realizando at&eacute; ent&atilde;o nos principais trades internacionais. Isso eu continuo fazendo aqui, na dire&ccedil;&atilde;o da Ancine. Na superintend&ecirc;ncia, come&ccedil;amos a desenhar o fundo setorial do audiovisual, que presentifica todo um discurso, criando um modelo de apoio que permite projetos cinematogr&aacute;ficos, mas tamb&eacute;m viabiliza investimentos na cadeia produtiva do setor. Investimos, portanto, no estabelecimento de uma plataforma de mecanismos de fomento e regulat&oacute;rios que combinados d&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es para que as empresas, os empreendedores e os projetos ligados ao audiovisual sejam bem sucedidos.<\/p>\n<p><strong>Na sabatina da Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o do Senado, voc&ecirc; disse que trabalharia em prol de uma &ldquo;ind&uacute;stria brasileira do audiovisual auto-sustent&aacute;vel&rdquo;. O que seria uma ind&uacute;stria do audiovisual que tivesse estas condi&ccedil;&otilde;es?<br \/><\/strong>MD &#8211; A quest&atilde;o da sustentabilidade eu tenho como linha do horizonte, e isso faz parte do projeto que criou a Ancine em 2001, encabe&ccedil;ado pelo ex-diretor-presidente e criador da ag&ecirc;ncia, Gustavo Dahl. O que acontece hoje em termos de mecanismo de apoio &eacute; que de um lado existem as leis de incentivo que foram fundamentais e s&atilde;o absolutamente necess&aacute;rias para a manuten&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual cinematogr&aacute;fico independente. Por outro lado, h&aacute; incentivos implementados, como os fundos (FUNCINES) e o fundo do audiovisual, a partir da lei 11.437. O efeito sin&eacute;rgico de todos estes meios tende a reposicionar o cinema brasileiro em todas as m&iacute;dias. A sustentabilidade, por sua vez, parte do princ&iacute;pio de que o setor se sustente com as receitas geradas dentro do mercado audiovisual. Quando, na medida provis&oacute;ria 2.228\/2001 o Executivo reinstaurou o Pr&ecirc;mio Adicional de Renda, efetivado em 2005, quando eu era assessor de Manoel Rangel, ent&atilde;o diretor na Ancine, o Pr&ecirc;mio passou a atuar como um contra-investimento, ou seja, voc&ecirc; premia pelo bom desempenho em produ&ccedil;&atilde;o, exibi&ccedil;&atilde;o ou distribui&ccedil;&atilde;o, e compromete este pr&ecirc;mio ele ao seu reinvestimento na cadeia do audiovisual, na produ&ccedil;&atilde;o de outras obras. Temos ainda o pr&oacute;prio fundo do audiovisual, feito com recursos da Condecine. Ou seja, as pr&oacute;prias receitas do mercado, seus resultados e a Condecine dar&atilde;o sustenta&ccedil;&atilde;o ao setor.<\/p>\n<p>Por outro lado, o conceito da sustentabilidade s&oacute; pode ser bem sucedido se acompanhado de um arcabou&ccedil;o regulat&oacute;rio consistente, que crie condi&ccedil;&otilde;es de competitividade equ&acirc;nimes entre os agentes econ&ocirc;micos. Por isso, a atual plataforma est&aacute; apoiada em mecanismos de fomento e em instrumentos de regula&ccedil;&atilde;o. Avan&ccedil;amos no fomento regulat&oacute;rio, perseguindo o ideal. Os instrumentos de regula&ccedil;&atilde;o, por sua vez, t&ecirc;m duas pernas: a regula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos mecanismos de fomento e a regula&ccedil;&atilde;o direta do mercado cinematogr&aacute;fico e videofonogr&aacute;fico.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da regula&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do audiovisual, por sua vez, estamos caminhando, por exemplo com a cota-de-tela &ndash; um mecanismo cl&aacute;ssico de regula&ccedil;&atilde;o. Outro destes mecanismos &eacute; o acompanhamento de mercado, em estrutura&ccedil;&atilde;o e consulta p&uacute;blica, atrav&eacute;s de duas instru&ccedil;&otilde;es normativas que regulamentam o envio obrigat&oacute;rio pelas distribuidoras de relat&oacute;rio de comercializa&ccedil;&atilde;o de obras para salas de exibi&ccedil;&atilde;o e de obras no segmento de v&iacute;deo dom&eacute;stico, e que est&atilde;o dispon&iacute;veis na p&aacute;gina da Ancine. Porque s&atilde;o importantes estes dados de mercado? Por uma s&eacute;rie de quest&otilde;es, desde o controle especificamente, para a gente ter uma no&ccedil;&atilde;o real do percentual de obras no mercado, como pela seguran&ccedil;a do investimento na &aacute;rea. Acredito que a melhor regula&ccedil;&atilde;o &eacute; o pr&oacute;prio mercado. Para atrair recursos privados, com ou sem recurso incentivado, &eacute; fundamental voc&ecirc; ter seguran&ccedil;a sobre o retorno da receita. A Ancine oferecer isso, essa seguran&ccedil;a para o mercado, certamente trar&aacute; novos investidores. <\/p>\n<p><strong>E como isso tem sido feito?<br \/><\/strong>MD &#8211; Tenho recebido alguns investidores internacionais e alguns gestores de fundos nacionais de investimento. O que &eacute; consenso &eacute; que o capital de risco, base, com os recursos incentivados, do mercado financeiro, busca seguran&ccedil;a para investir, mesmo no cinema. Isso tem sido resultado de nossos investimentos em estandes internacionais, como os de Cannes, Berlim e outros. Em Cannes, tivemos um grupo bastante numeroso de produtores e agentes de venda &ldquo;anunciando&rdquo; produtos nacionais. Essa presen&ccedil;a, n&atilde;o apenas nos filmes em exibi&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de produtores fazendo neg&oacute;cios, chamou a aten&ccedil;&atilde;o de alguns head-funds (fundos que procuram ativos ligados ao cinema).<\/p>\n<p>Um destes fundos, que financia filmes independentes americanos feitos pelas mini-majors, ficou interessado em alguns projetos que est&aacute;vamos negociando na feira. Interessante &eacute; que todos os produtores falam da Ancine, em rela&ccedil;&atilde;o ao seu car&aacute;ter regulador sobre os recursos incentivados e sobre o mercado. Ele ouvia Ancine aqui, Ancine l&aacute;, Ancine, Ancine. A&iacute;, em continua&ccedil;&atilde;o a estas negocia&ccedil;&otilde;es, quando veio ao Brasil, marcou hora comigo, para ver se existia e como funcionava esse neg&oacute;cio de ag&ecirc;ncia reguladora no Brasil. Mostrei nossos projetos, unidades e afins, e acredito que isso tenha sido fundamental para ele fechar os neg&oacute;cios.<\/p>\n<p>Outra atua&ccedil;&atilde;o importante nossa ocorre nas co-produ&ccedil;&otilde;es internacionais. Algumas delas necessitam que as autoridades audiovisuais tenham uma a&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-ativa no sentido de flexibilizar itens dos acordos internacionais, atrav&eacute;s de possibilidades abertas dentro destes acordos. Temos feito isso, atrav&eacute;s de reuni&otilde;es mistas, de comiss&otilde;es bilaterais, a partir das quais damos o aval regulat&oacute;rio. Um caso foi o do filme Cegueiras, do Fernando Meirelles, grande produ&ccedil;&atilde;o internacional que necessitou de uma a&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria forte dos governos canadense e brasileiro, para acertar as condi&ccedil;&otilde;es da preserva&ccedil;&atilde;o das regras do acordo na co-produ&ccedil;&atilde;o, dando seguran&ccedil;a aos investimentos canadenses e japoneses. <\/p>\n<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel pensar num mercado nacional sem cota-de-tela? Como garantir salas de exibi&ccedil;&atilde;o sem tal pol&iacute;tica, se a rentabilidade do cinema nacional n&atilde;o bate a dos blockbusters?<br \/><\/strong>MD &#8211; Hoje, n&atilde;o. At&eacute; porque hoje &eacute; uma quest&atilde;o entranhada na legisla&ccedil;&atilde;o, uma obrigatoriedade, mas a cota-de-tela, pura e simplesmente, n&atilde;o &eacute; solu&ccedil;&atilde;o para os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o brasileiros no mercado de salas de cinema. Faz-se necess&aacute;rio uma s&eacute;rie de outros mecanismos que, combinados com a cota-de-tela, devem criar um n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o de forma sustentada. No momento ela &eacute; uma seguran&ccedil;a. Por sua vez, a cota, n&atilde;o s&oacute; na sala, mas eventualmente em outros segmentos, puxa o produto, inclusive a um produto qualificado, adequando ao cumprimento desta cota.<\/p>\n<p>Ser&aacute; positivo para o aumento da participa&ccedil;&atilde;o do produto audiovisual brasileiro uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre o produtor e o comercializador. Isso deve ser entendido de forma bem ampla, pois para cada produto voc&ecirc; pode ter formas bem espec&iacute;ficas de comercializa&ccedil;&atilde;o, ou seja, l&oacute;gicas bem espec&iacute;ficas de venda. Se voc&ecirc; pretende fazer um filme que seja um grande sucesso de bilheteria, esse filme deve ter ingredientes que justifiquem isso. Um filme de nicho &eacute; estruturado de forma semelhante, com caracter&iacute;sticas ligadas a este segmento. Quando eu estava no comit&ecirc; de investimento do Funcine da Rio Bravo, representando o BNDES, o gestor do fundo apresentou o plano de investimento um determinado filme. A an&aacute;lise que fiz avalisava a compra dos direitos internacionais daquele filme como forma de financiamento, porque o filme tinha ingredientes que demonstravam a possibilidade de um sucesso internacional. Por outro lado, para este mesmo filme, o cen&aacute;rio para o mercado interno n&atilde;o era bom. O gestor do fundo reavaliou estas quest&otilde;es, e reavaliamos o investimento no mercado interno. Temos de levar em conta que, se voc&ecirc; planeja o filme para fazer 150 mil ingressos e ele o faz, ele &eacute; um sucesso, dentro do que ele se prop&ocirc;s. Agora, quando o seu projeto pensa em 1 milh&atilde;o de ingressos e ele faz 100 ou 150 mil, ele &eacute; mal sucedido. Quando falo desta aproxima&ccedil;&atilde;o, &eacute; porque faz-se necess&aacute;rio que coloquemos material para concorrer com os filmes populares norte-americanos, mas tamb&eacute;m para concorrer com os filmes iranianos e argentinos, portanto sendo v&aacute;lida para os dois casos. O mercado caminha para uma qualifica&ccedil;&atilde;o da estrutura&ccedil;&atilde;o dos projetos cinematogr&aacute;ficos e para uma profissionaliza&ccedil;&atilde;o da sele&ccedil;&atilde;o destes projetos, al&eacute;m de caminhar para o apoio n&atilde;o s&oacute; de projetos de produ&ccedil;&atilde;o, mas de exibi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, enfim, de empresas do setor audiovisual como um todo. Mas &eacute; sempre importante levar em conta uma quest&atilde;o. O cinema &eacute; um neg&oacute;cio de auto-risco. Apesar de ser uma ind&uacute;stria, cada filme &eacute; um prot&oacute;tipo, porque apesar do filme ter ingredientes que denotem a conforma&ccedil;&atilde;o de uma tipologia cinematogr&aacute;fica, que indiquem o sucesso, ele &eacute; uma ind&uacute;stria da Arte, e a Arte nunca deixar&aacute; de lidar com o imponder&aacute;vel. O que os analistas e empreendedores podem fazer &eacute; tentar cobrir o risco das obras.<\/p>\n<p><strong>E como isso pode ser feito?<br \/><\/strong>MD &#8211; Do ponto de vista do empres&aacute;rio do setor, trata-se de voc&ecirc; trabalhar com um portf&oacute;lio, ou seja, investir na variedade de produtos, como faz a ind&uacute;stria americana desde sua origem. Isso &eacute; para um tipo de empresa. Outras delas t&ecirc;m de investir na constru&ccedil;&atilde;o de um custo fixo baixo, de serem simples escrit&oacute;rios de produ&ccedil;&atilde;o. Outras t&ecirc;m de estruturar opera&ccedil;&otilde;es em parceria, otimizando infra-estrutura. Do ponto de vista do governo, temos de abrir mecanismos que possibilitem que todas as vertentes do setor, que todos os elos da cadeia produtiva, possam acessar mecanismos que permitam a realiza&ccedil;&atilde;o de filmes. A preocupa&ccedil;&atilde;o do governo &eacute; criar crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnicos e qualificar o processo, que acredito que &eacute; o que tem sido feito. <\/p>\n<p>Agora, nunca a pol&iacute;tica cinematogr&aacute;fica deve se afastar de abrir espa&ccedil;o para o novo, para o risco, que &eacute; da&iacute; que vem o inusitado, o risco, a Arte. Se voc&ecirc; tiver ainda um bom comercializador do lado do artista, esse produto pode ter uma boa carreira nacional ou internacional. Um exemplo seriam dois filmes recentes, Se eu fosse voc&ecirc;, um sucesso, com atores com um grande potencial de p&uacute;blico e de carisma consolidado, com uma estrutura de marketing compat&iacute;vel ao produto e uma &oacute;tima narra&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o filme Cidade Baixa, que pode ser chamado de filme de nicho, e que &eacute; um sucesso esperado nacionalmente, e um grande sucesso internacional. Outro filme bem estruturado neste sentido foi O ano em que meus pais sa&iacute;ram de f&eacute;rias. N&atilde;o dever&aacute; atingir um milh&atilde;o de expectadores, mas foi muito bem aceito no mercado internacional.<\/p>\n<p><strong>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Ancinav, como tem sido feita a reestrutura&ccedil;&atilde;o do projeto?<br \/><\/strong>MD &ndash; A Ancinav foi o primeiro trabalhado no Conselho Superior do Cinema, e por orienta&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica foi cindido. A lei 11.437 foi aprovada em 28\/12\/2006 e est&aacute; em processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o, sendo relacionada &agrave; parte de fomento e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos mercados cinematogr&aacute;fico e videofonogr&aacute;fico. Nela foram consolidados mecanismos como o artigo 3&deg;A, que permitem a co-produ&ccedil;&atilde;o entre a TV aberta e a produ&ccedil;&atilde;o independente, assim como a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo setorial do audiovisual e a implementa&ccedil;&atilde;o dos Funcines.<\/p>\n<p>A outra parte, que envolve a regulamenta&ccedil;&atilde;o do audiovisual, est&aacute; sendo tratada hoje em discuss&otilde;es no Congresso Nacional. De certa forma o projeto colocava algumas quest&otilde;es que hoje tem sido discutidas com bastante vigor no Congresso, e em rela&ccedil;&atilde;o as quais era necess&aacute;rio de fato, naquela &eacute;poca, uma discuss&atilde;o mais ampla, at&eacute; porque o Conselho Superior de Cinema n&atilde;o tinha a presen&ccedil;a das empresas de telefonia e de TV por assinatura, agentes fundamentais neste debate.<\/p>\n<p>O que n&oacute;s, da Ancine, podemos contribuir &eacute; a quest&atilde;o do conte&uacute;do audiovisual. Ele, por uma quest&atilde;o tecnol&oacute;gica e comercial, gera conte&uacute;dos na comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica e na telefonia. H&aacute;, hoje, um ambiente de converg&ecirc;ncia, e por estarmos tratando de cinema e de produ&ccedil;&atilde;o independente para televis&atilde;o, em especial por assinatura, podemos colaborar, at&eacute; pela heran&ccedil;a que a ag&ecirc;ncia tem, vinda do INC, da Embrafilme e da Concine. Tecnicamente temos experi&ecirc;ncia acumulada para isso.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/font>100canais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a as id\u00e9ias do novo diretor da Ag\u00eancia Nacional do Cinema<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[427],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19287"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}