{"id":19278,"date":"2007-09-22T00:00:00","date_gmt":"2007-09-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19278"},"modified":"2007-09-22T00:00:00","modified_gmt":"2007-09-22T00:00:00","slug":"a-televisao-publica-portuguesa-na-era-digital-e-outras-reflexoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19278","title":{"rendered":"A televis\u00e3o p\u00fablica portuguesa na era digital e outras reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span>O final do m&ecirc;s de Agosto &eacute; tamb&eacute;m in&iacute;cio do regresso &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises sobre a produ&ccedil;&atilde;o em livros sobre o sector da comunica&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; que o regresso da Newsletter do OberCom passe por apresentar um livro e relembrar outro editado na d&eacute;cada de oitenta, mas ainda actual.<\/p>\n<p><\/span><span>Os jornais da segunda quinzena do m&ecirc;s de Agosto trouxeram &agrave; discuss&atilde;o o futuro da gest&atilde;o empresarial da RTP. Seman&aacute;rios e di&aacute;rios preocuparam-se em saber se as pessoas actualmente em gest&atilde;o ser&atilde;o as mesmas ap&oacute;s o final do actual mandato de gest&atilde;o ou se dar&atilde;o lugar a outras ou ainda se ficar&atilde;o umas e outras partir&atilde;o. A discuss&atilde;o &eacute; certamente apaixonante, pois todos gostamos de tentar acertar nos resultados de coisas que ainda n&atilde;o aconteceram. Mas, na ess&ecirc;ncia &eacute; uma discuss&atilde;o desinteressante quando se resume a &ldquo;nomes&rdquo;. Mais interessante do que saber quem ir&aacute; gerir &eacute; saber o que ir&aacute; gerir. E esse conhecimento da realidade n&atilde;o pode deixar de ter em aten&ccedil;&atilde;o que as mesmas preocupa&ccedil;&otilde;es, ou seja sobre o que &eacute; e ser&aacute; a televis&atilde;o p&uacute;blica, s&atilde;o comuns a toda a Europa.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Public Television in the Digital Era&rdquo; &eacute; o novo livro de Petros Isofidis director do Media and Communciation Program da City University em Londres. A pergunta que o livro procura responder &eacute; a mesma que gestores, pol&iacute;ticos e concorr&ecirc;ncia no mercado televisivo tentam h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas responder. Ou seja, qual deve ser a miss&atilde;o dos operadores de Televis&atilde;o P&uacute;blica? <\/p>\n<p><\/span><span>O livro pode n&atilde;o responder na totalidade &agrave; pergunta mas cont&eacute;m uma abordagem refrescante a uma an&aacute;lise que, n&atilde;o poucas vezes, cai na repeti&ccedil;&atilde;o levada ao extremo com as habituais quest&otilde;es sobre como se deve posicionar a TV p&uacute;blica em torno do que &eacute; qualidade, do que &eacute; pluralismo, do que s&atilde;o as suas obriga&ccedil;&otilde;es, etc. O livro de Isofidis foge assim &agrave; defini&ccedil;&atilde;o negativa do que &eacute; servi&ccedil;o p&uacute;blico, a que normalmente &eacute; dada, isto &eacute;: ser diferente do que fazem as televis&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o p&uacute;blicas. <\/p>\n<p><\/span><span>Para responder &agrave; pergunta atr&aacute;s formulada o autor sugere uma resposta &agrave; quest&atilde;o: &ldquo;Em que sociedade queremos viver? Quais os valores a serem protegidos?&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Numa sociedade com rosto humano e n&atilde;o totalit&aacute;ria os valores chave s&atilde;o de facto o pluralismo, a independ&ecirc;ncia, acessibilidade, qualidade de conte&uacute;dos, coes&atilde;o social e protec&ccedil;&atilde;o da privacidade. No entanto, essa &eacute; uma carta de princ&iacute;pios que deve estar presente nas direc&ccedil;&otilde;es de programas e de informa&ccedil;&atilde;o de todas as televis&otilde;es, p&uacute;blicas ou privadas. N&atilde;o chega para diferenciar qual a miss&atilde;o da TV P&uacute;blica. Para falarmos em miss&atilde;o da TV p&uacute;blica temos de ir mais al&eacute;m e passar para l&aacute; do informar, educar e entreter e focar a aten&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o de autonomia dos cidad&atilde;os, dando-lhes a op&ccedil;&atilde;o de escolha de qualidades diferentes, no leque de programas oferecidos, e inova&ccedil;&atilde;o face ao actualmente feito nos outros canais e ao j&aacute; experimentado no passado. <\/p>\n<p><\/span><span>A TV p&uacute;blica tem de tratar os seus telespectadores n&atilde;o apenas enquanto audi&ecirc;ncias mas tamb&eacute;m como cidad&atilde;os. No campo do financiamento, o modelo actual Europeu (onde coexistem modelos duais de publicidade e financiamento do Estado) deve evoluir, no espa&ccedil;o das pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, para um modelo assente apenas no financiamento p&uacute;blico de gest&atilde;o de longo prazo. Pois, o facto de existir subven&ccedil;&atilde;o dos estados s&oacute; se pode justificar se houver verdadeira inova&ccedil;&atilde;o de programas, diferencia&ccedil;&atilde;o de oferta e qualidade (como sempre um conceito subjectivo) sem demasiadas amarras publicit&aacute;rias e de audi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><\/span><span>A miss&atilde;o da TV p&uacute;blica ter&aacute; tamb&eacute;m de passar pela dimens&atilde;o digital. N&atilde;o s&oacute; pela cria&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os informativos online de refer&ecirc;ncia, como tamb&eacute;m pela experimenta&ccedil;&atilde;o de modelos de neg&oacute;cios que possam depois vir a ser adoptados pelo sector privado. Para os pa&iacute;ses do Sul da Europa a TV p&uacute;blica tem ainda outra miss&atilde;o a desempenhar: a de diminuir a info-exclus&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Nos pa&iacute;ses de menor penetra&ccedil;&atilde;o da Internet, a TV digital terrestre ter&aacute; de colmatar o facto de muitos cidad&atilde;os nunca irem, por sua pr&oacute;pria escolha, vir a optar pelo uso da Internet. A TV p&uacute;blica ter&aacute; assim de apostar e inovar e compreender como dar novos modelos de informa&ccedil;&atilde;o e entretenimento e como fomentar a autonomia dos seus telespectadores. <\/p>\n<p><\/span><span>Obviamente que todas essas mudan&ccedil;as implicam tamb&eacute;m mudan&ccedil;as na gest&atilde;o das empresas p&uacute;blicas de televis&atilde;o. Embora a sua miss&atilde;o seja diferente da das empresas de TV privadas a sua gest&atilde;o ter&aacute; de ser cada vez mais assente num modelo de neg&oacute;cio. Ou seja, a reorganiza&ccedil;&atilde;o da estrutura em divis&otilde;es de neg&oacute;cio, o encorajamento da gest&atilde;o e funcion&aacute;rios em alinhar custos com receitas e modelos de gest&atilde;o de recursos humanos assentes em modelos de incentivo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o bottom-up.<\/p>\n<p><\/span><span>Ser&aacute; que estas an&aacute;lises e recomenda&ccedil;&otilde;es se aplicam ao universo da TV P&uacute;blica Portuguesa? Creio que sim. Toda a hist&oacute;ria passada e a revolu&ccedil;&atilde;o recente na sua gest&atilde;o indicam que os mesmos ventos que sopram no resto da Europa tamb&eacute;m em Portugal est&atilde;o presentes. Obviamente n&atilde;o h&aacute; nenhuma inevitabilidade, h&aacute; sempre escolhas. <\/p>\n<p><\/span><span>No entanto, como se escrevia em 1984 no texto introdut&oacute;rio do livro &ldquo;A Comunica&ccedil;&atilde;o no Quotidiano Portugu&ecirc;s&rdquo; onde surgiam textos de, entre outros, Jos&eacute; Manuel Paquete de Oliveira, Jos&eacute; Bragan&ccedil;a de Miranda, Jos&eacute; M&aacute;rio Grilo &ldquo;Seremos n&oacute;s capazes &ndash; temos meios, condi&ccedil;&otilde;es, consci&ecirc;ncia poss&iacute;vel &ndash; para alterarmos a ordem estabelecida?&rdquo;. Se n&atilde;o formos capazes teremos certamente um sistema dos media mais enfraquecido com menor vitalidade e capacidade de inova&ccedil;&atilde;o. O que quer dizer tamb&eacute;m um mercado com menores taxas de crescimento e menores rendimentos das empresas de media. Um mercado onde todos, privados e p&uacute;blico, perdem. Por essas, e outras raz&otilde;es, t&atilde;o importante quanto as pessoas s&atilde;o as ideias que as pessoas t&ecirc;m.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><em><span>* Gustavo Cardoso &eacute; <\/span>d<span>irector do <\/span><span>Observat&oacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o de Portugal<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O final do m&ecirc;s de Agosto &eacute; tamb&eacute;m in&iacute;cio do regresso &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises sobre a produ&ccedil;&atilde;o em livros sobre o sector da comunica&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; que o regresso da Newsletter do OberCom passe por apresentar um livro e relembrar outro editado na d&eacute;cada de oitenta, mas ainda actual. 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