{"id":19273,"date":"2007-09-19T14:42:09","date_gmt":"2007-09-19T14:42:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19273"},"modified":"2007-09-19T14:42:09","modified_gmt":"2007-09-19T14:42:09","slug":"intervozes-lanca-abaixo-assinado-pela-cpi-abril-telefonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19273","title":{"rendered":"Intervozes lan\u00e7a abaixo-assinado pela CPI Abril-Telef\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) sobre a venda da empresa de TV por assinatura TVA pelo Grupo Abril &agrave; Telef&ocirc;nica, com expectativa de ser instalada essa semana &#8211; segundo a Ag&ecirc;ncia Estado &#8211; ganhou mais um refor&ccedil;o. O Coletivo Intervozes lan&ccedil;ou um abaixo- assinado pela abertura da CPI. A Comiss&atilde;o dever&aacute; investigar se a transa&ccedil;&atilde;o fere ou n&atilde;o lei que estabelece em 49% o limite de capital estrangeiro em uma empresa de TV a cabo. Qualquer internauta poder&aacute; apoiar a causa assinando pela internet o abaixo-assinado do Intervozes. <\/p>\n<p>Como &eacute; comum acontecer com iniciativas que tentam jogar alguma luz sobre os neg&oacute;cios na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, as empresas &ndash; neste caso, a Editora Abril &ndash; jogam pesado contra a CPI. Apesar de o requerimento contar com 182 assinaturas e aguardar apenas o despacho do presidente da C&acirc;mara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, sua instala&ccedil;&atilde;o n&atilde;oest&aacute; garantida. Usando a press&atilde;o direta e indireta (especialmente atrav&eacute;s da revista Veja), a Abril tenta fazer com que os parlamentares retirem seu apoio &agrave; CPI. <\/p>\n<p>Como forma de pressionar no sentido contr&aacute;rio, o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;a um abaixo-assinado online pela instala&ccedil;&atilde;o e mesmo a amplia&ccedil;&atilde;o do foco da CPI. <\/p>\n<p>Para o Intervozes, o epis&oacute;dio de que trata o pedido de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;&eacute; revelador da dimens&atilde;o do poder dos grandes grupos de m&iacute;dia enquanto atores pol&iacute;ticos e de como a l&oacute;gica econ&ocirc;mica predomina em detrimento do interesse p&uacute;blico no campo das comunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso,&nbsp;a entidade&nbsp; lembra que tamb&eacute;m outras transa&ccedil;&otilde;es no setor de TV por assinatura, como a venda de a&ccedil;&otilde;es da NET para a Embratel (controlada pela mexicana Telmex), poderiam ser objeto da CPI. <\/p>\n<p>O Intervozes ressalta que apesar da den&uacute;ncia surgir em meio aos esc&acirc;ndalos envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a disputa entre ele e a pr&oacute;pria Editora Abril, que tomou partido pela sua cassa&ccedil;&atilde;o, os fatos envolvendo a venda da TVA s&atilde;o graves e n&atilde;o podem ser obscurecidos por esta querela. <\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>Veja abaixo o texto completo do abaixo-assinado. <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.petitiononline.com\/CPI_TVA\/petition.html\">Para assinar o manifesto, clique aqui. <br \/><\/a><br \/><u>Pela instala&ccedil;&atilde;o da CPI TVA\/Telef&ocirc;nica e investiga&ccedil;&atilde;o de todas as irregularidades do setor <\/u><\/p>\n<p>Estamos diante de mais um caso de &ldquo;faroeste&rdquo; no campo das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. Agora, o Grupo Abril deflagrou uma campanha para desarticular a CPI que ir&aacute; investigar a compra da TVA pela Telef&ocirc;nica. Utilizando seu principal ve&iacute;culo de informa&ccedil;&atilde;o, a revista Veja, a empresajoga pesado contra os parlamentares que assinaram o requerimento. Achando pouco, a Abril colocou lobistas e funcion&aacute;rios pr&oacute;prios para percorrer os gabinetes pressionando os deputados a retirar suas assinaturas. <\/p>\n<p>Essa campanha s&oacute; refor&ccedil;a a necessidade de instala&ccedil;&atilde;o da CPI, al&eacute;mdar mais motivos para enterrar o mito da imparcialidade no jornalismo brasileiro. <\/p>\n<p>O que teme a Abril? Provavelmente, a empresa n&atilde;o quer que venham &agrave; tona as irregularidades da opera&ccedil;&atilde;o que, na pr&aacute;tica, entregou o controle da ComercialCabo para uma empresa estrangeira, o que &eacute; proibido pela lei 8.977\/95. <\/p>\n<p>No momento em que uma empresa de m&iacute;dia utiliza seu poder pol&iacute;tico para tentar proteger seus interesses, o Congresso brasileiro tem de afirmar sua independ&ecirc;ncia e n&atilde;o pode se dobrar ao poder dessa grande corpora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; verdade que a den&uacute;ncia das irregularidades feita por Renan Calheiros &eacute; uma retalia&ccedil;&atilde;o &agrave; campanha da Abril pela sua cassa&ccedil;&atilde;o. O senador nada tem de inocente e reagiu &agrave; den&uacute;ncia &ndash; aparentemente verdadeira &ndash; de que ele faz uso de laranjas para manter uma r&aacute;dio em Alagoas. Mas &eacute; verdade tamb&eacute;m que isso n&atilde;o interfere nadanos fatos. O que interessa &eacute; saber se houve ou n&atilde;o irregularidades na opera&ccedil;&atilde;o de compra da TVA pela Telef&ocirc;nica. E h&aacute; ind&iacute;cios de que houve irregularidades n&atilde;o consideradas pela Anatel ao aprovar a opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Pela legisla&ccedil;&atilde;o atual, o limite de capital estrangeiro em uma empresa de TV a cabo &eacute; 49%. Embora a venda da TVA respeite esse limite, ela estabelece uma cl&aacute;usula no contrato apontando a necessidade de uma &#39;reuni&atilde;o pr&eacute;via&#39; dos acionistas preferenciais, que deve ter seu resultado seguido pela reuni&atilde;o de acionistas com direito a voto. Na pr&aacute;tica, vincula as decis&otilde;es da empresa &agrave;s decis&otilde;es da Telef&ocirc;nica, passando o controle &agrave; empresa espanhola. <\/p>\n<p>A pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; nova nem exclusiva do Grupo Abril. A primeira empresa a usar brechas legais para vender sua operadora de cabo para o capital estrangeiro foi a Globo, que vendeu a quase totalidade das a&ccedil;&otilde;es preferenciais (sem direito a voto) e cerca de 38% das a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias (com direito a voto) da NET Servi&ccedil;os para a Embratel (leia-se Telmex). Mas a Globo usou uma empresa chamada GB (que era usada anteriormente pela Globo e o Bradesco &#8211; da&iacute; o nome) e lhe &#39;&#39;entregou&#39;&#39; 51% das a&ccedil;&otilde;es da NET Servi&ccedil;os. O problema &eacute; que o capital da GB agora est&aacute; dividido em 49% para a Telmex e 51% para a Globo. Assim, na pr&aacute;tica, a Telmex &eacute; a acionista majorit&aacute;ria da NET Servi&ccedil;os, a despeito da proibi&ccedil;&atilde;o da Lei da TV a cabo (8.977\/95). A transa&ccedil;&atilde;o da Globo foi aprovada pela Anatel.A Abril fez a mesma coisa, mas foi menos sutil; mesmo assim, tamb&eacute;m teve sua opera&ccedil;&atilde;o aprovada. <\/p>\n<p>No caso da Telef&ocirc;nica, h&aacute; ainda um outro problema. Em S&atilde;o Paulo, al&eacute;m da proibi&ccedil;&atilde;o prevista na Lei do Cabo, existe outra, que est&aacute; na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) e quediz que uma empresa concession&aacute;ria de telefonia fixa n&atilde;o pode estar no bloco de controle de uma operadora de TV a cabo, o que se configura com a posse de 20% das a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias. Ent&atilde;o, especificamente no estado de S&atilde;o Paulo, a Telef&ocirc;nica s&oacute; pode ter 19,99% das a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias da TVA.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o 101 da Anatel, que baliza a an&aacute;lise sobre esse tipo de opera&ccedil;&atilde;o, tem elementos para que se impe&ccedil;a esse tipo de transa&ccedil;&atilde;o. Com todos esses ind&iacute;cios, a investiga&ccedil;&atilde;o sobre essas opera&ccedil;&otilde;es se torna inadi&aacute;vel. Mesmo frente a esse quadro, a soberba do Grupo Abril &eacute;tamanha que eles alegam que a CPI amea&ccedil;a a liberdade de imprensa. Ora, uma empresa de m&iacute;dia n&atilde;o pode ser investigada? Em nome dessa &ldquo;liberdade de imprensa&rdquo; (na realidade, liberdade de empresa) deve-se abafar todos os ind&iacute;cios de irregularidades em meios de comunica&ccedil;&atilde;o? S&oacute; a rea&ccedil;&atilde;o da Abril j&aacute; justifica a instala&ccedil;&atilde;o da CPI. Quem teme, provavelmente deve. <\/p>\n<p>O epis&oacute;dio &eacute; revelador da dimens&atilde;o do poder dos grandes grupos de m&iacute;dia enquanto atores pol&iacute;ticos e de como a l&oacute;gica econ&ocirc;mica predomina em detrimento do interesse p&uacute;blico no campo das comunica&ccedil;&otilde;es. Evidencia tamb&eacute;m a leni&ecirc;ncia do poder p&uacute;blico para lidar com as burlas legais encontradas pelas grandes empresas. Resta saber se o Congresso brasileiro se dobrar&aacute; diante dessa chantagem. Os abaixo assinados esperam que n&atilde;o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) sobre a venda da empresa de TV por assinatura TVA pelo Grupo Abril &agrave; Telef&ocirc;nica, com expectativa de ser instalada essa semana &#8211; segundo a Ag&ecirc;ncia Estado &#8211; ganhou mais um refor&ccedil;o. O Coletivo Intervozes lan&ccedil;ou um abaixo- assinado pela abertura da CPI. 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