{"id":19247,"date":"2007-09-17T16:03:48","date_gmt":"2007-09-17T16:03:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19247"},"modified":"2007-09-17T16:03:48","modified_gmt":"2007-09-17T16:03:48","slug":"cultura-e-conhecimento-a-importancia-dos-direitos-autorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19247","title":{"rendered":"Cultura e conhecimento: a import\u00e2ncia dos direitos autorais"},"content":{"rendered":"<p>O&nbsp;debate sobre direitos autorais ganhou espa&ccedil;o importante de discuss&atilde;o p&uacute;blica. Trata-se de assunto estrat&eacute;gico para a cultura brasileira: a valoriza&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o aos autores e criadores &eacute; premissa fundamental de todo o trabalho que vem sendo realizado no Minist&eacute;rio da Cultura &#8211; institui&ccedil;&atilde;o que tem a compet&ecirc;ncia, no Estado brasileiro, de tratar o tema. <\/p>\n<p>Em grande medida, suscitamos a discuss&atilde;o quando decidimos retomar a responsabilidade do minist&eacute;rio de atuar neste que &eacute; um dos mais importantes temas da cultura. Al&eacute;m de &oacute;rg&atilde;o regulador, o Minist&eacute;rio da Cultura tem se tornado um grande financiador de bens art&iacute;sticos e criativos, aumentando seu or&ccedil;amento ano a ano, e remunerando, via sele&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, milhares de autores de filmes, pe&ccedil;as, livros e outros bens culturais que entram em circula&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Na globaliza&ccedil;&atilde;o, o Brasil precisa afirmar-se como um grande produtor de conte&uacute;do em l&iacute;ngua portuguesa e n&atilde;o apenas um gigante consumidor. Nossa balan&ccedil;a comercial em propriedade intelectual (hoje deficit&aacute;ria) deve buscar o equil&iacute;brio, em benef&iacute;cio do Brasil, das empresas e dos autores brasileiros. <\/p>\n<p>O direito autoral voltou hoje a ser premissa e uma das finalidades da pol&iacute;tica cultural brasileira. A pol&iacute;tica para o direito autoral &eacute; estrat&eacute;gica porque diz respeito &agrave; soberania do Brasil e de nossos criadores na emerg&ecirc;ncia da sociedade do conhecimento. <\/p>\n<p>Passados dez anos da &uacute;ltima altera&ccedil;&atilde;o da Lei Autoral brasileira, &eacute; hora de a sociedade pensar se &eacute; necess&aacute;ria uma atualiza&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o muitas as insatisfa&ccedil;&otilde;es com o atual modelo, a come&ccedil;ar pelos autores, que n&atilde;o se sentem inteiramente protegidos, nem bem remunerados. E acrescentemos o desafio dos novos modelos de neg&oacute;cios em base digital e, tamb&eacute;m, o aprofundamento da democracia e o desejo dos brasileiros de acessar a cultura, como parte de sua forma&ccedil;&atilde;o humana integral. <\/p>\n<p>Hoje, a lei &eacute; anacr&ocirc;nica para atender, de forma equilibrada, tanto autores como consumidores e cidad&atilde;os. A simples reprodu&ccedil;&atilde;o de um arquivo musical para um tocador de MP3 contraria nossa legisla&ccedil;&atilde;o autoral, que n&atilde;o diferencia c&oacute;pia privada de c&oacute;pia com fins de pirataria. Tanto autores como consumidores concordariam que esta &eacute; forma relevante de circular cultura e remunerar artistas. <\/p>\n<p><strong>Tecnologia<\/p>\n<p><\/strong>O ambiente de desenvolvimento das tecnologias digitais promove, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para o criador de obras liter&aacute;rias e art&iacute;sticas. Desafio porque, dada a facilidade com que se reproduz ou se comunica ao p&uacute;blico, uma obra ultrapassa largamente a capacidade tradicional de controle do autor sobre a sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Oportunidade, pois o autor nunca teve tanta facilidade em tornar p&uacute;blico o seu trabalho, sem depender dos esquemas tradicionais que lhe submetem a um contrato com um investidor cujos termos s&atilde;o, por vezes, onerosos e mesmo leoninos contra os autores. Em algum momento de minha carreira musical, senti na pr&oacute;pria pele como os autores nem sempre s&atilde;o os benefici&aacute;rios. <\/p>\n<p>A lei atual prescreve a utiliza&ccedil;&atilde;o das medidas de prote&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica (MPT), que permitem ao dono dos direitos sobrepor algum software ou programa espec&iacute;fico sobre a m&iacute;dia em que eles est&atilde;o gravados, de maneira que seja imposs&iacute;vel, por exemplo, copiar o filme ou a m&uacute;sica. Na pr&aacute;tica, em todo o mundo, tais medidas t&ecirc;m se revelado ineficientes e incapazes de manter a remunera&ccedil;&atilde;o dos autores e investidores. <\/p>\n<p>A tecnologia a servi&ccedil;o do cerceamento das liberdades produzidas pela pr&oacute;pria tecnologia n&atilde;o &eacute; o melhor caminho, quando temos formas mais modernas de controle e novas formas de modelos de neg&oacute;cio, como a contribui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria sobre a m&iacute;dia virgem. Essa contribui&ccedil;&atilde;o, m&iacute;nima, &eacute; revertida automaticamente para os autores como forma de compens&aacute;-los por perdas como as causadas pelos downloads. Limita&ccedil;&otilde;es e exce&ccedil;&otilde;es &agrave; prote&ccedil;&atilde;o autoral permitem atividades culturais sem fins econ&ocirc;micos, que s&atilde;o perfeitamente legais em pa&iacute;ses avan&ccedil;ados. <\/p>\n<p>Devemos tamb&eacute;m enfrentar a vulnerabilidade dos criadores frente ao abuso de poder econ&ocirc;mico do investidor, que se reflete, por vezes, em certas formas de contrato, de licenciamento ou cess&atilde;o dos direitos sobre sua obra para que ela seja reproduzida, veiculada, distribu&iacute;da ou comunicada ao p&uacute;blico. O que sobra ao autor ap&oacute;s a assinatura desse contrato &eacute;, via de regra, &iacute;nfimo, face &agrave; import&acirc;ncia de sua cria&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia e para o usu&aacute;rio final da obra protegida. <\/p>\n<p>As distor&ccedil;&otilde;es da lei atual criam um claro desequil&iacute;brio entre o incentivo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o versus o acesso &agrave; cultura, de um lado, e, de outro, o incentivo ao criador versus a remunera&ccedil;&atilde;o do investidor. A tecnologia, por certo, interfere nesse processo, nos colocando diante de desafios que ser&atilde;o enfrentados com muito debate social, negocia&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o fundamental a ser enfrentada &eacute;: como remunerar de maneira condizente o criador nacional, o bem-estar que ele propicia a toda a sociedade? <\/p>\n<p><strong>Transpar&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/strong>Devemos refor&ccedil;ar o papel das entidades de gest&atilde;o coletiva autoral em suas tarefas de controlar a utiliza&ccedil;&atilde;o das obras e de arrecadar uma remunera&ccedil;&atilde;o justa, que seja efetivamente revertida aos autores. S&atilde;o leg&iacute;timas as cr&iacute;ticas constantes ao &oacute;rg&atilde;o central de arrecada&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica musical, assim como a situa&ccedil;&atilde;o de fal&ecirc;ncia da entidade mais antiga de gest&atilde;o coletiva, no caso dos direitos de representa&ccedil;&atilde;o teatral, al&eacute;m da aus&ecirc;ncia de &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o, por exemplo, na &aacute;rea do cinema. <\/p>\n<p>No per&iacute;odo recente, o Estado brasileiro praticamente foi desmantelado no seu papel de garantir mais transpar&ecirc;ncia. Hoje, tornou-se necess&aacute;rio fortalecer o papel do Estado na &aacute;rea. O Minist&eacute;rio da Cultura apoiou a cria&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, do Conselho Nacional de Combate &agrave; Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP). <\/p>\n<p>O governo tem sido bem-sucedido em coordenar os esfor&ccedil;os entre a iniciativa privada e o Estado, com o objetivo de combater a reprodu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-autorizada de obras autorais. Isso tem sido feito, facilitando o trabalho das autoridades policiais e judici&aacute;rias na busca, apreens&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o do material pirateado. <\/p>\n<p>Por&eacute;m, temos insistido que n&atilde;o ser&aacute; suficiente somente a repress&atilde;o pura e simples &agrave; pirataria, sem um trabalho de educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do direito autoral e da rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre a pirataria e o crime organizado, mostrando que a compra de material pirata financia a criminalidade. A iniciativa privada tamb&eacute;m tem um papel importante nessa &aacute;rea, devendo buscar reduzir os pre&ccedil;os dos CDs e DVDs comercializados para torn&aacute;-los mais atrativos para o consumidor de material pirateado. O Estado n&atilde;o pode tudo nessa &aacute;rea: sem um esfor&ccedil;o de toda a cadeia de comercializa&ccedil;&atilde;o, as medidas represssivas n&atilde;o ser&atilde;o suficientes. <\/p>\n<p>A consolida&ccedil;&atilde;o das leis autorais, ainda no s&eacute;culo 19, teve sempre um objetivo fundamental: incentivar a cria&ccedil;&atilde;o como forma de aumentar o bem-estar da sociedade. Nossa lei atual est&aacute; cumprindo esse objetivo? Em minha vis&atilde;o, n&atilde;o &eacute; o caso. <\/p>\n<p>Por isso tudo, julgo que devemos rever esses desequil&iacute;brios e induzir &agrave; melhor distribui&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios, na qual o criador receba uma contrapartida justa em rela&ccedil;&atilde;o a seu papel na sociedade. Com o meio digital, o desafio &eacute; ainda maior. Independentemente de qual sejam esses instrumentos e seu foco de atua&ccedil;&atilde;o, o Minist&eacute;rio da Cultura j&aacute; vem trabalhando para dotar seu setor autoral de uma estrutura adequada, para fazer frente aos desafios impostos pelas novas tecnologias e, principalmente, pela grandeza cultural de nosso pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Nesse sentido, &eacute; com satisfa&ccedil;&atilde;o que anuncio que o Minist&eacute;rio da Cultura realizar&aacute; uma s&eacute;rie de encontros, semin&aacute;rios e oficinas integrando um f&oacute;rum nacional sobre direitos autorais que promover&aacute; um amplo debate com a sociedade e com todos os atores envolvidos na quest&atilde;o autoral com vistas a definir qual a melhor forma de promover os equil&iacute;brios que mencionei, bem como a atua&ccedil;&atilde;o que o poder p&uacute;blico deve ter para dotar o campo autoral de mais transpar&ecirc;ncia e justi&ccedil;a. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&nbsp;debate sobre direitos autorais ganhou espa&ccedil;o importante de discuss&atilde;o p&uacute;blica. 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