{"id":19242,"date":"2007-09-17T11:36:53","date_gmt":"2007-09-17T11:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19242"},"modified":"2007-09-17T11:36:53","modified_gmt":"2007-09-17T11:36:53","slug":"decisao-de-voto-midia-e-eleicoes-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19242","title":{"rendered":"Decis\u00e3o de voto: m\u00eddia e elei\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Algo de muito estranho est&aacute; acontecendo com os jornalistas da grande m&iacute;dia no Brasil. Enquanto, por exemplo, florescem mundo afora cursos acad&ecirc;micos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o sobre &quot;estudos de m&iacute;dia&quot; (media studies), entre n&oacute;s ainda se questiona arrogantemente a legitimidade de uma das mais importantes institui&ccedil;&otilde;es do mundo moderno &ndash; a m&iacute;dia &ndash; &quot;ser tratada como um bloco&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Para certos jornalistas, &quot;tratar a m&iacute;dia como um bloco&quot; &eacute; ignorar que possa haver algum tipo de competi&ccedil;&atilde;o (pluralidade) entre as empresas que produzem jornalismo e entretenimento ou alguma diversidade de conte&uacute;do entre os ve&iacute;culos que elas controlam. N&atilde;o se reconhece a exist&ecirc;ncia de uma institui&ccedil;&atilde;o que se orienta por normas empresariais e rotinas profissionais padronizadas, independente da eventual pluralidade e diversidade que ainda possa existir e da relativa autonomia de trabalho do jornalista. &Eacute; essa institui&ccedil;&atilde;o &ndash; o coletivo dos jornais, revistas, emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o &ndash; que se chama universalmente de m&iacute;dia e que se transformou em ator pol&iacute;tico central nas democracias contempor&acirc;neas.<\/p>\n<p><\/span><span>Essa explica&ccedil;&atilde;o preliminar sobre a exist&ecirc;ncia da m&iacute;dia (!!!) vem a prop&oacute;sito de um livro que acaba de ser lan&ccedil;ado pelo C3 &ndash; Centro de Competencia en Comunicaci&oacute;n, uma unidade regional de an&aacute;lise da comunica&ccedil;&atilde;o para Am&eacute;rica Latina da Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES), com sede em Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Efetividade perdida<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A FES &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o que &quot;baseia seus programas no ide&aacute;rio da social-democracia alem&atilde; e europ&eacute;ia e mant&eacute;m escrit&oacute;rios em mais de 70 pa&iacute;ses do mundo, sempre com a finalidade de cooperar na consolida&ccedil;&atilde;o e no desenvolvimento de regimes democr&aacute;ticos e participativos&quot; e est&aacute; no Brasil h&aacute; mais de 30 anos.<\/p>\n<p><\/span><span>O livro, cujo t&iacute;tulo &eacute; Se nos rompi&oacute; el amor &ndash; Elecciones y medios de comunicaci&oacute;n, Am&eacute;rica Latina 2006, re&uacute;ne 12 estudos de 15 especialistas, 11 deles sobre o papel da m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais realizadas em 11 pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, entre novembro de 2005 e dezembro de 2006. O d&eacute;cimo segundo estudo trata das elei&ccedil;&otilde;es municipais e parlamentares realizadas em El Salvador.<\/p>\n<p><\/span><span>A leitura desses textos &eacute; extremamente reveladora porque mostra como muitas das quest&otilde;es que foram discutidas entre n&oacute;s ao longo do processo eleitoral de 2006 &ndash; e continuam na agenda p&uacute;blica &ndash; tamb&eacute;m estiveram e est&atilde;o presentes nos debates realizados nos pa&iacute;ses vizinhos. <\/p>\n<p><\/span><span>A tese principal do livro, simplificadamente, &eacute; de que o ano de 2006 passar&aacute; para a hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es entre a m&iacute;dia e as campanhas eleitorais na Am&eacute;rica Latina como aquele em que os candidatos &quot;romperam seu amor pela m&iacute;dia&quot; e preferiram a comunica&ccedil;&atilde;o direta com a cidadania. Neste processo, a m&iacute;dia perdeu seu protagonismo e converteu-se em pol&ecirc;mico ator pol&iacute;tico. O resultado foi que nasceu um &quot;novo amor&quot; entre candidatos\/governantes e as popula&ccedil;&otilde;es, um amor sem mediadores, que converteu a m&iacute;dia na &quot;vil&atilde;&quot; da vida pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Os estudos chegam a v&aacute;rias conclus&otilde;es, dentre elas, que a m&iacute;dia se converteu em&#8230; <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>** ator que tomou posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e abdicou de sua responsabilidade &quot;iluminadora&quot; nos processos eleitorais; e <\/p>\n<p><\/span><span>** observadora interessada e intencionada abdicando de seu papel central de ser f&oacute;rum da democracia. <\/p>\n<p><\/span><span>Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, em pelo menos 6 dos 11 processos eleitorais estudados &ndash; Bol&iacute;via, Chile, Brasil, Nicar&aacute;gua, Equador e Venezuela &ndash;, a m&iacute;dia perdeu efetividade na decis&atilde;o de voto tomada pela maioria dos votantes j&aacute; que n&atilde;o logrou converter seu desejo em decis&otilde;es eleitorais. Nas outras cinco elei&ccedil;&otilde;es &ndash; M&eacute;xico, Peru, Costa Rica, Col&ocirc;mbia e Honduras &ndash; apesar de os candidatos apoiados pela m&iacute;dia terem vencido as elei&ccedil;&otilde;es, a m&iacute;dia perdeu credibilidade e legitimidade.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quest&otilde;es e constata&ccedil;&otilde;es <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar de tudo, conclui-se tamb&eacute;m que a m&iacute;dia continua sendo o cen&aacute;rio privilegiado onde as campanhas eleitorais se desenrolam; que o cidad&atilde;o dificilmente pode decidir seu voto com base na informa&ccedil;&atilde;o, na an&aacute;lise e na opini&atilde;o difundidas pela m&iacute;dia; e que a m&iacute;dia se converteu em parte do conjunto de institui&ccedil;&otilde;es que &eacute; necess&aacute;rio mudar, da mesma forma que &eacute; necess&aacute;rio mudar as velhas pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas, os partidos e a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Como se v&ecirc;, n&atilde;o foi somente no Brasil que se questionou o papel da m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es. Ademais, a publica&ccedil;&atilde;o de um livro que analisa o papel da m&iacute;dia em 11 elei&ccedil;&otilde;es presidenciais realizadas na Am&eacute;rica Latina, num per&iacute;odo de 12 meses &eacute;, em si mesmo, uma excelente oportunidade para compara&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises sobre o processo eleitoral, momento definidor das democracias.<\/p>\n<p><\/span><span>Sem ignorar que as conclus&otilde;es dos estudos publicados em Se nos rompi&oacute; el amor &ndash; Elecciones y medios de comunicaci&oacute;n, Am&eacute;rica Latina 2006 ser&atilde;o rejeitadas pela grande m&iacute;dia brasileira &ndash; que, ali&aacute;s, sequer admite a sua exist&ecirc;ncia como institui&ccedil;&atilde;o coletiva &ndash; &eacute; reconfortante saber que quest&otilde;es e constata&ccedil;&otilde;es que se fazem aqui coincidem com quest&otilde;es e constata&ccedil;&otilde;es que tamb&eacute;m se fazem em outros pa&iacute;ses. <\/p>\n<p><\/span><span>As rela&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia com a democracia entraram definitivamente na agenda p&uacute;blica de discuss&atilde;o. E n&atilde;o somente no Brasil. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><br \/><\/span>&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo de muito estranho est&aacute; acontecendo com os jornalistas da grande m&iacute;dia no Brasil. 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