{"id":19205,"date":"2007-09-12T19:12:17","date_gmt":"2007-09-12T19:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19205"},"modified":"2007-09-12T19:12:17","modified_gmt":"2007-09-12T19:12:17","slug":"a-imprensa-brasileira-virou-partido-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19205","title":{"rendered":"&#8220;A imprensa brasileira virou partido pol\u00edtico&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>A imprensa no Brasil &eacute; um partido pol&iacute;tico. &Eacute; o que diz o cientista pol&iacute;tico Wanderley Guilherme dos Santos, em entrevista a Paulo Henrique Amorim, para o site Conversa Afiada. A imprensa se considera indestrut&iacute;vel porque resiste &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o, &agrave; republicaniza&ccedil;&atilde;o do Brasil.<\/p>\n<p>Wanderley Guilherme &#8211; que &eacute; professor titular aposentado de teoria pol&iacute;tica da UFRJ -, restou &agrave; imprensa brasileira ter a capacidade de gerar crises, instabilidade pol&iacute;tica. No governo Lula, a imprensa pratica o &#39;&#39;quanto pior melhor&#39;&#39;, que, antes, atribu&iacute;a &agrave; esquerda: ela combate pol&iacute;ticas que, sabe, s&atilde;o ben&eacute;ficas ao pa&iacute;s, mas n&atilde;o tolera que sejam praticadas por um l&iacute;der comprometido com as classes populares.<\/p>\n<p>&#39;&#39;Isso (o compromisso com as classes populares) &eacute; algo que irrita e, conseq&uuml;entemente, faz com que aumente a disposi&ccedil;&atilde;o da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo&#39;&#39;, continuou o professor.<\/em><\/p>\n<p><u>Confira a &iacute;ntegra da entrevista<\/u><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong>Quando se fala em m&iacute;dia como o &ldquo;Quarto Poder&rdquo;, qual &eacute; a primeira coisa que lhe vem &agrave; cabe&ccedil;a?<br \/><\/strong>A primeira coisa que me vem &agrave; cabe&ccedil;a: n&atilde;o &eacute; uma particularidade nacional. Porque, na verdade, na teoria democr&aacute;tica cl&aacute;ssica, n&atilde;o havia previs&atilde;o para o aparecimento de um lugar institucional com poder pol&iacute;tico relevante. Ent&atilde;o, voc&ecirc; tinha o Parlamento e voc&ecirc; tinha o Executivo. O Parlamento podia ser dividido em duas Casas, como quando tem Senado e C&acirc;mara, ou ser unicameral. O Executivo podia ser ou de gabinete ou uma Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Mais o Judici&aacute;rio, quando &aacute;rbitro dos conflitos eventualmente surgidos entre as duas est&acirc;ncias anteriores. Mas n&atilde;o havia, n&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o em nenhuma teoria, de algo, de uma institui&ccedil;&atilde;o que veio a ser a imprensa. Como tamb&eacute;m, ali&aacute;s, n&atilde;o havia para as For&ccedil;as Armadas. N&atilde;o se concebia que as For&ccedil;as Armadas viessem a ser um ator pol&iacute;tico relevante. <\/p>\n<p>Mas, sobretudo, a imprensa. Porque, de certo modo, ela encarnaria n&atilde;o um poder, mas a vigil&acirc;ncia do poder. Era a garantia do direito de opini&atilde;o, a garantia do direito de express&atilde;o de id&eacute;ias e a garantia de vigil&acirc;ncia dos poderes constitu&iacute;dos. Ent&atilde;o, era muito mais um &oacute;rg&atilde;o defensivo e reflexivo do que interferente. A partir do momento em que voc&ecirc; tem uma sociedade de massa, ou seja, o tamanho do eleitorado traz novidades para o funcionamento da democracia &ndash; ningu&eacute;m jamais imaginou eleitorado de mais de dez milh&otilde;es de pessoas &ndash;, isso tamb&eacute;m trouxe uma modifica&ccedil;&atilde;o do papel das institui&ccedil;&otilde;es. Em princ&iacute;pio, elas interagem com estas massas que t&ecirc;m peso. <\/p>\n<p>O resultado foi que aquelas institui&ccedil;&otilde;es que, de certa maneira, condicionam e influenciam a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o das massas, fazendo com que a disposi&ccedil;&atilde;o delas se altere ou se incline numa dire&ccedil;&atilde;o ou em outra, aquelas institui&ccedil;&otilde;es passaram a ter um papel de import&acirc;ncia. <\/p>\n<p>A imprensa, os &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o, na medida em que condicionavam e orientavam a inclina&ccedil;&atilde;o desta popula&ccedil;&atilde;o, e o peso delas se tornando cada vez maior dentro do funcionamento das democracias, fizeram com que esta institui&ccedil;&atilde;o, a imprensa, passasse a ter um papel h&iacute;brido: de um lado, refletia o real; e de outro, ao mesmo tempo, interferia, interfere e condiciona as alternativas deste real. <\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio deixar claro que isso n&atilde;o aconteceu por nenhuma conspira&ccedil;&atilde;o, nenhum plano previamente estipulado. Foi assim, numa democracia de massa, com o problema do populismo, por exemplo. Este novo papel desempenhado pela imprensa, envolvida no seu papel constitucional, te&oacute;rico, de express&atilde;o de opini&atilde;o, controle e vigil&acirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o dos poderes p&uacute;blicos, e, ao mesmo tempo, cobrar responsabilidade desta institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, tem que ter norma a que deva obedecer, tem que ter inst&acirc;ncias de julgamento &ndash; com o qualquer agente p&uacute;blico. E n&atilde;o se trata de julgamento estritamente policial, trata-se de julgamento pol&iacute;tico. N&atilde;o existe consenso sobre como conciliar esta responsabilidade, que deve ser cobrada neste ato p&uacute;blico, com o que &eacute; fundamental tamb&eacute;m numa democracia &#8211; que &eacute; o respeito &agrave; liberdade de imprensa, &agrave; liberdade de opini&atilde;o. <\/p>\n<p>Quer dizer, a liberdade de express&atilde;o de opini&atilde;o &eacute; crucial e essencial na defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; democracia. Quando esta express&atilde;o de opini&atilde;o pode de alguma maneira trabalhar contra a democracia, cria um problema. &Eacute; o mesmo problema que se coloca em rela&ccedil;&atilde;o a partidos revolucion&aacute;rios. Democraticamente, &eacute; necess&aacute;rio que se permita a organiza&ccedil;&atilde;o em partidos as diversas opini&otilde;es, correntes. Agora, em que medida este direito deve ser ou pode ser assegurado a partidos cujo objetivo &eacute; fazer com que desapare&ccedil;am as institui&ccedil;&otilde;es que permitam que ele exista &#8211; isso &eacute; uma complica&ccedil;&atilde;o numa teoria democr&aacute;tica. Ent&atilde;o, esse &eacute; um problema contempor&acirc;neo da imprensa, n&atilde;o &eacute; s&oacute; no Brasil: como conciliar os dois pap&eacute;is que a imprensa tem. Primeiro, como institui&ccedil;&atilde;o da sociedade privada de exprimir o que se passa no mundo e a opini&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, na medida em que se comporta como ator pol&iacute;tico, ter inst&acirc;ncias que cobrem responsabilidade pol&iacute;tica dessa institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong><br \/>Este problema j&aacute; foi resolvido em algum pa&iacute;s ? <br \/><\/strong>Institucionalmente, n&atilde;o. O que voc&ecirc; encontra &eacute; uma evolu&ccedil;&atilde;o da cultura pol&iacute;tica e tamb&eacute;m do poder da sociedade civil, do poder privado. Na verdade, at&eacute; agora n&atilde;o se criaram institui&ccedil;&otilde;es consensuais para a solu&ccedil;&atilde;o deste problema. Tem sido resolvido pela id&eacute;ia gradativa de redu&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da imprensa, como condicionador das atitudes da popula&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; o que tem acontecido nas sociedades ricas, porque dependem cada vez menos das pol&iacute;ticas de governo. Porque s&atilde;o ricas, porque a sociedade &eacute; abundante, ent&atilde;o, a opini&atilde;o que os jornais e as televis&otilde;es come&ccedil;am a distribuir &ndash; dizer que o governo &eacute; isso, que o governo &eacute; aquilo, isso n&atilde;o tem conseq&uuml;&ecirc;ncia sobre a vida privada dos cidad&atilde;os. E por isso mesmo a opini&atilde;o da imprensa deixa de ser relevante. Ent&atilde;o, o que tem acontecido nos pa&iacute;ses mais estabilizados, n&atilde;o &eacute; que se tenham criado institui&ccedil;&otilde;es de controle ou de chamada &agrave; responsabilidade, mas que os jornais e as televis&otilde;es v&ecirc;m perdendo import&acirc;ncia.<\/p>\n<p><strong><br \/>Especificamente no Brasil, como &eacute; que esse cen&aacute;rio se desenvolveu? Quem se aproveitou?<br \/><\/strong>Quem se aproveitou eu n&atilde;o sei. No Brasil, voc&ecirc; tem uma circunst&acirc;ncia peculiar que &eacute; o fato de que as empresas jornal&iacute;sticas t&ecirc;m os interesses empresariais tamb&eacute;m fora do circuito de informa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, isso faz com que as opini&otilde;es da imprensa n&atilde;o se apoiem apenas, como se diz, pelos preceitos de seus coment&aacute;rios, mas pelo interesse de mat&eacute;rias econ&ocirc;micas tamb&eacute;m, que s&atilde;o defendidos sob a desculpa, o contexto de que est&aacute; sendo defendido o interesse da popula&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Ent&atilde;o, este aspecto &eacute; o aspecto que n&atilde;o se encontra muito nos pa&iacute;ses desenvolvidos: a dist&acirc;ncia entre empresas, empresas jornal&iacute;sticas que t&ecirc;m interesses comercias e empresariais, al&eacute;m dos interesses jornal&iacute;sticos. <\/p>\n<p>E isso cria uma situa&ccedil;&atilde;o muito particular, porque, afinal de contas, os interesses econ&ocirc;micos e empresariais de propriet&aacute;rios de jornais deviam ter suas inst&acirc;ncias de defesa e n&atilde;o utilizar a imprensa para isso. Mas, esta &eacute; a peculiaridade do Brasil. E &eacute; isso o que se mistura com freq&uuml;&ecirc;ncia no Brasil: as campanhas pol&iacute;ticas desenvolvidas pela imprensa, sob o pretexto de que s&atilde;o quest&otilde;es que se quer&nbsp; p&uacute;blicas, mas, na verdade, s&atilde;o interesses privados dos pr&oacute;prios empres&aacute;rios jornal&iacute;sticos.<\/p>\n<p><strong><br \/>Paulo Henrique Amorim costuma dizer que em nenhuma democracia importante do mundo os jornais e uma s&oacute; emissora de TV t&ecirc;m a import&acirc;ncia pol&iacute;tica que t&ecirc;m no Brasil. <br \/><\/strong>Quer dizer, s&oacute; em pa&iacute;ses mais ou menos parecidos com o Brasil. Fora pa&iacute;ses, digamos, com renda per capita inferior a 30 mil d&oacute;lares, fora pa&iacute;ses desta faixa, isso n&atilde;o existe. Ou seja, em todos os pa&iacute;ses (com renda superior a 30 mil d&oacute;lares), a imprensa n&atilde;o tem esta capacidade de criar crises pol&iacute;ticas, como tem nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p><strong>Aqui no Brasil, com esta import&acirc;ncia pol&iacute;tica que os jornais e a Globo t&ecirc;m, como &eacute; que eles exercem este poder?<br \/><\/strong>O modo tradicional de exercer o poder em pa&iacute;ses como o Brasil, e isso tem acontecido historicamente com freq&uuml;&ecirc;ncia, &eacute; a capacidade que a imprensa tem de mexer na estabilidade, ou seja, de criar crises, cuja origem &eacute; simplesmente uma mobiliza&ccedil;&atilde;o do condicionamento da opini&atilde;o p&uacute;blica. O que a imprensa nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, e particularmente no Brasil, tem &eacute; a capacidade de criar instabilidades. &Eacute; a capacidade que a imprensa tem de criar movimenta&ccedil;&atilde;o popular, de criar atitudes, opini&otilde;es, independentemente do que est&aacute; acontecendo na realidade. Isso &eacute; pr&oacute;prio de pa&iacute;ses latino-americanos, mas particularmente no Brasil, em que as empresas jornal&iacute;sticas t&ecirc;m poder econ&ocirc;mico e capacidade e disposi&ccedil;&atilde;o para a interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Ent&atilde;o, a arma da imprensa no Brasil, o seu recurso diante dos governos: esta capacidade de criar instabilidade pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><strong>Como &eacute; que o senhor v&ecirc; o papel da m&iacute;dia no governo Lula ?<br \/><\/strong>Tem dois aspectos. O primeiro aspecto &eacute; fato de o governo Lula ser um governo in&eacute;dito no Brasil. &Eacute; realmente um governo cuja composi&ccedil;&atilde;o de classe, cuja composi&ccedil;&atilde;o social &eacute; diferente de todos os governos at&eacute; agora. Isso n&atilde;o foi e dificilmente ser&aacute; bem digerido. Agora, em acr&eacute;scimo a isso &eacute; que, ao contr&aacute;rio do que se teria esperado ou gostariam que acontecesse, este &eacute; um governo que at&eacute; agora tem se mantido fiel &agrave; sua orienta&ccedil;&atilde;o original, independentemente das discuss&otilde;es internas do grupo do PT. A verdade &eacute; que as pol&iacute;ticas do governo t&ecirc;m prioridades &oacute;bvias, que s&atilde;o as classes subalternas. Isso &eacute; algo que irrita e, conseq&uuml;entemente, faz com que aumente a disposi&ccedil;&atilde;o da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo.<\/p>\n<p><strong>Em que outros epis&oacute;dios da Historia do Brasil a imprensa usou a arma da instabilidade ? <br \/><\/strong>No Brasil, tivemos em 1954, com a crise que resultou no suic&iacute;dio de Vargas, em que tudo foi utilizado. Documentos falsos que foram apresentados como verdadeiros, testemunhos de estrangeiros que seriam associados a confus&otilde;es internas&#8230; <\/p>\n<p>Houve em 1955, na tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. E em 1961, na crise de J&acirc;nio, na sucess&atilde;o do J&acirc;nio. E em 1964.<\/p>\n<p>Depois, durante o tempo do per&iacute;odo autorit&aacute;rio, evidentemente, houve uma atua&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita da imprensa. N&atilde;o se falava a favor, mas tamb&eacute;m n&atilde;o se desafiava. Com o retorno da democracia, a imprensa interveio outra vez, na sucess&atilde;o de Sarney, com todas as declara&ccedil;&otilde;es e reportagens absolutamente falsas em rela&ccedil;&atilde;o ao candidato das for&ccedil;as populares, que j&aacute; era Lula. Isso se repetiu nas duas elei&ccedil;&otilde;es de Fernando Henrique, mas mais moderadamente. Foi bastante incisiva durante a primeira campanha. Na segunda, a imprensa se comportou razoavelmente. Houve certas refer&ecirc;ncias, mas nada escabroso. <\/p>\n<p>Mas, os dois &uacute;ltimos anos foram inacredit&aacute;veis em mat&eacute;ria de cria&ccedil;&atilde;o de fatos sobre nada: foi inacredit&aacute;vel. Para 50 anos de vida pol&iacute;tica, &eacute; uma participa&ccedil;&atilde;o &agrave; altura dos partidos pol&iacute;ticos e dos militares. Quer dizer, fazem parte da pol&iacute;tica brasileira os partidos, as For&ccedil;as Armadas e a imprensa.<\/p>\n<p><strong>Destes epis&oacute;dios que o senhor listou qual o senhor acha que &eacute; o mais emblem&aacute;tico? <br \/><\/strong>Eu acho que dois epis&oacute;dios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por qu&ecirc;? Porque Juscelino n&atilde;o era int&eacute;rprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia &agrave; elite pol&iacute;tica. Era um homem do PSD &ndash; Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intoler&acirc;ncia das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, n&atilde;o aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este epis&oacute;dio &eacute; bem emblem&aacute;tico. N&atilde;o houve nada de dram&aacute;tico, de tr&aacute;gico ou suic&iacute;dio, mas &eacute; um exemplo de at&eacute; onde pode chegar a intoler&acirc;ncia do conservadorismo brasileiro. &Eacute; impressionante. Esse foi pra mim um epis&oacute;dio que define muito bem at&eacute; onde o conservadorismo &eacute; capaz de violar os escr&uacute;pulos democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p><strong>E o segundo? <br \/><\/strong>&Eacute; agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa hist&oacute;rica no pa&iacute;s. E revela o quanto o conservadorismo se disp&otilde;e a comprometer o&nbsp;futuro do pa&iacute;s, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo int&eacute;rprete de uma nova composi&ccedil;&atilde;o social. Isto &eacute;, h&aacute; um grupo parlamentar e h&aacute; grupos privados &ndash; e neles se inclui a imprensa &#8211; dificultando a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que s&atilde;o reconhecidamente ben&eacute;ficas ao pa&iacute;s, porque est&atilde;o sendo formuladas e implementadas por um governo int&eacute;rprete das classes populares. Isso &eacute; impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as for&ccedil;as populares &ndash; segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor &ndash;, na pr&aacute;tica, quem pratica o quanto pior melhor s&atilde;o os conservadores.<\/p>\n<p><strong>Por que, na opini&atilde;o do senhor, a m&iacute;dia se considera inatac&aacute;vel, indestrut&iacute;vel?<br \/><\/strong>Ela se considera indestrut&iacute;vel porque ela tem raz&otilde;es para isso. Ou seja, uma das institui&ccedil;&otilde;es que at&eacute; agora vem resistindo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o, &agrave; republicaniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &eacute; a imprensa. Um pa&iacute;s moderno e democr&aacute;tico &eacute; um pa&iacute;s em que n&atilde;o existe institui&ccedil;&atilde;o ou pessoa com privil&eacute;gio de direitos, pessoa que n&atilde;o seja submetida &agrave; lei. Na medida em que a democracia se implanta nos pa&iacute;ses, se reduz o n&uacute;mero de institui&ccedil;&otilde;es e grupos sociais que n&atilde;o se submete &agrave; lei. Todo mundo fica, de fato, igual diante da lei. Isso vem acontecendo gradativamente, vagarosamente, mas inapelavelmente no Brasil. Na realidade, n&oacute;s temos at&eacute; que as For&ccedil;as Armadas hoje, no Brasil, est&atilde;o mais democraticamente enquadradas, mais juridicamente contidas do que a imprensa. Hoje, &eacute; muito mais dif&iacute;cil para um representante das For&ccedil;as Armadas violar impunemente as leis do que a imprensa.<\/p>\n<p><em>(*) Wanderley Guilherme dos Santos &eacute; titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, diretor do Laborat&oacute;rio de Estudos Experimentais e pr&oacute;-reitor de An&aacute;lise e Prospectiva da Universidade C&acirc;ndido Mendes, professor titular aposentado de teoria pol&iacute;tica da UFRJ e&nbsp;membro-fundador do Iuperj.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Conversa Afiada &#8211; IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soci\u00f3logo analisa a forma\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o da m\u00eddia nativa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[413],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19205"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}