{"id":19204,"date":"2007-09-12T18:48:42","date_gmt":"2007-09-12T18:48:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19204"},"modified":"2007-09-12T18:48:42","modified_gmt":"2007-09-12T18:48:42","slug":"agencia-brasil-notas-sobre-a-construcao-de-um-jornalismo-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19204","title":{"rendered":"Ag\u00eancia Brasil: notas sobre a constru\u00e7\u00e3o de um jornalismo livre"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><span><em>&quot;O que a Radiobr&aacute;s est&aacute; fazendo agora &eacute; extremamente importante para o movimento internacional do Creative Commons, porque &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o de credibilidade que est&aacute; reconhecendo que o verdadeiro valor de sua contribui&ccedil;&atilde;o para a cultura &eacute; dar ao povo acesso a conte&uacute;dos nos quais ele possa aprender e utilizar no pr&oacute;prio trabalho criativo. Acho que o Brasil est&aacute;, mais uma vez, ensinando ao resto do mundo algo importante sobre o que a criatividade pode significar nesse meio&quot;, afirmou Lawrence Lessig, autor de Free Culture (Cultura Livre &#8211; Como a Grande M&iacute;dia Usa a Tecnologia e a Lei Para Bloquear a Cultura e Controlar a Criatividade) e criador das licen&ccedil;as Creative Commons, em entrevista a Roberto Romano Taddei, um dos co-autores do projeto de reformula&ccedil;&atilde;o editorial da Ag&ecirc;ncia Brasil, durante o ISummit.&quot;<\/em><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span>Imagine-se sentado no sof&aacute; de sua casa. Voc&ecirc; segura, em suas m&atilde;os, seu controle remoto. &Agrave; sua frente, encontra-se o aparelho de televis&atilde;o. Voc&ecirc; assiste a um programa de entretenimento, mas sabe que dentro de instantes ter&aacute; in&iacute;cio, dois canais adiante, um importante telejornal. Voc&ecirc; pega seu controle remoto, aponta para a sua televis&atilde;o e aperta os bot&otilde;es que trar&atilde;o o jornal ao seu sof&aacute;.<\/p>\n<p><\/span><span>(corta)<\/p>\n<p><\/span><span>Na televis&atilde;o, nada de not&iacute;cias. Apenas uma tela preta com um texto em branco: A SUA TELEVIS&Atilde;O N&Atilde;O POSSUI OS REQUISITOS RECOMENDADOS PARA EXIBIR ESSE PROGRAMA.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesse exato momento, voc&ecirc; descobre que n&atilde;o pode assistir ao telejornal porque seu aparelho de televis&atilde;o &eacute; incompat&iacute;vel com a emissora propriet&aacute;ria do telejornal, pois esta mant&eacute;m acordo com outro fabricante. Parece fic&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute;.<\/p>\n<p><\/span><span>(corta)<\/p>\n<p><\/span><span>Isso seria dif&iacute;cil de ocorrer no mundo anal&oacute;gico da comunica&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; mais comum do que voc&ecirc; imagina no mundo digital. Estamos vivendo um paradoxo contempor&acirc;neo, bem ao sabor desta era em que promover a liberdade e fazer a guerra n&atilde;o s&atilde;o tarefas antag&ocirc;nicas. Uma &eacute;poca que permite a um conglomerado defender a liberdade de express&atilde;o e utilizar uma plataforma tecnol&oacute;gica excludente &ndash; que justamente impede a express&atilde;o livre.<\/p>\n<p><\/span><span>(corta)<\/p>\n<p><\/span><span>Saindo da abstra&ccedil;&atilde;o: tente, rodando qualquer distribui&ccedil;&atilde;o Linux (Ubuntu, Susy, Debian), acessar os v&iacute;deos da Globo: os gols da rodada, as cenas do &uacute;ltimo cap&iacute;tulo da novela, uma reportagem do Jornal Nacional. Ali&aacute;s, tente acessar usando o Firefox no seu Windows. Uma caixa cinza ir&aacute; inform&aacute;-lo que seu computador n&atilde;o possui os requisitos m&iacute;nimos. Quais s&atilde;o eles? Rodar Windows. Ou seja, para ver a Globo &eacute; preciso ter o Windows no computador. Sen&atilde;o, nada feito.<\/p>\n<p><\/span><span>A contradi&ccedil;&atilde;o est&aacute; posta. A Globo, neste caso, &eacute; apenas representante de um universo propriet&aacute;rio refrat&aacute;rio &agrave; liberdade do conhecimento. Os exemplos s&atilde;o muitos e invadem todas as &aacute;reas que voc&ecirc; pode imaginar, dos direitos autorais &agrave;s pol&iacute;ticas de recursos humanos, inclusive o jornalismo. E &eacute; por isso que estamos aqui.<\/p>\n<p><\/span><span>Qualquer tentativa de restringir, cercear ou censurar o livre fluxo de produ&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es &eacute; atentar contra o direito que todo o cidad&atilde;o tem de informar e ser informado: o direito que todos temos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Na lata, assim, o racioc&iacute;nio soa abstrato, mas quando pensamos nos exemplos, ele se revela concreto.<\/p>\n<p><\/span><span><em>1 + 1 = utilizar plataformas tecnol&oacute;gicas propriet&aacute;rias &eacute; cometer um atentado contra a liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que os principais promotores dos softwares propriet&aacute;rios no universo do jornalismo s&atilde;o conglomerados que emergiram do velho mundo da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Essa op&ccedil;&atilde;o que fazem os promotores da globaliza&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica pela propriedade e pela exclus&atilde;o &eacute; ideol&oacute;gica. E quando n&atilde;o &eacute; claramente ideol&oacute;gica, reproduz a l&oacute;gica planet&aacute;ria organizada sob os ausp&iacute;cios do capital e da propriedade privada. S&atilde;o grupos que defendem a propriedade porque sabem que, por tr&aacute;s do uso de um software de c&oacute;digo aberto, h&aacute; um olhar que projeta um outro mundo onde n&atilde;o cabem corpora&ccedil;&otilde;es, nem cercas.<\/p>\n<p><\/span><span>Utilizar software livre &ndash; ou mesmo permitir que um usu&aacute;rio de software livre acesse seus conte&uacute;dos &ndash; &eacute; indiretamente participar desse movimento em ess&ecirc;ncia humanista e anticapitalista. Isso, de forma alguma &eacute; aceit&aacute;vel. Afinal, como um latifundi&aacute;rio pode ser favor&aacute;vel &agrave; reforma agr&aacute;ria?<\/p>\n<p><\/span><span>Por isso, eles dizem na cara, com todas as letras &ndash; n&atilde;o importa o quanto essa afirma&ccedil;&atilde;o seja excludente: aqui s&oacute; se utiliza Windows. Quanto ao usu&aacute;rio de um sistema alternativo? Se voc&ecirc; for um desses e quiser ter acesso aos bens que eu produzo (principalmente ao meu mais saboroso entretenimento), desista do software livre.<\/p>\n<p><\/span><span><em>(No ringue: Ping&uuml;im, Richard Stalmann e Jon Mad Dog x Deborah Secco, gol do Obina na final e William Bonner. Afinal, o que o usu&aacute;rio comum quer mesmo?)<\/em><\/p>\n<p><\/span><span>Deste lado aparentemente fr&aacute;gil, no entanto, est&aacute; a for&ccedil;a da comunidade e da colabora&ccedil;&atilde;o. A for&ccedil;a da partilha. S&oacute; se vence o movimento conservador com mais e mais liberdade. E com regula&ccedil;&atilde;o &ndash; para que todos possam ser livres.<\/p>\n<p><\/span><span>S&oacute; se vence ampliando a oferta e educando para o novo mundo: com a Wikipedia, com blogs e mais blogs, com pr&aacute;ticas radicais de jornalismo-cidad&atilde;o, com a libera&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos para que todos possam produzir, alterar, modificar, recriar, reprocessar, reproduzir, amplificar, massificar, distribuir&#8230;<\/p>\n<p><\/span><span>E n&oacute;s podemos vencer. Repare quem lidera o ranking de audi&ecirc;ncia de not&iacute;cias e informa&ccedil;&otilde;es, auferido pelo Ibope Net Ratings, em abril de 2007: a Wikipedia, a enciclop&eacute;dia colaborativa desenvolvida com tecnologia wiki. Na rede, a Globo &eacute; segunda colocada.<\/p>\n<p><\/span><span>Agora, para efetivamente neutralizar a ideologia da propriedade &eacute; preciso estruturar um vetor mobilizador que demonstre ao usu&aacute;rio a verdade: no mundo da internet, o que voc&ecirc; v&ecirc;, na interface gr&aacute;fica, &eacute; t&atilde;o importante como o que roda no ambiente dos c&oacute;digos. Se este n&atilde;o for livre, a liberdade vivenciada &eacute; apenas aparente: &eacute; a liberdade que usufrui um tigre nascido em cativeiro, que conhece tudo dentro dos limites de sua cela, mas jamais foi a uma ca&ccedil;ada.<\/p>\n<p><\/span><span>De posse dessas informa&ccedil;&otilde;es, o usu&aacute;rio ter&aacute; duas op&ccedil;&otilde;es. Isso j&aacute; basta.<\/p>\n<p><\/span><span><em>(Contra o atraso: mais liberdade e mais ideologia)<\/em><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o basta defender o software livre porque ele &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o economicamente mais vi&aacute;vel. Isso &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia. H&aacute; de se defender o software livre porque s&oacute; ele permite que o conhecimento circule, que a troca ocorra, que a sociedade acumule.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; economia que o software livre gera, isso at&eacute; o grande capital &eacute; capaz de assimilar. N&atilde;o fosse assim, os grandes grupos n&atilde;o se preocupariam em produzir p&aacute;ginas de informa&ccedil;&atilde;o compat&iacute;veis com o Firefox, as quais, durante muito tempo, n&atilde;o rodavam em outro navegador que n&atilde;o o Microsoft Internet Explorer.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A qualidade do Firefox levou uma s&eacute;rie de usu&aacute;rios comuns a utiliz&aacute;-lo, o que &ndash; por crit&eacute;rios de mercado &ndash; vem for&ccedil;ando os defensores da propriedade a aceit&aacute;-lo. Mas isso &eacute; mercado. Ok, &eacute; um deslocamento. Uma assimila&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sempre bom produzir bons produtos, mas muito mais importante &eacute; manter aberta e limpa a via para o desenvolvimento da liberdade e da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Uma experi&ecirc;ncia: hackeando e recriando o Estado<\/p>\n<p><\/span><span>Essas id&eacute;ias, todas, n&atilde;o s&atilde;o abstra&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o aplic&aacute;veis. Seria de se perguntar: nada mais careta que ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias, produtos da segunda revolu&ccedil;&atilde;o industrial, certo? Errado. No caso do Brasil, a Ag&ecirc;ncia Brasil &eacute; hoje uma promotora da nova comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Do software &agrave; not&iacute;cia, tudo ali &eacute; livre, radicalmente livre. E isso &eacute; bom explicar:<\/p>\n<p><\/span><span>A t&eacute;cnica<\/p>\n<p><\/span><span><strong>1<\/strong>. O sistema de gerenciamento de conte&uacute;do foi todo desenvolvido pela equipe de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o da Radiobr&aacute;s utilizando como base o Plone\/Zhope, um CMS (Content Management System) livre que &eacute; a coqueluche entre os desenvolvedores mais progressistas. Foram feitas customiza&ccedil;&otilde;es e devolvidas &agrave; comunidade software livre. O que &eacute; de um &eacute; de todos.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>2<\/strong>. A fonte utilizada no design, a Bitstream Vera, &eacute; uma fam&iacute;lia Open Source, licenciada em GPL. A licen&ccedil;a de uma fam&iacute;lia b&aacute;sica como a Garamond, completa, custa mais de US$ 250 para uso em um &uacute;nico sistema operacional. Al&eacute;m disso, ela n&atilde;o &eacute; sua. Voc&ecirc; n&atilde;o pode mud&aacute;-la, comercializ&aacute;-la, apenas utilizar, por um per&iacute;odo.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>3<\/strong>. Os servidores rodam Apache (o melhor e mais importante software de manuten&ccedil;&atilde;o de servidores, cujo c&oacute;digo &eacute; livre), totalmente seguros, justamente por isso. Na reda&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o se utiliza mais o pacote do Office, nem o Internet Explorer e muitos dos desktops, inclusive o meu, rodam Ubuntu.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>4<\/strong>. As ferramentas de streaming (tecnologia que permite a um usu&aacute;rio assistir a um v&iacute;deo pela internet) s&atilde;o em c&oacute;digo-aberto, assim como os padr&otilde;es para os formatos de &aacute;udio e v&iacute;deo. Todos, por isso, podem ser facilmente reutilizados, reprocessados, redistribu&iacute;dos, modificados&#8230;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>5<\/strong>. Todos os conte&uacute;dos produzidos em texto, foto, &aacute;udio, v&iacute;deo e infogr&aacute;ficos animados s&atilde;o licenciados em Creative Commons e podem ser baixados, retrabalhados e utilizados em produtos comerciais ou n&atilde;o por qualquer cidad&atilde;o brasileiro ou qualquer outra pessoa no planeta.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A &eacute;tica<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A t&eacute;cnica operou uma grande mudan&ccedil;a, que n&atilde;o seria t&atilde;o radical se o jornalismo praticado pela empresa continuasse a ser chapa-branca, autorit&aacute;rio e careta. De 2003 para c&aacute;, realizamos um deslocamento que p&ocirc;s fim &agrave; ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias oficial e governamental e abriu uma via ondulante para a comunica&ccedil;&atilde;o efetivamente p&uacute;blica, com foco no cidad&atilde;o, n&atilde;o no consumidor.<\/p>\n<p><\/span><span>A miss&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Brasil, que &eacute; tamb&eacute;m a miss&atilde;o da empresa na qual ela est&aacute; inserida, a Radiobr&aacute;s, &eacute; contribuir para a universaliza&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. O que s&oacute; pode ser feito &ndash; disso n&oacute;s n&atilde;o temos d&uacute;vida alguma &ndash; por meio de um jornalismo objetivo e apartid&aacute;rio, de qualidade elevada, desafiador, original, inovador e envolvente.<\/p>\n<p><\/span><span>Se voc&ecirc; acessar a ag&ecirc;ncia, encontrar&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre a pauta pol&iacute;tica nacional, as a&ccedil;&otilde;es dos governos e a rela&ccedil;&atilde;o destes com as demandas sociais. Tamb&eacute;m ser&aacute; informado sobre o nosso Congresso Nacional, as Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, a Justi&ccedil;a, a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade nos conselhos e organismos do Estado. Ter&aacute;, por fim, acesso a um conjunto de conte&uacute;dos sobre os movimentos sociais e sobre a cidadania, organizada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Nenhum assunto &eacute; proibido, mas todos recebem um &quot;enquadramento&quot; espec&iacute;fico &ndash; e isso distingue a emissora do conjunto dos meios que oferecem informa&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesse jornalismo, o cidad&atilde;o e a cidad&atilde; s&atilde;o protagonistas. E as not&iacute;cias s&atilde;o apresentadas de forma contextualizada e interligadas a processos. Ou seja, os fatos da agenda di&aacute;ria s&atilde;o noticiados a partir de sua hist&oacute;ria, das circunst&acirc;ncias em que ocorrem e das expectativas que colocam para o futuro.<\/p>\n<p><\/span><span><em>Mas ainda d&aacute; para avan&ccedil;ar muito mais<\/em><\/p>\n<p><\/span><span>A radicaliza&ccedil;&atilde;o dessa proposta desenvolvida nos &uacute;ltimos quatro anos depende de uma evolu&ccedil;&atilde;o conceitual que fatalmente levar&aacute; o jornalismo a abandonar a condi&ccedil;&atilde;o de feito para o cidad&atilde;o para assumir-se feito pelo cidad&atilde;o (se n&atilde;o diretamente, no desenvolvimento de uma parceria produtiva cidad&atilde;o-jornalista).<\/p>\n<p><\/span><span>Como afirma Dan Gilmour, autor de We the Media, texto que j&aacute; se tornou um cl&aacute;ssico ao sintetizar os fundamentos do que nos Estados Unidos recebeu o nome de jornalismo-cidad&atilde;o (jornalismo produzido pelo usu&aacute;rio, n&atilde;o por um profissional da not&iacute;cia), tornou-se menos uma palestra e mais um di&aacute;logo.<\/p>\n<p><\/span><span>Esse novo jornalismo &eacute; uma conversa que se desenvolve nas &aacute;goras virtuais, lugares em que a popula&ccedil;&atilde;o &ndash; por d&eacute;cadas educada a apenas consumir informa&ccedil;&atilde;o &ndash; toma posse dos conte&uacute;dos informativos e reprocessa-os criticamente.<\/p>\n<p><\/span><span>A op&ccedil;&atilde;o que fizemos na Ag&ecirc;ncia Brasil &ndash; de nos integrarmos a essa infinita conversa global, provendo o cidad&atilde;o de textos, fotos, &aacute;udios, v&iacute;deos, infogr&aacute;ficos livres e permitindo a viagem desses conte&uacute;dos pela web gerando novos produtos, sentidos e hist&oacute;rias &ndash; aponta para a estrutura&ccedil;&atilde;o de um novo modelo de organiza&ccedil;&atilde;o, aberto e livre, baseado no valor de uso, e n&atilde;o no valor de troca mercantil da not&iacute;cia.<\/p>\n<p><\/span><span>Neste cen&aacute;rio, o valor da informa&ccedil;&atilde;o &eacute; diretamente proporcional &agrave; necessidade de estar bem informado. Na sociedade do conhecimento, onde estar bem informado &eacute; fundamental para construir o futuro e atuar de maneira aut&ocirc;noma no espa&ccedil;o p&uacute;blico (inclusive no mercado), quanto custa a informa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><\/span><span>Custa muito, mas pode &ndash; e deve &ndash; ser gratuita.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m do mais, a Ag&ecirc;ncia Brasil, antes isolada em suas buscas internas, passou a participar de uma rede mundial colaborativa que produz avan&ccedil;os di&aacute;rios. N&atilde;o foi uma nem duas vezes que, com base em uma necessidade gerada pela din&acirc;mica da produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, procuramos a comunidade e nela encontramos uma solu&ccedil;&atilde;o exata para as nossas necessidades.<\/p>\n<p><\/span><span>Realizar isso custou o pre&ccedil;o de termos gente qualificada para pensar solu&ccedil;&otilde;es criativas. Hoje, produzimos tecnologia, conhecimento e inova&ccedil;&atilde;o. E tudo isso pode ser auditado por qualquer um. O c&oacute;digo-fonte das nossas id&eacute;ias est&aacute; aqui, aberto, para ser analisado, escrutinado, avaliado. Buscando construir um jornalismo que seja livre, do software &agrave; not&iacute;cia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O que a Radiobr&aacute;s est&aacute; fazendo agora &eacute; extremamente importante para o movimento internacional do Creative Commons, porque &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o de credibilidade que est&aacute; reconhecendo que o verdadeiro valor de sua contribui&ccedil;&atilde;o para a cultura &eacute; dar ao povo acesso a conte&uacute;dos nos quais ele possa aprender e utilizar no pr&oacute;prio trabalho criativo. Acho &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19204\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Ag\u00eancia Brasil: notas sobre a constru\u00e7\u00e3o de um jornalismo livre<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19204"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19204\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}