{"id":19199,"date":"2007-09-12T17:05:15","date_gmt":"2007-09-12T17:05:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19199"},"modified":"2007-09-12T17:05:15","modified_gmt":"2007-09-12T17:05:15","slug":"como-anda-o-direito-autoral-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19199","title":{"rendered":"Como anda o direito autoral na era digital"},"content":{"rendered":"<p>O direito autoral passa por significativas transforma&ccedil;&otilde;es, desencadeadas, principalmente, pelo advento da tecnologia digital e das redes de informa&ccedil;&atilde;o, que afetam o seu ponto cr&iacute;tico: o conflito entre o interesse individual do autor pela prote&ccedil;&atilde;o da sua obra e o interesse p&uacute;blico de livre acesso. <\/p>\n<p>O desenvolvimento da Internet e da tecnologia digital possibilitou um importante avan&ccedil;o no processo de cria&ccedil;&atilde;o de obras intelectuais. Com base em um modelo em que o usu&aacute;rio se comunica diretamente com outro usu&aacute;rio sem um controle central, a Internet permite um maior aproveitamento de obras previamente criadas, que podem ou n&atilde;o estar em dom&iacute;nio p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Considerando as particularidades da tecnologia digital, n&atilde;o podemos pensar na aplica&ccedil;&atilde;o dos tradicionais conceitos do direito de autor sem uma adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; nova realidade. Tamb&eacute;m seria inadmiss&iacute;vel ao jurista discutir qualquer forma de prote&ccedil;&atilde;o autoral na tecnologia digital sem levar em conta as quest&otilde;es filos&oacute;ficas, sociol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas a respeito do tema e os novos conceitos de cria&ccedil;&atilde;o em arte digital. <\/p>\n<p>O direito autoral surgiu como um privil&eacute;gio inicialmente concedido aos editores para garantir um monop&oacute;lio na comercializa&ccedil;&atilde;o de obras liter&aacute;rias. O aparecimento da imprensa foi fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o do conceito de direito &agrave;s cria&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias e art&iacute;sticas. Com a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, o privil&eacute;gio anteriormente concedido ao editor passa a ser de titularidade do criador da obra. Em outras palavras, o autor &eacute; erigido &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o e, em virtude disso, tem os seus direitos reconhecidos por lei. Tais direitos t&ecirc;m como pressuposto a necessidade de identifica&ccedil;&atilde;o do autor em sua obra intelectual, que passa a ser considerada uma extens&atilde;o de sua personalidade. A preocupa&ccedil;&atilde;o com a prote&ccedil;&atilde;o internacional desses direitos resultou na assinatura da Conven&ccedil;&atilde;o de Berna de 1886 e em diversos tratados internacionais sobre a mat&eacute;ria no transcorrer do s&eacute;culo XX. <\/p>\n<p>A quest&atilde;o que se coloca hoje ao direito autoral diz respeito aos novos valores inerentes ao processo criativo de obras intelectuais em tecnologias digitais e a necessidade, cada vez maior, de se garantir o direito de livre acesso, como forma de estimular a cria&ccedil;&atilde;o de novas obras. <\/p>\n<p>O direito autoral ainda n&atilde;o encontrou o justo balanceamento entre o interesse do indiv&iacute;duo criador da obra e o do p&uacute;blico que deseja fru&iacute;-la ou utiliz&aacute;-la na composi&ccedil;&atilde;o de outras obras. &Eacute; preciso, pois, trazer a quest&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o social do direito de autor ao debate. A abordagem do direito de autor pelo exame de sua fun&ccedil;&atilde;o social deve ser entendida como uma contribui&ccedil;&atilde;o para que o seu exerc&iacute;cio abusivo seja coibido e para que seja reafirmada a sua fun&ccedil;&atilde;o de mecanismo voltado para o desenvolvimento cultural e tecnol&oacute;gico dos povos e n&atilde;o como um fim em si mesmo. <\/p>\n<p>Alguns exageros na prote&ccedil;&atilde;o do autor em detrimento do interesse p&uacute;blico podem ser observados na Lei de Direitos Autorais brasileira. Um bom exemplo est&aacute; na proibi&ccedil;&atilde;o da c&oacute;pia integral de uma obra, ainda que para uso privado, sem finalidade lucrativa, que em outros pa&iacute;ses, &eacute; permitida. No Brasil, tal situa&ccedil;&atilde;o, aliada aos problemas educacionais e ao alto pre&ccedil;o dos livros, dificulta ainda mais o acesso ao conhecimento, principalmente por parte das classes menos favorecidas da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; importante lembrar que nem sempre o aumento da prote&ccedil;&atilde;o autoral &agrave; obra intelectual e da restri&ccedil;&atilde;o ao seu uso livre representam um benef&iacute;cio ao indiv&iacute;duo criador da obra. Muitas vezes, a defesa de uma maior prote&ccedil;&atilde;o e restri&ccedil;&atilde;o de acesso &eacute; uma bandeira da pr&oacute;pria ind&uacute;stria de bens culturais em defesa de seus interesses. &Eacute; certo que o Brasil &eacute; um dos pa&iacute;ses com maiores &iacute;ndices de pirataria e que a mesma deve ser coibida. Mas tamb&eacute;m &eacute; certo que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas deveriam repensar as formas de se regulamentar as limita&ccedil;&otilde;es ao direito autoral, visando ao interesse social pela livre utiliza&ccedil;&atilde;o de obras, em determinadas circunst&acirc;ncias, e &agrave; inclus&atilde;o digital como uma das formas de defesa da cidadania. <\/p>\n<p>A sociedade tem interesse na manuten&ccedil;&atilde;o de um mecanismo de est&iacute;mulo ao autor para que continue criando e para que lhe seja reconhecido o direito a uma remunera&ccedil;&atilde;o pelas suas cria&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m, n&atilde;o se pode admitir que o direito autoral passe a funcionar, n&atilde;o mais como um mecanismo de est&iacute;mulo, mas como um entrave &agrave;s novas formas de cria&ccedil;&atilde;o e de utiliza&ccedil;&atilde;o de obras possibilitadas pela tecnologia digital, bem como uma barreira ao livre acesso, quando justificado socialmente. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O direito autoral passa por significativas transforma&ccedil;&otilde;es, desencadeadas, principalmente, pelo advento da tecnologia digital e das redes de informa&ccedil;&atilde;o, que afetam o seu ponto cr&iacute;tico: o conflito entre o interesse individual do autor pela prote&ccedil;&atilde;o da sua obra e o interesse p&uacute;blico de livre acesso. 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