{"id":19186,"date":"2007-09-10T18:33:13","date_gmt":"2007-09-10T18:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19186"},"modified":"2007-09-10T18:33:13","modified_gmt":"2007-09-10T18:33:13","slug":"taxas-de-telecom-vao-de-novo-engordar-os-cofres-da-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19186","title":{"rendered":"Taxas de telecom v\u00e3o, de novo, engordar os cofres da Uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A proposta or&ccedil;ament&aacute;ria de 2008 enviada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional reproduz pr&aacute;tica de todos os anos, redirecionando a maioria dos recursos recolhidos dos usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que deveriam reverter para o pr&oacute;prio servi&ccedil;o, para os cofres da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>O governo estima arrecadar com a taxa do Fistel (Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), no pr&oacute;ximo ano, R$ 2,324 bilh&otilde;es. Essa taxa &eacute; cobrada de cada telefone celular que passa a funcionar no pa&iacute;s, das centrais telef&ocirc;nicas das linhas fixas e de todos os servi&ccedil;os que precisam de licen&ccedil;a da Anatel. <\/p>\n<p><\/span><span>Ela foi criada para bancar a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e o poder de pol&iacute;cia do Estado sobre as prestadoras de servi&ccedil;o mas, h&aacute; muito tempo, devido ao avan&ccedil;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o recolhidos muito mais recursos do que as poss&iacute;veis necessidades de gastos. Desta montanha de dinheiro que ser&aacute; arrecadada por esse fundo, o governo pretende &ldquo;contingenciar&rdquo; (termo t&eacute;cnico usado para dar outra finalidade &agrave;s rubricas or&ccedil;ament&aacute;rias) quase que a sua totalidade: R$ 1,912 bilh&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Outros dois fundos criados para estimular o desenvolvimento das telecomunica&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m est&atilde;o na mesma condi&ccedil;&atilde;o. O Fust (Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es), formado pela contribui&ccedil;&atilde;o de 1% do faturamento das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es, e criado para bancar projetos de amplia&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os para comunidades que n&atilde;o t&ecirc;m renda para pagar a conta de telefone ou para levar os servi&ccedil;os para regi&otilde;es sem qualquer atrativo de mercado, tamb&eacute;m ser&aacute;, pela proposta do Executivo, quase que integralmente &ldquo;contigenciado&rdquo;. Estima-se que o Fust recolha em 2008 R$ 644 milh&otilde;es, mas apenas R$ 9 milh&otilde;es est&atilde;o destinados para a universaliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>O ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, anunciou recentemente que pretende usar pelo menos R$ 285 milh&otilde;es desses recursos para levar orelh&otilde;es &agrave;s mais de oito mil localidades brasileiras com menos de 100 habitantes que n&atilde;o foram atendidas pelas metas de universaliza&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia fixa. Para&nbsp; executar essa proposta, Costa ter&aacute; que fazer um grande malabarismo durante a vota&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento pelo Congresso Nacional e tentar &ldquo;descontingenciar&rdquo; essa verba.<\/p>\n<p><\/span><span>Outro fundo que tamb&eacute;m ser&aacute; sangrado pela tesoura do governo &eacute; o Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico das Telecomunica&ccedil;&otilde;es), cuja previs&atilde;o de arrecada&ccedil;&atilde;o &eacute; de R$ 270,7 milh&otilde;es, mas apenas R$ 48 milh&otilde;es poder&atilde;o ser usados para financiar projetos de pesquisa. <\/span>O restante ficar&aacute; &ldquo;contingenciado&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>P&atilde;o e &aacute;gua<\/p>\n<p><\/strong><span>Enquanto isso, a Anatel, respons&aacute;vel pela arrecada&ccedil;&atilde;o dessas taxas, viver&aacute; mais um ano a p&atilde;o e &aacute;gua. Com a previs&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria de R$ 411,1 milh&otilde;es, depois de descontadas as despesas com pessoal, a ag&ecirc;ncia contar&aacute; com apenas R$ 238,4 milh&otilde;es para aplicar nas atividades de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o, recursos bem inferiores &agrave;s necessidades da sociedade, ou&nbsp; &agrave; multiplicidade de quest&otilde;es que precisam ser resolvidas.<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo reconhecendo que em um pa&iacute;s como o nosso, com tantos desafios a serem ultrapassados, dificilmente os governos abririam m&atilde;o dessa verba de t&atilde;o f&aacute;cil recolhimento, n&atilde;o &eacute; justific&aacute;vel o desvirtuamento no uso desse dinheiro. <\/span>Realisticamente, por&eacute;m, defendo que se construa uma proposta para a sua paulatina aplica&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento do setor.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>Como ponto de partida, poder-se-ia, pelo menos, planejar, para os&nbsp; futuros servi&ccedil;os-&nbsp; como a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, fixa ou m&oacute;vel &ndash; a desonera&ccedil;&atilde;o das taxas do&nbsp; Fistel ou a aplica&ccedil;&atilde;o direta pelas empresas dos recursos que seriam recolhidos ao Fust. N&atilde;o custa lembrar que pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&oacute; se tornam priorit&aacute;rias se vierem explicitadas em rubricas or&ccedil;ament&aacute;rias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;TeleS&iacute;ntese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proposta or&ccedil;ament&aacute;ria de 2008 enviada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional reproduz pr&aacute;tica de todos os anos, redirecionando a maioria dos recursos recolhidos dos usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que deveriam reverter para o pr&oacute;prio servi&ccedil;o, para os cofres da Uni&atilde;o. 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