{"id":19177,"date":"2007-09-10T00:00:00","date_gmt":"2007-09-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19177"},"modified":"2007-09-10T00:00:00","modified_gmt":"2007-09-10T00:00:00","slug":"dossie-revela-como-a-midia-cobre-os-temas-ligados-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19177","title":{"rendered":"Dossi\u00ea revela como a m\u00eddia cobre os temas ligados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quase um m&ecirc;s depois do lan&ccedil;amento oficial do Plano de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o, anunciado pelo governo federal em 24 de abril deste ano, o apresentador J&ocirc; Soares recebeu em seu programa noturno de entrevistas o ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad. Desenvolto e sabendo capitalizar o crescente interesse da sociedade pelos temas de sua pasta, o ministro ficou no ar por dois blocos &#8211; quase 22 minutos &#8211; defer&ecirc;ncia s&oacute; prestada aos entrevistados de maior prest&iacute;gio.<\/p>\n<p>Confiante em sua verve e em seu olhar sobre os problemas brasileiros, o mais que experiente J&ocirc; Soares n&atilde;o pareceu pautado o bastante para trazer &agrave; tona as quest&otilde;es do momento e, sobretudo, com pontos de vista atualizados. Insistiu em surrar a progress&atilde;o continuada, sem se dar conta de que ela n&atilde;o est&aacute; em todas as redes e que n&atilde;o &eacute;, segundo estudos, fator decisivo para a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o. Pediu a interfer&ecirc;ncia do MEC na greve da Universidade de S&atilde;o Paulo &#8211; institui&ccedil;&atilde;o estadual &#8211; e em redes municipais que cometem desatinos, como se o centralismo federal fosse portador da ordem e da raz&atilde;o pedag&oacute;gica. E reavivou o discurso da escola p&uacute;blica de qualidade, lembrando de figuras proeminentes que ali se formaram nos anos 50, sendo que desde ent&atilde;o a popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s foi multiplicada quase por quatro. E que, naquela &eacute;poca, muitos ficavam de fora da escola.<\/p>\n<p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do script do apresentador de TV, carente de mais dados e menos impress&otilde;es, a cobertura de educa&ccedil;&atilde;o realizada pela imprensa, especialmente pelos grandes jornais, a despeito de ter ganho espa&ccedil;o e qualidade nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, padece ainda de antigos problemas. Entre eles, a excessiva depend&ecirc;ncia da agenda governamental, a recorr&ecirc;ncia abusiva a algumas fontes, a superexposi&ccedil;&atilde;o de certos temas, a invisibilidade de outros e uma renitente desconfian&ccedil;a m&uacute;tua entre jornalistas e acad&ecirc;micos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, assim como cresce a preocupa&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia atribu&iacute;das &agrave; educa&ccedil;&atilde;o pela sociedade, aumenta tamb&eacute;m a presen&ccedil;a do tema nos jornais di&aacute;rios e revistas. Prova disso s&atilde;o as an&aacute;lises de m&iacute;dia feitas pela Ag&ecirc;ncia Nacional dos Direitos da Inf&acirc;ncia (Andi), entidade criada por jornalistas em 1993 com o objetivo de ajudar a aumentar a aceita&ccedil;&atilde;o social dos ent&atilde;o novos marcos legais relativos a crian&ccedil;as e adolescentes, por meio de uma mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em 1996, a Andi come&ccedil;ou a rea-lizar an&aacute;lises sobre a cobertura da m&iacute;dia, contemplando todo o notici&aacute;rio de 50 jornais di&aacute;rios brasileiros. Nesse primeiro ano, foram veiculadas perto de 10 mil mat&eacute;rias sobre a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia, sendo que a pris&atilde;o de menores e outros temas ligados &agrave; viol&ecirc;ncia detinham a primazia do n&uacute;mero de apari&ccedil;&otilde;es. &Agrave; educa&ccedil;&atilde;o restava o 5&ordm; lugar. Em 2004, os mesmos 50 jornais veicularam 16 vezes mais not&iacute;cias (cerca de 160 mil) sobre inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, com a educa&ccedil;&atilde;o sendo o objeto principal da cobertura, o que j&aacute; vinha ocorrendo desde 1998.<\/p>\n<p>&quot;Trabalhamos a partir de tr&ecirc;s eixos estrat&eacute;gicos&quot;, conta Guilherme Canela, coordenador de Rela&ccedil;&otilde;es Acad&ecirc;micas da Andi. &quot;Primeiro, de que a cobertura n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de milit&acirc;ncia do jornalista, e sim de se fazer bom jornalismo. Segundo, de que &eacute; preciso monitorar a m&iacute;dia, com dados objetivos da cobertura. E terceiro, de que &eacute; preciso qualificar a cobertura&quot;, explica Canela. Para cumprir a terceira estrat&eacute;gia, a institui&ccedil;&atilde;o prepara an&aacute;lises e estudos como o rec&eacute;m-lan&ccedil;ado &quot;Or&ccedil;amento P&uacute;blico e Educa&ccedil;&atilde;o&quot;, que analisa a maneira como jornais e revistas relacionam educa&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de or&ccedil;amentos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Mas um dos pontos centrais da atua&ccedil;&atilde;o da Andi talvez seja o de tentar delinear o que seja um bom jornalismo, resumido em tr&ecirc;s itens: textos que ofere&ccedil;am informa&ccedil;&atilde;o contextualizada; que busquem o agendamento de prioridades p&uacute;blicas; e, por fim, que fiscalizem os governos. No dia-a-dia do jornalismo, no entanto, ter tudo isso ao mesmo tempo muitas vezes &eacute; um o&aacute;sis.<\/p>\n<p><strong>Profiss&atilde;o, rep&oacute;rter<\/strong><\/p>\n<p>Nos tr&ecirc;s jornais brasileiros cujas opini&otilde;es t&ecirc;m maior repercuss&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito tribut&aacute;ria do que Canela classifica de &quot;quest&atilde;o de milit&acirc;ncia&quot;. Em O Globo, O Estado de S.Paulo e na Folha de S.Paulo, apesar de muitos jornalistas e articulistas escreverem sobre o tema, a cobertura &eacute; puxada por um rep&oacute;rter devotado &agrave; &aacute;rea que acaba respons&aacute;vel pela sele&ccedil;&atilde;o dos assuntos. O perfil do jornal e de seus leitores torna-se um indicativo daquilo que ter&aacute; boa aceita&ccedil;&atilde;o se proposto como pauta. Ao contr&aacute;rio de outras editorias como pol&iacute;tica e economia, a interfer&ecirc;ncia da dire&ccedil;&atilde;o &eacute; pouca ou nenhuma. <\/p>\n<p>&quot;Dada a desimport&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o nos jornais e na sociedade em geral, n&atilde;o vejo uma linha n&iacute;tida estabelecida para a cobertura na grande imprensa. Al&eacute;m disso, h&aacute; coisas da cultura dos jornais que acabam influenciando o que se noticia. Por exemplo, o ensino superior &eacute; muito mais pr&oacute;ximo dos jornais do que a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, pois h&aacute; muitos professores universit&aacute;rios entre os leitores&quot;, relata Ant&ocirc;nio Gois, principal encarregado dos temas de educa&ccedil;&atilde;o na Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>Para Ant&ocirc;nio Carlos Pereira, que h&aacute; 10 anos coordena os editorialistas de O Estado de S.Paulo, o interesse da publica&ccedil;&atilde;o no ensino superior est&aacute; intimamente ligado &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. &quot;Desde que o jornal participou da cria&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Filosofia da USP, nos anos 30, a preocupa&ccedil;&atilde;o era com a forma&ccedil;&atilde;o de professores. Hoje n&atilde;o &eacute; muito diferente, continuamos com a mesma necessidade&quot;, diz. <\/p>\n<p>Para Ant&ocirc;nio Gois, a pol&iacute;tica de avalia&ccedil;&otilde;es institu&iacute;da a partir do governo Itamar Franco com o ministro Mur&iacute;lio Hingel, que ganhou for&ccedil;a nos dois mandatos de FHC e nos dois de Lula, tem contribu&iacute;do para aumentar o espa&ccedil;o dado &agrave; educa&ccedil;&atilde;o nos jornais, al&eacute;m de tornar a cobertura mais objetiva.<\/p>\n<p>&quot;No in&iacute;cio da minha carreira cobrindo educa&ccedil;&atilde;o, falava muito mais com gente com base nos livros que eles tinham lido. Hoje, falo mais com quem analisa os dados do Saeb, por exemplo. Isso melhorou a cobertura. A discuss&atilde;o sobre ciclos, que existe desde que a [Luiza] Erundina foi prefeita de S&atilde;o Paulo, deixou de ser feita t&atilde;o em cima de paix&atilde;o e de prefer&ecirc;ncia pol&iacute;tica e passou a acontecer a partir de dados mensur&aacute;veis, o que mostrou que eles n&atilde;o s&atilde;o assim t&atilde;o determinantes para a qualidade&quot;, exemplifica Gois.<\/p>\n<p>A avalanche de dados gerados por fontes oficiais ou pesquisadores, no entanto, traz outra amea&ccedil;a &agrave; cobertura: a de um olhar excessivamente economicista sobre a educa&ccedil;&atilde;o, que por sua vez embute uma guerra no campo te&oacute;rico: a de pedagogos e &quot;economistas da educa&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso tentar aproximar os dois lados, ter cuidado para n&atilde;o matematizar todas as quest&otilde;es pedag&oacute;gicas. Mas tamb&eacute;m h&aacute; muito educador que despreza as an&aacute;lises econom&eacute;tricas&quot;, avalia o rep&oacute;rter. Como exemplo de relativiza&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia dos n&uacute;meros, cita a quest&atilde;o do sal&aacute;rio dos professores. Pesquisas recentes d&atilde;o conta de que o puro e simples aumento do ganho docente n&atilde;o melhora os resultados dos alunos. &quot;Mas n&atilde;o quer dizer que o sal&aacute;rio n&atilde;o deve ser bom. No longo prazo, isso faz com que as melhores cabe&ccedil;as abdiquem da carreira, o que piora a educa&ccedil;&atilde;o. Isso n&atilde;o &eacute; pego por esse tipo de an&aacute;lise&quot;, conclui.<br \/>&nbsp;<br \/>Para Renata Cafardo, rep&oacute;rter titular da &aacute;rea em O Estado de S.Paulo, os dados podem ser um ponto de partida para a aferi&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o da qualidade. At&eacute; o final de julho, ela ainda tentava emplacar uma grande reportagem que inclu&iacute;a viagens &agrave;s escolas de melhor &Iacute;ndice de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (Ideb). &quot;Se mostr&aacute;ssemos essas escolas de perto, poder&iacute;amos saber o que &eacute; e o que n&atilde;o &eacute; fator gerador de qualidade.&quot; A urg&ecirc;ncia cotidiana, no entanto, tem falado mais alto. Quando o governo anunciou o novo &iacute;ndice, Renata teve dois dias para fazer sozinha um caderno de quatro p&aacute;ginas. A viagem para aferir as escolas in loco ainda n&atilde;o tinha previs&atilde;o.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o de S&iacute;lvia Fonseca, editora da &aacute;rea Nacional de O Globo, a qualidade &eacute; a grande quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o brasileira hoje. Para ela, os fatores que concorrem para isso s&atilde;o a &quot;falta de forma&ccedil;&atilde;o adequada para os professores, os baixos sal&aacute;rios e os altos &iacute;ndices de repet&ecirc;ncia e evas&atilde;o escolar, entre outros&quot;. Segundo a editora, O Globo n&atilde;o parte de nenhuma concep&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de educa&ccedil;&atilde;o, apenas &quot;defende o ensino de qualidade, voltado para a forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os para o mercado de trabalho e para a vida, como tamb&eacute;m no&ccedil;&otilde;es claras de cidadania, respeito ao meio ambiente etc.&quot;.<\/p>\n<p>Como tem sido corrente em v&aacute;rios segmentos sociais, o jornal atribui ao mau desempenho da educa&ccedil;&atilde;o muitas das amarras que emperram o desenvolvimento do pa&iacute;s. A publica&ccedil;&atilde;o tem investido de forma mais sistem&aacute;tica no tema, com a edi&ccedil;&atilde;o de um caderno voltado para juventude e educa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de alguns especiais, como na &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o presidencial. <\/p>\n<p>Para Ant&ocirc;nio Carlos Pereira, de O Estado, a qualidade no ensino fundamental se traduz de forma simples: &quot;o aluno tem de saber ler, escrever, contar e pensar. No ensino m&eacute;dio, tem de sair sabendo pensar, com um instrumental tal que permita a ele ficar a vida toda com esse n&iacute;vel de conhecimento sem que seja exclu&iacute;do da sociedade&quot;, avalia.<\/p>\n<p>Para Mari&acirc;ngela Graciano, coordenadora do Observat&oacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, entidade fundada h&aacute; cinco anos com o objetivo de intervir com uma vis&atilde;o mais pluralista no debate sobre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor, um problema central da cobertura &eacute; que a educa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; vista como um servi&ccedil;o, n&atilde;o como um direito p&uacute;blico que deve garantir que as diferen&ccedil;as sejam respeitadas.<br \/>&nbsp;<br \/>Por essa raz&atilde;o, quando vem &agrave; tona o debate sobre qualidade, fica muito voltado a um conceito empresarial de gest&atilde;o, em que o que importa &eacute; o resultado, e n&atilde;o como se chegou a ele. &quot;Quando se fala de qualidade, trata-se de fazer ranking dos exames, e as nuances se perdem&quot;, avalia.<\/p>\n<p>H&aacute; cerca de dois anos, o Observat&oacute;rio, ligado &agrave; ONG A&ccedil;&atilde;o Educativa, come&ccedil;ou a fazer an&aacute;lise de m&iacute;dia. Com a edi&ccedil;&atilde;o do boletim quinzenal A&ccedil;&atilde;o na M&iacute;dia, priorizou-se um olhar a partir da concep&ccedil;&atilde;o da entidade de que, sendo a educa&ccedil;&atilde;o um direito, se este n&atilde;o for cumprido, o caminho para faz&ecirc;-lo valer &eacute; recorrer &agrave; Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; interessante a maneira como as not&iacute;cias tratam das viola&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o apenas eventos, e n&atilde;o direitos infringidos&quot;, alerta Mari&acirc;ngela.<\/p>\n<p>Outros veios da atua&ccedil;&atilde;o do Observat&oacute;rio s&atilde;o a tentativa de chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos jornalistas para &quot;temas invis&iacute;veis&quot; e para diversificar suas fontes, ampliando o olhar sobre as quest&otilde;es. No caso dos temas que t&ecirc;m pouca visibilidade, o esfor&ccedil;o da entidade &eacute; para traz&ecirc;-los ao notici&aacute;rio sob a &oacute;tica de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Um exemplo disso &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das pris&otilde;es, que come&ccedil;ou a ganhar espa&ccedil;o nos &uacute;ltimos tempos.<\/p>\n<p><strong>Fontes: mais e melhores<\/strong><\/p>\n<p>No caso da proposta de amplia&ccedil;&atilde;o do universo de fontes, pr&aacute;tica tamb&eacute;m adotada pela Andi, a entidade busca ser o elo entre jornalistas e pesquisadores, de forma a aumentar o n&uacute;mero de mat&eacute;rias que t&ecirc;m como ponto de partida a pesquisa acad&ecirc;mica. Para isso, come&ccedil;ou em agosto &uacute;ltimo a reunir grupos de discuss&atilde;o com professores, alunos, jornalistas e representantes de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. &nbsp;<\/p>\n<p>A aproxima&ccedil;&atilde;o entre professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e jornalistas n&atilde;o &eacute; &agrave;-toa. Como o contato com os professores da rede p&uacute;blica normalmente precisa ser chancelado pelas assessorias de imprensa das respectivas secretarias, assim como o acesso &agrave;s escolas, a cobertura acaba por n&atilde;o ouvi-los ou, quando o faz, traz apenas relatos carregados de vezo oficial, com docentes que falam de projetos com os quais est&atilde;o envolvidos. Dif&iacute;cil, nesses casos, extrair algo que v&aacute; al&eacute;m do elogio e do lugar-comum.<\/p>\n<p>&quot;Todo mundo fala sobre educa&ccedil;&atilde;o e quem trabalha diretamente com o assunto, que &eacute; o professor, n&atilde;o pode falar. Isso faz parte da tentativa de fazer com que o of&iacute;cio perca o seu car&aacute;ter pol&iacute;tico. O professor est&aacute; perdendo a voz, a autoridade&quot;, acredita Mari&acirc;ngela.<\/p>\n<p>Para os jornalistas, a preocupa&ccedil;&atilde;o com as fontes &eacute; uma constante. Apesar de se reconhecer que &eacute; preciso ter interlocutores com posi&ccedil;&otilde;es variadas que tragam novos &acirc;ngulos a cada quest&atilde;o, os rep&oacute;rteres sabem que em muitas ocasi&otilde;es devem recorrer a algumas fontes cativas, em quem confiam, que possam fazer an&aacute;lises pertinentes sobre a &uacute;ltima medida editada pelo governo, a qual tem de se transformar em mat&eacute;ria para a edi&ccedil;&atilde;o do dia seguinte. <\/p>\n<p>&quot;Temos um esfor&ccedil;o quase di&aacute;rio para trazer gente nova. Minha preocupa&ccedil;&atilde;o ao fazer uma reportagem &eacute; trazer diversidade. Tento fazer com que, ao final do texto, o leitor tenha uma d&uacute;vida, n&atilde;o uma certeza. Nas minhas melhores reportagens, os dois lados ficam insatisfeitos comigo&quot;, diz Ant&ocirc;nio Gois, da Folha.<\/p>\n<p>Para Renata Cafardo, uma condi&ccedil;&atilde;o sine qua non &eacute; que a fonte seja clara e did&aacute;tica. Como exemplo, cita uma professora da faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP, com quem sempre &quot;aprende algo novo&quot;.<\/p>\n<p>Nessa busca, no entanto, os rep&oacute;rteres esbarram em quest&otilde;es ligadas &agrave; falta de entendimento m&uacute;tuo sobre as leis dos campos jornal&iacute;stico e acad&ecirc;mico, aquele para onde naturalmente se dirigem ao tentar obter an&aacute;lises ao mesmo tempo mais qualificadas e diversificadas.<\/p>\n<p>Os problemas s&atilde;o de ordem diversa. De um lado, os jornalistas normalmente t&ecirc;m uma urg&ecirc;ncia incompat&iacute;vel com os tempos da universidade, que exigem processos mais longos de matura&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias, al&eacute;m de as fontes terem tamb&eacute;m suas pr&oacute;prias prioridades. De outro, como aponta Renata, no meio universit&aacute;rio muitas vezes n&atilde;o se sabe o que potencialmente &eacute; not&iacute;cia. &quot;Muitas vezes, no meio de uma conversa, surge um coment&aacute;rio qualquer sobre algo muito interessante, falado como se fosse sem relev&acirc;ncia&quot;, diz.<\/p>\n<p>Mas o n&oacute; maior parece ser mesmo a desconfian&ccedil;a que muitos intelectuais acad&ecirc;micos nutrem pelos jornalistas e o sentimento de que a m&iacute;dia &eacute; protagonista de uma invas&atilde;o nas discuss&otilde;es sobre formula&ccedil;&otilde;es para a educa&ccedil;&atilde;o, exercendo um poder social para o qual n&atilde;o est&aacute; preparada por n&atilde;o dominar os fundamentos te&oacute;ricos do campo.<\/p>\n<p>Em parte, os intelectuais est&atilde;o certos. Afinal, a grande maioria dos rep&oacute;rteres que cobre o tema come&ccedil;aram a faz&ecirc;-lo a partir de um interesse gen&eacute;rico que vai se transformando em conhecimento &#8211; muitas vezes n&atilde;o sistematizado &#8211; ao longo dos anos. Mas, por outro lado, a academia se mant&eacute;m numa postura arredia, sem enxergar que nos tempos correntes os meios s&atilde;o o espa&ccedil;o de embate pol&iacute;tico e de id&eacute;ias, e que pesquisas, teses e propostas geradas na universidade interferem na vida de outros cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Um exemplo cristalino das tens&otilde;es entre rep&oacute;rteres e intelectuais p&ocirc;de ser observado com a inaugura&ccedil;&atilde;o do blog da pr&oacute;pria Renata Cafardo, lan&ccedil;ado em 16 de julho. Em seu post (texto) inicial, &quot;Primeiras Letras&quot;, discorreu sobre as diferentes etapas da escolariza&ccedil;&atilde;o formal, tentando atualizar o leitor sobre a atual nomenclatura. O texto utiliza uma linguagem mais informal que a do jornal di&aacute;rio, caracter&iacute;stica verificada em muitos blogs. A repercuss&atilde;o, no entanto, foi al&eacute;m do esperado.<\/p>\n<p>Essa primeira inser&ccedil;&atilde;o recebeu 173 coment&aacute;rios, muitos elogiando a iniciativa, outros mais &aacute;cidos. &quot;A quantidade de cr&iacute;ticas que voc&ecirc; recebe &eacute; enorme. Cada post que coloco gera, em m&eacute;dia, uns 200 coment&aacute;rios. Cerca de 20% s&atilde;o agressivos. Parece que muitos s&atilde;o de professores que te v&ecirc;em como algu&eacute;m desqualificado para falar de educa&ccedil;&atilde;o&quot;, desabafa Renata.<\/p>\n<p>Na busca do tom mais coloquial, a rep&oacute;rter escreveu &quot;ensino b&aacute;sico&quot;, em lugar de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, o que gerou algumas reprimendas e uma troca de coment&aacute;rios mais extensa com o professor Paulo Ghiraldelli Jr., professor de Filosofia da Educa&ccedil;&atilde;o do Centro de Estudos de Filosofia Americana. Nela, houve uma discuss&atilde;o sobre a educa&ccedil;&atilde;o infantil em que Renata, ap&oacute;s acusar o docente de &quot;estar defasado&quot;, defende que mesmo para as crian&ccedil;as menores existe um processo importante de aprendizagem. Paulo responde dizendo que nessa fase existe educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o ensino. O professor, ao introduzir sua resposta, recorre ao discurso de autoridade para enfatizar seus argumentos posteriores: &quot;Eu n&atilde;o estou defasado, o problema &eacute; que eu uso os termos corretos, por dever de of&iacute;cio, entende? Essa &eacute; a diferen&ccedil;a entre o scholar e o curioso&quot;. <\/p>\n<p>A dificuldade dessa interlocu&ccedil;&atilde;o, aliada &agrave;s reduzidas equipes dos jornais e o tempo escasso, faz com que o notici&aacute;rio ainda seja extremamente reativo &agrave; agenda governamental. Para Guilherme Canela, da Andi, apesar de uma sens&iacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o, esse ainda &eacute; um dos pontos problem&aacute;ticos da cobertura. Para o analista, houve um salto de qualidade na virada do s&eacute;culo, com maior diversifica&ccedil;&atilde;o de fontes. Resta, ainda, que imprensa e meio acad&ecirc;mico se entendam. Outros buracos s&atilde;o a parca cobertura da educa&ccedil;&atilde;o infantil e de temas como inclus&atilde;o de pessoas com defi&shy;ci&ecirc;ncias e quest&otilde;es de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p>&quot;Mas estamos refinando a cobertura. Se compararmos a educa&ccedil;&atilde;o com outras &aacute;reas sociais, a cobertura &eacute; mais qualificada e com um olhar mais voltado para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&quot;, conclui.<\/p>\n<p>Para M&aacute;rio Magalh&atilde;es, rep&oacute;rter da sucursal do Rio de Janeiro da Folha de S.Paulo h&aacute; 16 anos e desde abril ombuds&shy;man do jornal, al&eacute;m da depend&ecirc;ncia de fontes governamentais, a cobertura padece de dois outros problemas. Um deles, diz em linha oposta &agrave; de Ghiraldelli, &eacute; tratar a educa&ccedil;&atilde;o, dada sua intera&ccedil;&atilde;o com v&aacute;rios outros campos, como tema de especialistas. &quot;O jornalismo deveria fazer da educa&ccedil;&atilde;o pauta permanente em todas as editorias. Acho que &eacute; um problema confin&aacute;-la nessa rubrica, olhando-a apenas como sistema de produ&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de conhecimento formal&quot;, defende.<\/p>\n<p>O outro ponto &eacute; que o olhar sobre os temas deveria ser mais sistem&aacute;tico. Como exemplo, cita a experi&ecirc;ncia das cotas nas universidades. &quot;Quase todas as mat&eacute;rias se baseiam em desempenho. Atende-se ao chamado das institui&ccedil;&otilde;es que utilizam as cotas. O ideal seria que um rep&oacute;rter ficasse na universidade por uma semana, acompanhando a vida dos cotistas&quot;, sugere, na mesma linha proposta por Renata Cafardo, para entender os porqu&ecirc;s de as escolas de melhor Ideb terem alcan&ccedil;ado tal desempenho. As limita&ccedil;&otilde;es, em ambos os casos, talvez sejam mais de infra-estrutura dos jornais do que de qualquer outra coisa.<\/p>\n<p>Como exemplos de boa cobertura, cita duas reportagens mais extensas publicadas em O Globo. A primeira mostrava, 20 anos depois, o abandono dos Cieps, lan&ccedil;ados no primeiro governo Brizola no Rio de Janeiro, com Darcy Ribeiro &agrave; frente da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o. A segunda reportava o que foi feito dos alunos que estudaram nessas institui&ccedil;&otilde;es nessa &eacute;poca, procurando aferir se o modelo proposto lhes havia mesmo garantido um futuro melhor.<\/p>\n<p>Para Ant&ocirc;nio Gois, os jornais poderiam investir na busca de olhares mais particulares. &quot;No caso do Ideb, quando o MEC divulgou os dados com embargo, como faz o IBGE, deu tempo para que cada jornal fizesse sua avalia&ccedil;&atilde;o. Cada um viu as coisas de forma diferente. Deixou de ser a pol&iacute;tica do furo pelo furo e passou a ser a pol&iacute;tica da qualidade, do caderno mais bem elaborado e mais bem editado&quot;, diz. Exemplos de um jornalismo que se permite alongar os tempos de apura&ccedil;&atilde;o e multiplicar os &acirc;ngulos daquilo que reporta. Talvez um est&aacute;gio anterior &agrave;quele que poderia diluir os desconfortos na lida com os intelectuais e as id&eacute;ias.<\/p>\n<p><strong>Equipe de jornalismo pauta apresentador<\/strong><\/p>\n<p>O convite ao ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad, foi decorr&ecirc;ncia da vis&atilde;o de que o tema &eacute; uma prio&shy;ridade do pa&iacute;s e que o ministro &eacute; jovem, atuante e bem preparado para o exerc&iacute;cio do cargo. Quem explica a escolha &eacute; Anne Porlan, h&aacute; 13 anos respons&aacute;vel pelo jornalismo do Programa J&ocirc; Soares.<\/p>\n<p>Segundo Anne, a pauta seguiu os tr&acirc;mites normais do programa, com a realiza&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa pr&eacute;via para subsidiar o apresentador. Quanto aos questionamentos feitos no correr da entrevista, Anne n&atilde;o se sentiu apta a tecer muitos coment&aacute;rios. Disse que as cr&iacute;ticas do apresentador &agrave; progress&atilde;o continuada e ao atual panorama das escolas p&uacute;blicas s&atilde;o fruto de sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a educa&ccedil;&atilde;o. &quot;Quando o J&ocirc; fala isso &eacute; com amor ao Brasil e tendo como refer&ecirc;ncia o Col&eacute;gio Pedro II, no Rio de Janeiro, que ainda hoje &eacute; muito bom&quot;, diz a jornalista.<\/p>\n<p><strong>An&aacute;lise do or&ccedil;amento ainda &eacute; pouco utilizada<\/strong><\/p>\n<p>Como saber se uma propalada prioridade governamental encontra, na pr&aacute;tica, a mesma guarida que tem nos discursos? Uma das formas mais eficazes &#8211; e ainda pouco utilizada no jornalismo di&aacute;rio &#8211; &eacute; o acompanhamento da execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria dos diversos n&iacute;veis de governo. Na cobertura educacional n&atilde;o &eacute; diferente, como revela o documento &quot;Or&ccedil;amento P&uacute;blico e Educa&ccedil;&atilde;o&quot;, realizado pela Andi e financiado pela institui&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica Save the Children.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, que analisou em torno de 35 mil mat&eacute;rias veiculadas por 61 jornais di&aacute;rios e 4 semanais ao longo de 2006, apenas 3% dos textos (1.140) fazem refer&ecirc;ncia &agrave; quest&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria. Desses, 89,3% trazem algum elemento de contextualiza&ccedil;&atilde;o, como relacionar o or&ccedil;amento a &quot;pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, fontes de financiamento, legisla&ccedil;&atilde;o, indicadores de resultados ou objetivos educacionais e indicadores or&ccedil;ament&aacute;rios&quot;, diz o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p>No geral, ainda s&atilde;o poucos os textos que fazem a rela&ccedil;&atilde;o entre or&ccedil;amento e qualidade de forma mais profunda: 32,2%. Menos de 2% o fazem trazendo pontos de vista contradit&oacute;rios. O item espec&iacute;fico mais mencionado quando se fala de qualidade &eacute; o professor (em 8% das mat&eacute;rias). Infra-estrutura (7,3%) e insumos (4,6%) v&ecirc;m a seguir. A jornada integral aparece em apenas 0,5% dos textos; o cumprimento do curr&iacute;culo escolar em 0,3%.<\/p>\n<p>Para Ra&iacute;lssa Alencar Peluti, coor-denadora de Monitoramento de M&iacute;dia da Andi, al&eacute;m da dificuldade de lidar com n&uacute;meros &#8211; de resto constatada na parca forma&ccedil;&atilde;o da sociedade em geral quando o assunto &eacute; matem&aacute;tica -, existe uma outra, adicional: a falta de unifica&ccedil;&atilde;o dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o existe um sistema integrado entre os diversos poderes e as pr&oacute;prias inst&acirc;ncias executivas que tomam parte na elabora&ccedil;&atilde;o e na execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;rias. Os minist&eacute;rios envolvidos n&atilde;o seguem o mesmo padr&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o dessas informa&ccedil;&otilde;es, dificultando o pesquisador e o controle social desses dados&quot;, explica Ra&iacute;lssa.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, os dados demoram a ser consolidados. No caso dos R$ 21,1 bilh&otilde;es da dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria do ano passado, ainda n&atilde;o se sabe exatamente o que e quanto efetivamente foi gasto, nem onde. Mas j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel saber que o MEC, em 2005, aplicou apenas 51,68% do montante previsto para a educa&ccedil;&atilde;o infantil naquele ano. <\/p>\n<p><strong>&quot;S&oacute; se fala de agress&atilde;o e taxas&quot;, diz professor<\/strong><\/p>\n<p>Superficial, que n&atilde;o ultrapassa o fato noticioso, n&atilde;o investiga fen&ocirc;menos de maior significa&ccedil;&atilde;o educacional e explora em demasia a ocorr&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia no ambiente escolar. &Eacute; desta forma que alguns professores que se dedicam a analisar a cobertura da imprensa sobre educa&ccedil;&atilde;o v&ecirc;em o resultado da maior parte do material publicado.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Kleber de Santana Souza (foto), diretor da Emef Dr. Jos&eacute; Pedro Leite Cordeiro, no Itaim Paulista, em S&atilde;o Paulo, administra o F&oacute;rum de Educa&ccedil;&atilde;o da Zona Leste (leste@yahoogrupos.com.br), grupo de discuss&atilde;o na internet em que os professores&nbsp; comentam o que se publica em jornais di&aacute;rios, revistas semanais e especializadas, entre outras atividades.<\/p>\n<p>&quot;A impress&atilde;o que tenho &eacute; que n&atilde;o h&aacute; jornalistas especializados, ent&atilde;o a m&iacute;dia s&oacute; veicula not&iacute;cias sobre agress&atilde;o ou taxas. Fica muito nesse campo noticioso, abordado de forma superficial&quot;, avalia Souza.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, esses meios prestariam servi&ccedil;os mais relevantes caso trouxessem com maior const&acirc;ncia debates sobre temas como avalia&ccedil;&atilde;o e ciclos, que aparecem pouco. Ou se levantassem dados como a m&eacute;dia de alunos por sala de aula no Brasil, ponto de partida para que se estudasse a interfer&ecirc;ncia do fen&ocirc;meno na educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Outra coisa que incomoda os participantes do grupo &eacute; o fato de haver pouca an&aacute;lise sobre o impacto local de medidas federais ou a falta de foco nos planos locais de desenvolvimento, por exemplo. &quot;N&atilde;o consegui, quando do lan&ccedil;amento do PDE, obter uma vis&atilde;o global do plano a partir das leituras que fiz na m&iacute;dia. Queria saber o que havia de benef&iacute;cios ou problemas, qual o impacto local&quot;, diz o diretor.<\/p>\n<p>Para Regina Oshiro, sindicalista e professora de hist&oacute;ria h&aacute; 20 anos, a cobertura parece pouco pr&oacute;xima da realidade de sala de aula. &quot;Tenho d&uacute;vida sobre o que leva o jornal a pautar educa&ccedil;&atilde;o. Todo mundo diz que o tema &eacute; importante, mas para qu&ecirc;?&quot;, questiona. E lembra que a presen&ccedil;a dos professores nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o acaba sendo muito direcionada. &quot;Se &eacute; a secretaria que escolhe quem vai falar sobre determinado assunto, &eacute; normal que ela escolha quem lhe conv&eacute;m&quot;, diz. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espa\u00e7o dedicado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nos jornais di\u00e1rios aumentou 16 vezes entre 1996 e 2004, mas cobertura ainda precisa ser menos dependente de governos e ampliar o leque de fontes e assuntos; tens\u00e3o permeia rela\u00e7\u00e3o entre jornalistas e intelectuais acad\u00eamicos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[272],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19177"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}