{"id":19158,"date":"2007-09-06T12:15:17","date_gmt":"2007-09-06T12:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19158"},"modified":"2007-09-06T12:15:17","modified_gmt":"2007-09-06T12:15:17","slug":"inclusao-digital-posta-em-risco-por-decisao-da-anatel-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19158","title":{"rendered":"Inclus\u00e3o digital posta em risco por decis\u00e3o da Anatel &#8211; 2"},"content":{"rendered":"<p><span>Na coluna anterior [dispon&iacute;vel clicando aqui], eu escrevi sobre os problemas da Consulta P&uacute;blica 809, da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). De l&aacute; para c&aacute;, conseguimos convocar a ag&ecirc;ncia para se explicar aos membros do Comit&ecirc; Gestor da Internet (CGIbr), do qual fa&ccedil;o parte.<\/p>\n<p><\/span><span>O representante da Anatel, Maximiliano Salvadori, em conjunto com o conselheiro Pl&iacute;nio Aguiar (que faz parte do CGIbr), explicou que a tal consulta p&uacute;blica tinha um objetivo diferente e que n&atilde;o visava onerar as redes comunit&aacute;rias e, especialmente, aquelas que se utilizam da tecnologia sem fio mesh (conjunto de roteadores interligados). Mas, o representante da Anatel tamb&eacute;m reconheceu que &eacute; necess&aacute;rio mudar o texto da proposta da Anatel, a fim de evitar qualquer risco de uma interpreta&ccedil;&atilde;o que terminasse onerando as redes sem fio. Agora, vamos acompanhar como ficar&aacute; o texto final.<\/p>\n<p><\/span><span>Na conversa com o representante da Anatel, n&oacute;s solicitamos que, no futuro, a ag&ecirc;ncia procure conversar com todos os agentes interessados (e n&atilde;o apenas com as grandes empresas do setor) antes de tomar qualquer medida. Assim, evita-se que tenhamos que brigar depois do preju&iacute;zo j&aacute; realizado.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Licen&ccedil;as<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Segundo a apresenta&ccedil;&atilde;o da Anatel, as redes sem fio localizadas em cidades com menos de 500 mil habitantes, e que visem interligar mais de um im&oacute;vel, ter&atilde;o que obter apenas uma &uacute;nica licen&ccedil;a (portanto, pagar R$ 1.340,00), referente ao ponto de interconex&atilde;o dessa rede com a Internet, independente da pot&ecirc;ncia utilizada.<\/p>\n<p><\/span><span>Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, as redes sem fio ter&atilde;o que pagar uma licen&ccedil;a (do ponto de interconex&atilde;o) e mais uma licen&ccedil;a para cada ponto cuja pot&ecirc;ncia ultrapassar 400mW. Vale lembrar que os roteadores vendidos no mercado t&ecirc;m em torno de 150mW. Portanto, usando os roteadores padr&atilde;o, n&atilde;o haveria necessidade de pagar nada al&eacute;m do ponto de interconex&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Outorgas<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Por sua vez, estas redes precisam de outorgas para funcionar. Caso a rede seja para uso pr&oacute;prio, basta adquirir uma outorga para o Servi&ccedil;o Limitado Privado (SLP), que custa cerca de R$ 300,00. Segundo entendimento recente do conselho da Anatel, se uma prefeitura disponibilizar gratuitamente uma rede para seus mun&iacute;cipes, ela ainda ser&aacute; entendida como sendo &ldquo;para uso pr&oacute;prio&rdquo; e, portanto, cabe a outorga de SLP.<\/p>\n<p><\/span><span>Caso a rede seja para uso de terceiros (por exemplo, um servi&ccedil;o comercial), &eacute; necess&aacute;rio adquirir uma outorga do Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), que custa R$ 9 mil.<\/p>\n<p><\/span><span>Ainda n&atilde;o est&aacute; claro, contudo, onde encaixar uma rede feita por associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias e\/ou ONGs, que seja sem fins lucrativos e que vise atender a terceiros (no caso, a comunidade). Caber&aacute; a&nbsp; outorga da SLP ou a de SCM?<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Discrimina&ccedil;&atilde;o positiva<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>A Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) foi criada em um ambiente neo-liberal e de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s. Portanto, ela acabou deixando pouco espa&ccedil;o para que o Estado (e tamb&eacute;m a sociedade civil organizada) possa atuar nos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Um dos princ&iacute;pios da LGT &eacute; a isonomia de todos os agentes econ&ocirc;micos. Na pr&aacute;tica, contudo, isso representa tratar da mesma forma uma rede de uma grande operadora trasnacional (como a Telefonica de Espa&ntilde;a e a Telmex, por exemplo) e uma rede comunit&aacute;ria. Existe pouco espa&ccedil;o para &ldquo;discrimina&ccedil;&otilde;es positivas&rdquo;, como isen&ccedil;&otilde;es de taxas e reserva de espectro para redes comunit&aacute;rias. Caberia ao governo analisar como este cen&aacute;rio pode ser mudado e que tipo de instrumento deve ser utilizado, se um Decreto Presidencial ou projeto de lei. Infelizmente, passados quase cinco anos, este governo ainda n&atilde;o conseguiu produzir uma pol&iacute;tica de inclus&atilde;o digital que v&aacute; al&eacute;m das iniciativas isoladas.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Espectro<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Uma outra quest&atilde;o que surgiu na conversa com a Anatel, mas que n&atilde;o era objeto espec&iacute;fico da tal Consulta P&uacute;blica 809, &eacute; a racionaliza&ccedil;&atilde;o do espectro eletromagn&eacute;tico.<\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, ao contr&aacute;rio de v&aacute;rios outros pa&iacute;ses, um das melhores partes do espectro para que se fa&ccedil;a redes sem fio (2400 &ndash; 2483,5 Mhz) est&aacute; reservada em car&aacute;ter prim&aacute;rio para o Servi&ccedil;o Auxiliar de Radiodifus&atilde;o, usado, por exemplo, para o link entre uma esta&ccedil;&atilde;o externa e sua respectiva emissora de televis&atilde;o. Isso significa que a Anatel deve zelar para que nenhuma rede sem fio possa interferir no Servi&ccedil;o Auxiliar de Radiodifus&atilde;o. Ou seja, as redes sem fio (em casos onde haja essa interfer&ecirc;ncia) terminam perdendo um espa&ccedil;o valioso do espectro.<\/p>\n<p><\/span><span>Como em outros pa&iacute;ses, o ideal seria retirar o Servi&ccedil;o Auxiliar de Radiodifus&atilde;o desta parte do espectro. Mas, quem deseja brigar com os radiodifusores?<\/p>\n<p><\/span><span>Essa situa&ccedil;&atilde;o remete para a necessidade que o Brasil tem de adotar novas modalidades de gest&atilde;o do espectro, que estejam de acordo com o processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o. Precisamos avan&ccedil;ar para al&eacute;m da gest&atilde;o anal&oacute;gica do espectro, essencialmente a mesma desde os tempos de Marconi.<\/p>\n<p><\/span><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na coluna anterior [dispon&iacute;vel clicando aqui], eu escrevi sobre os problemas da Consulta P&uacute;blica 809, da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). De l&aacute; para c&aacute;, conseguimos convocar a ag&ecirc;ncia para se explicar aos membros do Comit&ecirc; Gestor da Internet (CGIbr), do qual fa&ccedil;o parte. 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