{"id":19117,"date":"2007-09-03T15:46:59","date_gmt":"2007-09-03T15:46:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19117"},"modified":"2007-09-03T15:46:59","modified_gmt":"2007-09-03T15:46:59","slug":"paises-devem-questionar-dominio-da-internet-pelos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19117","title":{"rendered":"Pa\u00edses devem questionar dom\u00ednio da internet pelos EUA"},"content":{"rendered":"<p><span>Grandes expectativas e uma boa dose de autocr&iacute;tica devem permear o II F&oacute;rum de Governan&ccedil;a da Internet (IGF), evento que acontece em novembro no Rio de Janeiro. Resultado de um grande esfor&ccedil;o do governo brasileiro em trazer o evento para o solo nacional, o II IGF deve ter como principal discuss&atilde;o mais do que os temas convencionais do ambiente virtual, mas a pr&oacute;pria raz&atilde;o de sua exist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Diferentemente da sua &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o em Atenas, caracterizada pela aus&ecirc;ncia de poder deliberativo, devem estar no centro da pauta no Rio de Janeiro o modelo de governan&ccedil;a da Internet e o poder do pr&oacute;prio IGF. Est&aacute; prevista para setembro uma reuni&atilde;o em Genebra, na Su&iacute;&ccedil;a, para definir o formato do F&oacute;rum e as pautas centrais das discuss&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>A discuss&atilde;o sobre o modelo de governan&ccedil;a &eacute; relativamente nova, tendo sido inaugurada na C&uacute;pula Mundial da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o da ONU (CMSI), realizada em duas etapas: Genebra em 2003 e Tunis em 2005. Naquele momento, o debate sobre a internet passava a tomar grandes propor&ccedil;&otilde;es, trazendo duas principais fontes de descontentamento, sobretudo para os chamados pa&iacute;ses em desenvolvimento: o controle exercido pelos EUA no ambiente virtual atrav&eacute;s da Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers) e a aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o e governabilidade sobre outros recursos da internet, como os famigerados spams, a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos preconceituosos, pedofilia e a pr&oacute;pria estrutura f&iacute;sica da rede, instalada quase completamente nos EUA e na Europa.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Governan&ccedil;a<br \/><\/strong><br \/><\/span><span>A Icann &eacute; uma entidade privada que governa todo o conte&uacute;do da internet associado a nomes de dom&iacute;nios e n&uacute;meros, ou seja, &agrave; &ldquo;identidade&rdquo; dos computadores (o protocolo TCP\/IP). Instalada nos EUA, a institui&ccedil;&atilde;o &eacute; obrigada a prestar contas ao Departamento de Com&eacute;rcio norte-americano e conta com a participa&ccedil;&atilde;o de outros pa&iacute;ses apenas atrav&eacute;s de um conselho consultivo. O governo norte-americano, junto a outros governos a ele alinhados, como Austr&aacute;lia e Israel, tem se negado a discutir um novo modelo de governan&ccedil;a, com o argumento de que o modelo atual &eacute; suficiente e que n&atilde;o h&aacute; necessidade de um modelo global. Gustavo Gindre, membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet do Brasil (CGI.br) e coordenador do Intervozes, entretanto, acredita que a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pode mudar no pr&oacute;ximo IGF. &ldquo;A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia vinha se mantendo neutra nesta discuss&atilde;o, mas agora tem demonstrado uma posi&ccedil;&atilde;o mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; postura dos EUA&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><\/span><span>O governo brasileiro pretende que, ao sediar o evento, tenha poder de influ&ecirc;ncia sobre os rumos da governan&ccedil;a da internet. A proposta brasileira &eacute; a de um modelo pr&oacute;ximo ao do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil, que conte com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes do governo, da sociedade civil, de acad&ecirc;micos e empres&aacute;rios. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, &ldquo;em conformidade com os resultados da CMSI, o governo brasileiro considera que a governan&ccedil;a da Internet deve contar com a participa&ccedil;&atilde;o de todos os setores em seus respectivos pap&eacute;is, cabendo especificamente aos governos, em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es, a elabora&ccedil;&atilde;o de suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas globais. A esse respeito, conv&eacute;m observar que o modelo de governan&ccedil;a da Internet adotado internamente no Brasil j&aacute; prev&ecirc; a participa&ccedil;&atilde;o do terceiro setor, da academia e da iniciativa privada, que t&ecirc;m assentos no Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil&rdquo;. Nos bastidores do IGF j&aacute; &eacute; inclusive conhecida a articula&ccedil;&atilde;o entre Brasil, &Iacute;ndia e &Aacute;frica do Sul para fortalecer uma proposta nesta dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Carlos Afonso, diretor-executivo da Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor (Rits) e tamb&eacute;m membro eleito do CGI.br, n&atilde;o acredita, por sua vez, que exista alguma diverg&ecirc;ncia na pauta geral. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; quest&atilde;o central. H&aacute; cinco temas definidos para o debate: acesso, diversidade, abertura, seguran&ccedil;a, e recursos cr&iacute;ticos da Internet. H&aacute; ainda uma extensa lista de oficinas paralelas &#8211; originalmente 60 &#8211; tratando de assuntos relacionados &agrave; governan&ccedil;a&rdquo;, afirma, recusando a id&eacute;ia de que o IGF deva ter centralidade no questionamento da pol&iacute;tica norte-americana para a internet. &ldquo;A governan&ccedil;a da Internet &eacute; muito mais que isso. O assunto relativo ao campo de atua&ccedil;&atilde;o da Icann vai ser discutido sob o t&oacute;pico &lsquo;recursos cr&iacute;ticos da Internet&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&ldquo;Multi-stake holder&rdquo;<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O IGF &eacute; estruturado de maneira a contemplar a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil nos mesmos espa&ccedil;os em que os governos discutir&atilde;o suas propostas para o ambiente virtual. Esta pol&iacute;tica, conhecida no jarg&atilde;o da ONU como &ldquo;multi-stake holder&rdquo;, apesar de convidativa, segundo Carlos Afonso, ainda n&atilde;o sensibilizou devidamente as organiza&ccedil;&otilde;es. &ldquo;O IGF &eacute; um encontro pluralista, apesar de ser estruturado pela ONU e pelo pa&iacute;s-sede de cada f&oacute;rum. Portanto h&aacute; abertura ampla para a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil. No entanto, tem sido muito dif&iacute;cil engajar entidades civis no debate sobre governan&ccedil;a da Internet&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>O governo brasileiro tem opini&atilde;o semelhante no que diz respeito &agrave; ainda incipiente participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil no F&oacute;rum. &ldquo;A decis&atilde;o do governo brasileiro de candidatar-se, com o apoio do CGI.br, a ser sede do II IGF foi tomada levando em considera&ccedil;&atilde;o o objetivo de assegurar a todos os setores da sociedade brasileira e latino-americana a oportunidade de participa&ccedil;&atilde;o nos debates mais relevantes sobre o tema da governan&ccedil;a da Internet. A prop&oacute;sito, conv&eacute;m registrar que a presen&ccedil;a de representantes dos pa&iacute;ses em desenvolvimento &ndash; muito particularmente da Am&eacute;rica Latina e do Caribe &ndash; na primeira reuni&atilde;o do IGF, em Atenas, em 2006, foi bastante baixa e a exist&ecirc;ncia desse equil&iacute;brio na participa&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para dotar de legitimidade o trabalho do IGF&rdquo;, afirma a assessoria de imprensa do Itamaraty.<\/p>\n<p><\/span><span>Para Gustavo Gindre, a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil neste processo pode ser vista de maneira positiva, mas isso n&atilde;o resolve alguns problemas intr&iacute;nsecos a um F&oacute;rum n&atilde;o-deliberativo. &ldquo;No F&oacute;rum, a sociedade civil participa em p&eacute; de igualdade com os governos. Por exemplo, as mesmas plen&aacute;rias contam com a Microsoft, o governo da China e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais. O problema &eacute; como montar uma estrutura deliberativa para isso. Ainda n&atilde;o existem crit&eacute;rios. A Funda&ccedil;&atilde;o Bill Gates e o governo brasileiro devem ter o mesmo peso?&rdquo;, pergunta Gindre.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m da possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o no IGF, a sociedade civil tamb&eacute;m se articula num f&oacute;rum permanente chamado Caucus, que agrega organiza&ccedil;&otilde;es da Am&eacute;rica Latina e do Caribe em torno das necessidades da regi&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O Caucus da Sociedade Civil sobre Governan&ccedil;a da Internet &eacute; um f&oacute;rum permanente que existe desde o processo da CMSI, e o objetivo &eacute; justamente debater o que o seu nome indica e fazer propostas, bem como mobilizar a sociedade civil em torno dos temas da governan&ccedil;a. Os membros do Caucus t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o destacada nas oficinas e nas coaliz&otilde;es din&acirc;micas, e espero que tenham tamb&eacute;m forte participa&ccedil;&atilde;o nas sess&otilde;es<br \/>principais do IGF&rdquo;, afirma Carlos Afonso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II F\u00f3rum de Governan\u00e7a da Internet acontece em novembro no Rio de Janeiro e deve ter como pauta principal a democratiza\u00e7\u00e3o do modelo de governan\u00e7a da Internet, com a descentraliza\u00e7\u00e3o do poder associado a nomes de dom\u00ednios e n\u00fameros, hoje nas m\u00e3os dos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[401],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19117"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}