{"id":19105,"date":"2007-08-31T17:29:35","date_gmt":"2007-08-31T17:29:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19105"},"modified":"2007-08-31T17:29:35","modified_gmt":"2007-08-31T17:29:35","slug":"imprensa-catarinense-rbs-expande-seus-dominios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19105","title":{"rendered":"Imprensa catarinense: RBS expande seus dom\u00ednios"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>O maior neg&oacute;cio da hist&oacute;ria da m&iacute;dia em Santa Catarina foi conclu&iacute;do no final de junho sem qualquer cobertura jornal&iacute;stica local &ndash; um sinal modesto das conseq&uuml;&ecirc;ncias que a monopoliza&ccedil;&atilde;o pode provocar. Quando o empres&aacute;rio Moacir Thomazi entregou ao Grupo RBS o cargo de presidente do jornal A Not&iacute;cia, de Joinville, chegou discretamente ao fim uma transa&ccedil;&atilde;o de 50 milh&otilde;es de reais cujos bastidores revelam uma intensa disputa entre os dois principais conglomerados de m&iacute;dia com atua&ccedil;&atilde;o no estado. Desde 23 de agosto de 2006, todos os di&aacute;rios com mais de 10 mil exemplares de tiragem impressos em Santa Catarina s&atilde;o da RBS, mas a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade n&atilde;o &eacute; feita s&oacute; de boas not&iacute;cias para o grupo: um ano depois da aquisi&ccedil;&atilde;o de A Not&iacute;cia, a circula&ccedil;&atilde;o paga do jornal caiu 17,5%. Em qualquer outro setor da economia, isso seria pauta obrigat&oacute;ria.<\/p>\n<p><\/span><span>Os efeitos da disputa entre os conglomerados de m&iacute;dia apareceram nas bancas, mas n&atilde;o nas p&aacute;ginas dos jornais. Entre mar&ccedil;o e setembro do ano passado, nas regi&otilde;es mais populosas do estado, o Grupo RBS, afiliado da Rede Globo, e a Rede SC, do SBT, lan&ccedil;aram dois di&aacute;rios populares concorrentes &ndash; respectivamente, Hora de Santa Catarina e Not&iacute;cias do Dia. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia indireta dessa rivalidade, a RBS comprou em agosto A Not&iacute;cia, seu maior concorrente no mercado tradicional, &agrave; &eacute;poca com circula&ccedil;&atilde;o paga superada unicamente pelo Di&aacute;rio Catarinense, do grupo ga&uacute;cho. Ao final do ano, havia mais t&iacute;tulos locais do que nunca nas bancas de Santa Catarina, diversifica&ccedil;&atilde;o que disfar&ccedil;ava a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade nos maiores conglomerados.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O imp&eacute;rio RBS<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Com dois lances estrat&eacute;gicos &ndash; a aquisi&ccedil;&atilde;o de A Not&iacute;cia e o lan&ccedil;amento do Hora de Santa Catarina, di&aacute;rio popular vendido na Grande Florian&oacute;polis que j&aacute; tem a segunda maior tiragem do estado &ndash;, a RBS eliminou um concorrente que por d&eacute;cadas bloqueara sua expans&atilde;o na regi&atilde;o mais rica do estado e conquistou cerca de 30 mil novos leitores do segmento popular. O grupo chegou mais perto de faturar 1 bilh&atilde;o de reais por ano com suas empresas &ndash; projeto que pretende realizar em 2007, ano do cinq&uuml;enten&aacute;rio da RBS, a ser comemorado em 31 de agosto &ndash; e conservou o apetite para aquisi&ccedil;&otilde;es e investimentos.<\/p>\n<p><\/span><span>Comprar A Not&iacute;cia era uma antiga ambi&ccedil;&atilde;o. Durante mais de uma d&eacute;cada, a RBS fizera sucessivas tentativas infrut&iacute;feras de conquistar o mercado de leitores do Norte catarinense. Antes da aquisi&ccedil;&atilde;o, o Di&aacute;rio Catarinense, principal t&iacute;tulo do grupo no estado, distribu&iacute;a n&atilde;o mais de 5 mil exemplares em Joinville &ndash; cidade catarinense com a maior popula&ccedil;&atilde;o, 496 mil habitantes (IBGE, outubro de 2006). Para tentar incrementar o relacionamento com a comunidade, o DC produzira cadernos com conte&uacute;do local; contratara gerentes radicados na cidade; patrocinara o principal clube de futebol, o Joinville Esporte Clube; oferecera para ag&ecirc;ncias e anunciantes robustos descontos sobre a tabela de publicidade (pr&aacute;tica n&atilde;o exatamente comum nos ve&iacute;culos do grupo). Os resultados foram insatisfat&oacute;rios. At&eacute; agosto do ano passado, A Not&iacute;cia ainda freava a expans&atilde;o da RBS em Santa Catarina.<\/p>\n<p><\/span><span>A primeira proposta de compra do jornal pelo conglomerado, em 2001, n&atilde;o foi nem levada a s&eacute;rio, mas a &uacute;ltima foi perfeitamente conclu&iacute;da. A diferen&ccedil;a est&aacute; no f&ocirc;lego financeiro do grupo: depois de medidas de saneamento adotadas desde 2003 para rolar d&iacute;vidas, controlar despesas e incrementar receitas, a RBS est&aacute; com os cofres cheios. Em 2005, o imp&eacute;rio regional da fam&iacute;lia Sirotsky, um dos cinco maiores conglomerados de m&iacute;dia do Brasil, faturou 860 milh&otilde;es de reais e lucrou 93 milh&otilde;es de reais &ndash; acumulando mais de 200 milh&otilde;es de reais com a lucratividade dos anos anteriores. Em 2006, a receita chegou perto do primeiro bilh&atilde;o. Parte dos resultados foi distribu&iacute;da para os empregados com a folha de pagamento de janeiro de 2007: cada um recebeu tr&ecirc;s sal&aacute;rios extras.<\/p>\n<p><\/span><span>De arcas repletas, os executivos da RBS foram &agrave;s compras em 2006.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Dois embates, um advers&aacute;rio<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O lan&ccedil;amento do Hora de Santa Catarina e a aquisi&ccedil;&atilde;o do A Not&iacute;cia s&atilde;o hist&oacute;rias entrela&ccedil;adas, nas quais a RBS enfrentou voluptuosamente um mesmo advers&aacute;rio: o empres&aacute;rio Marcello Corr&ecirc;a Petrelli, diretor-superintendente da Rede SC, dona de r&aacute;dios e de emissoras de televis&atilde;o afiliadas ao SBT. A RBS soube, no in&iacute;cio de 2006, que Petrelli planejava lan&ccedil;ar um di&aacute;rio popular em Florian&oacute;polis &ndash; o Not&iacute;cias do Dia. A informa&ccedil;&atilde;o surpreendeu o grupo, que conservava na gaveta planos semelhantes. Os executivos da RBS consideram Petrelli um amador e n&atilde;o gostaram da id&eacute;ia de ter de correr atr&aacute;s da concorr&ecirc;ncia. O vice-presidente executivo, Pedro Parente, provocou:<\/p>\n<p><\/span><span>&ndash; E n&oacute;s, vamos ficar assistindo?<\/span><\/p>\n<p><span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Em 23 de fevereiro, quinta-feira anterior ao Carnaval, Petrelli recebeu um telefonema do presidente do grupo, Nelson Sirotsky, sondando sobre a possibilidade de uma parceria entre a Rede SC e a RBS no projeto. A id&eacute;ia de alian&ccedil;a durou s&oacute; mais um par de telefonemas e chocou-se com as ambi&ccedil;&otilde;es de Petrelli.<\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span>&quot;A possibilidade de associa&ccedil;&atilde;o esbarrou no desejo de fazer o nosso projeto, no nosso desejo de sermos pioneiros&quot;, afirma o dono da Rede SC. &quot;Se fiz&eacute;ssemos o jornal com a RBS, pelo know-how eles iriam fazer a gest&atilde;o; n&atilde;o haveria sentido n&oacute;s sermos s&oacute;cios do neg&oacute;cio deles.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Um tiro de canh&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Outros empres&aacute;rios acalentavam planos de lan&ccedil;ar um di&aacute;rio popular na Grande Florian&oacute;polis. Ser o primeiro, de fato, tinha alguma import&acirc;ncia estrat&eacute;gica. O Not&iacute;cias do Dia circulou em 13 de mar&ccedil;o com 4.000 exemplares e assegurou a Petrelli o pioneirismo a pre&ccedil;os m&oacute;dicos: nos seis primeiros meses de opera&ccedil;&atilde;o, o empres&aacute;rio investiu 600 mil reais no ve&iacute;culo, sem a participa&ccedil;&atilde;o dos demais acionistas da Rede SC. Atualmente, imprime 7.700 exemplares por dia e vende 5.500.<\/p>\n<p><\/span><span>A rea&ccedil;&atilde;o da RBS foi r&aacute;pida e incisiva: fez correr a not&iacute;cia de que tamb&eacute;m ela preparava um di&aacute;rio voltado para aquele segmento e, enquanto estruturava a reda&ccedil;&atilde;o e a estrat&eacute;gia comercial, organizou uma promo&ccedil;&atilde;o para escolher o nome do jornal. Mais de 500 mil cupons, que davam o direito a concorrer ao sorteio de um utilit&aacute;rio esportivo, foram recolhidos na regi&atilde;o. Batizado como Hora de Santa Catarina, o ve&iacute;culo foi apresentado ao mercado publicit&aacute;rio num caf&eacute; da manh&atilde; que reuniu pouco mais de uma centena de ag&ecirc;ncias e anunciantes no audit&oacute;rio da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florian&oacute;polis, em 28 de julho. No evento, Nelson Sirotsky parecia irritado com o atrevimento de Petrelli e elogiou o principal concorrente do Di&aacute;rio Catarinense, a pretexto de alfinetar o rival do Hora de Santa Catarina.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Todos os jornais s&eacute;rios do estado, como o DC e A Not&iacute;cia, t&ecirc;m suas tiragens auditadas pelo IVC (Instituto Verificador de Circula&ccedil;&atilde;o)&quot;, cutucou Sirotsky.<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o era, &agrave; &eacute;poca, o caso do Not&iacute;cias do Dia, s&oacute; associado ao IVC em outubro. O tom do discurso era coerente com a&ccedil;&otilde;es de Sirotsky que a plat&eacute;ia ainda desconhecia: dias antes, ele telefonara ao propriet&aacute;rio e presidente de A Not&iacute;cia, Moacir Thomazi, e marcara um encontro para conversar sobre o futuro do jornal. Era a rea&ccedil;&atilde;o da RBS a outra a&ccedil;&atilde;o de Petrelli &ndash; um tiro de canh&atilde;o que interromperia um v&ocirc;o de andorinha.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Noivado e rompimento<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Petrelli, o pioneiro, n&atilde;o ficou parado esperando a concorr&ecirc;ncia chegar a Florian&oacute;polis. Em junho, come&ccedil;ara entendimentos com Thomazi para o lan&ccedil;amento, em sociedade, de edi&ccedil;&atilde;o local do Not&iacute;cias do Dia em Joinville. O objetivo de Petrelli era explorar nas edi&ccedil;&otilde;es regionais do jornal a popularidade dos apresentadores dos programas de TV da Rede SC, l&iacute;deres ou vice-l&iacute;deres de audi&ecirc;ncia nos principais mercados do estado &ndash; como o blend de deputado estadual e apresentador Nilson Gon&ccedil;alves (PSDB), eleito pela popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o Norte. A Not&iacute;cia gostou da conversa porque tinha planos semelhantes para o segmento.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Tamb&eacute;m t&iacute;nhamos um projeto pronto para lan&ccedil;ar um popular em Joinville&quot;, lembra Thomazi. &quot;O fizemos porque houve, h&aacute; algum tempo, um movimento da RBS para editar um popular aqui. Como eles reflu&iacute;ram na id&eacute;ia, n&oacute;s tamb&eacute;m deixamos ali.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>O modelo do neg&oacute;cio foi decidido em poucas reuni&otilde;es: as empresas seriam s&oacute;cias em toda a opera&ccedil;&atilde;o, mas A Not&iacute;cia bancaria os custos da edi&ccedil;&atilde;o local do Norte do estado e dividiria com Petrelli a despesa para o lan&ccedil;amento em Blumenau (terceiro munic&iacute;pio catarinense mais populoso). Em 25 de julho, uma reuni&atilde;o matinal fechou o acordo. Na ponta da mesa, Petrelli, feliz como um Roberto Marinho, brindou com Veuve Clicquot Ponsardin, em copos de vidro, a sociedade com Thomazi (os executivos estavam acompanhados pelo diretor de circula&ccedil;&atilde;o de AN, Armando Tomazi, do gerente de internet e herdeiro do AN, Rodrigo Thomazi, e do diretor-geral do Not&iacute;cias do Dia, Rog&eacute;rio Caldana.) A cena era de festa de noivado &ndash; mas a atmosfera de celebra&ccedil;&atilde;o evaporou como a perlage do champagne: menos de um m&ecirc;s depois, o pacto seria rompido.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;S&oacute; n&atilde;o tivemos tempo de assinar o contrato. Quando voc&ecirc; vai pegar uma esposa casada &eacute; mais dif&iacute;cil. Agora, com uma esposa que n&atilde;o casou, &eacute; leg&iacute;timo&quot;, brinca Petrelli.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Transpar&ecirc;ncia e &eacute;tica<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Uma reuni&atilde;o em 16 de agosto, entre as equipes do Not&iacute;cias do Dia e de A Not&iacute;cia em Florian&oacute;polis, chegou a definir o cronograma de lan&ccedil;amento do popular em Joinville. O ve&iacute;culo seria anunciado ao mercado de anunciantes num caf&eacute; da manh&atilde; na Fiesc (exatamente como a RBS fizera com o Hora) e um coquetel &agrave; noite na Associa&ccedil;&atilde;o Empresarial de Joinville (Acij). O in&iacute;cio da circula&ccedil;&atilde;o estava programado para 2 de outubro.<\/p>\n<p><\/span><span>Em uma semana, os planos vaporizaram-se, pois a noiva estava sendo cortejada por um rival poderoso. Naquele telefonema de julho, Thomazi e Sirotsky haviam marcado para agosto a primeira de uma breve s&eacute;rie de reuni&otilde;es que decidiria a venda de A Not&iacute;cia para a RBS. Thomazi manteve Petrelli informado.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Conversar n&atilde;o custa, e comecei a conversar com os dois grupos&quot;, contou o ex-dono de A Not&iacute;cia, entrevistado em dezembro. &quot;Mas a cada um eu ia dando ci&ecirc;ncia da conversa que tinha com o outro.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>O comportamento n&atilde;o deixou m&aacute;goas.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Thomazi foi de extrema transpar&ecirc;ncia, extrema &eacute;tica conosco nesse processo&quot;, elogia Petrelli.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O valor do jornal<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O primeiro encontro entre as equipes da RBS e de A Not&iacute;cia, no in&iacute;cio de agosto, discutiu as premissas da negocia&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rias possibilidades foram cogitadas, como a venda, a sociedade entre o jornal e o grupo ou outras formas de parceria. As duas &uacute;ltimas op&ccedil;&otilde;es foram descartadas. Thomazi explica:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Eu disse &lsquo;Olha, Nelson, uma parceria com o grupo RBS para n&oacute;s &eacute; ruim, porque &eacute; uma parceria com for&ccedil;as desiguais. A RBS &eacute; um grupo muito grande para o nosso tamanho, l&aacute; na frente a gente vai brigar&rsquo;.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Restou a venda. A Not&iacute;cia ficou de apresentar, no encontro seguinte, um balan&ccedil;o da situa&ccedil;&atilde;o financeira da empresa. Na segunda reuni&atilde;o, em 15 de agosto, com a presen&ccedil;a de t&eacute;cnicos de controladoria da RBS, foram discutidos, previamente, os n&uacute;meros do jornal: faturamento, despesas, dimensionamento do contencioso c&iacute;vel e trabalhista. Fez-se um pr&eacute;-contrato. O grupo enviou auditores a Joinville para, em poucos dias, conferir as informa&ccedil;&otilde;es. A RBS admitira assumir o contencioso trabalhista e c&iacute;vel do jornal &ndash; um montante inferior a 5 milh&otilde;es de reais, grande parte j&aacute; em dep&oacute;sitos judiciais. S&oacute; faltava, ent&atilde;o, definir o valor da venda.<\/p>\n<p><\/span><span>Quando os executivos da RBS apresentaram a possibilidade de compra de A Not&iacute;cia, no primeiro encontro, Thomazi perguntou-se: &quot;Quanto vale o jornal?&quot; Como calcular o valor de um ve&iacute;culo que circulava h&aacute; 83 anos, com circula&ccedil;&atilde;o paga de 32 mil exemplares em 260 munic&iacute;pios, faturamento de 30,3 milh&otilde;es de reais em 2005, 437 empregados e um t&iacute;tulo tradicional e de credibilidade?<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Eu n&atilde;o tinha a m&iacute;nima id&eacute;ia&quot;, conta Thomazi. &quot;N&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos nos preparado para vender a empresa. N&atilde;o sabia nem o que podia valer. Nunca fizemos uma avalia&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>A refer&ecirc;ncia veio precisamente de um telefonema para Marcello Petrelli, a noiva abandonada no altar da sociedade para o lan&ccedil;amento do Not&iacute;cias do Dia em Joinville.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Marcello, voc&ecirc;, que &eacute; do ramo, tem uma id&eacute;ia do que pode valer?&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Olha, Thomazi, acho que um jornal como o teu vale, no m&iacute;nimo, entre R$ 40 milh&otilde;es e R$ 60 milh&otilde;es.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&quot;N&atilde;o recebi press&atilde;o&quot;<\/strong><\/p>\n<p><\/span><span>Na terceira e &uacute;ltima reuni&atilde;o, em 23 de agosto, fez-se a negocia&ccedil;&atilde;o que levou ao contrato. A primeira proposta da RBS, de 30 milh&otilde;es de reais, apresentada no encontro anterior, foi rejeitada. Amparado nas contas de Petrelli, Thomazi pediu o dobro.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Foram feitas muitas propostas ao longo da conversa&quot;, resume, evasivo, o ex-dono de A Not&iacute;cia. &quot;Houve muitos momentos durante a mesma reuni&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>O momento-chave foi um encontro a s&oacute;s entre Thomazi e Nelson Sirotsky, solicitado por este. No di&aacute;logo, o presidente da RBS apresentou os planos do grupo para, caso a compra de A Not&iacute;cia n&atilde;o se concretizasse, lan&ccedil;ar um jornal concorrente em Joinville. O grupo teria capital para suportar a opera&ccedil;&atilde;o deficit&aacute;ria do ve&iacute;culo durante mais de uma d&eacute;cada. A sede da RBS TV na regi&atilde;o, recentemente reformada, estava pronta para abrigar a nova empresa. Cort&ecirc;s e elegante, Sirotsky deixou Thomazi encalacrado entre as possibilidades de vender o jornal de imediato, realizando retorno para os acionistas, ou manter A Not&iacute;cia sob forte concorr&ecirc;ncia &ndash; e, talvez, ter de vend&ecirc;-lo no futuro por uma ninharia.<\/p>\n<p><\/span><span>Thomazi nega ter recebido amea&ccedil;as durante a negocia&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A gente sabia que haveria um momento em que eles iriam p&ocirc;r um jornal aqui. Mas a venda n&atilde;o foi em decorr&ecirc;ncia disso. N&atilde;o recebi press&atilde;o alguma, de parte alguma, de ningu&eacute;m. Nem da comunidade.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Neg&oacute;cio fechado<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Thomazi se queixa &eacute; da aus&ecirc;ncia de sinergia com outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; sinergia que viabiliza os neg&oacute;cios em fun&ccedil;&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o de custos, da exposi&ccedil;&atilde;o compartilhada nas diversas m&iacute;dias do mesmo grupo, da promo&ccedil;&atilde;o de eventos e de iniciativas em comum. A Not&iacute;cia tentou, sem sucesso, obter concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o, e permaneceu isolado no mercado das m&iacute;dias:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Chegamos a uma encruzilhada. Ou bem a gente se associava ao SBT, o que n&atilde;o eliminava a hip&oacute;tese de a RBS vir com um jornal para c&aacute;&#8230; Eles tinham f&ocirc;lego para bancar um projeto aqui durante dez anos, tirando fatias nossas, nos fragilizando. A&iacute;, conclu&iacute;mos que o melhor seria a venda, desde que os valores fossem compensadores.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>A RBS definira, dias antes, os limites para a negocia&ccedil;&atilde;o. E aumentou sua proposta progressivamente at&eacute; um valor pr&oacute;ximo de 50 milh&otilde;es de reais.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Muito mais do que o patrim&ocirc;nio do jornal, o que a gente avalia &eacute; o potencial futuro de gera&ccedil;&atilde;o de resultados do neg&oacute;cio, a for&ccedil;a da marca, a participa&ccedil;&atilde;o de mercado&quot;, explicou, em janeiro, o diretor-geral da Unidade Jornal da RBS em Santa Catarina, Marcos Noll Barboza, escalado pelo grupo para comentar a transa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Uma cl&aacute;usula contratual impede as partes de confirmarem o valor exato do neg&oacute;cio. Uma proje&ccedil;&atilde;o baseada no valor recebido por um s&oacute;cio minorit&aacute;rio resulta na cifra de 48 milh&otilde;es de reais. O capital de A Not&iacute;cia era uma rara combina&ccedil;&atilde;o de propriedade familiar com articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica local: dois sobrenomes tinham 96,7% do capital, mas 128 acionistas detinham poder simb&oacute;lico &ndash; presidentes de multinacionais com sede na regi&atilde;o, ex-dirigentes da Fiesc, pol&iacute;ticos: uma elite local inteira. Thomazi tinha carta-branca para negociar no horizonte daqueles valores sugeridos por Petrelli:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;N&atilde;o havia, por parte da fam&iacute;lia, nenhum interesse em continuar no neg&oacute;cio. Articulei-me com os acionistas. Estabelecemos um valor. Tinha uma margem de negocia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o ficou no ideal nem no m&iacute;nimo.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Fechado o neg&oacute;cio, o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) foi informado por telefone, por Sirotsky e Thomazi, logo ap&oacute;s o encerramento da reuni&atilde;o. Na semana seguinte, a RBS enviou uma equipe que passou quase um m&ecirc;s na sede de A Not&iacute;cia checando detalhadamente as informa&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis e outros aspectos estrat&eacute;gicos e operacionais. O contrato foi assinado em 22 de setembro. A RBS assumiu A Not&iacute;cia em 1&ordm; de outubro.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O conquistador e a prov&iacute;ncia<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Houve alguma resist&ecirc;ncia em Joinville, mas o desconforto pol&iacute;tico foi contornado com habilidade. O mesmo valor por a&ccedil;&atilde;o oferecido &agrave; fam&iacute;lia foi estendido aos demais acionistas; at&eacute; o final do ano, apenas oito dos minorit&aacute;rios ainda n&atilde;o haviam vendido sua parte &ndash; porque n&atilde;o tinham sido encontrados por Thomazi ou porque estavam com problemas de sa&uacute;de. Antes de assumir o jornal, os executivos da RBS viajaram para participar de uma reuni&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Empresarial de Joinville (Acij) &ndash; praticamente uma assembl&eacute;ia de acionistas minorit&aacute;rios de A Not&iacute;cia. <\/p>\n<p><\/span><span>Thomazi, ex-presidente da entidade de classe, fez um breve relato da transa&ccedil;&atilde;o e assegurou que o controle do jornal n&atilde;o estava sendo vendido a um &quot;grupo de aventureiros ou com interesses meramente pol&iacute;ticos&quot;, mas a um conglomerado profissional da &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o. Admitiu que haveria altera&ccedil;&otilde;es nos quadros profissionais da empresa, especialmente na dire&ccedil;&atilde;o. Mas assumiu a condi&ccedil;&atilde;o de &quot;avalista do processo&quot;: obedecendo a uma das condi&ccedil;&otilde;es do contrato, ele ficaria na presid&ecirc;ncia do jornal at&eacute; 28 de fevereiro de 2007 &ndash; prazo estendido at&eacute; o final de junho. (Outra condi&ccedil;&atilde;o &eacute; uma quarentena de cinco anos, se Thomazi quiser voltar ao mercado de comunica&ccedil;&atilde;o.) O ex-propriet&aacute;rio minimizou a venda, alegando tratar-se s&oacute; de &quot;mudan&ccedil;a de controlador acion&aacute;rio&quot;, n&atilde;o da &quot;identidade&quot; do jornal:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A RBS &eacute; t&atilde;o joinvilense quanto todos os empres&aacute;rios que est&atilde;o aqui e n&atilde;o permitir&aacute; que o jornal se desvie de sua miss&atilde;o, que &eacute; a defesa da Joinville e de sua gente.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Cerca de 100 empres&aacute;rios acompanharam em seguida a longa exposi&ccedil;&atilde;o de Sirotsky, que estava acompanhado de sete executivos da RBS &ndash; incluindo-se os tr&ecirc;s herdeiros dos fundadores do grupo (al&eacute;m dele, seu irm&atilde;o Pedro Sirotsky e o primo, S&eacute;rgio Sirotsky) e o vice-presidente Pedro Parente (ex-ministro do governo FHC). Entronizado por Thomazi na prov&iacute;ncia, o conquistador Sirotsky disse encarar como &quot;natural a preocupa&ccedil;&atilde;o com o significado da transfer&ecirc;ncia do controle acion&aacute;rio do jornal&quot;. Assegurou que a motiva&ccedil;&atilde;o fora, essencialmente, empresarial, observada a dimens&atilde;o do mercado e a oportunidade que se abria ao grupo:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A Not&iacute;cia s&oacute; vale esse investimento porque &eacute; um jornal que em seus 83 anos de atividade refletiu os anseios, aspira&ccedil;&otilde;es e a realidade de sua comunidade. O jornal vai continuar sendo joinvilense, um ve&iacute;culo identificado com a cidade e a regi&atilde;o norte catarinense.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Sirotsky terminou seu show com um estranho convite para uma festa que s&oacute; acontecer&aacute; daqui a 16 anos: a do centen&aacute;rio de A Not&iacute;cia, no dia 24 de fevereiro de 2023. Ningu&eacute;m da plat&eacute;ia recusou. Semanas depois, a RBS imp&ocirc;s ao jornal a primeira mudan&ccedil;a significativa de posicionamento no mercado: trocou o provocativo slogan &quot;catarinense de verdade&quot; por &quot;traduz o seu mundo&quot;, mais coerente com o projeto do grupo ga&uacute;cho.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Perda de 6 mil leitores<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&quot;Foi uma transi&ccedil;&atilde;o muito bem sucedida&quot;, reconhece Thomazi. &quot;A gente fez a coisa muito transparente com a comunidade pol&iacute;tica e empresarial. H&aacute; aquele sentimento de perda, que a gente tamb&eacute;m tem. Mas A Not&iacute;cia apenas mudou de dono.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>A sinergia j&aacute; cortou pela metade o n&uacute;mero de empregos no jornal. Em seis meses, a RBS demitiu 170 dos 437 empregados de A Not&iacute;cia &ndash; e os cortes continuaram. Em 5 de janeiro, precisamente &agrave;s 14 horas, os telefones da linha direta com o assinante (0800475454) passaram a tocar em Porto Alegre, onde est&aacute; centralizada a opera&ccedil;&atilde;o de telemarketing e atendimento ao cliente do grupo. Foram eliminadas equipes inteiras de distribui&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o das sucursais.<\/p>\n<p><\/span><span>A guilhotina poupou jornalistas: apenas 15 rep&oacute;rteres ou editores foram demitidos de A Not&iacute;cia desde 1&ordm; de outubro, segundo o sindicato da categoria. Petrelli aproveitou alguns deles. Com um grupo de profissionais que havia se desligado espontaneamente de A Not&iacute;cia, a Rede SC lan&ccedil;ou em Joinville o Not&iacute;cias do Dia, em 6 de novembro. Vende 4.500 exemplares por dia.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A cidade est&aacute; se sentindo &oacute;rf&atilde; com a venda de A Not&iacute;cia&quot;, afirma Petrelli.<\/p>\n<p><\/span><span>Parece exagero, mas A Not&iacute;cia j&aacute; perdeu no m&iacute;nimo seis mil leitores: a circula&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia di&aacute;ria caiu 17,5%, de 31,3 mil exemplares para 25,8 mil, segundo o IVC. Movimento semelhante ocorreu nos anos 1990, quando a RBS comprou o Jornal de Santa Catarina, de Blumenau; naquele caso, depois da transforma&ccedil;&atilde;o do formato do di&aacute;rio de standard para tabl&oacute;ide, o n&uacute;mero de assinantes tornou a subir.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Concorrente condena dumping<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A compra de A Not&iacute;cia foi fechada cinco dias antes do in&iacute;cio da circula&ccedil;&atilde;o do Hora de Santa Catarina em Florian&oacute;polis. O projeto do jornal popular exigiu pouco investimento da RBS. O lan&ccedil;amento beneficiou-se da sinergia entre as diversas m&iacute;dias na capital catarinense: uma emissora de TV aberta, dois canais de TV a cabo, duas emissoras FM e uma AM. Para a campanha de lan&ccedil;amento, a RBS s&oacute; precisou pagar panfletos e outdoors.<\/p>\n<p><\/span><span>A reda&ccedil;&atilde;o do Hora ocupa apenas uma sala, na sede do Di&aacute;rio Catarinense. O jornal &eacute; vendido ao pre&ccedil;o promocional de 25 centavos&ndash; seu irm&atilde;o mais velho e id&ecirc;ntico, o Di&aacute;rio Ga&uacute;cho, lan&ccedil;ado pelo mesmo valor no ano 2000 em Porto Alegre, custa hoje 60 centavos. N&atilde;o bastasse o pre&ccedil;o irris&oacute;rio, o jornal distribui pr&ecirc;mios a quem coleciona os selos impressos na capa: 60 selos valem um kit caipirinha, um jogo de panelas ou de travessas, um faqueiro. A concorr&ecirc;ncia n&atilde;o gosta.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O monop&oacute;lio n&atilde;o vem da compra de A Not&iacute;cia&quot;, critica Petrelli. &quot;Isso &eacute; leg&iacute;timo. A decis&atilde;o de querer monopolizar o mercado vem de querer agredir a concorr&ecirc;ncia, de impor um produto subsidiado, com dumping, para inviabilizar outros players no mercado. Acho que a RBS se equivoca quando faz isso. Se equivoca em depreciar o produto jornal. Ela d&aacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o real de querer nos inviabilizar.<\/p>\n<p><\/span><span>A RBS ignora as acusa&ccedil;&otilde;es, com a soberba de quem j&aacute; conta quase sete vezes mais leitores no mesmo segmento de mercado que Not&iacute;cias do Dia. Preparado para suportar preju&iacute;zo com o Hora por pelo menos 20 meses, o grupo se surpreendeu com o retorno dos leitores e dos anunciantes. O jornal foi projetado para vender em torno de 20 mil exemplares diariamente, mas a circula&ccedil;&atilde;o, vitaminada pelas promo&ccedil;&otilde;es, j&aacute; ultrapassou os 35 mil.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Espa&ccedil;o de sobra<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&quot;Muita gente que n&atilde;o lia jornal est&aacute; lendo a Hora&quot;, celebra Marcos Barboza. &quot;Esse &eacute; o grande m&eacute;rito, at&eacute; mesmo em termos de import&acirc;ncia social do jornal, de trazer informa&ccedil;&atilde;o, fortalecer o senso cr&iacute;tico, a cidadania. Nosso objetivo com a Hora &eacute; de longo prazo. &Eacute; formar uma base de leitores. Muitos deles v&atilde;o passar a ter um n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia maior sobre o jornal e v&atilde;o passar a ler o Di&aacute;rio Catarinense.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Vendido a 2 reais em dias &uacute;teis, o DC, como ocorrera com Zero Hora em rela&ccedil;&atilde;o ao Di&aacute;rio Ga&uacute;cho, n&atilde;o perdeu leitores para o Hora de Santa Catarina. E o popular conquistou anunciantes mais rapidamente do que o previsto, conforme Barboza:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A gente chegou, nos primeiros meses, num n&iacute;vel de faturamento publicit&aacute;rio [previsto] talvez para o segundo ano do jornal. Em dezembro de 2006, tivemos um faturamento muito acima do esperado.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>O pr&oacute;prio Not&iacute;cias do Dia festeja a receptividade positiva do mercado ao jornal popular. Petrelli afirma ter alcan&ccedil;ado o break-even em setembro, seis meses depois de come&ccedil;ar a circular em Florian&oacute;polis. Na v&eacute;spera do lan&ccedil;amento do Hora de Santa Catarina, os diretores do Not&iacute;cias do Dia decidiram manter o pre&ccedil;o de capa em 50 centavos. O jornal perdeu 25% dos leitores no dia seguinte, mas se recuperou rapidamente.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Tr&ecirc;s semanas depois da Hora, n&oacute;s hav&iacute;amos crescido 15%&quot;, calcula Petrelli. &quot;Quando a RBS entra [nesse mercado], dois benef&iacute;cios acontecem. Aumenta o n&uacute;mero de leitores porque aumenta a divulga&ccedil;&atilde;o. E tamb&eacute;m agrega comercialmente, ao aumentar a credibilidade do jornal popular. O l&iacute;der tem que promover o crescimento do bolo.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>O reconhecimento n&atilde;o ameniza a verve de Petrelli. Subitamente galgado ao posto de rival que merece respostas do l&iacute;der, ele ataca a RBS:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;N&oacute;s n&atilde;o somos um poder&quot;, provoca, evocando o espectro autorit&aacute;rio que acompanha certa vis&atilde;o sobre o grupo. &quot;Somos uma empresa que est&aacute; a servi&ccedil;o da sociedade organizada. Nosso papel n&atilde;o &eacute; impor nossa verdade, nossa percep&ccedil;&atilde;o; &eacute; criar um f&oacute;rum para discuss&atilde;o e isso s&oacute; acontece quando se tem espa&ccedil;o e comunicadores. Eu n&atilde;o estava procurando enfrentar a RBS. Ela &eacute; que veio ao nosso patamar para nos enfrentar. E &eacute; claro que agora eu tenho de me defender. <\/span>A RBS criou um concorrente.&quot;<\/p>\n<p><span>No in&iacute;cio deste ano, o executivo Marcos Barboza afirmava que, por enquanto, o Not&iacute;cias do Dia de Joinville continuaria sem concorrente em seu segmento: a RBS n&atilde;o pretendia lan&ccedil;ar o Hora de Santa Catarina no Norte do estado. Segundo o diretor, novas aquisi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o nos planos do grupo:<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A gente come&ccedil;ou o ano [de 2006] com dois jornais e terminou com quatro. Nosso objetivo [em 2007] &eacute; consolidar a Hora, fortalecer sua rela&ccedil;&atilde;o com os leitores, e fazer um bom trabalho em A Not&iacute;cia. N&atilde;o est&aacute; em nossos planos lan&ccedil;ar a Hora em Joinville, nem outro jornal l&aacute;. O objetivo da RBS &eacute; otimizar as suas opera&ccedil;&otilde;es atuais nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e priorizar investimentos relacionados a novas plataformas de distribui&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e conte&uacute;do.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Os oito jornais do grupo (quatro s&atilde;o do Rio Grande do Sul) imprimem quase meio milh&atilde;o de exemplares por dia &ndash; fossem um s&oacute; jornal, seriam, disparado, o maior do pa&iacute;s. A queda cont&iacute;nua na circula&ccedil;&atilde;o de A Not&iacute;cia no primeiro semestre de 2007 reacendeu os planos de editar um popular em Joinville. Depois das demiss&otilde;es, h&aacute; espa&ccedil;o de sobra na sede do jornal.<\/p>\n<p><em>* Jacques Mick &eacute; jornalista, professor da Associa&ccedil;&atilde;o Educacional Luterana Bom Jesus\/Ielusc, Joinville, SC <\/p>\n<p><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior neg&oacute;cio da hist&oacute;ria da m&iacute;dia em Santa Catarina foi conclu&iacute;do no final de junho sem qualquer cobertura jornal&iacute;stica local &ndash; um sinal modesto das conseq&uuml;&ecirc;ncias que a monopoliza&ccedil;&atilde;o pode provocar. Quando o empres&aacute;rio Moacir Thomazi entregou ao Grupo RBS o cargo de presidente do jornal A Not&iacute;cia, de Joinville, chegou discretamente ao fim &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19105\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Imprensa catarinense: RBS expande seus dom\u00ednios<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19105"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}