{"id":19102,"date":"2007-08-31T16:57:47","date_gmt":"2007-08-31T16:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19102"},"modified":"2007-08-31T16:57:47","modified_gmt":"2007-08-31T16:57:47","slug":"comunidade-sl-comemora-derrota-da-microsoft-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19102","title":{"rendered":"Comunidade SL comemora derrota da Microsoft no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"lead\" align=\"left\">\n<p>N&atilde;o deu para a Microsoft. Depois de meses de discuss&otilde;es e reuni&otilde;es marcadas por bate-boca, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas (ABNT) decidiu reprovar a ado&ccedil;&atilde;o do sistema defendido pela companhia, o Open XML, sugerido como padr&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o para uniformizar a linguagem mundial de todos os arquivos digitais, como documentos de texto e mensagens de e-mail. A comunidade de Software Livre (SL) comemorou a decis&atilde;o da ABNT. <\/p>\n<p>&#39;&#39;Os padr&otilde;es abertos nos documentos digitais permitem que o conhecimento circule sob diversas formas: computadores, celulares, editores de texto de diversos fornecedores. Para isso foi criado um padr&atilde;o aberto e livre, chamado ODF. A Microsoft tentou, abruptamente, emplacar seu padr&atilde;o com diversas inconsist&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, as quais s&oacute; seriam resolvidas com seus softwares propriet&aacute;rios (Word, Excel, etc). Nossa luta para que a ABNT rejeitasse a proposta fui justamente considerar que trabalhar com liberdade, com os princ&iacute;pios do software livre, s&oacute; faria bem ao Brasil.&#39;&#39; comemorou Fabr&iacute;cio Solagna, membro da Comunidade SL e da Dire&ccedil;&atilde;o Nacional da UJS (Uni&atilde;o da Juventude Socialista).<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do diretor de normaliza&ccedil;&atilde;o da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi enviada ontem ao grupo de t&eacute;cnicos que participaram das discuss&otilde;es, depois de uma tumultuada reuni&atilde;o realizada na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira, no Rio de Janeiro. &#39;&#39;(&#8230;) O voto do Brasil que est&aacute; sendo enviado pela ABNT &agrave; ISO &eacute; de desaprova&ccedil;&atilde;o pelas raz&otilde;es t&eacute;cnicas apontadas (&#8230;)&#39;&#39;, informou o diretor da ABNT.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o meramente t&eacute;cnica. Agora que est&aacute; definido, o voto de reprova&ccedil;&atilde;o do Brasil segue para a ISO (sigla para Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para Padroniza&ccedil;&atilde;o), que tem coletado opini&otilde;es de v&aacute;rios pa&iacute;ses para definir se a proposta da Microsoft pode ou n&atilde;o ser uma linguagem padr&atilde;o. A postura da ABNT ser&aacute; mais um elemento de avalia&ccedil;&atilde;o para a decis&atilde;o da ISO. <\/p>\n<p><strong>Efeito domin&oacute;<br \/><\/strong><br \/>O interesse em ter o reconhecimento da ISO n&atilde;o se restringe &agrave; publicidade com selos de qualidade. Se a linguagem de programa&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada um padr&atilde;o pela ISO, ela passa a ser exigida, por exemplo, pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), quando esta for legislar sobre que normas t&eacute;cnicas vigorar&aacute; entre pa&iacute;ses. Da&iacute; tanto barulho. <\/p>\n<p>O objetivo da Microsoft &eacute; dar &agrave; sua proposta tecnol&oacute;gica o status j&aacute; alcan&ccedil;ado pelo padr&atilde;o rival ODF, que j&aacute; foi reconhecido pela ISO e tem apoio total de empresas como Google, IBM e Sun Microsystems, al&eacute;m de toda a comunidade de desenvolvedores de sistemas. Do lado do Open XML fazem coro &agrave; Microsoft empresas como Intel e HP. <\/p>\n<p>V&aacute;rios pa&iacute;ses do mundo est&atilde;o se posicionando a respeito do assunto. Uma das preocupa&ccedil;&otilde;es, por exemplo, &eacute; a de garantir que daqui a 20 anos os sistemas em uso sejam capazes de abrir qualquer documento de texto escrito na d&eacute;cada de 90. No Brasil, a discuss&atilde;o foi marcada por pol&ecirc;micas e acusa&ccedil;&otilde;es, uma celeuma que, no &uacute;ltimo momento, tamb&eacute;m envolveu a m&atilde;o do governo. <\/p>\n<p><strong>Problemas t&eacute;cnicos<\/p>\n<p><\/strong>Na &uacute;ltima segunda-feira, um dia antes da reuni&atilde;o final sobre o tema, o diretor de normaliza&ccedil;&atilde;o da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi at&eacute; Bras&iacute;lia. O encontro foi articulado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP). No Itamaraty, o diretor da ABNT se encontrou com representantes dos minist&eacute;rios da Defesa, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Planejamento, Casa Civil e Desenvolvimento, al&eacute;m do Serpro. &#39;&#39;O governo consolidou a sua opini&atilde;o e deixou claro que seu voto era contra o Open XML&#39;&#39;, disse ao jornal Valor Econ&ocirc;mico uma fonte que participou do encontro. <\/p>\n<p>Na reuni&atilde;o do dia seguinte, no Rio, n&atilde;o se chegou a um consenso. &#39;&#39;Foi tumultuado. Houve momentos em que os t&eacute;cnicos tiveram que se ausentar da sala de discuss&atilde;o&#39;&#39;, diz diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, Cezar Taurion, que participou do encontro. <\/p>\n<p>O imbr&oacute;glio resultou na apresenta&ccedil;&atilde;o de um documento com 63 restri&ccedil;&otilde;es ao Open XML, entre elas as que reclamavam da inclus&atilde;o de c&oacute;digos fechados no sistema, o que impossibilita conhecer exatamente seu funcionamento. &#39;&#39;Ficou claro que todos concordaram que havia problema t&eacute;cnicos&#39;&#39;, comenta Luiz Fernando Maluf, executivo da Sun. <\/p>\n<p><strong>Decis&atilde;o l&oacute;gica<\/p>\n<p><\/strong>Para o presidente da integradora de software L3, Leandro Lopes, que representou a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Parceiros Microsoft (IAMCP), faltou maturidade. &#39;&#39;A discuss&atilde;o n&atilde;o foi t&eacute;cnica. Virou um palanque, uma confus&atilde;o generalizada, &eacute; uma pena.&#39;&#39; <\/p>\n<p>Segundo Cesar Taurion, da IBM, &#39;&#39;a decis&atilde;o foi l&oacute;gica&#39;&#39;. Todos viram que havia problemas t&eacute;cnicos e concordaram nisso, diz o executivo. &#39;&#39;N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de vit&oacute;ria. N&oacute;s brigamos por padr&otilde;es abertos, o mundo dos sistemas propriet&aacute;rios est&aacute; morrendo.&#39;&#39;<\/p>\n<p>A resist&ecirc;ncia da Microsoft em apoiar o padr&atilde;o aberto ODF reside no argumento de que se trata de uma linguagem limitada, incapaz de alcan&ccedil;ar as especificidades de seus sistemas, principalmente os antigos. Procurada pela reportagem, a Microsoft Brasil ressaltou, por meio de nota, que &#39;&#39;os coment&aacute;rios t&eacute;cnicos que foram objeto de consenso (&#8230;) devem contribuir para o aperfei&ccedil;oamento do padr&atilde;o Open XML.&#39;&#39; <\/p>\n<p><strong>Rabo entre as pernas<\/p>\n<p><\/strong>Segundo a companhia, &#39;&#39;o fato de ter havido consenso t&eacute;cnico representa efetivamente uma oportunidade de evolu&ccedil;&atilde;o da norma, como parte do processo natural de elabora&ccedil;&atilde;o de qualquer norma t&eacute;cnica.&#39;&#39; A empresa informa ainda que continuar&aacute; a trabalhar em sua alternativa ao ODF. &#39;&#39;O Open XML reconhece vers&otilde;es anteriores de formatos de documentos, permite a convers&atilde;o dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja uma depend&ecirc;ncia a um &uacute;nico fornecedor para ambos os padr&otilde;es.&#39;&#39; <\/p>\n<p>Na &uacute;ltima semana, o Comit&ecirc; Internacional para Padr&otilde;es de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o (Incits), dos Estados Unidos, rejeitou a proposta da companhia. A mesma postura foi adotada por institui&ccedil;&otilde;es do Canad&aacute;, &Iacute;ndia e Jap&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>Al&eacute;m da verifica&ccedil;&atilde;o de falhas t&eacute;cnicas no Open XML, a mobiliza&ccedil;&atilde;o levada a cabo por toda a Comunidade de Software livre, tamb&eacute;m pesou. Atrav&eacute;s da campanha &#39;&#39;N&atilde;o &eacute; aberto, n&atilde;o &eacute; XML, n&atilde;o &eacute; padr&atilde;o,&eacute; Office Open XML &#8211; n&atilde;o ap&oacute;io&#39;&#39; organiza&ccedil;&otilde;es de todo o Brasil participaram ativamente das reuni&otilde;es da ABNT.<\/p>\n<p>Logo que a proposta fast-track (formato que a Microsoft pediu a an&aacute;lise, em car&aacute;ter de urg&ecirc;ncia de 3 meses) da Microsoft foi para a an&aacute;lise da ISO , a Comunidade de Software Livre lan&ccedil;ou sua campanha mundialmente. <\/p>\n<p>Na medida que a an&aacute;lise do documento de seis mil p&aacute;ginas foi passando pelos pa&iacute;ses signat&aacute;rios, a campanha foi tomando corpo. No Brasil, diversos atores, desde a esfera federal, como o Serpro (Servi&ccedil;o Federal de Processamento de Dados), e da sociedade civil, como a Associa&ccedil;&atilde;o Software Livre.org, se mobilizaram e enviaram representantes para as reuni&otilde;es t&eacute;cnicas. Hackers tamb&eacute;m particparam e gastaram horas analisando tecnicamente o documento, apontando as inconsist&ecirc;ncias em paralo ao trabalho de an&aacute;lise da ABNT.&nbsp; <\/p>\n<p>O movimento, apesar de n&atilde;o ter uma articula&ccedil;&atilde;o central, contou com a contribui&ccedil;&atilde;o de todos: blogueiros, hackers, t&eacute;cnicos, ativistas e governo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o deu para a Microsoft. 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