{"id":18997,"date":"2007-08-17T10:35:50","date_gmt":"2007-08-17T10:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18997"},"modified":"2007-08-17T10:35:50","modified_gmt":"2007-08-17T10:35:50","slug":"costa-negocia-com-eua-e-pode-criar-nova-crise-diplomatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18997","title":{"rendered":"Costa negocia com EUA e pode criar nova crise diplom\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; entrando em um caminho em que se arrisca a abrir uma crise diplom&aacute;tica com os pa&iacute;ses andinos. Isso porque H&eacute;lio Costa pediu apoio ao governo norte-americano para impedir que a Col&ocirc;mbia lance o sat&eacute;lite andino na posi&ccedil;&atilde;o 67&ordm; oeste. O acordo t&aacute;cito, conversado nesta quinta-feira, 16, com o coordenador de Pol&iacute;tica Internacional de Comunica&ccedil;&otilde;es e Informa&ccedil;&atilde;o do Departamento de Estado dos EUA, David Gross, &eacute; o contr&aacute;rio do que pediram os pa&iacute;ses andinos ao presidente Lula, em junho deste ano. H&eacute;lio Costa acredita que, com a chancela norte-americana, o Brasil conseguir&aacute; bloquear o lan&ccedil;amento do sat&eacute;lite Sim&oacute;n Bol&iacute;var na Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (UIT) e, assim, preservar a plena opera&ccedil;&atilde;o do equipamento da Star One, previsto para a posi&ccedil;&atilde;o 68&ordm; oeste.<\/p>\n<p>&quot;Para onde pender os Estados Unidos, estar&aacute; a defini&ccedil;&atilde;o. Para onde eles forem, vai o sat&eacute;lite&quot;, declarou o ministro ap&oacute;s encontrar-se com a comitiva norte-americana. Costa chegou a declarar que a empreitada pode garantir uma alternativa &agrave;s transmiss&otilde;es militares realizadas na Banda X, embora os sat&eacute;lites em quest&atilde;o estejam autorizados para uso nas Bandas Ku e C. Apesar de ver como uma op&ccedil;&atilde;o para o debate de seguran&ccedil;a, o ministro deixou claro que ainda n&atilde;o abandonou a id&eacute;ia de conseguir uma golden share com a Star One nos sat&eacute;lites C1 e C2.<\/p>\n<p>O sat&eacute;lite andino &eacute; resultado de uma parceria entre Col&ocirc;mbia, Peru, Bol&iacute;via e Equador. A Col&ocirc;mbia tem at&eacute; setembro para colocar seu sat&eacute;lite no espa&ccedil;o, ou ter&aacute; que pleitear uma prorroga&ccedil;&atilde;o na UIT. Segundo Costa, o pa&iacute;s ainda n&atilde;o conseguiu realizar nem mesmo a licita&ccedil;&atilde;o para constru&ccedil;&atilde;o do equipamento. A oportuna preocupa&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio brasileiro em impedir o lan&ccedil;amento do sat&eacute;lite Simon Bol&iacute;var tem rela&ccedil;&atilde;o com os planos da Star One para uma posi&ccedil;&atilde;o bem pr&oacute;xima ao projeto andino. <\/p>\n<p>A Star One tem direito de explora&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o 68&ordm; oeste e, segundo t&eacute;cnicos do minist&eacute;rio, a implanta&ccedil;&atilde;o de um sat&eacute;lite a 67&ordm; pode anular a possibilidade de transmiss&atilde;o em Banda C previstas no projeto. Ironicamente, a pr&oacute;pria Star One fazia parte do projeto da Comunidade Andina como um dos investidores. Mat&eacute;rias veiculadas entre 2003 e 2004 pela imprensa venezuelana destacavam a participa&ccedil;&atilde;o da empresa brasileira nas opera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O envolvimento era tal que uma das esta&ccedil;&otilde;es de controle ficaria situada no Rio de Janeiro, sob ger&ecirc;ncia total da Star One. A companhia deixou o projeto para encampar o lan&ccedil;amento do sat&eacute;lite pr&oacute;prio na posi&ccedil;&atilde;o 68&ordm; oeste. Outro parceiro estrat&eacute;gico que desistiu da empreitada foi a Venezuela, respons&aacute;vel por conseguir a designa&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o na UIT, que depois foi repassada &agrave; Col&ocirc;mbia.<\/p>\n<p><strong>Incidente diplom&aacute;tico<\/p>\n<p><\/strong>A disputa em torno da coloca&ccedil;&atilde;o dos sat&eacute;lites se agravou no m&ecirc;s passado. Em 14 de junho, os chefes de Estado dos pa&iacute;ses envolvidos no projeto Simon Bol&iacute;var encaminharam ao presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva uma carta pedindo uma interven&ccedil;&atilde;o na Anatel para impedir o lan&ccedil;amento na posi&ccedil;&atilde;o 68&ordm;. Assinam o documento os presidentes Evo Morales (Bol&iacute;via), Rafael Correa Delgado (Equador), Alan Garcia P&eacute;rez (Peru) e &Aacute;lvaro Uribe (Col&ocirc;mbia). <\/p>\n<p>&quot;A inten&ccedil;&atilde;o de ocupar a &oacute;rbita 68&ordm; oeste compromete a viabilidade da iniciativa dos pa&iacute;ses membros da Comunidade Andina para concluir um processo licitat&oacute;rio em curso, que entregar&aacute; a concess&atilde;o para uso do espectro de &oacute;rbita na posi&ccedil;&atilde;o 67&ordm; oeste&quot;, declararam os chefes de Estado. &quot;Por isso, solicitamos a Vossa Excel&ecirc;ncia convidar a Anatel para expor ao operador Star One, a que exer&ccedil;a sua op&ccedil;&atilde;o sobre qualquer outra das oito posi&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis na segunda rodada de licita&ccedil;&otilde;es, de forma tal, que se deixe livre a posi&ccedil;&atilde;o 68&ordm; oeste.&quot;<\/p>\n<p>As declara&ccedil;&otilde;es de H&eacute;lio Costa podem provocar uma reviravolta nas negocia&ccedil;&otilde;es desejadas pelos pa&iacute;ses andinos. Para dividir a responsabilidade pela estrat&eacute;gia de derrubada do projeto Sim&oacute;n Bol&iacute;var, Costa disse que ir&aacute; consultar a Casa Civil e o Itamaraty sobre a proposta de acordo norte-americano. Por&eacute;m, a assessoria do Itamaraty informou que debates sobre &aacute;reas t&eacute;cnicas s&atilde;o conduzidos apenas pelos minist&eacute;rios correspondentes e que &eacute; pouco prov&aacute;vel que haja envolvimento em negocia&ccedil;&otilde;es na UIT. O Minist&eacute;rio da Defesa, que poderia vir a se beneficiar do uso do sat&eacute;lite da Star One, segundo Costa, informou n&atilde;o estar a par de qualquer discuss&atilde;o sobre este tema.<\/p>\n<p><strong>Toma l&aacute;, d&aacute; c&aacute;<\/p>\n<p><\/strong>O projeto de H&eacute;lio Costa para deixar o sat&eacute;lite da Star One livre de interfer&ecirc;ncias tem outros pontos que ainda n&atilde;o est&atilde;o claros. Nesta quinta-feira, 16, o ministro anunciou um plano de associa&ccedil;&atilde;o com o governo norte-americano para levar o Gesac ao continente africano. O programa de inclus&atilde;o digital via sat&eacute;lite do governo brasileiro conta hoje com apenas 1,2 mil pontos no pa&iacute;s e existe a promessa de expans&atilde;o para 20 mil at&eacute; o fim do ano, o que representa menos da metade dos munic&iacute;pios brasileiros. <\/p>\n<p>Apesar de pequeno, a comitiva dos Estados Unidos interessou-se pelo programa e financiaria a entrada do sistema na &Aacute;frica. O Brasil entraria com o know how. H&eacute;lio Costa n&atilde;o deu detalhes sobre as vantagens para o governo brasileiro de levar o programa para o continente vizinho. Disse que os Estados Unidos t&ecirc;m problemas de entrada na &Aacute;frica e no Oriente M&eacute;dio e o Brasil, portanto, poderia ajud&aacute;-los nesse ponto.<\/p>\n<p>Mas existe uma barganha por tr&aacute;s dos dois an&uacute;ncios. O Minicom apoiaria a iniciativa norte-americana no provimento de Internet via sat&eacute;lite na &Aacute;frica, agindo como gerente do projeto, enquanto os Estados Unidos dariam, em contrapartida, seu apoio na briga com a Col&ocirc;mbia na UIT. A parceria pode, inclusive, ser formalizada por meio de uma joint venture. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; entrando em um caminho em que se arrisca a abrir uma crise diplom&aacute;tica com os pa&iacute;ses andinos. Isso porque H&eacute;lio Costa pediu apoio ao governo norte-americano para impedir que a Col&ocirc;mbia lance o sat&eacute;lite andino na posi&ccedil;&atilde;o 67&ordm; oeste. 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