{"id":18985,"date":"2007-08-16T12:01:32","date_gmt":"2007-08-16T12:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18985"},"modified":"2014-09-07T02:53:53","modified_gmt":"2014-09-07T02:53:53","slug":"mais-da-metade-das-radios-nao-tem-outorga-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18985","title":{"rendered":"Mais da metade das r\u00e1dios n\u00e3o t\u00eam outorga da capital"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Mais da metade do espectro ocupado &ldquo;oficialmente&rdquo; na capital paulista est&aacute; consignado para empresas de outros munic&iacute;pios, alguns distantes mais de 90 km de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p><\/em><\/span><span>Uma consulta aos Sistemas Interativos da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) indica que o c&eacute;u de S&atilde;o Paulo n&atilde;o &eacute;, assim, t&atilde;o congestionado. Ao acessar qualquer um dos bancos de dados referentes aos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o em FM e escolher como localidade de consulta a capital paulista, a lista produzida indica que s&atilde;o apenas 17 as entidades outorgadas a operar no munic&iacute;pio.<\/p>\n<p><\/span><span>No entanto, um passeio r&aacute;pido pelo dial e a busca mais refinada nos sistemas de acesso aos bancos de dados mantidos pela Anatel e Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es mostra que 39 r&aacute;dios t&ecirc;m licen&ccedil;a para transmitir <\/span><span>em S&atilde;o Paulo.<\/span><span> Ou<\/span><span> seja, 22 emissoras receberam outorga para operar em outro munic&iacute;pio, mas ou transmitem sua programa&ccedil;&atilde;o para a capital, ou transmitem sua programa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria capital (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18170\">confira aqui a lista completa<\/a>).<\/p>\n<p><\/span><span>Para se ter uma id&eacute;ia, algumas outorgas s&atilde;o dadas a munic&iacute;pios distantes mais de <\/span><span>90 quil&ocirc;metros<\/span><span> da capital. H&aacute; casos de emissoras cujas licen&ccedil;as est&atilde;o ligadas a Itanha&eacute;m (<\/span><span>100 km<\/span><span>), S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos (localizada a <\/span><span>97 km<\/span><span> de S&atilde;o Paulo), Sorocaba (<\/span><span>87 km<\/span><span>), e Itatiba (<\/span><span>85 km<\/span><span>).<\/span><\/p>\n<p><span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">Em flagrante conflito com pelo menos dois princ&iacute;pios estabelecidos pela regulamenta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o &ndash; o de que a opera&ccedil;&atilde;o em FM tem car&aacute;ter eminentemente local e de que todo munic&iacute;pio tem o direito de requerer outorga para qualquer servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o &ndash;, o fato de mais da metade das r&aacute;dios &ldquo;paulistanas&rdquo; serem &ldquo;interioranas&rdquo; pode ser considerado ileg&iacute;timo e ilegal. Al&eacute;m disso, ao aprovar uma concess&atilde;o, os parlamentares o fazem para determinada localidade, n&atilde;o para um munic&iacute;pio vizinho. Esta, entretanto, n&atilde;o &eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o dada pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores e, quando estes discordam, pelo Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p><span>Tais interpreta&ccedil;&otilde;es ou justificativas est&atilde;o baseadas em uma suposta impossibilidade dos &oacute;rg&atilde;os reguladores reaverem o espa&ccedil;o do espectro eletromagn&eacute;tico de S&atilde;o Paulo ocupado pelas emissoras interiorianas. De forma gen&eacute;rica, estas r&aacute;dios teriam garantido o direito de ampliar sua &aacute;rea de cobertura amparando-se em dispositivo previsto nas regulamenta&ccedil;&otilde;es do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o (em especial, o Decreto 52.795\/63) que estabelecem os processos necess&aacute;rios e as justificativas para se re-alocar a antena e\/ou ampliar a pot&ecirc;ncia de seus transmissores.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Mudan&ccedil;as<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>At&eacute; 1995, estas mudan&ccedil;as n&atilde;o respondiam a qualquer crit&eacute;rio outro que n&atilde;o o interesse da emissora e a disponibilidade do canal na nova regi&atilde;o coberta. Feito o pedido ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, este realizava as an&aacute;lises t&eacute;cnicas e, com a aprova&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica, nova portaria mudava as condi&ccedil;&otilde;es da outorga. Segundo informa&ccedil;&otilde;es de funcion&aacute;rios da Anatel e do minist&eacute;rio, a maior parte dos casos registrados na cidade de S&atilde;o Paulo data desta &eacute;poca. Tamb&eacute;m segundo essas fontes, as solicita&ccedil;&otilde;es eram (e seguem sendo) feitas imediatamente ap&oacute;s o licenciamento da emissora.<\/p>\n<p><\/span><span>Ap&oacute;s 95, estabeleceu-se como crit&eacute;rio que tais mudan&ccedil;as s&oacute; poderiam ser feitas para atender melhor a localidade da outorga. Ou seja, a maior parte das amplia&ccedil;&otilde;es de pot&ecirc;ncia e mudan&ccedil;a de antena, que modificaram a categoria do servi&ccedil;o prestado pelas emissoras (de local para regional), n&atilde;o responde estritamente a este crit&eacute;rio. Ainda assim, n&atilde;o foi poss&iacute;vel reaver as fatias do espectro ocupadas com as justificativas anteriores.<\/p>\n<p><\/span><span>Consultada, a assessoria jur&iacute;dica de uma destas emissoras (a 89 FM) diz que a quest&atilde;o &eacute; de &ldquo;direito adquirido&rdquo;. Para o Minist&eacute;rio e a Anatel, tudo n&atilde;o passa, simplesmente, de um fato t&eacute;cnico-administrativo. Mas, caso alguma entidade do munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo queira pleitear uma outorga em algum destes canais ocupados por r&aacute;dios licenciadas para outra cidade, ir&aacute; ouvir um &ldquo;n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, o canal j&aacute; est&aacute; ocupado&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; casos, por&eacute;m, em que a ocupa&ccedil;&atilde;o dos canais paulistanos por entidades outorgadas para o interior foi questionada. &Eacute; o caso da concess&atilde;o dada &agrave; empresa Kiss Telecomunica&ccedil;&otilde;es Ltda.. A outorga est&aacute; relacionada ao munic&iacute;pio de Aruj&aacute;, distante mais de <\/span><span>50 km<\/span><span> de S&atilde;o Paulo. A Anatel questionou a transmiss&atilde;o do sinal da r&aacute;dio para a capital (o est&uacute;dio da emissora fica, inclusive, na Avenida Paulista). A Justi&ccedil;a ainda n&atilde;o julgou o m&eacute;rito da quest&atilde;o, mas concedeu liminar &agrave; Kiss para seguir operando.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; importante ressaltar que o levantamento dos dados espec&iacute;ficos dos processos referentes a cada uma das 22 emissoras &ldquo;interioranas&rdquo; ainda n&atilde;o foi feito. Por esta raz&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sequer afirmar que todas elas t&ecirc;m, de fato, autoriza&ccedil;&atilde;o para operar nas condi&ccedil;&otilde;es em que funcionam hoje. Para tal, seria necess&aacute;rio levantar todas os atos e portarias relacionados a cada entidade outorgada.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Regulamento t&eacute;cnico<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A alegada incapacidade dos &oacute;rg&atilde;os reguladores de reorganizar a divis&atilde;o do ar paulistano, come&ccedil;ando por agir em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o do espectro por emissoras de outros munic&iacute;pios, s&oacute; encontra respaldo jur&iacute;dico nas &ldquo;Disposi&ccedil;&otilde;es Transit&oacute;rias&rdquo; do &ldquo;Anexo &agrave; Resolu&ccedil;&atilde;o 67\/98 da Anatel&rdquo;, o chamado &ldquo;Regulamento T&eacute;cnico do Servi&ccedil;o de Radiodifus&atilde;o Sonora em FM&rdquo;. Em um item de um dos &uacute;ltimos t&iacute;tulos do texto, est&aacute; registrada a transforma&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es estranhas aos crit&eacute;rios estabelecidos no pr&oacute;prio regulamento em situa&ccedil;&otilde;es de fato.<\/p>\n<p><\/span><span>No cap&iacute;tulo 5 do Anexo, &eacute; poss&iacute;vel ler: &ldquo;5.1.1.4.1 &#8211; Poder&aacute;, excepcionalmente, ser autorizada a instala&ccedil;&atilde;o em outro local, quando forem apresentados relevantes motivos de ordem t&eacute;cnica, devidamente comprovados e documentados, e que visem, sempre, melhor atender &agrave; localidade objeto da outorga&rdquo;. O item C, das Disposi&ccedil;&otilde;es Transit&oacute;rias, afirma que ser&atilde;o &ldquo;enquadradas no item 5.1.1.4.1&rdquo; as &ldquo;emissoras j&aacute; instaladas ou com suas instala&ccedil;&otilde;es autorizadas fora dos limites da localidade constante do ato de outorga&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Em outras palavras, as emissoras operando <\/span><span>em S&atilde;o Paulo<\/span><span>, ainda que outorgadas para outras localidades e cuja amplia&ccedil;&atilde;o de sinal foi feita de forma pouco criteriosa, passaram a ser consideradas pelos t&eacute;cnicos da ag&ecirc;ncia e do minist&eacute;rio como outorgas criteriosas.<\/p>\n<p><\/span><span>Para al&eacute;m da estranheza da transforma&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso considerar se &eacute; poss&iacute;vel um regulamento t&eacute;cnico, criado por resolu&ccedil;&atilde;o de ag&ecirc;ncia reguladora, contrariar os crit&eacute;rios estabelecidos em decretos em princ&iacute;pios da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo que se considere o regulamento da Anatel, cabe perguntar se as outorgas de outros munic&iacute;pios passaram a valer para a capital paulista para &ldquo;melhor atender &agrave; localidade objeto da outorga&rdquo;. Uma emissora de Aruj&aacute;, Diadema ou S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, por exemplo, busca instalar uma antena na avenida Paulista para melhor atender a estas respectivas cidades? Evidentemente, n&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sem a&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/span><span>A pr&oacute;pria afirma&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel reaver o espa&ccedil;o no espectro ou, simplesmente, retroagir em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pot&ecirc;ncia autorizada a posteriori da outorga original, parece estar em desacordo com a legisla&ccedil;&atilde;o. A Constitui&ccedil;&atilde;o, o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e os v&aacute;rios decretos que o regulamentaram e re-regulamentaram o setor estabelecem que o servi&ccedil;o outorgado n&atilde;o &eacute; exclusivo e, principalmente, que a faixa do espectro reservada n&atilde;o se torna propriedade da entidade outorgada, sendo de posse da Uni&atilde;o, e que ser&aacute; gerida de acordo com as leis vigentes. O artigo 28&ordm; do Decreto 52.795 deixa claro que, inclusive, as emissoras est&atilde;o sujeitas &agrave;s leis que venham a se tornar vigentes.<\/p>\n<p><\/span><span>Diante destes argumentos, n&atilde;o se sustenta juridicamente a tese do direito adquirido pelas emissoras, nem as situa&ccedil;&otilde;es de fato consideradas como legais pela burocracia e que tornam sem a&ccedil;&atilde;o os agentes dos &oacute;rg&atilde;os reguladores.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade do espectro ocupado &ldquo;oficialmente&rdquo; na capital paulista est&aacute; consignado para empresas de outros munic&iacute;pios, alguns distantes mais de 90 km de S&atilde;o Paulo. 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