{"id":18977,"date":"2007-08-15T12:45:27","date_gmt":"2007-08-15T12:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18977"},"modified":"2007-08-15T12:45:27","modified_gmt":"2007-08-15T12:45:27","slug":"licencas-de-tv-por-assinatura-em-uhf-sao-renovadas-de-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18977","title":{"rendered":"Licen\u00e7as de TV por assinatura em UHF s\u00e3o renovadas de gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>O Servi&ccedil;o Especial de TV por Assinatura (TVA), que pouca gente conhece, deveria merecer mais aten&ccedil;&atilde;o da sociedade. No final dos anos 80, in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, 25 concession&aacute;rias ganharam gratuitamente essas licen&ccedil;as. Passados 15 anos, foram premiadas com a renova&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica e tamb&eacute;m gratuita dessas licen&ccedil;as, por omiss&atilde;o da Anatel e do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>E, o mais grave &eacute; que, se no passado essas outorgas carregavam o s&iacute;mbolo de uma &eacute;poca em que concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o e de telecomunica&ccedil;&otilde;es eram outorgadas sem qualquer licita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, hoje, essas 25 empresas passam a contar com um patrim&ocirc;nio bem mais valioso: o escasso e cobi&ccedil;ado espectro de freq&uuml;&ecirc;ncia de UHF (os seus canais est&atilde;o espalhados pelas faixas de 470 MHz a at&eacute; 806 MHz.)<\/p>\n<p>Esse servi&ccedil;o come&ccedil;ou errado desde seu in&iacute;cio. Em 1988, o presidente Jos&eacute; Sarney publica o decreto criando essa modalidade de TV que deveria distribuir sons e imagens para assinantes com sinais codificados. Essa tentativa de criar uma TV paga com apenas um canal (cada canal ocupa tamb&eacute;m 6 MHz de freq&uuml;&ecirc;ncia, igual ao das TVs abertas) acabou n&atilde;o dando certo e, j&aacute; prevendo essa limita&ccedil;&atilde;o, o pr&oacute;prio decreto de Sarney permitia que essa TV tamb&eacute;m pudesse transmitir parte de sua programa&ccedil;&atilde;o abertamente.<\/p>\n<p>Nos anos de 89 e 90, as 25 licen&ccedil;as foram outorgadas para diferentes amigos do governo que, com o passar do tempo, foram mudando de m&atilde;os, embora algumas fam&iacute;lias de pol&iacute;ticos as mantenham at&eacute; os dias atuais. Entre elas os Magalh&atilde;es, que possuem a outorga em Salvador, na Bahia, e os Sarney, em S&atilde;o Luiz, no Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Entre os atuais concession&aacute;rios est&atilde;o presentes os grupos RBS, Abril, Globo, O Dia, o empres&aacute;rio Antonio Dias Leite (antigo dono das opera&ccedil;&otilde;es de cabo Multicanal, vendidas depois para a Net), a R&aacute;dio Itatiaia, de Minas Gerais, e a Rede Brasileira de Comunica&ccedil;&atilde;o, de Bras&iacute;lia, entre outros.<\/p>\n<p>No governo Collor, o ex-presidente chegou a publicar dois decretos sobre esses servi&ccedil;os. O primeiro revogava essas concess&otilde;es e o segundo reabilitava os efeitos jur&iacute;dicos das concess&otilde;es pelo prazo remanescente das outorgas. Entre esses &ldquo;efeitos jur&iacute;dicos&rdquo; reabilitados estava o direito de as concession&aacute;rias pedirem a renova&ccedil;&atilde;o, por mais 15 anos, dessas licen&ccedil;as. O que fizeram. Faltando dois anos para acabar o prazo da concess&atilde;o, as 25 empresas ingressaram com o pedido de renova&ccedil;&atilde;o na Anatel, que acabou n&atilde;o se manifestando, e s&oacute; est&aacute; resgatando o tema tr&ecirc;s anos depois. Tarde demais para mudar o status quo dessas licen&ccedil;as.<\/p>\n<p>Essa omiss&atilde;o tamb&eacute;m contou com a colabora&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Com uma exagerada cautela, a Anatel decidiu, em 2004, consultar o Minicom sobre a quem caberia cuidar dessas concess&otilde;es. &Eacute; praxe no setor aproveitar o momento de renova&ccedil;&atilde;o de licen&ccedil;as para estabelecer novos condicionamentos (pagamento pela freq&uuml;&ecirc;ncia e regras claras para presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, por exemplo), corrigindo, assim, distor&ccedil;&otilde;es do passado. Quando a resposta do  minist&eacute;rio chegou, confirmando que a compet&ecirc;ncia era mesmo da Anatel, j&aacute; havia esgotado o prazo legal para o estabelecimento de novos condiconamentos. Em s&iacute;ntese, as concess&otilde;es foram renovadas por decurso de prazo, sem qualquer contrapartida adicional.<\/p>\n<p>A Anatel estuda como fazer para que esse servi&ccedil;o seja enquadrado como  TV por assinatura, j&aacute; que n&atilde;o se tem not&iacute;cia de que qualquer desses canais tenha um &uacute;nico assinante pago.<\/p>\n<p>At&eacute; porque, por press&atilde;o desses concession&aacute;rios,  ao longo do tempo se foi flexibilizando o per&iacute;odo em que essas TVs podiam transmitir os sinais abertamente. Como o decreto original repassava para o poder concedente essa decis&atilde;o, o tempo de transmiss&atilde;o aberta foi paulatinamente ampliado. Come&ccedil;ou com 25%, passou para 35%, at&eacute; que, em 2003, a Anatel aprova a amplia&ccedil;&atilde;o para 45% o tempo de irradia&ccedil;&atilde;o aberta di&aacute;ria.<\/p>\n<p>Nesse &uacute;ltimo ato, assinado pelo ent&atilde;o presidente Luiz Ghuilherme Schymura, fica estabelecida  a data final de 30 de agosto de 2004 para essa transmiss&atilde;o. Em outubro de 2004, por&eacute;m, um novo ato da Anatel, desta vez assinado por Pedro Jaime Ziller de Ara&uacute;jo, mant&eacute;m esses canais com 45% de irradia&ccedil;&atilde;o aberta at&eacute; &ldquo;a defini&ccedil;&atilde;o de uma nova pol&iacute;tica para a reg&ecirc;ncia desta modalidade de servi&ccedil;o&rdquo;, o que acabou n&atilde;o ocorrendo.<\/p>\n<p><strong>Peso de ouro<\/strong><\/p>\n<p>Agora, esses 25 concession&aacute;rios t&ecirc;m em m&atilde;os n&atilde;o apenas um canal de TV aberto\/fechado, mas um espectro de freq&uuml;&ecirc;ncia que passa a ser comercializado a peso de ouro em todo o mundo. Embora esses canais estejam muito espalhados pelo espectro UHF da radiodifus&atilde;o (alguns deles est&atilde;o localizados em faixas baixas, de pouco valor comercial, como as de 470 MHz) muitas dessas TVs est&atilde;o ocupando bandas que ficar&atilde;o ao lado dos futuros canais da TV digital aberta, ou est&atilde;o em faixas altamente valorizadas nos Estados Unidos, por exemplo. A FCC (Federal Communication Comission) vendeu recentemente algumas dessas freq&uuml;&ecirc;ncias e j&aacute; anunciou leil&atilde;o para o pr&oacute;ximo ano, cujo pre&ccedil;o m&iacute;nimo est&aacute; estipulado em US$ 4,5 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Esse espectro, al&eacute;m de contemplar a radiodifus&atilde;o, passou a ser visto pelo mundo como uma bel&iacute;ssima oportunidade para a transmiss&atilde;o de v&iacute;deo m&oacute;vel. E &eacute; para essa banda que a Europa desenvolve o DVBH (o padr&atilde;o m&oacute;vel da TV digital europ&eacute;ia) e que a fabricante norte-americana Qualcomm criou a tecnologia de TV m&oacute;vel, conhecida como Media Flo.<\/p>\n<p>Fato consumado, a Anatel precisa, agora, encontrar sa&iacute;das t&eacute;cnicas que pelo menos fa&ccedil;am com que esses concession&aacute;rias invistam algum tost&atilde;o na oferta de servi&ccedil;os para a popula&ccedil;&atilde;o. Uma das alternativas poder&aacute; ser trat&aacute;-las, mesmo, como operadores de TV paga, que s&atilde;o, e passar a exigir delas o cumprimento de metas de qualidade, ou de uso eficiente do espectro, entre outros. E acionar com toda a sua for&ccedil;a o seu poder fiscalizador. A conferir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Servi&ccedil;o Especial de TV por Assinatura (TVA), que pouca gente conhece, deveria merecer mais aten&ccedil;&atilde;o da sociedade. 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