{"id":18939,"date":"2007-08-10T19:11:44","date_gmt":"2007-08-10T19:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18939"},"modified":"2007-08-10T19:11:44","modified_gmt":"2007-08-10T19:11:44","slug":"codigo-de-etica-dos-jornalistas-enquadra-tecnicas-investigativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18939","title":{"rendered":"C\u00f3digo de \u00c9tica dos jornalistas enquadra t\u00e9cnicas investigativas"},"content":{"rendered":"<p>O surgimento de novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o possibilitou ampliar a capacidade de investiga&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o do jornalismo. O do uso indiscriminado dessas tecnologias &ndash; c&acirc;meras escondidas, manipula&ccedil;&atilde;o digital de fotos e identidade falsa &ndash; entretanto, burlavam o C&oacute;digo de &Eacute;tica dos Jornalistas, vigente desde 1987. Respondendo a essa tend&ecirc;ncia,&nbsp;e outros prop&oacute;sitos, o Congresso Nacional Extraordin&aacute;rio dos Jornalistas, no &uacute;ltimo final de semana, em Vit&oacute;ria (ES) aprovou a reformula&ccedil;&atilde;o desse C&oacute;digo. <\/p>\n<p>O uso de c&acirc;maras escondidas, a manipula&ccedil;&atilde;o digital de fotos, o poder de se recolher imagens ou sons sem o conhecimento das pessoas, passam ser enquadrados no novo C&oacute;digo de &Eacute;tica dos Jornalistas, aprovado na &uacute;ltima semana. Pelas novas regras, fica proibida a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es obtidas com uso de identidade falsa e c&acirc;meras escondidas. De acordo com o texto, isso s&oacute; poder&aacute; ocorrer, em caso de esclarecimento de informa&ccedil;&otilde;es de relevante interesse p&uacute;blico. <\/p>\n<p>As quest&otilde;es &eacute;ticas devem ser uma constante preocupa&ccedil;&atilde;o na vida dos jornalistas, em primeiro lugar, &quot;em fun&ccedil;&atilde;o de sua responsabilidade, j&aacute; que a nossa profiss&atilde;o &eacute; uma atividade de natureza social&quot;, afirma Jos&eacute; Maria Rodrigues Nunes, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul. Nunes acredita que o novo texto dar&aacute; mais subs&iacute;dios ao profissional, no sentido de resguard&aacute;-lo at&eacute; mesmo diante do pr&oacute;prio empregador. <\/p>\n<p>O debate sobre a reformula&ccedil;&atilde;o vinha sendo travado h&aacute; tr&ecirc;s anos e se intensificou durante o Semin&aacute;rio Nacional de &Eacute;tica de Londrina, em abril do ano passado. Uma comiss&atilde;o de sistematiza&ccedil;&atilde;o foi criada para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma proposta de atualiza&ccedil;&atilde;o, tendo em vista os 20 anos de sua vig&ecirc;ncia. O texto trouxe sugest&otilde;es de sindicados e da sociedade, obtidas atrav&eacute;s de uma consulta p&uacute;blica realizada pela Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (FENAJ). <\/p>\n<p>Segundo Luiz Ant&ocirc;nio Spada, membro da Comiss&atilde;o Nacional de &Eacute;tica, o novo c&oacute;digo visa aprimorar a quest&atilde;o da &eacute;tica jornal&iacute;stica. &ldquo;O que estamos procurando &eacute; nortear realmente a a&ccedil;&atilde;o do jornalista. Para que ele fa&ccedil;a um bom jornalismo, n&atilde;o pode ficar preso &agrave; pressa de divulgar a informa&ccedil;&atilde;o no preju&iacute;zo de pessoas&rdquo;, assinala. Spada trabalhou na comiss&atilde;o de sistematiza&ccedil;&atilde;o das sugest&otilde;es de emendas do C&oacute;digo. Delega&ccedil;&otilde;es de 23 estados brasileiros estiveram presentes ao encontro, possibilitando a pluraliza&ccedil;&atilde;o das discuss&otilde;es. Segundo Nunes, essa diversidade colaborou para a formata&ccedil;&atilde;o de um c&oacute;digo que ir&aacute; auxiliar o dia-a-dia de todos os jornalistas. A Fenaj dever&aacute; divulgar as pr&oacute;ximas semanas o novo c&oacute;digo, assim que a comiss&atilde;o de reda&ccedil;&atilde;o final, eleita pelo Congresso Extraordin&aacute;rio de Vit&oacute;ria, terminar seu trabalho. <\/p>\n<p><strong>Pontos inclusos no c&oacute;digo <\/p>\n<p><\/strong>Pelas novas regras, fica proibida a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es obtidas com uso de identidade falsa e c&acirc;meras escondidas. De acordo com o texto, isso s&oacute; poder&aacute; ocorrer, em caso de esclarecimento de informa&ccedil;&otilde;es de relevante interesse p&uacute;blico e quando esgotadas todas as possibilidades em que o profissional possa recusar o seu uso.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Nunes, isso dar&aacute; fim ao tipo de reportagem de &ldquo;denuncismo&rdquo;, pr&aacute;tica feita com muita facilidade e pouca responsabilidade. Para Spada, h&aacute; outras formas de se conseguir provar uma den&uacute;ncia. &ldquo;Voc&ecirc; n&atilde;o precisa enganar a fonte de qualquer forma e pretexto&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p>O texto final inclui princ&iacute;pios da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, artigos constantes no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990), no C&oacute;digo do Consumidor (1990) e no Estatuto do Idoso (2003). Cl&aacute;usulas como a presun&ccedil;&atilde;o da inoc&ecirc;ncia &#8211; referente &agrave; prerrogativa de &quot;ningu&eacute;m ser&aacute; considerado culpado at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado de senten&ccedil;a penal condenat&oacute;ria&quot; &ndash; e de consci&ecirc;ncia, tamb&eacute;m foram anexadas ao c&oacute;digo.<\/p>\n<p>De acordo com Ant&ocirc;nio Carlos Queiroz, vice-presidente Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o desafio &eacute; combater a atual disposi&ccedil;&atilde;o de certos meios de denunciar, julgar e punir pessoas com a execra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, muitas vezes sem elementos de prova e sem conceder-lhes o direito de resposta. O jornalista poder&aacute; ainda se recusar a executar pauta que se choque com os princ&iacute;pios do C&oacute;digo ou que agridam as suas convic&ccedil;&otilde;es &ndash; ressaltando que essa disposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para o profissional deixar de ouvir pessoas com opini&otilde;es contr&aacute;rias &agrave;s suas.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o documento, &eacute; dever do jornalista informar ao p&uacute;blico a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos para fotometragem que modifiquem a imagem original. A nova reda&ccedil;&atilde;o traz tamb&eacute;m esclarecimentos do C&oacute;digo e do processo disciplinar vigente e do processo disciplinar da atua&ccedil;&atilde;o da comiss&atilde;o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Reda&ccedil;&atilde;o FNDC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O surgimento de novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o possibilitou ampliar a capacidade de investiga&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o do jornalismo. O do uso indiscriminado dessas tecnologias &ndash; c&acirc;meras escondidas, manipula&ccedil;&atilde;o digital de fotos e identidade falsa &ndash; entretanto, burlavam o C&oacute;digo de &Eacute;tica dos Jornalistas, vigente desde 1987. 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