{"id":18914,"date":"2007-08-08T15:43:47","date_gmt":"2007-08-08T15:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18914"},"modified":"2007-08-08T15:43:47","modified_gmt":"2007-08-08T15:43:47","slug":"governo-coloca-bndes-para-costurar-fusao-entre-oi-e-brt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18914","title":{"rendered":"Governo coloca BNDES para costurar fus\u00e3o entre Oi e BrT"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ser&aacute; o respons&aacute;vel pela engenharia financeira do projeto governamental para a cria&ccedil;&atilde;o de uma grande empresa de telecomunica&ccedil;&otilde;es nacional a partir da fus&atilde;o da Brasil Telecom (BrT) com a Oi. Os presidentes das duas operadoras j&aacute; estiveram reunidos comele. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; a primeira vez que Coutinho envolve-se com o setor. A LCA Consultores, fundada por ele, desenvolveu um estudo para a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias de Telefonia Fixa (Abrafix) quando houve a troca do IGP-DI por um &iacute;ndice setorial baseado em custos, para corre&ccedil;&atilde;o de tarifas. <\/p>\n<p>Ao se interessar pela forma&ccedil;&atilde;o de uma companhia forte, o governo Lula quer evitar que um duop&oacute;lio &#8211; formado pelo grupo espanhol Telef&oacute;nica, de um lado, e pelo mexicano Telmex, do outro &#8211; domine o mercado de telefonia e de comunica&ccedil;&atilde;o de dados no pa&iacute;s. O prop&oacute;sito do governo, segundo um ministro pr&oacute;ximo a Lula, n&atilde;o &eacute; reestatizar o setor ou parte dele, mas estimular a cria&ccedil;&atilde;o de uma &#39;terceira tele&#39;, capaz de competir em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es com os estrangeiros. <\/p>\n<p>A nova empresa, de acordo com a mesma fonte, poder&aacute; ser de capital predominantemente nacional ou n&atilde;o. H&aacute; conversas at&eacute; sobre uma fus&atilde;o com a Portugal Telecom. O que o governo quer &eacute; que a nova companhia tenha &#39;s&oacute;cios empreendedores&#39; e n&atilde;o apenas investidores. <\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o oficial, tanto no capital da BrT quanto no da Oi h&aacute; investidores em demasia. No caso da primeira, o banco americano Citigroup e o grupo Opportunity seriam o excesso. Na Oi, estariam demais a GP Investimentos e o grupo de investidores reunidos na Fiago Participa&ccedil;&otilde;es (fundos de pens&atilde;o), al&eacute;m do Opportunity, novamente. Para o governo, os &#39;novos&#39; empreendedores n&atilde;o ter&atilde;o que ser necessariamente operadores de telefonia, o que abre espa&ccedil;o para que alguns dos atuais acionistas da Oi &#8211; a empreiteira Andrade Gutierrez e o grupo La Fonte, do ramo de shopping centers &#8211; permane&ccedil;am no neg&oacute;cio. <\/p>\n<p>O governo quer usar suas participa&ccedil;&otilde;es indiretas no capital das duas companhias para estimular a fus&atilde;o. Desde a privatiza&ccedil;&atilde;o, o BNDES det&eacute;m 25% do bloco de controle da Oi, enquanto tr&ecirc;s fundos de pens&atilde;o ligados a empresas estatais &#8211; Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econ&ocirc;mica Federal) &#8211; s&atilde;o donos de 19,9% das a&ccedil;&otilde;es da mesma empresa. Al&eacute;m disso, as seguradoras do Banco do Brasil respondem por 10% do capital da Oi. Na BrT, a participa&ccedil;&atilde;o estatal se d&aacute; por meio dos tr&ecirc;s fundos de pens&atilde;o, que hoje fazem parte do grupo de controle da companhia, ao lado do Citigroup. <\/p>\n<p>Os fundos de pens&atilde;o t&ecirc;m todo o interesse na uni&atilde;o das companhias. Na avalia&ccedil;&atilde;o de seus dirigentes, a associa&ccedil;&atilde;o ajudar&aacute; a criar valor para os ativos detidos no setor de telefonia. Al&eacute;m disso, na nova empresa, a participa&ccedil;&atilde;o no capital de controle, principalmente da Previ, deve ser de destaque. <\/p>\n<p>As conversas sobre a fus&atilde;o come&ccedil;aram h&aacute; cerca de dois meses. Executivos da Oi e da BrT j&aacute; estiveram com assessores e ministros pr&oacute;ximos do presidente Lula. Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, solicitou audi&ecirc;ncia com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para tratar do assunto. Ela &eacute; tamb&eacute;m a principal interlocutora do presidente da Previ, S&eacute;rgio Rosa. Foi tamb&eacute;m nesse per&iacute;odo, que ocorreram as reuni&otilde;es dos executivos das operadoras com o presidente do BNDES. <\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do governo, a id&eacute;ia da fus&atilde;o est&aacute; amadurecendo por v&aacute;rias raz&otilde;es. Uma delas, explicou ao Valor um ministro envolvido nas discuss&otilde;es, &eacute; o fato de a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) ter restabelecido, finalmente, sua diretoria. &#39;Sem a Anatel recomposta, n&atilde;o pod&iacute;amos legalmente fazer nada&#39;, contou um auxiliar de Lula. O planalto, esclareceu a fonte, continua sem saber queinstrumento legal ser&aacute; necess&aacute;rio para viabilizar o neg&oacute;cio &#8211; se um decreto presidencial que altere o Plano Geral de Outorgas (PGO) ou um projeto de lei que mude a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT). <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m ainda n&atilde;o h&aacute; decis&atilde;o sobre a ado&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o de classe especial que daria ao governo o poder de veto na nova empresa. O an&uacute;ncio recente feito pelo ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, nesse sentido irritou o Pal&aacute;cio do Planalto. Costa, com medo de ser deixado de lado nesse assunto, anunciou semana passada que teria sugerido ao presidente a cria&ccedil;&atilde;o deuma comiss&atilde;o para estudar a fus&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o da &#39;golden share&#39;. Segundo um assessor de Lula, ele fez isso &#39;sem se articular&#39; com o governo. <\/p>\n<p>A iniciativa de H&eacute;lio Costa provocou queixas tamb&eacute;m de executivos das duas empresas. No caso da Oi, os acionistas acham que o governo deveria esperar pela conclus&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o de compra, pelos atuais controladores, das a&ccedil;&otilde;es preferenciais da Tele Norte Leste Participa&ccedil;&otilde;es, que est&aacute; em curso. A oferta pelos pap&eacute;is &eacute; mais uma tentativa para reorganizar os s&oacute;cios dentro do grupo Oi. O objetivo final do processo &eacute; pulverizaro capital da companhia, o que facilitaria a fus&atilde;o com a BrT. Os empres&aacute;rios tamb&eacute;m n&atilde;o gostaram da id&eacute;ia de o governo ter direito a veto. <\/p>\n<p>De acordo com um assessor graduado do presidente Lula, ainda n&atilde;o h&aacute; uma decis&atilde;o quanto &agrave; possibilidade da &#39;golden share&#39;, mas o governo certamente exigir&aacute; alguma &#39;garantia&#39; para apoiar a fus&atilde;o. &#39;&Eacute; preciso saber dos investidores se eles querem ficar no neg&oacute;cio ou n&atilde;o. Eles podem fazer isso [a fus&atilde;o] s&oacute; para elevar o valor da empresa e cair fora&#39;&#39;, observou um ministro. <\/p>\n<p>A fus&atilde;o BrT-Oi &eacute; vista ainda como a salva&ccedil;&atilde;o das duas operadoras a longo prazo. &#39;Em dois anos, uma delas bater&aacute; no muro&#39;, disse um assessor. A nova empresa dominaria 62% do mercado nacional de telefonia fixa, mas continuar&aacute; pequena na telefonia celular (cerca de 16,3%). O principal, na avalia&ccedil;&atilde;o do governo, &eacute; que ter&aacute; potencial para crescer no mercado de transmiss&atilde;o de dados. &#39;N&atilde;o queremos o duop&oacute;lio, como existe no setor a&eacute;reo, onde a ag&ecirc;ncia reguladora perdeu o controle, a ind&uacute;stria dominou o mercado e os usu&aacute;rios pagaram a conta&#39;, comparou um assessor presidencial. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Valor Econ&ocirc;mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ser&aacute; o respons&aacute;vel pela engenharia financeira do projeto governamental para a cria&ccedil;&atilde;o de uma grande empresa de telecomunica&ccedil;&otilde;es nacional a partir da fus&atilde;o da Brasil Telecom (BrT) com a Oi. 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