{"id":18880,"date":"2007-08-02T17:59:41","date_gmt":"2007-08-02T17:59:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18880"},"modified":"2007-08-02T17:59:41","modified_gmt":"2007-08-02T17:59:41","slug":"os-jovens-a-midia-e-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18880","title":{"rendered":"Os jovens, a m\u00eddia e a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>O abismo cultural entre as gera&ccedil;&otilde;es torna-se ainda mais evidente quando as aten&ccedil;&otilde;es se voltam para as rela&ccedil;&otilde;es destas com a tecnologia. Os pais e os professores precisam acompanhar um ritmo que n&atilde;o lhes &eacute; comum. Com isso, a falta de par&acirc;metros parece incomodar os jovens, que s&atilde;o obrigados a galgar, sozinhos, seus caminhos no universo virtual .<\/p>\n<p><\/span><span>Basta pegar o mouse e come&ccedil;ar a clicar para navegar na internet. A cultura digital tem como grande aliado a aprendizagem instant&acirc;nea e auto-did&aacute;tica. Com isso, a brecha entre gera&ccedil;&otilde;es com rela&ccedil;&atilde;o ao dom&iacute;nio da tecnologia tem aumentado. N&atilde;o h&aacute; controle, tanto por parte da escola quanto por parte dos pais, sobre o conte&uacute;do acessado e produzido por seus filhos e alunos. Na projeto de pesquisa chamado Mediappro(linke pra http:\/\/www.mediappro.org) (Media Appropriation), 7.393 jovens de nove pa&iacute;ses europeus responderam a question&aacute;rios que analisavam suas opini&otilde;es e atua&ccedil;&otilde;es sobre a apropria&ccedil;&atilde;o dos novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Um fato impressionante &eacute; que os jovens afirmaram n&atilde;o receber qualquer tipo de orienta&ccedil;&atilde;o de seus pais ou professores sobre como usar a internet. O controle existe at&eacute; a crian&ccedil;a completar, aproximadamente, dez anos. Na juventude ent&atilde;o, os jovens acabam por ensinar aos adultos como usar computadores e celulares. A &uacute;nica recomenda&ccedil;&atilde;o feita pelos pais &eacute; quanto ao tempo que os jovens passam em frente &agrave; tela. Tal falta de controle &eacute; sentida de forma negativa pelos jovens. Em entrevistas pessoais, desenvolvidas ao longo da pesquisa os jovens verbalizaram a necessidade de par&acirc;metros. <\/p>\n<p><\/span><span>Muitos se dizem seguros quanto &agrave; internet, uma vez que 79% declararam-se &ldquo;espertos&rdquo;. Por&eacute;m, apenas 52% disseram saber &ldquo;filtrar&rdquo; as informa&ccedil;&otilde;es vindas dos sites de pesquisa como o Google. Membro do Mediappro, o professor Pier Cessare Rivoltella, da Universidade Cat&oacute;lica de Mil&atilde;o, ministrou, na Pont&iacute;fica Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), uma palestra sobre os resultados da pesquisa.<\/p>\n<p><\/span><span>Rivoltella chamou a aten&ccedil;&atilde;o para quatro pontos importantes que s&atilde;o modificados no conjunto sociocultural do que ele chamou de &ldquo;sociedade multi-ecra&rdquo; (multi-telas, ou seja, na qual nos relacionamos atrav&eacute;s de diversas telas, na era da m&iacute;dia digital). Essa multiplica&ccedil;&atilde;o de telas (meios de comunica&ccedil;&atilde;o) quer dizer que as fontes de informa&ccedil;&atilde;o se multiplicaram, que a aten&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade se desloca. Essa multiplica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os d conhecimento vai produzir uma mudan&ccedil;a mto forte nos comportamentos dos jovens, que a psicologia chama de Multitasking (multitarefas). <\/p>\n<p><\/span><span><strong>As quatro grandes mudan&ccedil;as<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>1. Rela&ccedil;&atilde;o entre imagem e sua refer&ecirc;ncia.<br \/><\/span><span>Atr&aacute;s dos ecras (telas) fica mais dif&iacute;cil de identificar qual &eacute; a real referencia das imagens, conte&uacute;dos e informa&ccedil;&otilde;es. Nas praticas de conhecimento dos alunos &eacute; cada vez mais dif&iacute;cil de fazer entender &ldquo;o pr&oacute;prio pensamento e o pensamento de quem &eacute; citado&rdquo;. A facilidade de copiar coisas da internet e col&aacute;-las num trabalho pessoal dificulta a diferencia&ccedil;&atilde;o entre &ldquo;o que &eacute; meu e o que n&atilde;o o &eacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>2.<\/span><span>Rela&ccedil;&atilde;o entre Interno e Externo.<br \/><\/span><span>Diz respeito aos limites entre espa&ccedil;o publico e espa&ccedil;o privado. Tempo\/espa&ccedil;o do lazer e tempo\/espa&ccedil;o do trabalho. Al&eacute;m da necessidade de compartilhar o mesmo tempo e mesmo espa&ccedil;o, n&oacute;s temos um deslocamento do trabalho no espa&ccedil;o e tempo que antes eram do lazer. Onde acaba o interno e come&ccedil;a o externo? Com o telefone celular &eacute; ainda mais simples de ver isso, como em conversas pessoais num espa&ccedil;o p&uacute;blico; ou ainda, ao deixar o celular ligado dentro de casa e receber liga&ccedil;&otilde;es sobre o trabalho.<\/p>\n<p>3.<\/span><span>A diferen&ccedil;a entre o que &eacute; humano e o que &eacute; n&atilde;o-humano.<br \/><\/span><span>Podemos citar o caso dos agentes inteligentes, dispositivos semi-autom&aacute;ticos que ajudam nossas pesquisas na web. Um mecanismo de pesquisa que aprende sobre nossas buscas e arruma um perfil de como ele nos v&ecirc;. A cada vez que entramos de novo no site de pesquisa ele pega mais informa&ccedil;&otilde;es sobre n&oacute;s e nos oferece aquilo que ele &ldquo;acha&rdquo; que vamos &ldquo;gostar mais&rdquo;. Fica dif&iacute;cil diferenciar o trabalho humano do trabalho da m&aacute;quina.<\/p>\n<p>4.<\/span><span>Ordem da vis&atilde;o e ordem da a&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/span><span>O Second Life &eacute;, hoje, o ambiente tridimensional mais desenvolvido. N&atilde;o &eacute; um espa&ccedil;o de jogo tridimensional virtual. Second Life &eacute;, na verdade, outra dimens&atilde;o, na qual a gente compra, vende e arruma situa&ccedil;&otilde;es. Antes da chegada das TICs (Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o) vis&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o eram bem diferenciadas, hoje em dia disputam o mesmo espa&ccedil;o. Eu posso fazer coisas num espa&ccedil;o que anteriormente eu s&oacute; podia olhar, torna-se um espa&ccedil;o pragm&aacute;tico. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Onde os jovens t&ecirc;m acesso aos novos meios?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O acesso &agrave; internet se d&aacute; 80% em casa, 22% disseram nunca, ou raramente, fazer uso da internet na escola.&nbsp; Estudantes confessam sentir dificuldade em tornar-se &iacute;ntimos da rede ao ter acesso apenas durante as aulas das chamadas TICs.&nbsp; As novas tecnologias se focam nessa aula, ficam restritas ao uso did&aacute;tico e n&atilde;o pessoal. Jovens aprendem a usar a tecnologia, mas n&atilde;o a associam com a comunica&ccedil;&atilde;o. Vale &agrave; pena lembrar que a pesquisa foi feita na Europa, em pa&iacute;ses tecnologicamente superiores ao Brasil.<\/p>\n<p><\/span><span>Recomenda&ccedil;&otilde;es a pais e professores foram feitas pelos organizadores da pesquisa. Orienta&ccedil;&otilde;es de como as TICs&nbsp; deveriam ser agregadas pela escola e na totalidade da educa&ccedil;&atilde;o dos jovens. Segundo os pesquisadores, pais e professores devem ser guiados e encorajados a desenvolver a habilidade das crian&ccedil;as e jovens para a leitura cr&iacute;tica, mais do que enfatizar e proibir pr&aacute;ticas ou o uso de certos programas de computador.<\/p>\n<p><\/span><span>Os pesquisadores recomendaram uma maior conversa&ccedil;&atilde;o e abertura da parte dos pais e mestres para que estes se esclare&ccedil;am e aconselhem jovens sobre como lidar com seus relacionamentos online e offline. Para os realizadores da pesquisa as escolas deveriam reconhecer que crian&ccedil;as e jovens podem ter experi&ecirc;ncias positivas e valiosas em jogos e viv&ecirc;ncias virtuais e isto deveria ser reconhecido em seus curr&iacute;culos.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual o lugar do professor?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em entrevista publicada na revista ISTO&Eacute; o senador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o deu seu parecer sobre a import&acirc;ncia do professor mediante as novas tecnologias: &ldquo;O menino que navegou &agrave; noite na internet chega &agrave; aula, de manh&atilde;, sabendo de coisas que o professor desconhece. O ator principal n&atilde;o &eacute; mais o professor. S&atilde;o o professor, o aluno e a m&iacute;dia. Ele n&atilde;o &eacute; mais o dono do saber, nem da informa&ccedil;&atilde;o.&rdquo; <\/p>\n<p><\/span><span>Para Cristovam &ldquo;Ele (o professor) tem de estar ciente que ele n&atilde;o sabe da &uacute;ltima coisa. O que ele aprendeu na universidade valeu at&eacute; aquele dia, da&iacute; tem que aprender de novo. Segundo: precisa compreender que o aluno pode estar fazendo coisas que ele n&atilde;o domina. Terceiro: reconhecer seus limites, se n&atilde;o for capaz de usar os recursos novos. O professor que simplesmente n&atilde;o quer usar o computador &eacute; como um m&eacute;dico que prefere n&atilde;o usar uma tomografia computadorizada, o professor tem de aprender a mexer com o computador.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Dos poucos que sabem, o muito que fazem<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Os jovens t&ecirc;m preenchido muitos espa&ccedil;os da produ&ccedil;&atilde;o independente brasileira. Na internet, sites como o Fazendo Media (www.fazendomedia.com) e o Centro de M&iacute;dia Independente (www.midiaindependente.org), t&ecirc;m crescido muito, tanto em n&uacute;mero de acessos, quanto em conte&uacute;do. O espa&ccedil;o para o jovem na rede &eacute; ilimitado, uma vez que este tenha acesso &agrave; tecnologia.<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o s&oacute; atr&aacute;s das telas, os jovens t&ecirc;m se mobilizado bastante na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para r&aacute;dios livres. No site http:\/\/www.radiolivre.org\/ voc&ecirc; pode acessar e ouvir uma a programa&ccedil;&atilde;o feita por jovens de todo o pa&iacute;s, todos com um objetivo comum, ouvir e se fazer ouvir. Ainda no r&aacute;dio digital, podemos falar da revista da Ag&ecirc;ncia Pulsar (http:\/\/www.brasil.agenciapulsar.org\/revista.php), com edi&ccedil;&otilde;es mensais, &eacute; toda produzida por estudantes na faixa dos vinte anos.<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abismo cultural entre as gera&ccedil;&otilde;es torna-se ainda mais evidente quando as aten&ccedil;&otilde;es se voltam para as rela&ccedil;&otilde;es destas com a tecnologia. Os pais e os professores precisam acompanhar um ritmo que n&atilde;o lhes &eacute; comum. 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