{"id":18877,"date":"2007-08-02T14:50:40","date_gmt":"2007-08-02T14:50:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18877"},"modified":"2007-08-02T14:50:40","modified_gmt":"2007-08-02T14:50:40","slug":"corrida-das-cidades-digitais-agita-o-mercado-de-redes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18877","title":{"rendered":"Corrida das cidades digitais agita o mercado de redes"},"content":{"rendered":"<p>A pra&ccedil;a central de Santa Cec&iacute;lia do Pav&atilde;o n&atilde;o difere muito daquelas encontradas em qualquer cidadezinha do pa&iacute;s. L&aacute; est&aacute; a igreja &#8211; nesse caso, de Santa Cec&iacute;lia, rebatizada pelas &aacute;guas do rio Pav&atilde;o, que banha o munic&iacute;pio. L&aacute; est&atilde;o as pombas empoleiradas nos bancos, as mesas de jogo de dama,alguns aposentados, o coreto abandonado. Mas, nos pr&oacute;ximos dias, essa paisagem vai mudar. <\/p>\n<p>Uma torre de vidro est&aacute; pronta para ser instalada no meio da pra&ccedil;a. Dentro dela, uma rede de computadores estar&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para que a popula&ccedil;&atilde;o ceciliense possa, finalmente, navegar natal internet. &#39;Ser&aacute; nosso coreto digital&#39;, diz o prefeito Edimar Santos (PTB-PR). <\/p>\n<p>O prefeito de Santa Cec&iacute;lia tem internet em casa. N&atilde;o tinha quando chegou &agrave; cidade para trabalhar como agente funer&aacute;rio, nos anos 90. Mas Santos progrediu r&aacute;pido, ganhou popularidade, montou o grupo Santos, sua empresa do ramo funer&aacute;rio, e foi escolhido para governar a cidade. <\/p>\n<p>Diferentemente do prefeito, o munic&iacute;pio n&atilde;o cresceu tanto. Por muito tempo, internet continuou a ser tema incomum no cotidiano dos 5 mil habitantes de Santa Cec&iacute;lia do Pav&atilde;o, munic&iacute;pio 362 quil&ocirc;metros ao norte de Curitiba. De base agr&iacute;cola e com renda per capita de R$ 162, a cidade fica escondida entre montanhas, longe de grandes centros, numa &aacute;rea em que os cabos de telefonia n&atilde;o oferecem banda larga. N&atilde;o h&aacute; provedor local de internet. &#39;Se algu&eacute;m quisesse acessar a rede, tinha de fazerum interurbano&#39;, diz Santos.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; dois meses a prefeitura fechou um projeto para cobrir a cidade com uma rede sem fio. Participaram da iniciativa a Universidade Tecnol&oacute;gica Federal do Paran&aacute;, o Servi&ccedil;o Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a D-Link, fabricante de equipamentos de rede. R&aacute;dios de comunica&ccedil;&atilde;o WiFi foram instalados no munic&iacute;pio, interligando a prefeitura a demais &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, como biblioteca, posto de sa&uacute;de e escolas. Uma antena de alta capacidade foi montada sob uma montanha e direcionada para outra, a 60 quil&ocirc;metros dali, em Londrina. A prefeitura abriu o sinal para a popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Santa Cec&iacute;lia descobriu a internet. &#39;Cerca de 250 casas j&aacute; t&ecirc;m computador&#39;, comemora Santos. Agora, o projeto ser&aacute; estendido com a cria&ccedil;&atilde;o desse telecentro na pra&ccedil;a central, para conectar os cidad&atilde;os que n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de adquirir um PC. Al&eacute;m de incentivar a inclus&atilde;o digital, a prefeitura reduziu custos. A conta telef&ocirc;nica municipal chegava a R$ 27 mil por m&ecirc;s. Com o uso da web para trafegar voz (tecnologia chamada de voz sobre protocolo de internet), a despesa caiu para algo em torno de R$ 2 mil. &#39;Mantemos a rede WiFifuncionando com R$ 680 por m&ecirc;s&#39;, afirma Santos. <\/p>\n<p>Hist&oacute;rias assim t&ecirc;m se espalhado com rapidez pelo Brasil. Nos &uacute;ltimos anos, cidades pequenas, que est&atilde;o fora das &aacute;reas &#39;iluminadas&#39; por cabos de fibra &oacute;ptica passaram a ver nas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o sem fio uma forma de reduzir a exclus&atilde;o digital e, principalmente, eliminar gastos. Esse processo intensificou-se em 2007.<\/p>\n<p>Embora a maioria dos projetos ainda se encontre em fase experimental, a movimenta&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; suficiente para mexer com os neg&oacute;cios dos fornecedores de equipamentos. A Nortel, que come&ccedil;ou a olhar para esse mercado no ano passado, tem capacitado parceiros para testes em munic&iacute;pios de S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, diz o gerente s&ecirc;nior da &aacute;rea de desenvolvimento de neg&oacute;cios de WiMax, Cl&aacute;udio Falcone. &#39;&Eacute; um mercado grande, e hoje ainda h&aacute; centenas de munic&iacute;pios que sequer t&ecirc;m acesso &agrave; internet discada.&#39;<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; n&uacute;meros oficiais sobre quantos munic&iacute;pios t&ecirc;m executado projetos similares ao de Santa Cec&iacute;lia do Pav&atilde;o. Segundo o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, 3,3 mil cidades do pa&iacute;s j&aacute; t&ecirc;m em funcionamento pelo menos um telecentro, localp&uacute;blico de acesso gratuito &agrave; internet. No pr&oacute;ximo m&ecirc;s, o governo deve lan&ccedil;ar uma licita&ccedil;&atilde;o para contratar novos links de sat&eacute;lite para expandir sua rede. O contrato dever&aacute; atingir R$ 200 milh&otilde;es por ano. As iniciativas federais, no entanto, muitas vezes correm descoladas de projetos tocados por munic&iacute;pios. Nesta esfera, empresas do setor procuram patrocinar casos que demonstrem a viabilidade de suas tecnologias, na pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Em Santa Cec&iacute;lia, a D-Link forneceu os r&aacute;dios de comunica&ccedil;&atilde;o. J&aacute; em Ouro Preto (MG), o projeto teve apoio da Intel. A Motorola, que participou da iniciativa de Maca&eacute; (RJ), tamb&eacute;m tem ofertado equipamentos para degusta&ccedil;&atilde;o. &#39;H&aacute; um senso de urg&ecirc;ncia muito alto no mercado&#39;, diz Eduardo Stefano, vice-presidente de redes corporativas da companhia. Cidades como Sud Mennucci (SP), Pira&iacute; (RJ), Parintins (AM) e Tiradentes (MG) s&atilde;o outros exemplos.<\/p>\n<p>&#39;S&atilde;o projetos pequenos, apenas uma forma de demonstra&ccedil;&atilde;o da nossa capacidade&#39;, comenta o diretor comercial da Alcatel-Lucent, Jos&eacute; Vasques, ao se referir &agrave; rede que a companhia inaugurou recentemente em Visconde de Mau&aacute; (RJ). &#39;Agora estamos partindo para outros casosde maior porte.&#39;<\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o apenas os fabricantes de equipamentos que est&atilde;o de olho no mercado de comunica&ccedil;&atilde;o sem fio. As operadoras de telefonia fixa, embora resistentes a falar sobre o assunto, n&atilde;o est&atilde;o paradas. &#39;As teles come&ccedil;aram a ver esses projetos acontecerem embaixo do nariz delas e agora decidiram agir&#39;, diz o gerente comercial da divis&atilde;o de governo da D-Link, Fred Maynart. &#39;Hoje s&oacute; a Telef&ocirc;nica tem mais de 20 gerentes nas ruas s&oacute; para bater na porta das prefeituras.&#39;<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica foi procurada para comentar o assunto, mas n&atilde;o deu resposta. A Brasil Telecom n&atilde;o quis falar sobre o tema. A Oi, por meio de nota, afirmou que &#39;a expans&atilde;o da oferta de banda larga traz benef&iacute;cios inquestion&aacute;veis&#39;, mas a implanta&ccedil;&atilde;o de projetos como o das cidades digitais &#39;demanda investimentos que v&atilde;o al&eacute;m da aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos&#39; para redes municipais. Uma sa&iacute;da para a sustenta&ccedil;&atilde;o das iniciativas, segundo a operadora, seriam as parcerias p&uacute;blico-privadas.<\/p>\n<p>As discuss&otilde;es sobre a viabilidade dos projetos tamb&eacute;m passam pelo aspecto da tecnologia. H&aacute; experi&ecirc;ncias em que as redes WiFi, originalmente usadas em ambientes internos, como aeroportos, t&ecirc;m se mostrado mais vi&aacute;veis em projetos nos quais a &aacute;rea de cobertura n&atilde;o &eacute; t&atilde;o extensa. Em outras situa&ccedil;&otilde;es, a escolha pende para o chamado WiMax, padr&atilde;o de maior alcance que o WiFi, por&eacute;m mais caro. Uma terceira via ainda pode ser o WiMesh, tecnologia usada na cidade mineira de Tiradentes que faz uso de v&aacute;rias antenas instaladas em diferentes pontos para ampliar sua capacidade de transmiss&atilde;o. <\/p>\n<p>Para o prefeito de Santa Cec&iacute;lia do Pav&atilde;o, Edimar Santos, os meandros tecnol&oacute;gicos s&atilde;o irrelevantes. &#39;O importante &eacute; que, agora, se algu&eacute;m sentar na pra&ccedil;a da cidade com um notebook no colo poder&aacute; navegar pelo mundo.&#39; <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Copyright Valor Econ&ocirc;mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pra&ccedil;a central de Santa Cec&iacute;lia do Pav&atilde;o n&atilde;o difere muito daquelas encontradas em qualquer cidadezinha do pa&iacute;s. 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