{"id":18861,"date":"2007-07-31T18:01:48","date_gmt":"2007-07-31T18:01:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18861"},"modified":"2007-07-31T18:01:48","modified_gmt":"2007-07-31T18:01:48","slug":"maiorana-vs-barbalho-a-caca-ao-poder-no-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18861","title":{"rendered":"Maiorana vs Barbalho: a ca\u00e7a ao poder no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><span>Os Maiorana e os Barbalho est&atilde;o em nova rodada de escaramu&ccedil;as. Desta vez n&atilde;o &eacute; apenas por motivos pol&iacute;ticos: as raz&otilde;es comerciais se tornaram mais fortes. Agora, o grupo Liberal j&aacute; n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico dono das comunica&ccedil;&otilde;es no Par&aacute;. A situa&ccedil;&atilde;o mudou de vez ou pode reverter? &Eacute; o que est&aacute; por tr&aacute;s da nova temporada de acusa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Come&ccedil;ou e est&aacute; em pleno curso uma nova temporada de ca&ccedil;a entre os Maiorana e os Barbalho, que dividem &ndash; e disputam &ndash; o controle das comunica&ccedil;&otilde;es no Par&aacute;. Desta vez, a declara&ccedil;&atilde;o de guerra partiu do grupo Liberal. Uma sucess&atilde;o de mat&eacute;rias foi desencadeada a partir do dia 16, quando o jornal O Liberal noticiou, com grande destaque, a proposi&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica em Bras&iacute;lia. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Distrito Federal requereu a extin&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o feita &agrave; TV RBA e a realiza&ccedil;&atilde;o de uma nova concorr&ecirc;ncia para o canal 13 de televis&atilde;o. Alegou que a transfer&ecirc;ncia da concess&atilde;o para o Sistema Clube do Par&aacute; de Comunica&ccedil;&atilde;o, como forma de contornar o impedimento &agrave; renova&ccedil;&atilde;o, por causa dos d&eacute;bitos da RBA junto ao governo federal, violava os princ&iacute;pios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade.<\/p>\n<p><\/span><span>A a&ccedil;&atilde;o tramita perante a 1&ordf; vara da justi&ccedil;a federal em Bras&iacute;lia. Se a liminar requerida pelo MPF n&atilde;o for concedida, o processo dever&aacute; seguir a instru&ccedil;&atilde;o regular, com provas e contra-provas, alega&ccedil;&otilde;es e contraditas. Enquanto isso, ser&aacute; mantido o status quo: a R&aacute;dio Clube, como sucessora da RBA, continuar&aacute; a usufruir do canal 13, cuja concess&atilde;o foi renovada pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, gra&ccedil;as &agrave; renegocia&ccedil;&atilde;o do seu d&eacute;bito, principalmente previdenci&aacute;rio. A d&iacute;vida seria de 80 milh&otilde;es de reais, segundo o grupo Liberal, ou de um valor &quot;infinitamente menor&quot;, de acordo com a RBA, que n&atilde;o se referiu a n&uacute;meros na nota que divulgou.<\/p>\n<p><\/span><span>Enquanto a quest&atilde;o fica &agrave; espera de uma defini&ccedil;&atilde;o judicial, a opini&atilde;o p&uacute;blica, acostumada a essas escaramu&ccedil;as sazonais, se pergunta pela motiva&ccedil;&atilde;o real por tr&aacute;s do reaquecimento das den&uacute;ncias do grupo Liberal. Elas visam o principal inimigo e concorrente dos Maiorana, o deputado federal Jader Barbalho, s&oacute;cio-cotista tanto da RBA quanto da R&aacute;dio Clube (e por isso, independentemente do aspecto legal referente &agrave; renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o, respons&aacute;vel solid&aacute;rio pela quita&ccedil;&atilde;o do d&eacute;bito, numa como noutra empresa).<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Rosas e espinhos<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O incidente em torno do canal, embora tenha seu significado intr&iacute;nseco e constitua assunto de real interesse p&uacute;blico, serviu de pretexto para uma nova onda de ataques contra o l&iacute;der do PMDB no Par&aacute;. H&aacute; dois componentes no contencioso, o comercial e o pol&iacute;tico. O comercial foi agravado pelo enfraquecimento empresarial do grupo Liberal e a ascens&atilde;o do grupo RBA, com destaque para a &aacute;rea do jornalismo impresso, no qual come&ccedil;a a assumir a lideran&ccedil;a, pondo fim &agrave; hegemonia quase absoluta do jornal O Liberal. A queda de faturamento fez os Maiorana investir com maior agressividade sobre o ponto vulner&aacute;vel do concorrente: a figura pol&ecirc;mica do seu dono, o pol&iacute;tico Jader Barbalho.<\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; o n&iacute;tido esfor&ccedil;o para destac&aacute;-lo, n&atilde;o s&oacute; explorando seus pontos fracos, especialmente o uso de verbas p&uacute;blicas, como tentando, por meio dele, atingir sua principal aliada pol&iacute;tica no Estado, a governadora Ana J&uacute;lia Carepa. No mesmo movimento em que voltaram as cr&iacute;ticas contundentes a Jader, brotaram elogios e mais elogios a Ana J&uacute;lia, al&eacute;m de notas curtas e venenosas sobre um desentendimento crescente entre o PT e o PMDB.<\/p>\n<p><\/span><span>As rela&ccedil;&otilde;es entre os dois partidos nunca foram pac&iacute;ficas e naturais: h&aacute; suspeitas, animosidades e retalia&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas dentro deles, que ainda n&atilde;o foram superadas e &eacute; pouco prov&aacute;vel que um dia o sejam. H&aacute; sempre rastilhos de p&oacute;lvora sendo espalhados, chegando em alguns casos pr&oacute;ximos do ponto de explos&atilde;o. Os petistas reclamam da entrega aos peemedebistas de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos estaduais &quot;de porteira fechada&quot;, na sugestiva linguagem dos currais eleitorais. E peemedebistas se queixando de serem sabotados pela dire&ccedil;&atilde;o do PT, ainda mais quando nela h&aacute; um grupo mais fechado e exclusivista, como a Democracia Socialista. Mas essa press&atilde;o das bases far&aacute; os l&iacute;deres dos dois grupos us&aacute;-la como arma de combate at&eacute; um inevit&aacute;vel rompimento aberto e definitivo?<\/p>\n<p><\/span><span>Os Maiorana parecem apostar que sim, disparando notas &ndash; com texto at&eacute; ing&ecirc;nuo, de t&atilde;o &oacute;bvio &ndash; para azedar e azucrinar a alian&ccedil;a PT-PMDB, depois de passar o tempo anterior entremeando rosas e espinhos no colo da governadora, ora soprando, ora mordendo. Ao mesmo tempo em que procuram mostrar for&ccedil;a, fazendo sentir o quanto ser&aacute; ruim enfrent&aacute;-los, oferecem os servi&ccedil;os de sua ainda poderosa corpora&ccedil;&atilde;o. Poderosa sobretudo, a esta altura do enfraquecimento do jornal, por causa da associa&ccedil;&atilde;o com a Rede Globo de Televis&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Ponto de entendimento<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>At&eacute; aqui, esse jogo tem sido mais favor&aacute;vel aos Maiorana do que aos seus aliados, aliados em tr&acirc;nsito, ex-aliados ou novos advers&aacute;rios. Mas h&aacute; uma novidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quedas-de-bra&ccedil;o anteriores (com a CVRD, a Rede\/Celpa e o Banco da Amaz&ocirc;nia): o grupo j&aacute; n&atilde;o &eacute; t&atilde;o poderoso quanto antes. Pode ser que tenha realmente ingressado numa era de decl&iacute;nio, sem possibilidade de reconquistar a posi&ccedil;&atilde;o anterior. Essa nova situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; ainda consolidada por defici&ecirc;ncia do seu principal concorrente, o grupo RBA. Carente de efetiva profissionaliza&ccedil;&atilde;o, ele revela sua fraqueza nos momentos de confronto exatamente por sua estreita vincula&ccedil;&atilde;o ao ex-ministro Jader Barbalho, que sempre &eacute; explorada com bons rendimentos, sejam ou n&atilde;o procedentes os argumentos usados contra ele. Jader &eacute; o anti-teflon: tudo que &eacute; atirado contra sua imagem, gruda.<\/p>\n<p><\/span><span>Essa fragilidade de imagem do seu grupo de comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; n&atilde;o se tornou uma barreira intranspon&iacute;vel ao crescimento por dois motivos: a falta de profissionaliza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio grupo Liberal, erodido por cis&otilde;es internas, e o surgimento de alternativas comerciais, com &ecirc;nfase para a Rede Record de Televis&atilde;o, a que mais tem investido no jornalismo local. <\/p>\n<p><\/span><span>Por diferentes motivos, o longo reinado dos Maiorana nas comunica&ccedil;&otilde;es deixou de ser um dado inquestion&aacute;vel, tornando-se, na melhor das hip&oacute;teses para a corpora&ccedil;&atilde;o, numa d&uacute;vida a apurar. O maior anunciante privado do Par&aacute;, o grupo Yamada, resolveu pagar para ver: h&aacute; dois meses se mant&eacute;m fora dos ve&iacute;culos das Organiza&ccedil;&otilde;es Romulo Maiorana, uma atitude inimagin&aacute;vel at&eacute; recentemente. O maior precedente anterior foi o da Companhia Vale do Rio Doce, que reagiu a uma campanha agressiva do grupo levando-o &agrave; justi&ccedil;a. Mas o presidente da empresa, Roger Agnelli, preferiu contemporizar as coisas e voltar a agradar a fam&iacute;lia. Os processos dormem a sono solto em duas varas c&iacute;veis de Bel&eacute;m, &oacute;rf&atilde;os de movimenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Os Yamada manter&atilde;o a atitude de resistir &agrave; press&atilde;o dos Maiorana por mais tempo que a Vale, ou por todo tempo que for necess&aacute;rio? Outras empresas seguir&atilde;o seu exemplo? Come&ccedil;ar&aacute; a se fortalecer uma postura menos condescendente aos atos de imp&eacute;rio dos Maiorana, que conseguiam fazer prevalecer suas vontades sobre a dos anunciantes &ndash; e sobre qualquer mortal em geral no Par&aacute;?<\/p>\n<p><\/span><span>A d&uacute;vida tamb&eacute;m se aplica &agrave; governadora. As sugest&otilde;es para que rompa com Jader Barbalho s&atilde;o quase di&aacute;rias nos ve&iacute;culos do grupo Liberal. H&aacute; influentes petistas engrossando esse coro e h&aacute; peemedebistas t&atilde;o insatisfeitos com a situa&ccedil;&atilde;o que uma reuni&atilde;o foi convocada para o pr&oacute;ximo dia 2. Nela, Jader seria pressionado pelos seus correligion&aacute;rios a endurecer com a governadora e o PT. Ciente desses movimentos, Ana J&uacute;lia optou por uma conversa com seu principal cabo eleitoral na elei&ccedil;&atilde;o do ano passado.<\/p>\n<p><\/span><span>O ex-governador deixou seu veraneio em Fortaleza para uma conversa a portas fechadas e sob luz vermelha, no gabinete de Ana J&uacute;lia, no pal&aacute;cio dos despachos da Augusto Montenegro. O encontro durou quatro horas. Dele, o Di&aacute;rio do Par&aacute; deu apenas uma curta nota na coluna Rep&oacute;rter Di&aacute;rio. Sugeriu que houve concilia&ccedil;&atilde;o de parte a parte, com recuos m&uacute;tuos na busca de um novo ponto de entendimento. O PMDB continuou com a Secretaria de Sa&uacute;de, mas perdeu seus &oacute;rg&atilde;os internos. Se ainda persistem diverg&ecirc;ncias, a tens&atilde;o foi rebaixada. Significa que n&atilde;o h&aacute; ant&iacute;doto para o envenenamento das rela&ccedil;&otilde;es entre aliados compuls&oacute;rios, mas eles est&atilde;o tentando se acomodar.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Jogo de cartas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A atitude tem sua raz&atilde;o de ser na elei&ccedil;&atilde;o municipal de 2008. Em Bel&eacute;m, por exemplo, com pouco mais de um quinto do eleitorado, PMDB e PT correm o risco de ficar de fora do 2&ordm; turno se n&atilde;o somarem votos (se tal for poss&iacute;vel). Nenhum dos dois partidos disp&otilde;e, hoje, de um nome forte para enfrentar o projeto de reelei&ccedil;&atilde;o de Duciomar Costa, muito enfraquecido, mas com a m&aacute;quina nas m&atilde;os, e de Val&eacute;ria Pires Franco, que surge como a alternativa dos derrotados no ano passado, com promessa de retaguarda robustecida. Ou de um tucano capaz de rebrotar do desgaste da legenda e do governo, mas ainda sem qualquer vislumbre de for&ccedil;a.<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo que PT e PMDB prefiram ir para o 1&ordm; turno com candidatos pr&oacute;prios, expostos a uma derrota j&aacute; nessa etapa, se um deles passar para o 2&ordm; turno ter&aacute; que somar cada voto para tentar a vit&oacute;ria nessa probabilidade de disputa acirrada. Os votos do PMDB foram decisivos para Ana J&uacute;lia derrotar Almir Gabriel. Poder&atilde;o ter a mesma fun&ccedil;&atilde;o em 2008. Uma vit&oacute;ria na capital ser&aacute; um trunfo nada desprez&iacute;vel para Ana J&uacute;lia usar em 2010.<\/p>\n<p><\/span><span>Resistir ao canto de sereia do grupo Liberal, por&eacute;m, ter&aacute; um pre&ccedil;o &ndash; e ele n&atilde;o ser&aacute; exatamente barato. Os ve&iacute;culos das ORM t&ecirc;m tido um comportamento d&uacute;bio em rela&ccedil;&atilde;o ao governo: ora o ap&oacute;iam, ora o combatem. A incapacidade de dar um tratamento jornal&iacute;stico &agrave; administra&ccedil;&atilde;o estadual evidencia o movimento pendular da corpora&ccedil;&atilde;o. Como ela ficou dependente das abundantes verbas p&uacute;blicas durante os 12 anos de governos tucanos, n&atilde;o sabe qual o tamanho do custo da abstin&ecirc;ncia. Por isso, ainda tenta restabelecer a farta dieta antes de experimentar o confronto aberto e, talvez, irremedi&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span><span>O problema, nesse caso, &eacute; de dosagem: at&eacute; que momento a hostilidade &eacute; eficaz e a partir de quando se torna contraproducente? Qual o limite para passar da apresenta&ccedil;&atilde;o de dificuldades ao oferecimento de facilidades, que constitui a quintess&ecirc;ncia das campanhas interesseiras? Acostumados a impor sua vontade, os Maiorana podem ter perdido o tato para esse ponto de equil&iacute;brio, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas (como no caso Yamada) quanto ao governo. S&oacute; que n&atilde;o lhe resta mais escolha: t&ecirc;m que continuar a praticar esse jogo at&eacute; que ele gere seus efeitos. Ou se torne um jogo de vida e morte, sem alternativas.<\/p>\n<p><\/span><span>&Agrave;s vezes os jogadores, mesmo os mais habilidosos, perdem o dom&iacute;nio da situa&ccedil;&atilde;o, que constitui sua raz&atilde;o de ser, quando blefam demais. &Eacute; pouco prov&aacute;vel que esse seja um m&eacute;todo de sucesso sem fim, mas n&atilde;o se pode dizer que o jogador audacioso ou voluntarioso esteja pr&oacute;ximo do desastre sem examinar atentamente as cartas na mesa. Um observador c&eacute;tico da cena paraense, acostumado &agrave; fraude recorrente de suas elites, pode achar que h&aacute; cartas escondidas: debaixo da mesa ou na manga dos jogadores.<\/p>\n<p><\/span><span>O notici&aacute;rio recente do jornal O Liberal pode ser explicado segundo os par&acirc;metros desse jogo de cartas. Um dos recados para a governadora, que tem as melhores cartas nas m&atilde;os (porque controla as verbas p&uacute;blicas), &eacute; no sentido de se desgarrar do aliado pesado, que sempre est&aacute; no meio de den&uacute;ncias de malversa&ccedil;&atilde;o de dinheiro p&uacute;blico, enriquecimento il&iacute;cito, tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia e irregularidades em geral, abusando do poder que seus votos lhe conferem. Se tomar essa atitude, contar&aacute; com o calor de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o que podem fazer a diferen&ccedil;a na hora de influir sobre a opini&atilde;o p&uacute;blica (embora tenham mais perdido do que ganhado elei&ccedil;&otilde;es). <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Resposta pr&aacute;tica<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Outro recado &eacute; mais sutil. As refer&ecirc;ncias elogiosas a Ana J&uacute;lia insinuam que j&aacute; houve, est&aacute; em andamento ou pode vir a existir uma negocia&ccedil;&atilde;o secreta entre os Maiorana e a governadora para restabelecer a antiga parceria, muito forte na era dos tucanos, com proveito m&uacute;tuo. Como n&atilde;o h&aacute; uma &quot;terceira via&quot; qualificada no Par&aacute;, as ondas de boatos v&atilde;o e voltam desse ponto: um acerto de bastidores entre o grupo Liberal e Ana J&uacute;lia, pessoalmente ou com a participa&ccedil;&atilde;o do seu partido. Algumas correntes t&ecirc;m esse dado como real, defintivo, talvez exatamente porque sobrem boatos e faltem informa&ccedil;&otilde;es checadas na mesa do jogo.<\/p>\n<p><\/span><span>Um dos term&ocirc;metros dessa quest&atilde;o &eacute; o contencioso entre a Funtelpa e a TV Liberal. A anula&ccedil;&atilde;o do conv&ecirc;nio, herdado de Almir Gabriel e Sim&atilde;o Jatene, j&aacute; privou os cofres da emissora de tr&ecirc;s milh&otilde;es de reais nestes sete meses. &Eacute; dinheiro para deixar an&ecirc;mica uma empresa que gira mais &agrave; base do escambo da permuta do que do faturamento real. E que vive uma grave crise de liquidez justamente por causa dessa anomalia comercial. O pior &eacute; que, desde o dia 6 de junho, a Funda&ccedil;&atilde;o de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Par&aacute; &eacute; co-autora da a&ccedil;&atilde;o popular visando anular o tal conv&ecirc;nio, por ser um contrato disfar&ccedil;ado para permitir v&aacute;rias irregularidades na rela&ccedil;&atilde;o, e, mais do que isso, fazer a TV Liberal devolver o que recebeu indevidamente. Na conta atualizada, esse d&eacute;bito &eacute; de mais de R$ 40 milh&otilde;es, ou equivalente a metade do que os Maiorana dizem que a RBA deve ao governo federal.<\/p>\n<p><\/span><span>Essa atitude do governo do PT pode n&atilde;o passar de jogo de cena, que n&atilde;o negaria (antes esconderia) o entendimento de bastidores? N&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel, mas j&aacute; n&atilde;o &eacute; muito prov&aacute;vel. A apela&ccedil;&atilde;o da Funtelpa contra a decis&atilde;o da ju&iacute;za da 21&ordf; vara c&iacute;vel de Bel&eacute;m, Rosileide Filomeno, que, surpreendentemente, considerou legal o conv&ecirc;nio, j&aacute; foi recebida na inst&acirc;ncia superior do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado. Mesmo que a a&ccedil;&atilde;o demore a ser definida, prolongando-se at&eacute; a decis&atilde;o de &uacute;ltimo grau, com a mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o da Funtelpa, que deixou de ser r&eacute; para se tornar autora da a&ccedil;&atilde;o, a posi&ccedil;&atilde;o da TV Liberal na demanda se enfraqueceu.<\/p>\n<p><\/span><span>Pode ser tamb&eacute;m que a estrat&eacute;gia jur&iacute;dica adotada pelo governo deixe uma brecha para a TV Liberal explorar atrav&eacute;s de uma a&ccedil;&atilde;o judicial pr&oacute;pria. &Eacute; que a Funtelpa continua a transmitir a programa&ccedil;&atilde;o da emissora dos Maiorana, apesar de declarar nulo o contrato e suspender o pagamento da mensalidade. Como o advogado da emissora sustenta que ela realiza um servi&ccedil;o de utilidade p&uacute;blica e se qualificou para desempenh&aacute;-lo, respondendo &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o do governo no sentido de refor&ccedil;ar a integridade do Par&aacute; atrav&eacute;s de uma programa&ccedil;&atilde;o televisiva com linguagem e conte&uacute;do regional, a TV Liberal pode ir &agrave; justi&ccedil;a para cobrar os quase R$ 6 milh&otilde;es que lhe cabiam at&eacute; o final deste ano, prazo que a Funtelpa prorrogou em 31 de dezembro do ano passado. O governo Ana J&uacute;lia podia ter simplesmente revogado de imediato esse aditivo, pondo fim, sem qualquer efeito colateral, aos 10 anos de rela&ccedil;&atilde;o esquizofr&ecirc;nica, na qual a Funtelpa pagava caro para ter seus equipamentos e seu pessoal usados pela TV Liberal.<\/p>\n<p><\/span><span>O governo ainda pagar&aacute; por esse erro, se foi um erro? A resposta pr&aacute;tica vir&aacute; logo, ou muito antes da resposta judicial. Quem prestar aten&ccedil;&atilde;o, ver&aacute;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Respostas: cad&ecirc;?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Na nota atrav&eacute;s da qual retrucou &agrave;s mat&eacute;rias do jornal O Liberal, a dire&ccedil;&atilde;o da RBA julgou &quot;importante ressaltar&quot; que todo o processo de transfer&ecirc;ncia de outorga do canal de televis&atilde;o que possui para a outra empresa do grupo, a R&aacute;dio Clube, &quot;ocorreu quando presidia a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, o Dep. Vic Pires Franco, ex-apresentador da TV Liberal e amigo da mais &iacute;ntima intimidade de Romulo Maiorana J&uacute;nior, conhecido como Rominho no seu c&iacute;rculo de amizades, e n&atilde;o quando a presid&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o estava sendo ocupada pelo Dep. Jader Barbalho, s&oacute;cio cotista da RBA, que como todos sabem, &eacute; o grande alvo da a&ccedil;&atilde;o apresentada pelo procurador e divulgada por setores bem identificados da imprensa que lhe fazem oposi&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>Talvez conviesse ao deputado federal Vic Pires Franco retomar a pr&aacute;tica salutar que manteve at&eacute; recentemente em blogs da rede mundial de computadores: responder &agrave; nota, esclarecendo se o que ela diz corresponde ou n&atilde;o &agrave; verdade e como foi o tr&acirc;mite da quest&atilde;o durante o tempo em que presidiu a comiss&atilde;o especializada da C&acirc;mara Federal.<\/p>\n<p><\/span><span>Mais adiante, a mesma nota garante que a renova&ccedil;&atilde;o de outorga da TV Liberal &quot;tramitou por incr&iacute;veis 12 anos no Congresso Nacional em virtude da falta de certid&otilde;es negativas de d&eacute;bito junto a Uni&atilde;o e s&oacute; foi conclu&iacute;do no final do ano passado&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>Como at&eacute; 2005 as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras de Delta Publicidade, empresa respons&aacute;vel pela edi&ccedil;&atilde;o do jornal, mantinham rubrica com a pend&ecirc;ncia dos d&eacute;bitos federais, em valores expressivos, a dire&ccedil;&atilde;o da empresa podia esclarecer ao p&uacute;blico se conseguiu a renova&ccedil;&atilde;o porque finalmente quitou a d&iacute;vida. Como o grupo Liberal n&atilde;o aborda o que n&atilde;o lhe interessa, talvez seja preciso esperar pela publica&ccedil;&atilde;o do balan&ccedil;o de 2006 para saber. A publica&ccedil;&atilde;o, como nos anos anteriores, est&aacute; atrasada. Mas como a Delta &eacute; uma sociedade an&ocirc;nima, ter&aacute; que sair da casca algum dia.<\/p>\n<p><\/span><span>No balan&ccedil;o de 2005, com a d&iacute;vida federal pendente, a empresa fechou as contas com preju&iacute;zo (acumulado desde exerc&iacute;cios anteriores), com capital l&iacute;quido negativo e endividamento crescente. Ou seja: tecnicamente, em estado pr&eacute;-falimentar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Maiorana e os Barbalho est&atilde;o em nova rodada de escaramu&ccedil;as. Desta vez n&atilde;o &eacute; apenas por motivos pol&iacute;ticos: as raz&otilde;es comerciais se tornaram mais fortes. 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