{"id":18859,"date":"2007-07-31T13:01:47","date_gmt":"2007-07-31T13:01:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18859"},"modified":"2007-07-31T13:01:47","modified_gmt":"2007-07-31T13:01:47","slug":"falta-de-transparencia-compromete-a-credibilidade-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18859","title":{"rendered":"Falta de transpar\u00eancia compromete a credibilidade da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>O International Center for Media and the Public Agenda (ICMPA) da University of Maryland tornou p&uacute;blico, no in&iacute;cio da semana passada, os resultados de uma importante pesquisa sob o t&iacute;tulo <u>&quot;Openness &amp; Accountability: A study of transparency in global media outlets&quot;<\/u>.&nbsp;<\/p>\n<p>Coordenado pela Dra. Susan Moeller (PhD Harvard; BA Yale), o estudo pesquisou os s&iacute;tios de not&iacute;cias das 25 principais empresas de m&iacute;dia dos Estados Unidos, Inglaterra e do Oriente M&eacute;dio [ABC; Al Jazeera (em ingl&ecirc;s); CBS; CNN; Fox News; ITN; NBC\/MSNBC; <em>Newsweek<\/em>; NPR (edi&ccedil;&atilde;o da manh&atilde;) ; PRI\/BBC\/WGBH: &quot;The World&quot;; Sky News; The BBC World Service; <em>The Christian Science Monitor; The Daily Telegraph; The Economist; The Financial Times; The Guardian; The Int&rsquo;l Herald Tribune; The Los Angeles Times; The Miami Herald; The New York Times; The Wall Street Journal; The Washington Post; Time e USA Today<\/em>] em torno de cinco crit&eacute;rios b&aacute;sicos:<\/p>\n<p>1. Corre&ccedil;&atilde;o de erros: existe disposi&ccedil;&atilde;o para reconhecer e retificar os erros cometidos?<\/p>\n<p>2. Propriedade: os leitores sabem quem s&atilde;o os donos da empresa de m&iacute;dia?<\/p>\n<p>3. Pol&iacute;tica de emprego: como a empresa trata eventuais conflitos de interesses? <\/p>\n<p>4. Pol&iacute;tica editorial: os leitores sabem quais s&atilde;o os valores que orientam o trabalho dos jornalistas?<\/p>\n<p>5. Interatividade: os leitores t&ecirc;m canais para expressar seus coment&aacute;rios e cr&iacute;ticas? <\/p>\n<p>Dentre outros resultados, a pesquisa concluiu que a m&iacute;dia hesita em admitir erros e &eacute; relutante em revelar suas pol&iacute;ticas editoriais. Apenas 11 dos 25 s&iacute;tios pesquisados publicam ou transmitem corre&ccedil;&otilde;es de mat&eacute;rias de maneira clara e somente 7 t&ecirc;m um ombudsman. <\/p>\n<p>As conclus&otilde;es tamb&eacute;m incluem uma afirma&ccedil;&atilde;o do jornalista Sydney Schanberg, vencedor do pr&ecirc;mio Pulitzer, que diz: <\/p>\n<p>&quot;A imprensa (m&iacute;dia) pede transpar&ecirc;ncia para governos, corpora&ccedil;&otilde;es e para todos. Mas (&#8230;) os rep&oacute;rteres rejeitam transpar&ecirc;ncia para eles mesmos, e ainda dizem que est&atilde;o praticando bom jornalismo. O p&uacute;blico precisa da explica&ccedil;&atilde;o completa, que s&oacute; pode ser dada pelos pr&oacute;prios rep&oacute;rteres&quot;.<\/p>\n<p>De acordo com os crit&eacute;rios da pesquisa, os s&iacute;tios com maior grau de transpar&ecirc;ncia s&atilde;o o <em>The Guardian<\/em>, o <em>New York Times<\/em>, a BBC News, a CBS News e o <em>The Christian Science Monitor<\/em>. Os menos transparentes s&atilde;o Time Magazine, CNN, ITN, Sky News e Al Jazeera.<\/p>\n<p><strong>Mais abertas<\/p>\n<p><\/strong>Uma parte importante do relat&oacute;rio disponibilizado ao p&uacute;blico refere-se &agrave; justificativa do ICMPA para o porqu&ecirc; de fazer uma pesquisa sobre &quot;transpar&ecirc;ncia&quot; na m&iacute;dia. Depois de uma r&aacute;pida men&ccedil;&atilde;o a casos recentes em que a falta de transpar&ecirc;ncia gerou esc&acirc;ndalos tanto no <em>busines<\/em>s (casos Enron e Arthur Andersen) como no governo (a invas&atilde;o do Iraque baseada em informa&ccedil;&otilde;es falsas), o estudo afirma que transpar&ecirc;ncia &eacute; uma <em>buzzword <\/em>(jarg&atilde;o) do s&eacute;culo 21. <\/p>\n<p>Para a m&iacute;dia, a transpar&ecirc;ncia &eacute; n&atilde;o s&oacute; uma maneira de avaliar como os jornalistas e as empresas est&atilde;o se comportando em rela&ccedil;&atilde;o aos seus pr&oacute;prios valores, mas uma parte natural destes valores.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos seis anos, as pesquisas realizadas pelo conceituado The Pew Research Center for the People and the Press revelam consistentemente que metade ou mais do p&uacute;blico americano acredita que as organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia s&atilde;o politicamente tendenciosas. As mesmas pesquisas revelam que boa parte do p&uacute;blico acredita que a m&iacute;dia prejudica (<em>hurts<\/em>) a democracia. E, al&eacute;m disso, n&atilde;o &eacute; mais novidade que o p&uacute;blico n&atilde;o acredita nos produtores de not&iacute;cia.<\/p>\n<p>Por tudo isso, a ICMPA diz que as organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia precisam ser mais humildes e mais abertas. Elas devem permitir que suas audi&ecirc;ncias saibam como elas fazem o que fazem &ndash; e por que fazem o que fazem. No final das contas, transpar&ecirc;ncia se transforma em responsabilidade e, esta, em credibilidade.<\/p>\n<p><strong>Perda de confian&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong>Desnecess&aacute;rio dizer que os resultados da pesquisa do ICMPA deveriam provocar algumas reflex&otilde;es por parte da m&iacute;dia brasileira. Por um lado, algumas das empresas globais dos s&iacute;tios que receberam avalia&ccedil;&otilde;es mais negativas t&ecirc;m parcerias com empresas brasileiras. A <em>Isto&Eacute; <\/em>publica conte&uacute;do da <em>Time<\/em>; a Band conte&uacute;do da TV Al Jazeera; e a Globo &eacute; antiga s&oacute;cia da Sky (News Corporation). <\/p>\n<p>De outro lado, se em pa&iacute;ses de democracia mais consolidada do que a nossa, empresas tradicionais de m&iacute;dia foram avaliadas de forma t&atilde;o negativa, quais seriam as avalia&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia nacional se realiz&aacute;ssemos aqui uma pesquisa semelhante?<\/p>\n<p>J&aacute; tive a oportunidade de comentar sobre pesquisa mundial que o Instituto GlobeScan realizou para a BBC, a Reuters e o The Media Center sobre a credibilidade de v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es [ver, no OI, &quot;Pesquisa revela a (des)confian&ccedil;a na m&iacute;dia&quot; e, de Carlos Castilho, &quot;Credibilidade na imprensa &eacute; maior nos pa&iacute;ses pobres&quot;]. No Brasil, o trabalho foi realizado pela GfK Indicator em mar&ccedil;o de 2006 &ndash; quase um ano depois do in&iacute;cio da grave crise pol&iacute;tica que envolveu o pa&iacute;s. Foram ouvidos, por telefone, mil adultos de nove regi&otilde;es metropolitanas &ndash; Bel&eacute;m, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Mais da metade dos entrevistados &ndash; ou 55% &ndash; declarou que n&atilde;o confiava nas informa&ccedil;&otilde;es obtidas atrav&eacute;s da m&iacute;dia. Entre todos os pa&iacute;ses pesquisados, esse percentual &eacute; igual ao da Cor&eacute;ia do Sul e s&oacute; n&atilde;o &eacute; mais negativo do que o obtido na Alemanha (57%). <\/p>\n<p>A pesquisa revelou tamb&eacute;m que o Brasil &eacute;, comparativamente, o pa&iacute;s onde os entrevistados estavam mais descontentes com a sua pr&oacute;pria m&iacute;dia: 80% disseram que a m&iacute;dia exagera na cobertura das not&iacute;cias ruins; 64% concordam que raramente encontram na grande m&iacute;dia as informa&ccedil;&otilde;es que gostariam de obter; 45% n&atilde;o concordam que a cobertura da grande m&iacute;dia seja acurada; e 44% declaram ter trocado de fonte de informa&ccedil;&atilde;o nos 12 meses anteriores por terem perdido a confian&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Resultado conhecido<\/p>\n<p><\/strong>No Brasil, portanto, a percep&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria do p&uacute;blico &eacute; de uma grande m&iacute;dia que exagera na cobertura apenas do que &eacute; ruim e na qual a maioria n&atilde;o confia nem encontra o que quer. Al&eacute;m disso, quase a metade dos entrevistados n&atilde;o acredita que ela cubra os fatos corretamente e declara haver mudado de fonte de informa&ccedil;&atilde;o por falta de confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em qual dos cinco crit&eacute;rios b&aacute;sicos da pesquisa do ICMPA nossa grande m&iacute;dia teria chance de se sair bem? Existe na nossa m&iacute;dia disposi&ccedil;&atilde;o para reconhecer e retificar os erros cometidos? Os nossos leitores\/ouvintes\/espectadores sabem quem s&atilde;o os donos das empresas de m&iacute;dia e quais s&atilde;o os seus interesses? Por acaso sabemos como as principais empresas de m&iacute;dia brasileiras tratam os eventuais conflitos de interesses que surgem entre os seus contratados e o interesse p&uacute;blico? Por acaso sabemos quais s&atilde;o os valores que orientam o trabalho dos jornalistas ou temos canais efetivos para expressar nossos coment&aacute;rios e cr&iacute;ticas?<\/p>\n<p>Deixo para os leitores(as) as respostas que a sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia comprove, mas n&atilde;o tenho d&uacute;vida de qual seja o resultado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; <\/em><span><em>pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/em><br \/><font face=\"Times New Roman\"><\/font><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;permitida a reprodu&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O International Center for Media and the Public Agenda (ICMPA) da University of Maryland tornou p&uacute;blico, no in&iacute;cio da semana passada, os resultados de uma importante pesquisa sob o t&iacute;tulo &quot;Openness &amp; Accountability: A study of transparency in global media outlets&quot;.&nbsp; Coordenado pela Dra. 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