{"id":18856,"date":"2007-07-31T12:34:25","date_gmt":"2007-07-31T12:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18856"},"modified":"2007-07-31T12:34:25","modified_gmt":"2007-07-31T12:34:25","slug":"avanco-tecnologico-coloca-em-xeque-o-futuro-dos-cds","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18856","title":{"rendered":"Avan\u00e7o tecnol\u00f3gico coloca em xeque o futuro dos CDs"},"content":{"rendered":"<p><span>O avan&ccedil;o da tecnologia digital tem colocado de cabelos em p&eacute; a ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica e ao mesmo tempo torna cada vez mais incerto o destino dos CDs, t&atilde;o novos e j&aacute; t&atilde;o obsoletos. Outra inc&oacute;gnita &eacute; quanto ao formato do mercado musical. O futuro abre suas janelas repletas de possibilidades. Mas as empresas tradicionais parecem ainda ignorar o fato, insistindo em agarrar o velho passado nos dentes. <\/p>\n<p><\/span><span>O CD oferece pouco espa&ccedil;o de armazenamento, e ocupa bastante espa&ccedil;o f&iacute;sico, tornou-se uma m&iacute;dia ineficiente comparado ao que existe hoje. Segundo o advogado Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV-RJ, e representante do Creative Commons Brasil, as novas tecnologias est&atilde;o pondo fim &agrave; intermedia&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios setores e, obviamente, isso atinge a m&uacute;sica. Uma amostra contundente de que a era dos discos est&aacute; pr&oacute;xima de seu derradeiro fim veio com a fal&ecirc;ncia, em 2006, da Tower Records, maior rede americana de lojas de CDs.<\/p>\n<p><\/span><span>A cadeia de discos foi leiloada e arrematada por US$ 134 milh&otilde;es, pela empresa Great American Group, que logo em seguida anunciou o fim da rede. Segundo informou na &eacute;poca o site americano de m&uacute;sica Pollstar, 3 mil funcion&aacute;rios das 89 lojas espalhadas em 20 estados americanos foram demitidos. &ldquo;H&aacute; uma grande transforma&ccedil;&atilde;o no mercado da m&uacute;sica. O que falta &eacute; inova&ccedil;&atilde;o, experimenta&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso descobrir novos modelos de neg&oacute;cios&rdquo;, observa Lemos.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Novos modelos<br \/><\/strong><\/span><span>Uma pesquisa divulgada recentemente, realizada pelo Datafolha para a ag&ecirc;ncia de publicidade F\/Nazca &amp; Saatchi, sobre m&uacute;sicos brasileiros mais ouvidos atualmente, apresenta resultados curiosos que refor&ccedil;am a certeza de que mudan&ccedil;as est&atilde;o em curso. 2.166 pessoas foram entrevistadas sobre suas prefer&ecirc;ncias musicais. Na lideran&ccedil;a do ranking, um empate t&eacute;cnico chama aten&ccedil;&atilde;o: a banda paraense de tecnobrega Calypso, &agrave;s margens da grande ind&uacute;stria, ao lado de Zez&eacute; de Camargo e Luciano. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Existe mercado para quem adotou a inova&ccedil;&atilde;o como modelo de neg&oacute;cio&rdquo;, salienta Lemos. Para ressaltar sua afirma&ccedil;&atilde;o, ele cita o caso do m&uacute;sico americano Prince. &ldquo;Desde o come&ccedil;o dos anos 90, ele tem experimentado formas diferentes de viabilizar seu trabalho&rdquo;. A mais recente foi a distribui&ccedil;&atilde;o gratuita de seu novo &aacute;lbum, Planet Earth [Columbia] em um jornal brit&acirc;nico. N&atilde;o se sabe quanto ganhou, mas sua temporada de shows em Londres j&aacute; est&aacute; com ingressos esgotados. &ldquo;Para que o artista seja vi&aacute;vel no cen&aacute;rio atual precisa chegar at&eacute; seu p&uacute;blico, ser popular&rdquo;. Prince percebeu isso. <\/p>\n<p><\/span><span>O cerco &agrave; velha ind&uacute;stria musical est&aacute; cada vez mais apertado, e n&atilde;o &eacute; de hoje que isso ocorre. Um projeto de lei, desde 2003, reivindica a criminaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do jab&aacute;. Dispens&aacute;vel dizer, mas, se algu&eacute;m n&atilde;o souber, trata-se de pagamento para execu&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicas em r&aacute;dio e TV. Uma pr&aacute;tica corrupta enraizada na grande m&iacute;dia que sufoca a cria&ccedil;&atilde;o, e que corre na contram&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es sinalizadas pelos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos. O PL de autoria do deputado Fernando Ferro [PT-PE] acabou por inspirar um grupo de artistas que aderiu &agrave; causa criando o Movimento pelo Fim do Jab&aacute;, o Jab&aacute;sta, que, entre outras atribui&ccedil;&otilde;es, faz coro pela aprova&ccedil;&atilde;o do projeto. <\/p>\n<p><\/span><span>Para a cantora carioca Bia Grabois, uma das fundadoras do Jab&aacute;sta, o lucro das empresas do setor musical precisa ser compatibilizado com o interesse do p&uacute;blico. Questionada se uma lei poderia acabar com o jab&aacute;, em face das car&ecirc;ncias brasileiras &#8211; t&atilde;o conhecidas, no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, ela reconhece que n&atilde;o. &ldquo;Seria ing&ecirc;nuo acreditar que uma disposi&ccedil;&atilde;o legal seria suficiente para eliminar um problema que existe h&aacute; d&eacute;cadas, mas &eacute; um marco importante que expressa o rep&uacute;dio da sociedade a este crime&rdquo;. Grabois defende que o mais importante &eacute; conseguir levar esse debate ao conhecimento do p&uacute;blico. O projeto aguarda vota&ccedil;&atilde;o no Congresso.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Vaias e aplausos<br \/><\/strong><\/span><span>Press&atilde;o semelhante &agrave;s gravadoras veio por outro projeto de lei, neste caso, fruto da hist&oacute;rica demanda pela numera&ccedil;&atilde;o de CDs. Em vigor desde abril de 2003, ela tem o prop&oacute;sito de quantificar o produto que vigora nos contratos, para evitar poss&iacute;veis adultera&ccedil;&otilde;es. Uma batalha de d&eacute;cadas, que teve como um de seus principais protagonistas o m&uacute;sico e compositor Lob&atilde;o, que recentemente optou por abandonar a cena independente e, sob vaias e aplausos, retornar ao mainstream. <\/p>\n<p><\/span><span>Ele conta que em 1989 houve uma &uacute;ltima articula&ccedil;&atilde;o coletiva envolvendo nomes de peso como Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Renato Russo, entre outros, e que resultou em uma a&ccedil;&atilde;o, no ano seguinte, junto com a ent&atilde;o deputada T&acirc;nia Soares [PCdoB&ndash;SE], que mais tarde seria a autora do projeto de lei. &ldquo;Houve um s&uacute;bito recuo por parte da grande maioria dos artistas contratados, criando uma atmosfera de discord&acirc;ncia, intimida&ccedil;&otilde;es, amea&ccedil;as, articula&ccedil;&otilde;es nos setores do governo. Teve at&eacute; uma negocia&ccedil;&atilde;o com o gabinete da Casa Civil onde o andamento do projeto ficou condicionado a minha aus&ecirc;ncia. James Bond perdia nessa&rdquo;, declarou Lob&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>O bloco que articulou a campanha em torno da id&eacute;ia teve a participa&ccedil;&atilde;o da vereadora Soninha Francine [PT-SP]. Ela promoveu debates em seus programas na TV, escreveu sobre o assunto, comentou em entrevistas. Em suas pr&oacute;prias palavras procurou ajudar a formar um &ldquo;caldo&rdquo; a favor. &ldquo;Foi uma tentativa de acabar com a clandestinidade &lsquo;oficial&rsquo;, isto &eacute;, a falta de controle por parte dos artistas da venda de CDs efetivamente lan&ccedil;ados pelas gravadoras&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Por outro lado, ela tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o para o novo cen&aacute;rio que se forma, no qual, cada vez mais, surgem outras maneiras de vender ou distribuir m&uacute;sica. &ldquo;&Eacute; preciso saber como explorar esses novos meios, celular, internet, r&aacute;dios e TVs digitais, comunidades virtuais, quer se esteja ligado a uma gravadora, quer n&atilde;o. E h&aacute; muita gente que n&atilde;o est&aacute; preocupada com a venda de m&uacute;sica, seja no suporte que for, acreditando que essa &eacute; uma maneira de divulgar o trabalho para poder ganhar dinheiro de outro jeito &ndash; com shows, por exemplo&rdquo;, conclui a vereadora.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan&ccedil;o da tecnologia digital tem colocado de cabelos em p&eacute; a ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica e ao mesmo tempo torna cada vez mais incerto o destino dos CDs, t&atilde;o novos e j&aacute; t&atilde;o obsoletos. Outra inc&oacute;gnita &eacute; quanto ao formato do mercado musical. O futuro abre suas janelas repletas de possibilidades. 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