{"id":18847,"date":"2007-07-30T14:53:24","date_gmt":"2007-07-30T14:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18847"},"modified":"2007-07-30T14:53:24","modified_gmt":"2007-07-30T14:53:24","slug":"a-imprensa-em-busca-de-um-novo-modelo-de-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18847","title":{"rendered":"A imprensa em busca de um novo modelo de neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p>Os grandes imp&eacute;rios jornal&iacute;sticos da Europa e Estados Unidos come&ccedil;am a mostrar a cara do seu novo modelo de neg&oacute;cios, que marca uma mudan&ccedil;a radical em rela&ccedil;&atilde;o ao vigente at&eacute; agora. <\/p>\n<p>O sintoma definitivo da mudan&ccedil;a surgiu h&aacute; pouco mais de 10 dias quando o Audit Bureau of Circulations (ABC &#8211; Bur&ocirc; de Auditoria de Circula&ccedil;&atilde;o) anunciou a centraliza&ccedil;&atilde;o das medi&ccedil;&otilde;es tanto do p&uacute;blico da vers&atilde;o online como da vers&atilde;o impressa de jornais e revistas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A medida &eacute; uma vit&oacute;ria dos jornais no esfor&ccedil;o para recuperar receitas publicit&aacute;rias atrav&eacute;s da redistribui&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios entre suas vers&otilde;es online e offline. Mas a decis&atilde;o do ABC foi tamb&eacute;m uma resposta aos ind&iacute;cios cada vez mais fortes de que os grandes conglomerados da imprensa mundial est&atilde;o conseguindo avan&ccedil;ar na defini&ccedil;&atilde;o de um novo modelo de neg&oacute;cios, capaz de garantir a sua sobreviv&ecirc;ncia num ambiente informativo marcado pela presen&ccedil;a crescente da internet.&nbsp; <\/p>\n<p>O processo, ainda em desenvolvimento, est&aacute; obrigando as empresas a passar por momentos muito delicados. O The New York Times, por exemplo, apostou na converg&ecirc;ncia multim&iacute;dia e depois teve que se desfazer de investimentos na &aacute;rea de televis&atilde;o. A fam&iacute;lia Sulzberger, dona do jornal, tamb&eacute;m teve que abrir m&atilde;o de parte do seu poder estatut&aacute;rio, por press&atilde;o dos acionistas. <\/p>\n<p>J&aacute; o poderoso Wall Street Journal, da fam&iacute;lia Bancroft, apesar de um invej&aacute;vel banco de dados de informa&ccedil;&otilde;es financeiras, n&atilde;o conseguiu avan&ccedil;ar na busca de um novo modelo de neg&oacute;cios e est&aacute; a ponto de ser vendido para o conglomerado News Corporation, do arqui-milion&aacute;rio australiano Rupert Murdoch.<\/p>\n<p>H&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas os grandes jornais, revistas, redes de televis&atilde;o e de r&aacute;dio v&ecirc;m investindo mais em equipamentos de impress&atilde;o, de transmiss&atilde;o de imagens e sons, de distribui&ccedil;&atilde;o de material impresso e em pontos de venda do que na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica. Segundo a American Journalism Review, as reda&ccedil;&otilde;es absorvem menos do que 40% do or&ccedil;amento das empresas, desde os anos 1960.<\/p>\n<p>O advento da internet provocou uma crise no modelo de neg&oacute;cios da imprensa convencional porque aumentou extraordinariamente a oferta de informa&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas na rede, o que baixou o pre&ccedil;o da not&iacute;cia e conseq&uuml;entemente a receita dos jornais. <\/p>\n<p>A crise do modelo convencional teve tamb&eacute;m outras causas como a queda da credibilidade, a fuga de leitores mais jovens e a resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a por parte de executivos e editores mais conservadores.<\/p>\n<p>Os grandes conglomerados da m&iacute;dia mundial est&atilde;o desmobilizando ativos fixos voltados para a produ&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias impressas e distribui&ccedil;&atilde;o massiva de material informativo &mdash; como grandes impressoras, edif&iacute;cios e sistemas de transporte &mdash; para investir na captura e gerenciamento social da informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Isto implica admitir uma participa&ccedil;&atilde;o crescente do p&uacute;blico como provedor de material bruto porque as redes de correspondentes e de rep&oacute;rteres se tornaram muito caras. Os jornais e revistas, por seu lado, n&atilde;o t&ecirc;m muitas alternativas fora da concentra&ccedil;&atilde;o em produ&ccedil;&atilde;o de material qualificado e no desenvolvimento de sistemas, cada vez mais sofisticados e r&aacute;pidos, de busca do material arquivado. <\/p>\n<p>A ades&atilde;o a este modelo confirma que os grandes t&iacute;tulos e marcas da imprensa mundial n&atilde;o desaparecer&atilde;o, como previram alguns futur&oacute;logos mais apressados. O The New York Times deve continuar uma grande empresa, mas o seu forte n&atilde;o ser&aacute; mais a publica&ccedil;&atilde;o de um jornal di&aacute;rio mas, sim, o seu sistema de produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es a partir de um arquivo digital de not&iacute;cias, de analistas de informa&ccedil;&otilde;es capazes de antecipar tend&ecirc;ncias e identificar processos em curso, e de uma equipe de rep&oacute;rteres investigativos.<\/p>\n<p>Isto significa uma maior qualifica&ccedil;&atilde;o dos jornalistas profissionais, tanto na &aacute;rea t&eacute;cnica (manuseio de equipamentos) como principalmente na sua capacidade de relacionamento com leitores e de an&aacute;lise do material indexado nos bancos de dados.<\/p>\n<p>O retorno da imprensa &agrave; sua miss&atilde;o original de produzir not&iacute;cias para o p&uacute;blico obriga as reda&ccedil;&otilde;es a revisar condutas viciadas pela longa conviv&ecirc;ncia com as exig&ecirc;ncias do mercado publicit&aacute;rio. Os conflitos culturais dentro das reda&ccedil;&otilde;es ainda continuam fortes e retardam a implanta&ccedil;&atilde;o do novo modelo de neg&oacute;cios.<\/p>\n<p>Outra &aacute;rea muito sens&iacute;vel &eacute; a da publicidade, tradicionalmente, a grande respons&aacute;vel pela sobreviv&ecirc;ncia de toda a imprensa mundial. No novo modelo, a publicidade ter&aacute; que ser repensada de forma radical, mas esta revis&atilde;o de rotinas e valores ainda est&aacute; muito atrasada.<\/p>\n<p>A ger&ecirc;ncia e controle corporativo tamb&eacute;m devem passar por algumas mudan&ccedil;as traum&aacute;ticas. Primeiro porque &eacute; inevit&aacute;vel uma enorme redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de empregados fixos, o que implica a perda de poder da burocracia corporativa. Segundo, porque as fam&iacute;lias, que controlam a maior parte dos grandes jornais mundiais ter&atilde;o que aprender a conviver com press&atilde;o dos acionistas por mais descentraliza&ccedil;&atilde;o e mais transpar&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os grandes imp&eacute;rios jornal&iacute;sticos da Europa e Estados Unidos come&ccedil;am a mostrar a cara do seu novo modelo de neg&oacute;cios, que marca uma mudan&ccedil;a radical em rela&ccedil;&atilde;o ao vigente at&eacute; agora. 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