{"id":18843,"date":"2007-07-27T18:30:08","date_gmt":"2007-07-27T18:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18843"},"modified":"2007-07-27T18:30:08","modified_gmt":"2007-07-27T18:30:08","slug":"cemina-20-anos-de-atividades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18843","title":{"rendered":"Cemina: 20 anos de atividades"},"content":{"rendered":"<p><span><em>&nbsp;<\/em><\/span><span><em>H&aacute; cerca de 20 anos nascia o Cemina, ONG cuja sigla significa Comunica&ccedil;&atilde;o, Informa&ccedil;&atilde;o e G&ecirc;nero. Como o nome diz, a produ&ccedil;&atilde;o e a an&aacute;lise de informa&ccedil;&otilde;es, assim como a luta por uma comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica &#8211; sempre levando em conta o papel da mulher na sociedade &#8211; s&atilde;o os objetivos da organiza&ccedil;&atilde;o.&nbsp; <\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>Elas come&ccedil;aram com um programa de r&aacute;dio em 1988. O &ldquo;Fala Mulher&rdquo; era veiculado em r&aacute;dios comunit&aacute;rias de diversas cidades e passava li&ccedil;&otilde;es de cidadania e dicas para o empoderamento da mulher. Os programas n&atilde;o eram feitos por profissionais, mas por cidad&atilde;os e cidad&atilde;s que mostravam que um meio como o r&aacute;dio pode ser usado por qualquer pessoa para passar adiante sua mensagem.<\/p>\n<p><\/em><\/span><em><span>Ao longo do tempo, o Cemina foi ampliando suas atividades. O programa virou uma rede de comunicadoras com 400 integrantes e as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o (TICs) foram eleitas a modalidade a receber investimentos. Assim, a equipe do Cemina conseguiu integrar ainda mais gente &agrave;s suas atividades.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesta entrevista, Tha&iacute;s Corral, uma das fundadoras da organiza&ccedil;&atilde;o, comenta o que mudou nesses 20 anos no campo da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano e na presen&ccedil;a da mulher na sociedade brasileira. Al&eacute;m disso, fala sobre as metodologias utilizadas e desenvolvidas pela organiza&ccedil;&atilde;o em 15 anos de pr&aacute;tica de oficinas para comunicadoras. <\/p>\n<p><\/span><\/em><span><strong>O Cemina nasceu h&aacute; quase 20 anos. Que balan&ccedil;o voc&ecirc; faz desse per&iacute;odo? O que mudou para melhor e para pior no que se refere &agrave; luta pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e aos direitos das mulheres? <br \/><\/strong><\/span><span>O Cemina criou uma refer&ecirc;ncia nacional ao mostrar que um ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o como o r&aacute;dio pode ser utilizado por pessoas que n&atilde;o s&atilde;o necessariamente profissionais do ramo. Desde de a nossa estr&eacute;ia com o programa Fala Mulher em 1988 muita coisa mudou, muitas das r&aacute;dios comunit&aacute;rias lideradas por mulheres puderam ser legalizadas e h&aacute; mais aceita&ccedil;&atilde;o de que o r&aacute;dio &eacute; um ve&iacute;culo democr&aacute;tico a servi&ccedil;o da educa&ccedil;&atilde;o e da cidadania. Essa rede de programas e comunicadoras locais que chegou a reunir 400 participantes, continua a multiplicar-se e a difundir a import&acirc;ncia de continuar promovendo os direitos das mulheres. <\/p>\n<p><\/span><span>O lado negativo &eacute; que as condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento das r&aacute;dios continuam prec&aacute;rias. Embora em processo de legaliza&ccedil;&atilde;o, muitas das r&aacute;dios comunit&aacute;rias s&atilde;o temporariamente fechadas, v&iacute;timas de estrat&eacute;gias de persegui&ccedil;&atilde;o daqueles que querem continuar a manter o monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o radiof&ocirc;nica. Mas nossas agentes n&atilde;o se intimidam&#8230; compartilham estrat&eacute;gias e seguem em frente. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Este ano a organiza&ccedil;&atilde;o comemora 15 anos de pr&aacute;tica em oficinas de comunica&ccedil;&atilde;o. No que elas evolu&iacute;ram, em rela&ccedil;&atilde;o a ferramentas e metodologias?<br \/><\/strong><\/span><span>Desde a primeira oficina de capacita&ccedil;&atilde;o estamos sempre reformulando a metodologia. Quando a gente trabalha com comunicadoras de diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s e de forma&ccedil;&atilde;o cultural e social diferentes, isto precisa ser sempre respeitado e creio que seja da&iacute; que vem o nosso sucesso. Ter um produto radiof&ocirc;nico ao final de cada uma destas mais de 300 oficinas tamb&eacute;m foi um diferencial em nossa metodologia. E este conhecimento culmina com a introdu&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e da informa&ccedil;&atilde;o nas oficinas de capacita&ccedil;&atilde;o. A metodologia utilizada foi sempre a de introduzir novas ferramentas aumentando as capacidades e incluindo metodologias que aliassem a conhecimento t&eacute;cnico com a pr&aacute;tica, onde tamb&eacute;m o conte&uacute;do conta, afinal a nossa miss&atilde;o inclui tamb&eacute;m o conte&uacute;do. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Cemina come&ccedil;ou com um programa de r&aacute;dio de volunt&aacute;rios e volunt&aacute;rias. Como foi se deu a passagem para o profissionalismo?<br \/><\/strong><\/span><span>Mesmo voluntariamente as pessoas que estiveram &agrave; frente deste processo nesta &eacute;poca eram ativistas do feminismo e graduadas em comunica&ccedil;&atilde;o. Desde de o come&ccedil;o do Programa Fala Mulher criamos paralelamente o Cemina, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que nos permitiu captar recursos para o programa de r&aacute;dio e outras atividades que se seguiram. O programa foi sempre elaborado de forma profissional, a partir de 1993 contou com uma equipe que durante 12 anos levou ao ar o Fala Mulher de uma hora di&aacute;ria. Associamos ao programa muitas outras atividades que se desenvolveram ao longo do tempo. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais s&atilde;o os novos desafios da organiza&ccedil;&atilde;o? <br \/><\/strong><\/span><span>O Cemina hoje quer transmitir o legado recolhido durante todos estes anos&#8230;. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Cemina sempre priorizou o r&aacute;dio como meio de comunica&ccedil;&atilde;o. Por que? <br \/><\/strong><\/span><span>O r&aacute;dio s&oacute; a partir de 2005 deixou de ser o ve&iacute;culo mais popular deste pa&iacute;s. Mesmo perdendo para a televis&atilde;o, o r&aacute;dio continua sendo o ve&iacute;culo que chega mais perto das mulheres, das donas de casa, das empregadas porque as acompanham sem que elas precisem interromper o que estejam fazendo. Desta forma, ele foi escolhido pelo Cemina como o ve&iacute;culo ideal para sensibilizar as mulheres, dialogar com elas e incentiv&aacute;-las a terem voz e vez na sociedade. Isto se deu no cotidiano do Fala Mulher onde desde a sele&ccedil;&atilde;o dos assuntos a serem tratados no dia, da escolha d@s entrevistad@s e das m&uacute;sicas, do incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das mulheres ao vivo nos debates, mudando o estere&oacute;tipo que programa de mulher era s&oacute; de receita e beleza. Temas importantes como o cuidado com o corpo, a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, a participa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o da mulher em diversas &aacute;reas como arte, cultura&#8230; s&atilde;o super importantes nesse processo. Foi muito importante fazer essa liga&ccedil;&atilde;o entre o que as mulheres produzem no espa&ccedil;o p&uacute;blico com aquilo que acontece na invisibilidade do espa&ccedil;o privado. Isso se chama &ldquo;empowerment&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Um novo foco da estrat&eacute;gia do Cemina &eacute; o uso das TICs. No que elas colaboram para o desempenho da miss&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Proporcionar o acesso &agrave;s novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o foi o foco central das a&ccedil;&otilde;es do Cemina nestes &uacute;ltimos quase seis anos de trabalho. O que podemos afirmar, sem sombra de d&uacute;vida, que este acesso empodera as mulheres primeiro porque elas n&atilde;o acham que este aprendizado lhes perten&ccedil;a. Quando as mulheres beneficiadas romperam com este processo puderam beneficiar em primeiro lugar o conte&uacute;do dos programas veiculados, aumentar a interatividade dos programas e a qualidade sonora com a possibilidade de fazer as edi&ccedil;&otilde;es digitalmente. Sem contar a rede de trocas de &aacute;udio que foi estabelecida atrav&eacute;s da r&aacute;dio na internet www.radiofalamulher.com. Com a expans&atilde;o do acesso &agrave; internet e de cursos de inform&aacute;tica em 15 comunidades, estas mulheres reafirmaram o seu lugar de lideran&ccedil;a ou passaram a exercer este papel articulando parcerias em n&iacute;veis federais, estaduais e municipais al&eacute;m de diversas autarquias. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais os atuais desafios para o empoderamento da mulher hoje em dia?<br \/><\/strong><\/span><span>O principal desafio &eacute; que as mulheres continuem desenvolvendo suas capacidades e incluindo-se na complexa transi&ccedil;&atilde;o que vivemos. <\/span><span>Nesse sentido &eacute; um desafio olhar para aquilo que ainda tem que ser conquistado: o fato, por exemplo, de que as mulheres continuam sofrendo viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o, continuam invis&iacute;veis do ponto de vista social e dependentes de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do Estado. Devemos tamb&eacute;m levar em conta o fato de que h&aacute; mais espa&ccedil;o para o empreendedorismo e para ocupar esse espa&ccedil;o &eacute; preciso qualificar-se. Acredito nesse sentido que o aprendizado do uso das tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o e da informa&ccedil;&atilde;o seja fundamental para fazer frente e ocupar as oportunidades de nosso tempo. <\/p>\n<p><\/span><strong><span>Como o Cemina v&ecirc; a pol&iacute;tica de inclus&atilde;o digital do governo? <\/span>Ela est&aacute; cumprindo seu papel?<br \/><\/strong><span>A iniciativa de se ter programas de inclus&atilde;o digital no Governo &eacute; gloriosa, n&oacute;s tivemos v&aacute;rias parcerias (Gesac, Secretaria de Log&iacute;stica, Tecnologia e Informa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Planejamento, Funda&ccedil;&atilde;o Banco do Brasil, Banco do Brasil) muito importantes para alcan&ccedil;armos os resultados positivos do projeto mas a quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o h&aacute; uma pol&iacute;tica de Inclus&atilde;o Digital no Governo Federal. S&atilde;o in&uacute;meras iniciativas de Minist&eacute;rios, Secretarias e autarquias que n&atilde;o se comunicam e o que vemos &eacute; um desperd&iacute;cio de recursos e oportunidades. Se as a&ccedil;&otilde;es de oferecer conectividade, equipamentos, capacita&ccedil;&otilde;es fossem coordenadas, com certeza ter&iacute;amos um n&uacute;mero maior de brasileir@s com acesso as novas tecnologias, desenvolvendo capacidades e criando novas possibilidades de cidadania e inclus&atilde;o social. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>E as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de empoderamento da mulher? Est&atilde;o surtindo resultado? <br \/><\/strong><\/span><span>Acredito que sim, basta ver em n&uacute;meros como tem crescido a participa&ccedil;&atilde;o da mulher em todas as &aacute;reas: pol&iacute;tica, educa&ccedil;&atilde;o &ndash; a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres em carreiras universit&aacute;rias j&aacute; &eacute; superior &agrave; dos homens &ndash; mercado de trabalho, empreendedorismo de pequenas e m&eacute;dias empresas. Temos hoje inclusive em n&iacute;vel nacional uma secretaria, com status de Minist&eacute;rio, que cuida dos direitos das mulheres. <\/p>\n<p><\/span><span>O que ainda falta &eacute; uma pol&iacute;tica mais coordenada de articula&ccedil;&atilde;o de todas as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o social do governo de modo que possam refletir de forma mais precisa e eficaz as necessidades das mulheres, que ainda permanecem entre o segmento social mais exclu&iacute;do social e economicamente, sobretudo se a isso se acrescenta o aspecto de ra&ccedil;a e etnia. <\/p>\n<p><\/span><font size=\"3\">&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta pela igualdade de g\u00eanero e o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[347],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18843"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}