{"id":18835,"date":"2007-07-26T19:55:22","date_gmt":"2007-07-26T19:55:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18835"},"modified":"2007-07-26T19:55:22","modified_gmt":"2007-07-26T19:55:22","slug":"mpf-vai-fiscalizar-programacao-regional-de-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18835","title":{"rendered":"MPF vai fiscalizar programa\u00e7\u00e3o regional de TV"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Viol&ecirc;ncia expl&iacute;cita, exposi&ccedil;&atilde;o de pessoas ao rid&iacute;culo e apologia &agrave; tortura s&atilde;o cenas comuns na programa&ccedil;&atilde;o regional da televis&atilde;o brasileira em hor&aacute;rios livres para crian&ccedil;as e adolescentes. A constata&ccedil;&atilde;o, presente em uma s&eacute;rie de den&uacute;ncias de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que lutam pelos direitos humanos e pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, nos &uacute;ltimos tempos tamb&eacute;m tem sido constatada pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF). &ldquo;Tais problemas n&atilde;o s&atilde;o detectados pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, visto que os programas regionais n&atilde;o s&atilde;o monitorados. Da&iacute;, a necessidade da atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico em cada capital, particularmente das Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidad&atilde;o&rdquo;, afirma Fernando Martins, procurador da Rep&uacute;blica que integra o Grupo de Trabalho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do MPF.<\/p>\n<p><\/span><span>O GT coordenou, em junho, uma oficina de trabalho no Recife sobre programas noticiosos policiais exibidos pelas emissoras de televis&atilde;o que violam sistematicamente os direitos humanos, que reuniu procuradores de outros estados, como Rio Grande do Norte, Piau&iacute;, Minas Gerais e Para&iacute;ba, al&eacute;m de Pernambuco. No encontro, foram apresentados aos procuradores casos pr&aacute;ticos de viola&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias de a&ccedil;&otilde;es de controle p&uacute;blico j&aacute; realizadas. Os procuradores recomendaram a realiza&ccedil;&atilde;o de um monitoramento por parte do MPF dos programas regionais por meio de clippagem junto &agrave;s assessorias de comunica&ccedil;&atilde;o das capitais. Al&eacute;m disso, elaboraram um roteiro de monitoramento de programas policiais regionais que violem os direitos humanos nos casos de exposi&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, exposi&ccedil;&atilde;o do rid&iacute;culo e apologia &agrave; tortura.<\/p>\n<p><\/span><span>Os procuradores tamb&eacute;m definiram um procedimento para coibir a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos pelas emissoras. Ap&oacute;s a constata&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos violadores, ser&atilde;o enviadas recomenda&ccedil;&otilde;es &agrave;s emissoras e, no caso de recusa de di&aacute;logo por parte do concession&aacute;rio de televis&atilde;o, ser&atilde;o elaboradas a&ccedil;&otilde;es civis p&uacute;blicas requerendo a retirada do ar das cenas e at&eacute; a suspens&atilde;o da emissora por 30 dias ou a cassa&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o para execu&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m pedir a produ&ccedil;&atilde;o de vinhetas e programas que difundam e promovam os direitos humanos, a t&iacute;tulo de contra-propaganda.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;&Eacute; importante que estes procedimentos sejam acordados entre o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e os minist&eacute;rios p&uacute;blicos estaduais locais, pois j&aacute; existem uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es de monitoramento da programa&ccedil;&atilde;o, mas quando queremos denunciar, n&atilde;o sabemos direito a quem recorrer&rdquo;, questiona Ros&aacute;rio de Pomp&eacute;ia, do Intervozes e do F&oacute;rum Pernambucano de Comunica&ccedil;&atilde;o (Fopecom). Segundo ela, as organiza&ccedil;&otilde;es articuladas no Fopecom apresentaram em agosto do ano passado uma representa&ccedil;&atilde;o aos minist&eacute;rios p&uacute;blicos Estadual e Federal. &ldquo;Este procedimento se criado com Grupo de Trabalho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do MPF ser&aacute; um avan&ccedil;o, pois pressiona os procuradores locais a agir localmente e cuidar dos casos que escapam ao monitoramento nacional&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><\/span><span>Renata Ribeiro, advogada que assina a representa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es do Fopecom diz que &eacute; preciso ampliar o espectro do monitoramento, que n&atilde;o pode ficar restrito aos programas policiais ou policialescos. &ldquo;Os programas de televis&atilde;o locais desrespeitam os direitos humanos, especialmente das mulheres, crian&ccedil;as e jovens infratores. Trata-se do n&atilde;o cumprimento das normas constitucionais que estabelecem os princ&iacute;pios da programa&ccedil;&atilde;o televisiva. Nossa inten&ccedil;&atilde;o com a representa&ccedil;&atilde;o foi fazer com que as emissoras locais respeitem as normas constitucionais e os tratados internacionais assinados pelo Brasil&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Mais que conte&uacute;do<br \/><\/span><\/strong><span>Edgard Rebou&ccedil;as, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco e integrante da Campanha pela &Eacute;tica na TV afirma que a portaria da Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa editada pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a refor&ccedil;a o papel do monitoramento local da programa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Vai ser preciso um maior acompanhamento n&atilde;o s&oacute; das viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, mas do cumprimento da classifica&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a portaria deu total liberdade para a auto-classifica&ccedil;&atilde;o dos programas pelas emissoras. Cabe &agrave; popula&ccedil;&atilde;o denunciar os programas que n&atilde;o est&atilde;o sendo classificados ou classificados de forma equivocada. As redes nacionais est&atilde;o cumprindo a portaria, mas as redes regionais n&atilde;o cumprem. Como isso est&aacute; longe do Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Bras&iacute;lia, ningu&eacute;m v&ecirc;&rdquo;, diz.<\/p>\n<p><\/span><span>Ivan Moraes, do Movimento Nacional de Direitos Humanos e do Fopecom, aponta na mesma dire&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Especialmente no Nordeste, temos um espa&ccedil;o reduzid&iacute;ssimo para a programa&ccedil;&atilde;o local. Quando h&aacute; programa&ccedil;&atilde;o regional, os pr&oacute;prios mecanismos da Justi&ccedil;a t&ecirc;m dificuldade de interferir sobre estas quest&otilde;es. O minist&eacute;rio p&uacute;blico estadual diz que n&atilde;o pode fazer nada, porque a concess&atilde;o &eacute; federal. J&aacute; o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal diz que n&atilde;o pode fazer nada, porque a programa&ccedil;&atilde;o &eacute; local. Precisamos de mecanismos formais que nos auxiliem a coibir este tipo de coisa&rdquo;, diz.<\/p>\n<p><\/span><span>Rebou&ccedil;as, entretanto, diz que a oficina realizada ajudou a dirimir o equ&iacute;voco apontado pelo Fopecom. &ldquo;As concess&otilde;es s&atilde;o federais, mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; o MPF que pode agir. O estadual tamb&eacute;m pode e deve. E a oficina e o procedimento que foi tirado dela servem para comprovar isso&rdquo;. <\/span><span>Rebou&ccedil;as informa que, em paralelo &agrave;s movimenta&ccedil;&otilde;es junto aos minist&eacute;rios p&uacute;blicos, na Universidade Federal de Pernambuco deu-se in&iacute;cio &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto para constitui&ccedil;&atilde;o de um Observat&oacute;rio Regional de M&iacute;dia e Direitos Humanos, que tem como objetivo acompanhar a programa&ccedil;&atilde;o, elaborar relat&oacute;rios e pareceres, dialogar com ag&ecirc;ncias, anunciantes e emissoras, al&eacute;m de acionar os procuradores para que tomem providencias. &ldquo;A grande barreira &eacute; a estrutura deste projeto, que &eacute; cara. Estamos tentando viabiliz&aacute;-la junto a ag&ecirc;ncias de fomento e apoiadores locais&rdquo;, afirma o professor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para combater o excesso de viol\u00eancia, a exposi\u00e7\u00e3o de pessoas ao rid\u00edculo e a apologia \u00e0 tortura &#8211; cenas comuns na programa\u00e7\u00e3o regional da televis\u00e3o em hor\u00e1rios livres para crian\u00e7as &#8211; Minist\u00e9rio P\u00fablico e sociedade civil unem esfor\u00e7os e planejam a\u00e7\u00f5es conjuntas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[345],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18835"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}