{"id":18826,"date":"2007-07-25T15:12:12","date_gmt":"2007-07-25T15:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18826"},"modified":"2007-07-25T15:12:12","modified_gmt":"2007-07-25T15:12:12","slug":"telebras-nove-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18826","title":{"rendered":"Telebr\u00e1s, nove anos depois"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span>Passados nove anos do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebras, cabe fazer uma an&aacute;lise sobre como se encontra o mercado brasileiro de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Em 1996, os Estados Unidos aprovaram seu Telecommunications Act, reconhecendo que o projeto de monop&oacute;lios regionais, criado em 1984, n&atilde;o somente n&atilde;o dera os resultados esperados como deixara as empresas norte-americanas fr&aacute;geis demais para concorrer com as empresas de outros pa&iacute;ses ricos. Pois, apenas um ano depois o Brasil aprovou sua Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) instituindo exatamente o modelo que os Estados Unidos haviam abandonado.<\/p>\n<p><\/span><span>Por este modelo, o Sistema Telebras foi dividido em tr&ecirc;s operadoras fixas (as atuais Brasil Telecom, Telemar e Telefonica), uma operadora de longa dist&acirc;ncia (Embratel) e nove operadoras m&oacute;veis. A Europa e o M&eacute;xico tamb&eacute;m passaram por processos de privatiza&ccedil;&atilde;o das suas operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es, mas seguiram um caminho diferente do brasileiro. Nestes pa&iacute;ses optou-se por vender a opera&ccedil;&atilde;o toda, sem fatiar a empresa. E o governo manteve a chamada &ldquo;golden share&rdquo;, que lhe permite intervir caso a operadora n&atilde;o atenda &agrave;s respectivas demandas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em telecomunica&ccedil;&otilde;es. Em todas elas, houve a obriga&ccedil;&atilde;o de manter o controle da empresa com o capital nacional.<\/p>\n<p><\/span><span>Em 1996, a Telebras tinha receita operacional de US$ 12,7 bilh&otilde;es, lucro l&iacute;quido de US$ 2,73 bilh&otilde;es, gerava 98 mil empregos e possu&iacute;a 15,9 milh&otilde;es de linhas fixas em servi&ccedil;o. J&aacute; a Telmex tinha receita operacional de US$ 6,93 bilh&otilde;es, lucro l&iacute;quido de US$ 1,53 bilh&otilde;es, gerava 49 mil empregos e possu&iacute;a 8,8 milh&otilde;es de linhas fixas em servi&ccedil;o [1]. <\/span><span>Hoje, o dono da Telmex (Carlos Slim Helu) acaba de se tornar o homem mais rico do mundo e 25% do seu faturamento em telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; obtido em territ&oacute;rio brasileiro. J&aacute; a Telebras&#8230;<\/p>\n<p><\/span><span>Com o desmembramento da Telebras, o governo brasileiro gerou o mesmo fen&ocirc;meno que ocorrera nos Estados Unidos entre 1984 e 1996, mas em propor&ccedil;&otilde;es ainda maiores. Em um primeiro momento, as empresas resultantes foram compradas por investidores financeiros brasileiros (com a ajuda de dinheiro p&uacute;blico, proveniente do BNDES, Previ e Petros, entre outros) e estrangeiros. Em paralelo, os grandes grupos estrangeiros (ancorados no dom&iacute;nio de seus mercados internos) partiram para a compra destas empresas, aproveitando-se da sua pouca competitividade e da necessidade destes investidores realizarem lucros.<\/p>\n<p><\/span><span>Telmex e Telefonica de Espa&ntilde;a t&ecirc;m disputado palmo a palmo o mercado latino-americano e, consequentemente, o brasileiro. Ambas s&atilde;o frutos de processos de privatiza&ccedil;&atilde;o, mas realizados de forma diferente da que ocorreu por aqui. No Brasil, a Telefonica &eacute; dona da por&ccedil;&atilde;o paulista da antiga Telebras, de 50% da Vivo (negocia com a Portugal Telecom a compra da outra metade), da TVA (comprada ao Grupo Abril, que n&atilde;o aguentou a disputa) e de uma rec&eacute;m lan&ccedil;ada opera&ccedil;&atilde;o de TV via sat&eacute;lite. J&aacute; a Telmex &eacute; propriet&aacute;ria da Embratel, da Claro e da NET Servi&ccedil;os (a dona da rede de cabos da TV paga da fam&iacute;lia Marinho).<\/p>\n<p><\/span><span>De brasileiro mesmo s&oacute; restaram a Telemar e a Brasil Telecom. Separadas elas n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma chance de disputar o mercado com suas rivais estrangeiras. Mesmo os antigos adeptos do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebras j&aacute; come&ccedil;am a defender a fus&atilde;o das duas. Passados nove anos, seria uma tentativa de reverter, mesmo assim s&oacute; parcialmente, o estrago feito pela venda da Telebras em fatias.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, aqui come&ccedil;a um outro tipo de problema. Estas duas empresas possuem entre seus acionistas algumas raposas velhas, que est&atilde;o h&aacute; anos operando privadamente com recursos p&uacute;blicos, gra&ccedil;as &agrave;s suas conex&otilde;es com os sucessivos governos. O fato deles e de seus pol&iacute;ticos aliados estarem defendendo a fus&atilde;o da Telemar e da Brasil Telecom deve ser visto com preocupa&ccedil;&atilde;o. A fus&atilde;o deve ser transparente ao ponto de evitar que seus atuais acionistas tenham ganhos desmedidos com a opera&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, devem haver garantias de que, ao final do processo de fus&atilde;o, a empresa resultante n&atilde;o seja simplesmente vendida para uma operadora estrangeira. Ou seja, Telefonica e Telmex ficariam apenas esperando para adquirir o bolo todo e n&atilde;o somente um peda&ccedil;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Como boa parte do dinheiro colocado no processo de venda destas operadoras &eacute; proveniente do Estado, nada mais justo que este Estado tenha um papel de destaque na nova empresa. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel repetir o erro da privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebras, onde o dinheiro foi p&uacute;blico, mas a gest&atilde;o privada. A presen&ccedil;a do Estado, por sua vez, deve se dar a partir de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que coloquem esta nova empresa a servi&ccedil;o de duas relevantes tarefas: universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga e produ&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e tecnologia.<\/p>\n<p><\/span><span>Infelizmente, o governo Lula n&atilde;o tem demonstrado nem a vis&atilde;o estrat&eacute;gica nem a vontade pol&iacute;tica de construir um projeto nacional para o campo das telecomunica&ccedil;&otilde;es, que lance m&atilde;o da presen&ccedil;a do Estado para reunir o que sobrou do antigo Sistema Telebras. Sem isso, corremos o risco de assistir as duas &uacute;ltimas pe&ccedil;as brasileiras ca&iacute;rem em m&atilde;os de grandes grupos transnacionais e assim perderemos de vez o controle sobre a infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>Curioso e triste &eacute; o fato de que muitos dos antigos l&iacute;deres sindicais que lutaram contra a privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebras, hoje est&atilde;o no governo, ou bem pr&oacute;ximo dele, operando a defesa do modelo fracassado que eles mesmos criticaram.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">[1]<span>&nbsp; &#8211; DANTAS, Marcos, &quot;Uma alternativa para as telecomunica&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio da &#39;gloaliza&ccedil;&atilde;o&#39;: a Brasil Telecom&quot;, <\/span><span>Comunica&ccedil;&atilde;o&amp;pol&iacute;tica<\/span><span>, nova s&eacute;rie, V. 5, n. 1, jan-abr 1998, pags. 7-48.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span><em>* Gustavo Gindre &eacute; membro do Intervozes e membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados nove anos do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebras, cabe fazer uma an&aacute;lise sobre como se encontra o mercado brasileiro de telecomunica&ccedil;&otilde;es. 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