{"id":18822,"date":"2007-07-25T13:09:50","date_gmt":"2007-07-25T13:09:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18822"},"modified":"2007-07-25T13:09:50","modified_gmt":"2007-07-25T13:09:50","slug":"tv-publica-programas-jornalisticos-sim-atualidades-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18822","title":{"rendered":"TV p\u00fablica: programas jornal\u00edsticos, sim; atualidades, n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por mais&nbsp;que a cria&ccedil;&atilde;o de uma TV p&uacute;blica seja acompanhada de um louv&aacute;vel arrazoado de boas inten&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico a que servir&aacute; diante da car&ecirc;ncia de valores transmitidos pelas emissoras comerciais, o fato &eacute; que a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica ao conceber a sua TV &eacute; a possibilidade de reparar as cr&iacute;ticas a seu governo feitas sem a respectiva contrapartida das &#39;boas not&iacute;cias&#39;.<\/p>\n<p>Defender-se das cr&iacute;ticas, no caso, &eacute; desnecess&aacute;rio quando se considera qu&atilde;o bem aquinhoado &eacute; o governo Lula no tratamento que recebe da imprensa. Por defini&ccedil;&atilde;o, nenhuma TV p&uacute;blica brasileira ser&aacute; capaz de competir, em repercuss&atilde;o, com o jornalismo dos canais l&iacute;deres de audi&ecirc;ncia. Tudo que &eacute; estatal (j&aacute; sei, TV p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; estatal) tem maior burocracia, menor velocidade, ainda mais quando se trata do neg&oacute;cio televis&atilde;o, em que tudo precisa ser r&aacute;pido.O presidente n&atilde;o interferir&aacute; na programa&ccedil;&atilde;o, &eacute; verdade, at&eacute; que surja a primeira not&iacute;cia contr&aacute;ria ao governo, que ser&aacute; considerada &#39;alta trai&ccedil;&atilde;o&#39;. <\/p>\n<p>Assim costumam reagir os governantes que viabilizam televis&otilde;es p&uacute;blicas. E o dilema surgir&aacute; de imediato na cabe&ccedil;a dos dirigentes dessa TV &#39;independente&#39;, mesmo sem uma manifesta&ccedil;&atilde;o do presidente: ignorar a not&iacute;cia ou dar a vers&atilde;o &#39;verdadeira&#39; dos fatos, ou seja, a do governo? O conselho da TV p&uacute;blica, a quem caberia dirimir esse tipo de d&uacute;vida, estar&aacute; a l&eacute;guas de dist&acirc;ncia quando isso acontecer. Mesmo que se reunisse em emerg&ecirc;ncia, sabemos que o camelo foi projetado por um conselho ao tentar desenhar um cavalo. <\/p>\n<p>A verdade &eacute; que o jornalismo &#39;hard news&#39;, o de not&iacute;cias quentes, principal raz&atilde;o da exist&ecirc;ncia da nova TV p&uacute;blica, n&atilde;o &eacute; solu&ccedil;&atilde;o adequada a esse g&ecirc;nero de televis&atilde;o. A PBS americana,por exemplo, n&atilde;o tem telejornal. Em primeiro lugar, porque o volume de recursos para fazer um jornalismo completo &eacute; enorme. <\/p>\n<p>Na TV Cultura de S&atilde;o Paulo, por exemplo, aproxima-se de 40% do or&ccedil;amento, mesmo para um telejornal limitado, com 1% de audi&ecirc;ncia. Portanto, quando o senhor presidente desejar redarg&uuml;ir uma informa&ccedil;&atilde;o de uma TV comercial, vai competir em enorme desvantagem com ela. Seus pronunciamentos mais importantes n&atilde;o poder&atilde;o prescindir da veicula&ccedil;&atilde;o paga nos canais de maior audi&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Uma TV p&uacute;blica bem-sucedida pode almejar 10% de audi&ecirc;ncia, no m&aacute;ximo. Jamais 50%. Em geral, tem de um a tr&ecirc;s pontos, o que &eacute; normal para uma TV que procura melhorar o n&iacute;vel do cidad&atilde;o: o povo liga a TV para se divertir, n&atilde;o para aprender. A &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o menos importante, &eacute; que a cabe&ccedil;a do jornalista que trabalha na elabora&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia naTV p&uacute;blica passa por um processo psicol&oacute;gico progressivo, em que ele julga ser independente, dono do peda&ccedil;o, uma vez que a TV n&atilde;o tem dono, ao contr&aacute;rio dos seus colegas das TVs comerciais, que sabem muito bem at&eacute; onde v&atilde;o os interesses de suas empresas, gerando uma auto-restri&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria nas pautas e textos por puro bom senso, sem que ningu&eacute;m lhes precise ditar quais as diretrizes do canal em que trabalham. Ent&atilde;o, a primeira crise da TV p&uacute;blica ter&aacute; in&iacute;cio quando for percebido que ela tiver sido mais cr&iacute;tica em uma not&iacute;cia relativa ao governo do que as emissoras comerciais que cobriram o mesmo fato. <\/p>\n<p>De outro lado, a TV p&uacute;blica poder&aacute; ter papel fundamental no esclarecimento do que seja o esp&iacute;rito de cidadania de que o Brasil carece e as TVs comerciais ignoram. Al&eacute;m disso, a programa&ccedil;&atilde;o educativa &#39;lato sensu&#39;, a que a Constitui&ccedil;&atilde;o obriga, podeser tamb&eacute;m suprida pela nova televis&atilde;o, desde que de forma criativa e com uma imagem bem iluminada. Nesse sentido, se o senhor presidente quiser fazer um teste, pode comparar a imagem da TV Globo com a de outras emissoras.<\/p>\n<p>Ter&aacute; vontade de ficar na Globo, n&atilde;o importa qual o programa, s&oacute;porque televis&atilde;o &eacute; ilumina&ccedil;&atilde;o, como condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para que seja poss&iacute;vel analisar a que programa desejamos assistir. Agora basta fazer o mesmo teste de luminosidade com as TVs p&uacute;blicas ou estatais que est&atilde;o no ar. &Eacute; como se algu&eacute;m apagasse o abajur da sala. Na &aacute;rea jornal&iacute;stica, h&aacute; um caminho aberto para a TV p&uacute;blica: os programas jornal&iacute;sticos, incluindo document&aacute;rios. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m faz quase nada nessa &aacute;rea, pois s&atilde;o programas dif&iacute;ceis, demorados de produzir, caros, elaborados e exigem profissionais preparados, do tipo que se encontra mais na imprensa escrita quena televisiva, salvo honrosas exce&ccedil;&otilde;es. &Agrave; falta de programas jornal&iacute;sticos, a TV p&uacute;blica entrar&aacute; no lugar-comum das coberturas no Congresso e no Executivo, onde j&aacute; existem cerca de 15 microfones, &agrave; cata da mesma not&iacute;cia. Nesse caso, o 16&ordm; microfone estendido nas entrevistas coletivasser&aacute; o da TV p&uacute;blica, para uma repeti&ccedil;&atilde;o redundante e enfadonha da mesma not&iacute;cia, com o diferencial exclusivo da falta de audi&ecirc;ncia. Em resumo: programas jornal&iacute;sticos, sim, not&iacute;cias de atualidade, n&atilde;o (exceto o m&iacute;nimo previsto por lei). <\/p>\n<p>O restante da grade de programa&ccedil;&atilde;o ser&aacute;f&aacute;cil de compor, partindo de bons exemplos que as TVs p&uacute;blicas e estatais do Brasil j&aacute; desenvolveram e com a qualidade dos profissionais preparados para essa miss&atilde;o nobre. Como Franklin Martins, ministro da Comunica&ccedil;&atilde;o Social, e Florestan Fernandes, hoje a servi&ccedil;o da TV p&uacute;blica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Copyright Folha de S&atilde;o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais&nbsp;que a cria&ccedil;&atilde;o de uma TV p&uacute;blica seja acompanhada de um louv&aacute;vel arrazoado de boas inten&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico a que servir&aacute; diante da car&ecirc;ncia de valores transmitidos pelas emissoras comerciais, o fato &eacute; que a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica ao conceber a sua TV &eacute; a possibilidade de reparar as &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18822\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">TV p\u00fablica: programas jornal\u00edsticos, sim; atualidades, n\u00e3o<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[83],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18822"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}