{"id":18817,"date":"2007-07-25T12:11:01","date_gmt":"2007-07-25T12:11:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18817"},"modified":"2007-07-25T12:11:01","modified_gmt":"2007-07-25T12:11:01","slug":"pesquisa-contradiz-dados-do-o-globo-sobre-acao-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18817","title":{"rendered":"Pesquisa contradiz dados do O Globo sobre a\u00e7\u00e3o policial"},"content":{"rendered":"<p><span>Uma pesquisa realizada pelo Grupo Cultural Ra&iacute;zes em Movimento em parceria com o jornal Fazendo Media constatou que a grande maioria dos moradores do Complexo do Alem&atilde;o reprova a pol&iacute;tica de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do governo S&eacute;rgio Cabral. No dia 21 de julho foram ouvidas 787 pessoas nas favelas da Grota, Pedra do Sapo, Morro do Alem&atilde;o e Morro dos Mineiros, todas pertencentes ao Complexo. <\/p>\n<p><\/span><span>Dos entrevistados, 91% disseram n&atilde;o apoiar &quot;invas&otilde;es da pol&iacute;cia no Complexo do Alem&atilde;o, como a mega-opera&ccedil;&atilde;o realizada no dia 27 de junho&quot;, enquanto 7% responderam que ap&oacute;iam essas opera&ccedil;&otilde;es e 2% n&atilde;o quiseram responder. <\/p>\n<p><\/span><span>O levantamento contradiz a pesquisa divulgada pelo jornal &quot;O Globo&quot; no dia 10 de julho [ver quadro abaixo]. Sob o t&iacute;tulo &quot;Popula&ccedil;&atilde;o aprova opera&ccedil;&atilde;o policial&quot;, a pesquisa encomendada ao Ibope diz apenas que ouviu &quot;mil pessoas, pelo telefone, nos dias 3 e 4 de julho&quot;, mas n&atilde;o especifica aonde residem os entrevistados. <\/p>\n<p><\/span><span>Para Alan Brum, cientista social e coordenador-geral do Ra&iacute;zes em Movimento, uma pesquisa desta natureza deve ouvir as pessoas que sofreram diretamente a a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia. &quot;Nessa perspectiva, a gente julgou importante que tivesse um retorno da pr&oacute;pria comunidade que sofre essa pol&iacute;tica direta de seguran&ccedil;a p&uacute;blica implementada pelo governo do Estado. Ent&atilde;o a gente desenvolveu um trabalho de pesquisa dentro do Complexo do Alem&atilde;o para saber qual a aceita&ccedil;&atilde;o dessa pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a p&uacute;blica de repress&atilde;o nas favelas do Rio de Janeiro&quot;, afirmou. <\/p>\n<p><\/span><span>Na pesquisa divulgada pelo &quot;Globo&quot;, o jornal distorce os resultados. A partir de mil respostas de localidades n&atilde;o identificadas, o &quot;Globo&quot; traz no t&iacute;tulo &quot;Popula&ccedil;&atilde;o aprova opera&ccedil;&atilde;o policial&quot;. Ou seja, se apenas moradores da Zona Sul tiverem sido consultados, temos, por analogia, que o termo &quot;popula&ccedil;&atilde;o&quot;, para o &quot;Globo&quot;, exclui os moradores da Zona Norte. <\/p>\n<p><\/span><span>O Fazendo Media entrou em contato com o Ibope no dia seguinte &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o da pesquisa, 11 de julho, mas a atendente n&atilde;o soube informar em que localidades esse levantamento foi realizado. Ela explicou ainda que a empresa possui muitas unidades e que n&atilde;o sabia em qual delas essa pesquisa havia sido realizada. A p&aacute;gina do Ibope na internet tamb&eacute;m n&atilde;o publiciza esta informa&ccedil;&atilde;o, fundamental para a credibilidade de qualquer pesquisa de opini&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>A pesquisa do Ibope foi divulgada no seguinte contexto: ela est&aacute; num quadro no alto, &agrave; direita, da p&aacute;gina 19 da Se&ccedil;&atilde;o Rio do jornal O Globo (10 de julho). Ela acompanha e sustenta a mat&eacute;ria principal, que traz no t&iacute;tulo &quot;Traficante tem mais seguran&ccedil;as que presidentes&quot;, ao lado de uma foto do secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a, Jos&eacute; Mariano Beltrame. Dois dias antes, num domingo, o &quot;Globo&quot; havia divulgado um &quot;manual de guerrilha&quot; utilizado pelos bandidos, que repercutiu durante a semana e motivou declara&ccedil;&otilde;es do governo de que a invas&atilde;o ao Alem&atilde;o fora acertada. <\/p>\n<p><\/span><span>O coordenador de fotografia do Ra&iacute;zes em Movimento, Sadraque Santos, tem 41 anos e &eacute; nascido e criado no Morro do Alem&atilde;o. Ele p&otilde;e em xeque a legitimidade da pesquisa divulgada pelo &quot;Globo&quot;. &quot;Nem tudo que a grande m&iacute;dia mostra &eacute; verdadeiro. Por exemplo, como &eacute; que o &#39;Globo&#39; faz uma pesquisa dizendo que 83% da popula&ccedil;&atilde;o concorda com a opera&ccedil;&atilde;o que aconteceu dentro do Complexo do Alem&atilde;o, sendo que dentro do pr&oacute;prio Complexo do Alem&atilde;o eu tenho certeza absoluta que ningu&eacute;m foi ouvido? N&atilde;o ligaram pra ningu&eacute;m. At&eacute; porque, hoje, dos 5 mil telefones da favela, 4 mil est&atilde;o desligados. Por conta, justamente, da opera&ccedil;&atilde;o policial, quando eles atiraram no arm&aacute;rio telef&ocirc;nico e deixaram 4 mil telefones mudos e at&eacute; hoje esses telefones n&atilde;o foram consertados. Ent&atilde;o como essa pesquisa pode ser verdadeira, se foi feita por telefone?&quot;, questiona o fot&oacute;grafo. <\/p>\n<p><\/span><span>Sadraque tamb&eacute;m ressalta a import&acirc;ncia de os pr&oacute;prios moradores do Complexo do Alem&atilde;o serem ouvidos, como permitiu o levantamento realizado pelo Ra&iacute;zes em Movimento em parceria com o Fazendo Media. &quot;As pessoas que responderam a essa pesquisa s&atilde;o da pr&oacute;pria comunidade, s&atilde;o pessoas que ainda est&atilde;o sob press&atilde;o psicol&oacute;gica, e ent&atilde;o essa pesquisa vem mostrar que, de fato, temos que fazer o que a gente fez: ouvir as pessoas que sofreram o reflexo. N&atilde;o &eacute; fazer uma pesquisa com as pessoas l&aacute; fora, n&atilde;o se sabe de que forma foi feita, n&atilde;o tem os endere&ccedil;os pesquisados. Por outro lado, na nossa pesquisa temos os nomes dos locais pesquisados, das ruas e o hor&aacute;rio que o trabalho foi realizado&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>David da Silva, 26 anos, &eacute; coordenador de Comunica&ccedil;&atilde;o do Ra&iacute;zes, estudante de jornalismo e tamb&eacute;m mora no Morro do Alem&atilde;o. Ele concorda com Sadraque. &quot;Sinceramente, eu j&aacute; esperava esse resultado. Acho que a pesquisa foi boa porque ouviu os que foram atingidos e deu voz a essas pessoas. Porque normalmente n&atilde;o acontece isso. As m&iacute;dias grandes, quando acontecem esses fatos, n&atilde;o s&oacute; em favelas, mas em outros meios desfavorecidos, esse pessoal n&atilde;o tem voz pra dar sua opini&atilde;o, sua vis&atilde;o, e dizer por que aquilo est&aacute; acontecendo&quot;, sublinha. <\/p>\n<p><\/span><span>Para o historiador e deputado estadual Marcelo Freixo, essa pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a p&uacute;blica baseada na id&eacute;ia da guerra &eacute; ineficiente. &quot;Ela &eacute; baseada na id&eacute;ia do conflito. O Estado n&atilde;o garante educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o garante sa&uacute;de, n&atilde;o garante nenhum direito fundamental para os moradores das favelas, mas entra sistematicamente com a pol&iacute;cia. &Eacute; &oacute;bvio que essa pol&iacute;cia n&atilde;o pode entrar para garantir direitos. Ela entra para o confronto, entra para a guerra, entra para matar ou morrer. E nessa l&oacute;gica, in&uacute;meras pessoas da comunidade v&atilde;o morrendo, in&uacute;meros policiais v&atilde;o morrendo e a criminalidade n&atilde;o se reduz&quot;, disse o parlamentar. <\/p>\n<p><\/span><span>O delegado da Pol&iacute;cia Civil, Orlando Zaccone, criticou a substitui&ccedil;&atilde;o de um modelo de pol&iacute;tica criminal por discursos midi&aacute;ticos. Em entrevista &agrave; revista Caros Amigos deste m&ecirc;s, o titular da 52&ordf; DP (Nova Igua&ccedil;u), que &eacute; mestre em criminologia, afirmou: &quot;Hoje, nenhum governo e nenhum chefe de pol&iacute;cia, secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a tem na pr&aacute;tica um modelo de pol&iacute;tica criminal pra dar solu&ccedil;&atilde;o a esse aumento de criminalidade. Ent&atilde;o, os discursos midi&aacute;ticos passam a ser a maior solu&ccedil;&atilde;o para todos. Ou seja, se coloca na m&iacute;dia a esperan&ccedil;a de que maiores penas seriam a solu&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s sabemos que n&atilde;o s&atilde;o, porque, depois que foi editada a lei dos crimes hediondos, eles aumentaram. Agora, &eacute; muito mais f&aacute;cil colocar um discurso imediato, porque a pol&iacute;tica vive muito de discursos imediatos&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>David da Silva, do Ra&iacute;zes em Movimento, destacou ainda que o levantamento realizado dentro do Complexo do Alem&atilde;o vai al&eacute;m dos pr&oacute;prios resultados da pesquisa. &quot;Minha vis&atilde;o da pesquisa foi al&eacute;m do resultado. Foi da rela&ccedil;&atilde;o de que se pode construir mais dentro do grupo, na comunidade, essa coisa de estar envolvendo a comunidade na discuss&atilde;o. A comunidade sente falta disso. Muitos entram e n&atilde;o d&atilde;o retorno pra ela. Hoje a gente conseguiu fazer isso. O Ra&iacute;zes est&aacute; aqui h&aacute; seis anos e hoje a gente foi pra rua pra conversar com as pessoas&quot;, conclui o coordenador.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa realizada pelo Grupo Cultural Ra&iacute;zes em Movimento em parceria com o jornal Fazendo Media constatou que a grande maioria dos moradores do Complexo do Alem&atilde;o reprova a pol&iacute;tica de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do governo S&eacute;rgio Cabral. 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