{"id":18814,"date":"2007-07-24T12:22:15","date_gmt":"2007-07-24T12:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18814"},"modified":"2007-07-24T12:22:15","modified_gmt":"2007-07-24T12:22:15","slug":"acm-desaparece-um-simbolo-do-coronelismo-eletronico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18814","title":{"rendered":"ACM: desaparece um s\u00edmbolo do coronelismo eletr\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<p><span>Faleceu na sexta-feira (20\/7), aos 79 anos, o senador Antonio Carlos Magalh&atilde;es (DEM-BA). Sua biografia e, sobretudo, sua carreira pol&iacute;tica s&atilde;o paralelas &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o de massa na Bahia e no Brasil. Pol&iacute;tico profissional desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1950, ele talvez tenha sido a figura emblem&aacute;tica por excel&ecirc;ncia do coronelismo eletr&ocirc;nico no pa&iacute;s. Esse, ali&aacute;s, &eacute; um importante aspecto da sua vida p&uacute;blica que os v&aacute;rios obitu&aacute;rios publicados pela grande m&iacute;dia ignoram ou ao qual fizeram apenas refer&ecirc;ncias ligeiras.<\/p>\n<p><\/span><span>O coronelismo eletr&ocirc;nico exige o compromisso da participa&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca tanto do poder concedente como do concession&aacute;rio que recebe a outorga e explora o servi&ccedil;o p&uacute;blico. Como deputado estadual, federal, governador, ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es e senador, ACM foi ativo como concession&aacute;rio &ndash; direto e\/ou indireto &ndash; de emissoras de r&aacute;dio e de televis&atilde;o, mas, sobretudo, como poder concedente.<\/p>\n<p><\/span><span>Ao longo de sua vida p&uacute;blica, ACM e seus aliados &quot;carlistas&quot; conseguiram construir uma extensa rede de radiodifus&atilde;o na Bahia, um dos estados da Federa&ccedil;&atilde;o onde h&aacute; maior controle da radiodifus&atilde;o por pol&iacute;ticos profissionais.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Motiva&ccedil;&atilde;o poderosa<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Levantamento feito em 2005 mostrou que cerca de 30% (65) das 217 emissoras baianas de r&aacute;dio (AM e FM) e televis&atilde;o eram controladas por pol&iacute;ticos no exerc&iacute;cio do mandato eleitoral. Desse total, 41 pertenciam a senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores; outras 24 a seus familiares &ndash; como pais, esposas, filhos e cunhados. A maioria dessas emissoras est&aacute; localizada no interior do estado e s&atilde;o 34 r&aacute;dios FM, 27 AM e quatro canais de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Mais recentemente, estudo &quot;R&aacute;dios comunit&aacute;rias: coronelismo eletr&ocirc;nico de novo tipo (1999-2004)&quot; revelou que 55,9% (90) das 161 r&aacute;dios comunit&aacute;rias autorizadas pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es a funcionar na Bahia entre 1999 e 2004 s&atilde;o controladas por pol&iacute;ticos. Vinte delas s&atilde;o controladas por pol&iacute;ticos do DEM (ex-PFL), o partido de ACM.<\/p>\n<p><\/span><span>O grupo de ACM controla a TV Bahia, que passou a ser afiliada da Rede Globo em 1987, substituindo a TV Aratu, a afiliada dos 18 anos anteriores. Especulou-se &agrave; &eacute;poca que a troca era a recompensa da Globo &agrave;s press&otilde;es exercidas por ACM (ent&atilde;o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es do governo Jos&eacute; Sarney) para for&ccedil;ar a mudan&ccedil;a de controle da NEC do Brasil. Al&eacute;m da &quot;cabe&ccedil;a-de-rede&quot; regional em Salvador, o grupo controla seis retransmissoras espalhadas pelo estado, o jornal Correio da Bahia, a BahiaSat Comunica&ccedil;&otilde;es e a R&aacute;dio Tropicalsat FM.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Fim de uma era?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>ACM foi escolhido ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es depois de um complicado processo que envolveu as rela&ccedil;&otilde;es da Globo com o novo bloco de poder em forma&ccedil;&atilde;o ao t&eacute;rmino do regime militar, em 1984-85. Ap&oacute;s a vit&oacute;ria no Col&eacute;gio Eleitoral, Tancredo Neves foi almo&ccedil;ar com Roberto Marinho e ACM &ndash; velhos amigos &ndash; na resid&ecirc;ncia que a Globo mant&eacute;m em Bras&iacute;lia. Poucos dias depois, o presidente eleito anunciou que seu secret&aacute;rio de Imprensa seria Ant&ocirc;nio Brito, comentarista pol&iacute;tico da Rede Globo, e Antonio Carlos Magalh&atilde;es o novo ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Tendo falecido antes da posse, o vice Jos&eacute; Sarney assumiu a presid&ecirc;ncia e manteve a indica&ccedil;&atilde;o de ACM. Durante os cinco anos em que foi ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, ele quebrou um recorde na hist&oacute;ria da radiodifus&atilde;o brasileira: autorizou concess&otilde;es de 1.028 emissoras de r&aacute;dio e TV. O n&uacute;mero chega perto do total registrado em 65 anos (entre 1934 e 1979): 1.483 concess&otilde;es. S&oacute; entre novembro de 1987 e setembro de 1988, ACM distribuiu concess&otilde;es para 362 FMs, 182 AMs e 42 canais de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Paulino Motter em disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado defendida no Instituto de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da UnB, em 1994, mostra que boa parte dessas concess&otilde;es serviram de moeda de troca para que se votassem pontos importantes da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &ndash; e n&atilde;o s&oacute; no cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; ent&atilde;o em fase de elabora&ccedil;&atilde;o. Por exemplo: dos 91 deputados constituintes que receberam emissoras, 90,1% votaram a favor do mandato presidencial de cinco anos de Jos&eacute; Sarney.<\/p>\n<p><\/span><span>Resta saber se a morte de ACM, que certamente foi o principal l&iacute;der pol&iacute;tico da Bahia nos &uacute;ltimos 50 anos, sinaliza tamb&eacute;m o fim de uma forma de fazer pol&iacute;tica ou se o &quot;carlismo&quot; sobreviver&aacute; sem a sua principal figura.<br \/><\/span><span><font size=\"3\"><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original (Observat&oacute;rio da Imprensa).<\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faleceu na sexta-feira (20\/7), aos 79 anos, o senador Antonio Carlos Magalh&atilde;es (DEM-BA). 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