{"id":18806,"date":"2007-07-23T11:51:09","date_gmt":"2007-07-23T11:51:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18806"},"modified":"2007-07-23T11:51:09","modified_gmt":"2007-07-23T11:51:09","slug":"acidente-em-congonhas-a-midia-aproveita-se-da-fogueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18806","title":{"rendered":"Acidente em Congonhas: a m\u00eddia aproveita-se da fogueira"},"content":{"rendered":"<p>Como sempre, todos contra o governo, na busca s&ocirc;frega de uma crise. Tudo serve, at&eacute; a trag&eacute;dia de Congonhas.<\/p>\n<p>Um colunista da Folha de S.Paulo afirma na primeira p&aacute;gina que o &ldquo;nome certo&rdquo; da trag&eacute;dia de Congonhas &ldquo;&eacute; crime&rdquo;. E o criminoso? Obviamente, trata-se do governo do ex-metal&uacute;rgico al&ccedil;ado a uma fun&ccedil;&atilde;o superior &agrave;s suas for&ccedil;as. <\/p>\n<p>Creio que, antes de um julgamento final, seria oportuno apurar com precis&atilde;o as causas do acidente, como de resto conv&eacute;m &agrave; pr&aacute;tica do melhor jornalismo. Mesmo assim o colunista prop&otilde;e a seguinte manchete: &ldquo;Governo assassina mais de 200 pessoas&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; ineg&aacute;vel, isto sim, a omiss&atilde;o governista em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inseguran&ccedil;a do Aeroporto de Congonhas. Todos o sabemos mal situado e pessimamente usado. Em outros pa&iacute;ses, aeroportos como o paulistano ou foram suprimidos ou destinados a opera&ccedil;&otilde;es de porte restrito. <\/p>\n<p>Se Congonhas, pelo caminho oposto, cresceu em pretens&atilde;o e alcance, isto se deve, em primeiro lugar, ao lobby das companhias a&eacute;reas, &agrave; prepot&ecirc;ncia da Infraero e &agrave; condescend&ecirc;ncia da Anac que n&atilde;o encontraram a devida resist&ecirc;ncia do governo, quando n&atilde;o a firme interven&ccedil;&atilde;o para p&ocirc;r as coisas no lugar certo.<\/p>\n<p>Reconhe&ccedil;a-se que Lula tem sido leniente em rela&ccedil;&atilde;o a interesses diversos que n&atilde;o coincidem em absoluto com aqueles do Pa&iacute;s e do seu povo. A capa de CartaCapital da semana passada aponta omiss&otilde;es e concess&otilde;es recentes. N&atilde;o sei por&eacute;m se a indigna&ccedil;&atilde;o do colunista da Folha seria igual se, nas mesmas circunst&acirc;ncias, o presidente fosse algum tucano DOCG (denomina&ccedil;&atilde;o de origem controlada e garantida). Digamos, Fernando Henrique, ou, melhor ainda, Jos&eacute; Serra. Tudo serve na busca s&ocirc;frega de uma crise.<\/p>\n<p>Neste rumo a m&iacute;dia malha a situa&ccedil;&atilde;o e poupa a oposi&ccedil;&atilde;o, com empenho e desfa&ccedil;atez dignos da medalha de ouro, recordista mundial. E me permito contar um epis&oacute;dio que remonta &agrave; segunda 16, e que n&atilde;o foi registrado por jornal algum, ou por qualquer &oacute;rg&atilde;o midi&aacute;tico.<\/p>\n<p>O governador do Paran&aacute;, Roberto Requi&atilde;o, naquela tarde visita o presidente Lula no Pal&aacute;cio do Planalto, para um encontro como de h&aacute;bito cordial. Em seguida, o governador, em toda a sua corajosa impon&ecirc;ncia, dirigi-se ao Comit&ecirc; de Imprensa do pr&oacute;prio Pal&aacute;cio.<\/p>\n<p>Requi&atilde;o tem sido um dos alvos preferidos dos ataques da m&iacute;dia. Suas rela&ccedil;&otilde;es com os jornalistas s&atilde;o tensas, mas ele n&atilde;o hesita na provoca&ccedil;&atilde;o, e pergunta por que, em outros tempos, &ldquo;voc&ecirc;s n&atilde;o falaram do filho de Fernando Henrique?&rdquo; Mais um rebento fora do matrim&ocirc;nio, como no caso de Renan Calheiros. A aventura de FHC, do conhecimento at&eacute; do mundo mineral, &eacute; anterior &agrave; sua primeira elei&ccedil;&atilde;o em 1994, e a jovem brindada pelos favores do pr&iacute;ncipe dos soci&oacute;logos foi mais uma jornalista em atividade em Bras&iacute;lia, Miriam Dutra.<\/p>\n<p>A pergunta de Requi&atilde;o deixa os credenciados do comit&ecirc; entre at&ocirc;nitos e perplexos. Algu&eacute;m balbucia que a compara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cabe, os casos s&atilde;o diferentes. Imp&aacute;vido, o governador ergue o sobrolho e clama: &ldquo;Por qu&ecirc;?&rdquo; Logo explica: &ldquo;Quem sustentou o filho do ex-presidente foi, desde o nascimento, uma empresa privada, a Globo da fam&iacute;lia Marinho&rdquo;.<\/p>\n<p>A bem da tranq&uuml;ilidade familiar de FHC, e do seu desempenho na Presid&ecirc;ncia, Miriam Dutra e seu filho foram enviados ao exterior, no resguardo. Consta que voltaram para o Pa&iacute;s faz pouco tempo. Fez-se o sil&ecirc;ncio no comit&ecirc;, e o governador se foi, a dar risadas.<\/p>\n<p>Agora, sou eu quem pergunta: algu&eacute;m leu, ou ouviu, relato desse epis&oacute;dio? E ent&atilde;o, volto &agrave; carga: qual &eacute; o pa&iacute;s do mundo que se diz democr&aacute;tico, e goza de liberdade de express&atilde;o, onde um governador de estado, ou qualquer figura p&uacute;blica importante, fala de um ex-presidente da Rep&uacute;blica igual a Requi&atilde;o, diante de uma matilha de perdigueiros da informa&ccedil;&atilde;o, e a m&iacute;dia fecha-se em copas? N&atilde;o conhe&ccedil;o outro, al&eacute;m do Brazil-zil-zil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;copyright Carta Capital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como sempre, todos contra o governo, na busca s&ocirc;frega de uma crise. Tudo serve, at&eacute; a trag&eacute;dia de Congonhas. Um colunista da Folha de S.Paulo afirma na primeira p&aacute;gina que o &ldquo;nome certo&rdquo; da trag&eacute;dia de Congonhas &ldquo;&eacute; crime&rdquo;. 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