{"id":18802,"date":"2007-07-22T21:39:01","date_gmt":"2007-07-22T21:39:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18802"},"modified":"2007-07-22T21:39:01","modified_gmt":"2007-07-22T21:39:01","slug":"o-governo-lula-e-as-politicas-para-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18802","title":{"rendered":"O governo Lula e as pol\u00edticas para o cinema"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Assim que tomou posse, o governo Lula reconheceu que herdara um cen&aacute;rio esquizofr&ecirc;nico, onde telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; separada de radiodifus&atilde;o e, mais ainda, cinema de televis&atilde;o. Em um cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias este tipo de situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fazia nenhum sentido, exceto deixar a radiodifus&atilde;o a salvo de qualquer regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. <\/p>\n<p><\/span><span>Uma das &uacute;nicas medidas para superar tal estado de coisas partiu do Minist&eacute;rio da Cultura (MinC), que prop&ocirc;s transformar a Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine) em Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav). Como todos lembramos, o ataque voraz da m&iacute;dia e a covardia do n&uacute;cleo central do governo demonstraram que n&atilde;o havia a vontade pol&iacute;tica necess&aacute;ria para resolver este problema. <\/p>\n<p><\/span><span>O MinC optou, ent&atilde;o, por uma estrat&eacute;gia de construir pequenas vit&oacute;rias perif&eacute;ricas, na esperan&ccedil;a de que possam ajudar em uma nova correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no futuro. Foi assim que o MinC abandonou a id&eacute;ia da Ancinav, fez poucos esfor&ccedil;os no sentido de um novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es e acabou perdendo a disputa interna em torno da TV digital.<\/span><\/p>\n<p><span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Essas pequenas vit&oacute;rias podem ser divididas em dois campos:<\/p>\n<p><\/span><span><strong>1. Financiamento<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O cinema brasileiro &eacute; quase integralmente financiado pelo Estado, tanto direta (MinC, Petrobr&aacute;s, BNDES, Eletrobr&aacute;s, etc) quanto indiretamente (atrav&eacute;s de ren&uacute;ncia fiscal). O Minist&eacute;rio da Cultura vem tentando democratizar o uso direto dos recursos p&uacute;blicos, atrav&eacute;s de editais com regras que determinam a dispers&atilde;o geogr&aacute;fica e de formatos (curtas, anima&ccedil;&otilde;es, etc). Bem como, imp&ocirc;s mudan&ccedil;as que visam aumentar e otimizar os recursos advindos da ren&uacute;ncia fiscal. <\/p>\n<p><\/span><span>Infelizmente, contudo, permanece um sistema onde majoritariamente os recursos p&uacute;blicos s&atilde;o geridos por empresas privadas, que deixam de pagar o imposto devido para poderem utilizar o dinheiro de acordo com suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias de marketing. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>2. Distribui&ccedil;&atilde;o e exibi&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Uma das piores consequ&ecirc;ncias de um cinema onde o filme j&aacute; est&aacute; pago ao longo de sua produ&ccedil;&atilde;o &eacute; o pouco interesse de produtores com a distribui&ccedil;&atilde;o e exibi&ccedil;&atilde;o. Tradicionalmente, diretores e artistas t&ecirc;m demonstrado pouco interesse em questionar este estado de coisas e, por isso, a maior parte dos longa-metragens brasileiros nem ao menos &eacute; exibida nas salas de proje&ccedil;&atilde;o e poucos alcan&ccedil;am um p&uacute;blico razo&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span><span>O MinC procurou enfrentar essa situa&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o da Programadora Brasil (voltada a garantir a distribui&ccedil;&atilde;o de acervo para o circuito n&atilde;o comercial) e com o financiamento de cine-clubes. Vindo do MinC, S&eacute;rgio S&aacute; Leit&atilde;o ocupou durante um per&iacute;odo a assessoria de assuntos de cultura do BNDES e ajudou a formatar instrumentos de financiamento para salas de exibi&ccedil;&atilde;o fora dos grandes centros urbanos. <br \/><\/span><\/p>\n<p><\/span><span><br \/>Em que pese o m&eacute;rito destas iniciativas, elas n&atilde;o foram capazes de reverter um cen&aacute;rio onde a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; controlada pelos grandes est&uacute;dios norte-americanos e a exibi&ccedil;&atilde;o permanece nas m&atilde;os de poucos grupos com estreitas vincula&ccedil;&otilde;es com Hollywood. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Televis&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em um cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias, por mais exitosas que fossem, as pol&iacute;ticas para o audiovisual teriam que enfrentar o desafio de vivermos em um pa&iacute;s onde um &uacute;nico grupo privado controla cerca de 54% da audi&ecirc;ncia e 53% da verba publicit&aacute;ria dedicada &agrave; TV. Ainda mais quando sabemos que este mesmo grupo &eacute; acionista de duas empresas que, juntas, det&ecirc;m mais de 75% dos assinantes de TV paga. <\/p>\n<p><\/span><span>Em resumo, se podemos dizer que o Minc procurou enfrentar como p&ocirc;de o desafio da democratiza&ccedil;&atilde;o do audiovisual, tamb&eacute;m &eacute; fato que, sem a vontade pol&iacute;tica de todo o governo, passados quase cinco anos de gest&atilde;o, os resultados ainda s&atilde;o muito t&iacute;midos. <\/p>\n<p><\/span><span><em><br \/>* Gustavo Gindre &eacute; jornalista (UFF), mestre em comunica&ccedil;&atilde;o (UFRJ), coordenador geral do Instituto de Estudos e Projetos em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (INDECS), membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet do Brasil e membro do Coletivo Intervozes.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim que tomou posse, o governo Lula reconheceu que herdara um cen&aacute;rio esquizofr&ecirc;nico, onde telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; separada de radiodifus&atilde;o e, mais ainda, cinema de televis&atilde;o. 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