{"id":18788,"date":"2007-07-20T14:39:02","date_gmt":"2007-07-20T14:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18788"},"modified":"2007-07-20T14:39:02","modified_gmt":"2007-07-20T14:39:02","slug":"regulacao-da-publicidade-direitos-das-criancas-devem-prevalecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18788","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o da publicidade: direitos das crian\u00e7as devem prevalecer"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">O t&iacute;tulo acima resume a principal conclus&atilde;o a que chegaram os participantes da oficina &quot;Regula&ccedil;&atilde;o da publicidade de alimentos para crian&ccedil;as e adolescentes: uma quest&atilde;o de direitos humanos&quot;, realizada no dia 04\/07, durante a III Confer&ecirc;ncia Nacional de SAN, em Fortaleza(CE).<\/p>\n<p>Organizada pela Anvisa (Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria) e pelo COMIDhA (Comit&ecirc; Nacional de Implementa&ccedil;&atilde;o do Direito Humano &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o Adequada), a oficina discutiu os princ&iacute;pios que norteiam a id&eacute;ia da regula&ccedil;&atilde;o sobre a publicidade de produtos que podem representar riscos &agrave; sa&uacute;de, conforme estabelece a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (Art. 220).<\/p>\n<p>A proposta de resolu&ccedil;&atilde;o da Anvisa para regulamentar alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis &ndash; ricos em gordura, sal e outras subst&acirc;ncias nocivas, se consumidas em excesso &ndash; destinados ao p&uacute;blico infantil tamb&eacute;m mereceu intenso debate na atividade, que durou cerca de duas horas.<\/p>\n<p>Constru&iacute;da durante mais de um ano de trabalho, com a participa&ccedil;&atilde;o de diversos segmentos da sociedade civil, inclusive das ind&uacute;strias de alimentos e do setor publicit&aacute;rio, a proposta de resolu&ccedil;&atilde;o ficou em consulta p&uacute;blica, no site da Anvisa, durante cem dias e foi objeto de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica promovida pela Comiss&atilde;o de Assuntos Sociais do Senado, em junho passado.<\/p>\n<p>A pr&oacute;xima etapa do processo ser&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, chamada pela pr&oacute;pria Anvisa, na qual esta apresentar&aacute; a sistematiza&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es &agrave; consulta e a nova reda&ccedil;&atilde;o da proposta de resolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Reacionarismo e distor&ccedil;&atilde;o da democracia &#8211; A postura das ind&uacute;strias de alimentos e do setor publicit&aacute;rio, at&eacute; o momento, n&atilde;o foge ao c&acirc;none universal do setor privado quando a sociedade busca regular a sua atua&ccedil;&atilde;o. &quot;Nossos alimentos s&atilde;o seguros e n&atilde;o oferecem qualquer risco&quot;, &quot;regula&ccedil;&atilde;o &eacute; o mesmo que censura&quot;, &quot;o controle remoto &eacute; a melhor regula&ccedil;&atilde;o&quot;, &quot;a alimenta&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as &eacute; responsabilidade dos pais&quot;, entre outros argumentos, s&atilde;o comumente empregados, com pequenas varia&ccedil;&otilde;es, na defesa dos interesses comerciais, ainda que estes n&atilde;o sejam assumidos explicitamente. O mesmo estilo, que desqualifica a priori as posi&ccedil;&otilde;es divergentes e n&atilde;o aceita a prerrogativa de controle social por parte da sociedade, &eacute; adotado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; norma de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa para programas de televis&atilde;o. At&eacute; compara&ccedil;&otilde;es ao nazismo foram usadas para depreciar a norma, dispositivo tamb&eacute;m previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o e existente em todos os pa&iacute;ses desenvolvidos.<\/p>\n<p>At&eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de neologismos, como sempre lembra o professor Edgard Rebou&ccedil;as (UFPE), especialista em estudos sobre regula&ccedil;&atilde;o da publicidade no mundo, s&atilde;o utilizados pelos porta-vozes dos &quot;piratas&quot; &ndash; pois est&atilde;o sempre em busca do nosso dinheiro &ndash; da alimenta&ccedil;&atilde;o e da publicidade. &Eacute; o caso da &quot;liberdade de express&atilde;o comercial&quot;, categoria literalmente inventada por marketeiros e que &eacute; defendida como prerrogativa absoluta, sem levar em conta sequer os direitos humanos consagrados na Constitui&ccedil;&atilde;o e nos tratados internacionais, com destaque para os direitos das crian&ccedil;as, prioridade absoluta em nossa legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, apesar de possu&iacute;rem assento no Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (CONSEA), as ind&uacute;strias de alimentos n&atilde;o participaram da III Confer&ecirc;ncia Nacional de SAN. Tal op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o surpreende. O setor privado n&atilde;o precisa se expor em espa&ccedil;os e inst&acirc;ncias de debate p&uacute;blico e democr&aacute;tico sobre as quest&otilde;es de interesse p&uacute;blico. Seu di&aacute;logo com o poder se realiza sem intermedi&aacute;rios e diretamente com os mandat&aacute;rios centrais, seja no Executivo, no Legislativo ou no Judici&aacute;rio, em qualquer n&iacute;vel federativo. Privil&eacute;gio &ndash; e artif&iacute;cio &ndash; de quem possui recursos econ&ocirc;micos para influenciar, segundo sua &oacute;tica particular, os destinos da democracia.<\/p>\n<p>Em alguns pa&iacute;ses, como Su&eacute;cia, Noruega, Canad&aacute;, Austr&aacute;lia, Estados Unidos, It&aacute;lia e v&aacute;rios outros, a restri&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade destinada ao p&uacute;blico infantil &eacute; bem mais rigorosa &#8211; na Su&eacute;cia &eacute; simplesmente vedada qualquer propaganda voltada a este p&uacute;blico &#8211; do que a proposta de resolu&ccedil;&atilde;o da Anvisa. Tal contexto, confrontado com a posi&ccedil;&atilde;o refrat&aacute;ria de empresas e publicit&aacute;rios, nos leva &agrave; seguinte indaga&ccedil;&atilde;o: em que mundo vivem os lobistas das grandes multinacionais de alimentos e os criativos publicit&aacute;rios das ag&ecirc;ncias que trabalham para estas corpora&ccedil;&otilde;es? Ser&aacute; que eles n&atilde;o se sentem parte do problema &#8211; ou da solu&ccedil;&atilde;o &#8211; do aumento vertiginoso, em nosso pa&iacute;s, da obesidade infantil e das tantas e t&atilde;o s&eacute;rias doen&ccedil;as relacionadas a esta problem&aacute;tica?<\/p>\n<p>Independentemente da resist&ecirc;ncia de uns e outros, organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, de defesa dos direitos das crian&ccedil;as e adolescentes, de defesa do consumidor, pesquisadores e entidades das &aacute;reas da sa&uacute;de, comunica&ccedil;&atilde;o e outras, bem como in&uacute;meros agentes do poder p&uacute;blico v&atilde;o seguir em frente na implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que protejam os direitos da sociedade brasileira contra os potenciais males causados pela voracidade que caracteriza a l&oacute;gica mercantilista (ainda) fortemente hegem&ocirc;nica em nossa sociedade.<\/p>\n<p><em>* Rog&eacute;rio Tomaz Jr. &eacute; jornalista da A&ccedil;&atilde;o Brasileira pela Nutri&ccedil;&atilde;o e Direitos Humanos (ABRANDH), entidade integrante do COMIDhA e do FBSAN, e membro do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t&iacute;tulo acima resume a principal conclus&atilde;o a que chegaram os participantes da oficina &quot;Regula&ccedil;&atilde;o da publicidade de alimentos para crian&ccedil;as e adolescentes: uma quest&atilde;o de direitos humanos&quot;, realizada no dia 04\/07, durante a III Confer&ecirc;ncia Nacional de SAN, em Fortaleza(CE). 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