{"id":18774,"date":"2007-07-18T16:50:55","date_gmt":"2007-07-18T16:50:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18774"},"modified":"2007-07-18T16:50:55","modified_gmt":"2007-07-18T16:50:55","slug":"midia-e-politica-cobertura-tem-um-longo-caminho-a-percorrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18774","title":{"rendered":"M\u00eddia e Pol\u00edtica: cobertura tem um longo caminho a percorrer"},"content":{"rendered":"<p><span>Na intensa din&acirc;mica que tem presidido o desenrolar da conjuntura das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&otilde;es e o comportamento da cobertura jornal&iacute;stica da pol&iacute;tica nacional, a semana que passou foi rica em novos desdobramentos. Alguns exemplos:<\/p>\n<p><\/span><span>1. H&aacute; apenas quinze dias, em pequeno balan&ccedil;o do semestre que arrisquei neste Observat&oacute;rio [ver &quot;Balan&ccedil;o provis&oacute;rio de um semestre inusitado&quot;], escrevi que o debate gerado pela Portaria 264 do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a em torno da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa dos programas de televis&atilde;o revelava, n&atilde;o s&oacute; os verdadeiros interesses em jogo, mas tamb&eacute;m qual &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico com a qual esses grupos operam. Faltou acrescentar que o desfecho do debate revelaria o mais importante: a verdadeira correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as existente entre os atores na disputa. <\/p>\n<p><\/span><span>Uma nova Portaria, a de n&ordm; 1220, foi publicada no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o na semana passada e os radiodifusores tiveram acatadas 18 das suas 22 exig&ecirc;ncias. A classifica&ccedil;&atilde;o dos programas ser&aacute; agora feita pelas pr&oacute;prias concession&aacute;rias &ndash; que ainda ganharam seis meses para se adaptar &agrave; norma que vincula a programa&ccedil;&atilde;o e as faixas de hor&aacute;rio em todo o territ&oacute;rio nacional. <\/p>\n<p><\/span><span>Mat&eacute;ria sob o t&iacute;tulo &quot;Abaixo a tesoura&quot;, publicada na Veja desta semana (edi&ccedil;&atilde;o 2017, de 18\/7\/2007), exemplifica bem a forma como os atores com interesse na quest&atilde;o trataram a disputa e o tipo de jornalismo (?) opinativo que foi produzido por eles. A Portaria 264 &eacute; identificada como &quot;inequ&iacute;voco vi&eacute;s autorit&aacute;rio&quot;, &quot;mecanismo equivalente &agrave; censura pr&eacute;via dos tempos da ditadura militar&quot;, &quot;aberra&ccedil;&atilde;o&quot;, &quot;entulho antidemocr&aacute;tico&quot; e &quot;dispositivo stalinista&quot;. O diretor do Departamento de Classifica&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a &eacute; desqualificado como &quot;comiss&aacute;rio com DNA comunista&quot; e adepto de &quot;corrente da retroesquerda&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>A quest&atilde;o que fica &eacute; a seguinte: o governo cedeu aos radiodifusores privados o necess&aacute;rio para evitar que ficassem &quot;insatisfeitos&quot; e manter os princ&iacute;pios b&aacute;sicos que nortearam a elabora&ccedil;&atilde;o da Portaria 264 ou, na verdade, cedeu mais do que era necess&aacute;rio e poss&iacute;vel?<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sem checagem<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>2. Tanto o Fant&aacute;stico como o Jornal da Nacional da Rede Globo exibiram recentemente imagens do circuito interno de televis&atilde;o do Minist&eacute;rio de Minas e Energia &ndash; obtidas pela Pol&iacute;cia Federal (PF) &ndash; que &quot;comprovariam&quot; a entrega por funcion&aacute;ria da empreiteira Gautama de envelope com 100 mil reais no gabinete do ex-ministro Silas Rondeau e, portanto, o seu envolvimento no esquema de corrup&ccedil;&atilde;o montado pela construtora. Os principais jornais e revistas de refer&ecirc;ncia nacional &quot;embarcaram&quot; na den&uacute;ncia que provocou, inclusive, a ren&uacute;ncia do ent&atilde;o ministro. <\/p>\n<p><\/span><span>Laudo produzido pelo Laborat&oacute;rio de Per&iacute;cias da Unicamp e divulgado pela CartaCapital (n&ordm; 452, de 11\/7\/2007), no entanto, desmente a veracidade das imagens. <\/p>\n<p><\/span><span>Tudo indica que existe um fluxo permanente de informa&ccedil;&atilde;o entre parte da Pol&iacute;cia Federal (PF) e alguns dos principais ve&iacute;culos da grande m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span><span>Estaria a grande m&iacute;dia praticando as mesmas irresponsabilidades que caracterizaram parte da cobertura jornal&iacute;stica da crise pol&iacute;tica de 2005 e das elei&ccedil;&otilde;es de 2006, isto &eacute;, divulgando sem checar as den&uacute;ncias que lhe chegam &agrave;s m&atilde;os?<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o seria o caso, ao contr&aacute;rio, de se buscar jornalisticamente compreender o que se passa &ndash; e por que &ndash; na PF? Estaria havendo alguma partidariza&ccedil;&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es e das a&ccedil;&otilde;es da PF?<\/p>\n<p><\/span><strong>Mesma dire&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><span>3. Mat&eacute;ria no Estado de S.Paulo (&quot;R&aacute;dio de Argello &eacute; operada por grupo italiano&quot;, p&aacute;g A-10, de 15\/7) revela estranhos v&iacute;nculos do futuro senador Gim Argello (PTB-DF) com a radiodifus&atilde;o. Ex-concession&aacute;rio de uma emissora de r&aacute;dio educativa (!), ele a transferiu para uma organiza&ccedil;&atilde;o religiosa italiana. Al&eacute;m disso, o futuro senador &eacute; s&oacute;cio de uma emissora de r&aacute;dio comercial &ndash; R&aacute;dio Global Comunica&ccedil;&atilde;o Ltda. &ndash; no munic&iacute;pio de Formiga, interior de Minas Gerais, e teria &quot;interesses&quot; em cinco r&aacute;dios comunit&aacute;rias na periferia de Bras&iacute;lia para cuja legaliza&ccedil;&atilde;o trabalhou junto ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Est&atilde;o presentes na mat&eacute;ria den&uacute;ncias graves que envolvem: <\/p>\n<p><\/span><span>** o descumprimento da norma constitucional (Artigo 222) que pro&iacute;be a propriedade superior a 30% de empresa de radiodifus&atilde;o por estrangeiros, al&eacute;m de determinar que a gest&atilde;o e o controle da programa&ccedil;&atilde;o deve ser feito por brasileiros; <\/p>\n<p><\/span><span>** o desvirtuamento dos objetivos de uma concess&atilde;o educativa (Decreto 236\/67) para atividades de proselitismo religioso; <\/p>\n<p><\/span><span>** a proibi&ccedil;&atilde;o de &quot;exerc&iacute;cio de mandato eletivo&quot; simultaneamente &agrave; dire&ccedil;&atilde;o de uma empresa concession&aacute;ria de servi&ccedil;o p&uacute;blico (Artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o); e <\/p>\n<p><\/span><span>** o desvirtuamento dos objetivos de uma autoriza&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio comunit&aacute;ria para atividades de proselitismo pol&iacute;tico (Lei 9.612\/98).<\/p>\n<p><\/span><span>Infelizmente, os exemplos apontam na mesma dire&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, indicam o quanto ainda teremos que caminhar para que o interesse p&uacute;blico efetivamente prevale&ccedil;a tanto na elabora&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&otilde;es quanto na cobertura jornal&iacute;stica da pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><span><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor, entre outros, de M&iacute;dia: crise pol&iacute;tica e poder no Brasil (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2006)<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na intensa din&acirc;mica que tem presidido o desenrolar da conjuntura das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&otilde;es e o comportamento da cobertura jornal&iacute;stica da pol&iacute;tica nacional, a semana que passou foi rica em novos desdobramentos. 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