{"id":18754,"date":"2007-07-17T15:26:40","date_gmt":"2007-07-17T15:26:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18754"},"modified":"2007-07-17T15:26:40","modified_gmt":"2007-07-17T15:26:40","slug":"ecad-avanca-na-arrecacao-sobre-os-exibidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18754","title":{"rendered":"ECAD avan\u00e7a na arreca\u00e7\u00e3o sobre os exibidores"},"content":{"rendered":"<p><span>H&aacute; cerca de 17 anos o Grupo Severiano Ribeiro deixou de pagar ao Escrit&oacute;rio Central de Arrecada&ccedil;&atilde;o e Distribui&ccedil;&atilde;o (Ecad) os valores sobre a arrecada&ccedil;&atilde;o de suas salas de cinema referentes aos direitos autorais dos artistas representados pela empresa. Foi o come&ccedil;o do embate mais recente de uma querela entre diversas exibidoras de filmes, em especial as grandes exibidoras, as &ldquo;majors&rdquo;, e o Ecad, que representa os interesses de artistas organizados em associa&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, em especial cantores e compositores.<\/p>\n<p><\/span><span>A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira prev&ecirc;, como mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o do direito autoral do artista, o recolhimento de taxa para a exibi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de m&uacute;sicas, independente da cobran&ccedil;a j&aacute; prevista na m&iacute;dia para exibi&ccedil;&atilde;o privada. O universo desta cobran&ccedil;a vai de festas p&uacute;blicas ou grandes festas privadas, como de empresas e ONGs, at&eacute; a exibi&ccedil;&atilde;o de um filme, sobre o qual &eacute; cobrado o direito para exibi&ccedil;&atilde;o da trilha sonora, independente da quantia j&aacute; paga para a utiliza&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica na trilha sonora.<\/p>\n<p><\/span><span>Em rela&ccedil;&atilde;o ao cinema, a &ldquo;mania&rdquo; &eacute; internacional, e o direito de exibi&ccedil;&atilde;o do filme n&atilde;o engloba o de reprodu&ccedil;&atilde;o das m&uacute;sicas em exibi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Al&eacute;m de se aplicar a filmes em cinema, a l&oacute;gica vale para as novas m&iacute;dias de exibi&ccedil;&atilde;o em massa, como a TV a Cabo e a TV por sat&eacute;lite, e o Ecad estuda formas para fazer a cobran&ccedil;a para a exibi&ccedil;&atilde;o de sites na Internet, de acordo com M&aacute;rcia Melo, gerente executiva do &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesta briga entre empresas de entretenimento, a vit&oacute;ria pende para o Ecad, e parece rumar para uma defini&ccedil;&atilde;o, ao menos parcial. Depois de 17 anos, o Grupo Severiano Ribeiro (GSR), maior rede nacional de exibidores, atr&aacute;s apenas do grupo Cinemark, de capital estadunidense, fechou acordo judicial com o Ecad para o pagamento dos direitos autorais n&atilde;o recolhidos nestes anos, prevendo pagamento por um total de 198 salas, e pagou recentemente a segunda parcela deste d&eacute;bito. Desde fevereiro de 2006, o GSR, que envolve ao todo dez empresas exibidoras, paga ainda 2,5% da receita bruta de bilheteria pelas m&uacute;sicas nacionais e estrangeiras executadas em suas salas.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m da vit&oacute;ria e acordo com o GSR, o Ecad espera resultado de a&ccedil;&atilde;o contra a rede UCI, terceira maior rede exibidora no pa&iacute;s, que est&aacute; para ser julgada no Supremo Tribunal Federal. Redes pequenas, como a Iporanga, que tem tr&ecirc;s salas em um shopping center na Baixada Santista, tamb&eacute;m enfrentam processos semelhantes. H&aacute; duas semanas, a rede perdeu a&ccedil;&atilde;o em primeira inst&acirc;ncia. A justificativa do Ecad perspassa o conceito de que o direito autoral &eacute; inalien&aacute;vel em quaisquer m&iacute;dias, e coloca que: &ldquo;A Empresa Cinematogr&aacute;fica Iporanga, contudo, vem se apropriando dos direitos autorais dos artistas e desafiando o judici&aacute;rio&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Samuel Fahel, gerente jur&iacute;dico do Ecad, coloca que do ponto de vista te&oacute;rico n&atilde;o h&aacute; empecilhos para as vit&oacute;rias do &oacute;rg&atilde;o nos tribunais, mesmo no que se refere a gigantes do ramo como o Cinemark, que at&eacute; o momento n&atilde;o aceitou acordo, embora no Ecad n&atilde;o creiam que demorar&aacute; muito para tal acordo ocorrer. &ldquo;Em parte, os empres&aacute;rios do Cinemark estavam esperando os resultados dos processos sobre os outros grupos. O reconhecimento deste direito &eacute; inevit&aacute;vel. Na pr&aacute;tica, &eacute; fazer valer a lei&rdquo;, complementa Fahel.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Direito de quem?<br \/><\/strong><\/span><span>&ldquo;O Ecad surgiu da necessidade de um &oacute;rg&atilde;o gerir coletivamente as rela&ccedil;&otilde;es de direitos autorais, com uma tabela centralizada dos custos. <\/p>\n<p>At&eacute; a sua exist&ecirc;ncia, quando havia necessidade de uma licen&ccedil;a de uso havia grande dificuldade pois era necess&aacute;rio pedir as licen&ccedil;as de forma separada para cada entidade ou artista, titular a titular tendo de dar a autoriza&ccedil;&atilde;o de uso da obra sonora. Num mundo globalizado, buscar pessoa a pessoa na cadeia da m&uacute;sica &eacute; imposs&iacute;vel&rdquo;. Desta forma, M&aacute;rcia Melo resume a fun&ccedil;&atilde;o do Ecad. Fahel vai mais longe,ligando o &oacute;rg&atilde;o diretamente &agrave; diversidade cultural: &ldquo;voc&ecirc; n&atilde;o pode efetivar a cultura sem efetivar a sobreviv&ecirc;ncia do artista, atrav&eacute;s da cobran&ccedil;a de direitos autorais, e por isso mesmo o titular, e somente ele, pode autorizar a exibi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de suas pe&ccedil;as. Depois que autoriza, nos comunica e n&oacute;s verificamos o cumprimento. &Eacute; a nossa fun&ccedil;&atilde;o social, de grande relev&acirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>No cumprimento de tal fun&ccedil;&atilde;o, a entidade distribuiu, no &uacute;ltimo ano, R$ 206 milh&otilde;es para 59 mil titulares de m&uacute;sica (compositores, int&eacute;rpretes, m&uacute;sicos, editores musicais e produtores fonogr&aacute;ficos), de algo em torno de 250 milh&otilde;es que arrecadou, com uma m&eacute;dia de 22 milh&otilde;es arrecadados por m&ecirc;s. Representa mais de 228 mil titulares, e emite mensalmente cerca de 40 mil boletos banc&aacute;rios de pagamento para usu&aacute;rios de m&uacute;sica no Brasil. Quando o assunto &eacute; somente cinema, vale ressaltar que 53% do valor arrecadado e remetido &eacute; de filmes estrangeiros.<\/p>\n<p><\/span><span>A aparente igualdade, inexistente dada a supremacia dos filmes estrangeiros nas salas comerciais de exibi&ccedil;&atilde;o, a ponto de necessitarmos de um instrumento como a cota de tela para fomentar o cinema nacional, explica-se por alguns bons resultados individuais, como o de Dois Filhos de Francisco, e com a demora das gravadoras internacionais de pedirem a remessa de valores para os detentores dos direitos autorais fora do pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Discuss&atilde;o Federal<br \/><\/strong><\/span><span>Em dezembro de 2003, foi apresentado, pelos senadores Jo&atilde;o Capiberibe (PSB-AP) e Paulo Oct&aacute;vio (PFL-DF), o Projeto de Lei n&ordm; 532, que modificava as regras do pagamento de direitos autorais de trilhas sonoras de filmes estrangeiros exibidos em salas de cinema do pa&iacute;s. Ap&oacute;s altera&ccedil;&atilde;o, a proposta tem hoje o sentido de isentar os exibidores do pagamento dos direitos autorais de m&uacute;sicas que comp&otilde;e a trilha sonora de um filme. Recentemente, compositores e representantes do ECAD foram ao Senado para protestar contra o projeto. <\/p>\n<p><\/span><span>O Ecad, por sua vez, acredita que o projeto n&atilde;o vingar&aacute;. &ldquo;Eles tentaram o lobby no apagar das luzes, mas foram flagrados. Todos pagam direitos por exibi&ccedil;&atilde;o, e o cinema n&atilde;o &eacute; diferente dos outros&rdquo;, coloca Fahel, que diz ainda que o projeto viola a Constitui&ccedil;&atilde;o. Apesar de contar com o apoio da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira dos Multiplex e do Grupo Severiano Ribeiro, Fahel acredita que o projeto n&atilde;o tem mais for&ccedil;a para ser aprovado. A Motion Pictures Association, representante dos maiores produtores de cinema do mundo, &eacute; contr&aacute;ria ao projeto.<\/p>\n<p><\/span><span>At&eacute; o momento, por&eacute;m, o projeto n&atilde;o foi extinto, e h&aacute; ainda diversos outros projetos que prop&otilde;e altera&ccedil;&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o que rege os direitos autorais. Exemplo &eacute; um decreto recente, do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, que liberava do pagamento de direitos autorais os eventos sem fins lucrativos, e contra o qual o Ecad conseguiu mandato de seguran&ccedil;a recente.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m dos lobbystas e das empresas exibidoras, outros setores da sociedade discordam da posi&ccedil;&atilde;o do Ecad, por motivos diversos dos exibidores. A advogada Cristiane Olivieri, especialista em produ&ccedil;&atilde;o cultural entende que &ldquo;deveria ser criada uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o que previsse concess&otilde;es de direitos para determinadas produ&ccedil;&otilde;es de poucos recursos&rdquo;. Como pode ser visto por coberturas recentes do CulturaeMercado (leia aqui), movimentos como o Creative Commons (leia mais) t&ecirc;m proposto alternativas ao modelo de direito autoral proposto pelo Ecad, e artistas como o ministro Gilberto Gil gravaram recentemente diversas m&uacute;sicas protegidas de outras formas. Pesa, deste lado, a concep&ccedil;&atilde;o de que o direito autoral &eacute; um fator que limita a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e art&iacute;stica e sua circula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A vis&atilde;o dos exibidores<br \/><\/strong><\/span><span>A dire&ccedil;&atilde;o do Grupo Severiano Ribeiro disse n&atilde;o ter nenhuma informa&ccedil;&atilde;o a acrescentar sobre este tema, a n&atilde;o ser que fechou acordo com o Ecad e est&aacute; cumprindo o que foi acertado.<\/p>\n<p><\/span><span>Nossa reportagem procurou ainda as redes Cinemark, UCI e Moviecom, que at&eacute; o momento do fechamento n&atilde;o se manifestaram sobre o tema.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original (100canais).<\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; cerca de 17 anos o Grupo Severiano Ribeiro deixou de pagar ao Escrit&oacute;rio Central de Arrecada&ccedil;&atilde;o e Distribui&ccedil;&atilde;o (Ecad) os valores sobre a arrecada&ccedil;&atilde;o de suas salas de cinema referentes aos direitos autorais dos artistas representados pela empresa. 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