{"id":18741,"date":"2007-07-16T11:48:08","date_gmt":"2007-07-16T11:48:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18741"},"modified":"2007-07-16T11:48:08","modified_gmt":"2007-07-16T11:48:08","slug":"classificacao-indicativa-tv-globo-enquadra-o-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18741","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o Indicativa: TV Globo enquadra o governo Lula"},"content":{"rendered":"<p><span>As poderosas emissoras de TV do Brasil, que manipulam as informa&ccedil;&otilde;es e deformam o comportamento, acabam de obter mais uma vit&oacute;ria diante do governo Lula. Ap&oacute;s um intenso bombardeio, que contou com v&aacute;rios artistas globais &ndash; tendo a frente o &ldquo;anarquista-tucano&rdquo; J&ocirc; Soares &ndash;, com milion&aacute;rios an&uacute;ncios e com uma cobertura parcial e agressiva da pr&oacute;pria m&iacute;dia hegem&ocirc;nica, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a anunciou na semana passada altera&ccedil;&otilde;es na portaria que normatiza a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa para os programas de TV. O projeto inicial, editado pelo ex-ministro M&aacute;rcio Thomaz Bastos, previa mecanismos de classifica&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o das emissoras &ndash; e n&atilde;o de censura, como elas alardearam de maneira terrorista e maldosa. <br \/><\/span><span><br \/>No final da contenda, o governo Lula &eacute; que acabou novamente sendo enquadrado pelos &ldquo;donos da m&iacute;dia&rdquo;. Na portaria anterior (264), a exemplo do que ocorre na maioria dos pa&iacute;ses, caberia ao minist&eacute;rio a an&aacute;lise pr&eacute;via para a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa de um determinado programa. J&aacute; na nova (1.220), esse papel caber&aacute; exclusivamente &agrave;s redes privadas, que dever&atilde;o realizar uma pretensa &ldquo;autoclassifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; e ter&atilde;o o prazo de 60 dias &ndash; no qual o programa j&aacute; poder&aacute; ser exibido com todas as suas deforma&ccedil;&otilde;es &ndash; para que a Justi&ccedil;a &ldquo;monitore&rdquo; o seu conte&uacute;do. Na pr&aacute;tica, as TVs privadas, que usam gratuitamente uma concess&atilde;o p&uacute;blica, &eacute; que definir&atilde;o arbitrariamente a programa&ccedil;&atilde;o &ndash; com todos os seus valores mercantis apodrecidos.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Recuo n&atilde;o sacia o apetite<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar desta &ldquo;estrondosa vit&oacute;ria&rdquo;, conforme noticiado pela imprensa, as emissoras de televis&atilde;o ainda n&atilde;o est&atilde;o satisfeitas com este inexplic&aacute;vel recuo do governo Lula e querem mais. O jornal O Globo publicou quatro artigos, em duas p&aacute;ginas, para criticar a nova portaria: &ldquo;Classifica&ccedil;&atilde;o: governo continua com poder de veto&rdquo;, &ldquo;Nova classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convence os artistas&rdquo;, &ldquo;Pela Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode haver censura&rdquo; e &ldquo;Portaria exclui notici&aacute;rio jornal&iacute;stico&rdquo;. Numa manipula&ccedil;&atilde;o grosseira, a famiglia Marinho insiste na tese de que a &uacute;ltima palavra na classifica&ccedil;&atilde;o ainda caber&aacute; ao governo, o que &eacute; uma escancarada mentira. A TV Globo, na sua arrog&acirc;ncia imperial, n&atilde;o aceita nem sequer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p><\/span><span>Pela portaria, as emissoras ficar&atilde;o livres de qualquer san&ccedil;&atilde;o, caso n&atilde;o respeitem uma eventual revis&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o, e qualquer reavalia&ccedil;&atilde;o s&oacute; poder&aacute; ser feita pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e pela Justi&ccedil;a. O governo, respons&aacute;vel pela concess&atilde;o p&uacute;blica, foi totalmente alijado. Nem sequer a portaria anterior, mais afinada com o Estado de Direito, impunha alguma forma de censura. De maneira expl&iacute;cita, ela determinava que a classifica&ccedil;&atilde;o seria apenas indicativa, e n&atilde;o impositiva, e que as TVs que a desrespeitassem s&oacute; poderiam ser punidas pela Justi&ccedil;a. Mesmo assim, as poderosas emissoras, com o apoio mesquinho e individualista de alguns artistas, carimbaram no governo a pecha de autorit&aacute;rio, respons&aacute;vel pelo &ldquo;retorno da censura&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O jogo pesado das emissoras<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A batalha da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa foi dura e o povo nem teve chance de conhecer a sua real dimens&atilde;o, j&aacute; que ficou exposto &agrave; execr&aacute;vel manipula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. At&eacute; Alberto Dines, do Observat&oacute;rio da Imprensa, reconheceu &ldquo;o jogo pesado adotado pelas empresas de TV, capitaneadas pela Globo. An&uacute;ncios de p&aacute;gina inteira nos principais jornais reproduzindo o manifestado assinado por astros e estrelas das telinhas contra a classifica&ccedil;&atilde;o que existe em todos os pa&iacute;ses mostra que as concession&aacute;rias de radiodifus&atilde;o est&atilde;o somente interessadas em servir aos seus pr&oacute;prios interesses, e n&atilde;o ao interesse p&uacute;blico. Esta orquestra&ccedil;&atilde;o serviu para escancarar a imperiosa necessidade do debate sobre a concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia no pa&iacute;s. Se adot&aacute;ssemos aqui as normas vigentes nos EUA, a cruzada contra a classifica&ccedil;&atilde;o teria sido menos autorit&aacute;ria&rdquo;.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; o professor Laurindo Lalo Leal Filho, um incans&aacute;vel lutador pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, avalia que a press&atilde;o das empresas para barrar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa na TV aberta &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o do poder da m&iacute;dia no pa&iacute;s. &ldquo;As emissoras de televis&atilde;o no Brasil, concession&aacute;rias de um servi&ccedil;o p&uacute;blico (&eacute; sempre bom lembrar), n&atilde;o admitem qualquer tipo de regras ao seu funcionamento. Trabalham no v&aacute;cuo legal e pretendem continuar assim&rdquo;. Para ele, a nova portaria permitir&aacute; que, mesmo a programa&ccedil;&atilde;o classificada como impr&oacute;pria para crian&ccedil;as e adolescentes, possa ir ao ar no hor&aacute;rio livre &ndash; antes das 20 horas. &ldquo;&Eacute; inadmiss&iacute;vel que algo t&atilde;o delicado, como &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens a cenas incompat&iacute;veis com os respectivos desenvolvimentos f&iacute;sico e mental, fique a crit&eacute;rio exclusivo dos empres&aacute;rios da m&iacute;dia&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Abert emplaca 18 exig&ecirc;ncias <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O pr&oacute;prio secret&aacute;rio nacional de Justi&ccedil;a, Ant&ocirc;nio Carlos Biscaia, confessou que foram atendidas 18 das 24 reivindica&ccedil;&otilde;es da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), que congrega a m&aacute;fia da m&iacute;dia. Entre outras imposi&ccedil;&otilde;es, a Abert recha&ccedil;ou a express&atilde;o &ldquo;terminantemente vedada&rdquo;, que constava da portaria anterior ao se referir &agrave; programa&ccedil;&atilde;o por faixa et&aacute;ria e hor&aacute;rio. Segundo a colunista M&ocirc;nica Bergamo, &ldquo;pressionado pelas TVs, o governo Lula decidiu &lsquo;limpar&rsquo; partes do texto da lei da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa&#8230; Assessores do ministro Tarso Genro se esfor&ccedil;aram para que ele mantivesse no texto ao menos a indica&ccedil;&atilde;o de hor&aacute;rios para os programas apropriados &agrave;s crian&ccedil;as&rdquo;, o que n&atilde;o vingou.<\/p>\n<p><\/span><span>O jogo de press&atilde;o da m&iacute;dia foi violento. A mesma M&ocirc;nica Bergamo, sempre bem informada, revelou que &ldquo;diretores da TV Globo se empenharam pessoalmente na coleta de assinaturas de artistas para o manifesto publicado nos jornais contra o que definiram como &lsquo;classifica&ccedil;&atilde;o impositiva&rsquo;&#8230; O artista pl&aacute;stico Siron Franco foi procurado pela equipe de Luis Erlanger (porta-voz da Globo). Erlanger diz que participou do &lsquo;mutir&atilde;o&rsquo; de coleta, que envolveu cineastas e atores de teatro. A atriz Fernanda Torres diz que n&atilde;o foi procurada, mas que provavelmente &lsquo;n&atilde;o assinaria&rsquo; o manifesto. Diz n&atilde;o ser a favor do &lsquo;vale-tudo&rsquo; na TV, mas afirma que leu pareceres que diziam que a proposta abria brechas para o governo &lsquo;punir as TVs&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Manipula&ccedil;&atilde;o vergonhosa<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Neste processo vergonhoso de manipula&ccedil;&atilde;o, que cooptou v&aacute;rios artistas, as emissoras ouviram somente o lado contr&aacute;rio &agrave; portaria 264, que determinava a an&aacute;lise pr&eacute;via do conte&uacute;do dos programas. Elas inclusive apresentaram a medida como autorit&aacute;ria, elaborada de forma arbitr&aacute;ria pelo governo. N&atilde;o informaram aos telespectadores que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a promoveu audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas nas principais capitais, que uma consulta p&uacute;blica recebeu mais de 11 mil sugest&otilde;es, que ocorreu um semin&aacute;rio internacional em Bras&iacute;lia, que um livro foi publicado e que a Ag&ecirc;ncia Nacional dos Direitos da Inf&acirc;ncia foi contratada para realizar um estudo comparativo sobre a legisla&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios pa&iacute;ses, incluindo os EUA e a Europa.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A cobertura da grande imprensa escondeu o fato de que a portaria do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a foi precedida por muitos estudos e amplo debate. Infelizmente, quem se recusou a participar do debate foi a Abert. Sem contar com um notici&aacute;rio isento, a popula&ccedil;&atilde;o foi levada a acreditar que o Brasil estava pr&oacute;ximo de adotar uma pol&iacute;tica totalit&aacute;ria, desconhecendo que quase toda a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia j&aacute; usa crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria. A cobertura da imprensa tamb&eacute;m n&atilde;o informou que a classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o incide sobre a TV paga, os tele-jornais e document&aacute;rios, sobre a propaganda e os programas ao vivo e esportivos. E, tampouco, ela mencionou que h&aacute; anos convivemos com a classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria nas salas de cinema, sem que nenhum produtor, diretor ou ator tenha reclamado&rdquo;, denuncia Gustavo Gindre, integrante do Coletivo Intervozes.<\/p>\n<p><\/span><span>Num atentado &agrave; democracia e ao pr&oacute;prio jornalismo, as TVs s&oacute; entrevistaram artistas e diretores famosos, a maior parte da Rede Globo, que compararam a classifica&ccedil;&atilde;o &agrave; censura. &ldquo;Segundo essa posi&ccedil;&atilde;o, o Estado n&atilde;o tem o direito de cobrar que um concession&aacute;rio de servi&ccedil;o p&uacute;blico tenha preocupa&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o de nossa inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. Por essa vers&atilde;o, alterar a exibi&ccedil;&atilde;o de um programa de televis&atilde;o, baseado na quantidade das cenas de sexo e viol&ecirc;ncia, seria censura&rdquo;, contesta Gindre. Ele tamb&eacute;m critica alguns &ldquo;artistas famosos&rdquo;, que assinaram o manifesto contra a censura, mas nunca lutaram contra &ldquo;a censura que j&aacute; existe nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o privados (tanto no jornalismo quanto na dramaturgia). Onde estavam quando a TV Globo escondeu das telas os com&iacute;cios das Diretas-J&aacute; ou quando, mais recentemente, a V&ecirc;nus Prateada determinou que o casal de l&eacute;sbicas da nova &lsquo;Torre de Babel&rsquo; morresse numa explos&atilde;o?&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><em>* Altamiro Borges &eacute; jornalista, membro do Comit&ecirc; Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro &ldquo;As encruzilhadas do sindicalismo&rdquo; (Editora Anita Garibaldi, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As poderosas emissoras de TV do Brasil, que manipulam as informa&ccedil;&otilde;es e deformam o comportamento, acabam de obter mais uma vit&oacute;ria diante do governo Lula. 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