{"id":18733,"date":"2007-07-13T17:13:55","date_gmt":"2007-07-13T17:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18733"},"modified":"2007-07-13T17:13:55","modified_gmt":"2007-07-13T17:13:55","slug":"auto-regulamentacao-o-conar-nao-funciona-para-o-alcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18733","title":{"rendered":"Auto-regulamenta\u00e7\u00e3o: o Conar n\u00e3o funciona para o \u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p><span>A Auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o da propaganda, no Brasil exercida pelo Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria), &eacute; a estrat&eacute;gia defendida pelas ind&uacute;strias de bebidas alco&oacute;licas como efetiva para regulamentar a promo&ccedil;&atilde;o de seus produtos. As vantagens presumidas seriam: efici&ecirc;ncia, maiores incentivos para obedi&ecirc;ncia e custo reduzido. Esses argumentos t&ecirc;m sido defendidos em v&aacute;rios artigos recentes na m&iacute;dia. &Eacute; poss&iacute;vel que a auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o seja &lsquo;mais eficiente do que a atua&ccedil;&atilde;o do Estado&rsquo; em algumas &aacute;reas, mas, certamente, essa l&oacute;gica n&atilde;o se aplica &agrave; &aacute;rea das bebidas alco&oacute;licas. <\/p>\n<p><\/span><span>Existem evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas de que a exposi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de bebidas alco&oacute;licas aumenta a probabilidade de que elas iniciem um consumo precoce e bebam mais. Isso acontece em adi&ccedil;&atilde;o a outras vari&aacute;veis, como baixo pre&ccedil;o dos produtos e facilidade do acesso, mas &eacute; independente delas. Ou seja, a promo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico fator que causa impacto no consumo de &aacute;lcool, mas certamente &eacute; um deles. Embora in&uacute;meras pesquisas tenham demonstrado de forma inequ&iacute;voca esse fato, tal verdade n&atilde;o &eacute; aceita pela ind&uacute;stria do &aacute;lcool. <\/p>\n<p><\/span><span>Mas esse n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico fator importante. A propaganda do &aacute;lcool, principalmente a que &eacute; apreciada pelas crian&ccedil;as, em especial a que cont&eacute;m humor, se relaciona com suas atitudes e expectativas positivas quanto &agrave;s bebidas alco&oacute;licas. Isso significa que a propaganda &eacute; um fator de estrutura&ccedil;&atilde;o de atitudes das crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s bebidas alco&oacute;licas -atitudes e cren&ccedil;as que n&atilde;o s&atilde;o mudadas do dia para a noite. Esse processo se d&aacute; com um ac&uacute;mulo de mensagens atraentes e exclusivamente positivas e bem-humoradas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s bebidas alco&oacute;licas. <\/p>\n<p><\/span><span>Pesquisa nacional financiada pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) mostra que cerca de 60% dos adolescentes brasileiros est&atilde;o expostos a algum tipo de promo&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool (televis&atilde;o, r&aacute;dio, revista ou outdoor) diariamente. <\/p>\n<p><\/span><span>Portanto, do ponto de vista da sa&uacute;de p&uacute;blica, &eacute; fundamental que possamos exercer influ&ecirc;ncia n&atilde;o somente no tipo de propaganda a que nossas crian&ccedil;as s&atilde;o expostas mas tamb&eacute;m -e principalmente- na quantidade de exposi&ccedil;&atilde;o. Pelo simples motivo de que, quanto maior &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o, maior &eacute; o consumo do &aacute;lcool. &Eacute; o que as pesquisas mostram. <\/p>\n<p><\/span><span>Mas voltemos &agrave; auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o. Os c&oacute;digos relacionam-se principalmente com quest&otilde;es de conte&uacute;do das mensagens, basicamente restringindo mensagens direcionadas aos menores de idade e que incentivem o consumo abusivo. V&aacute;rios estudos cient&iacute;ficos internacionais apontam que a interpreta&ccedil;&atilde;o desses c&oacute;digos varia muito, dependendo do p&uacute;blico que os avalia. Dessa maneira, e n&atilde;o surpreendentemente, avalia&ccedil;&otilde;es realizadas por membros das ind&uacute;strias de interesse econ&ocirc;mico (publicit&aacute;rios, ind&uacute;stria de &aacute;lcool, m&iacute;dia etc.) encontram muito menos viola&ccedil;&otilde;es do que as realizadas por representantes do p&uacute;blico geral. Pesquisa com apoio da Fapesp (Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo) rec&eacute;m-conclu&iacute;da pela Unifesp (Universidade Federal de S&atilde;o Paulo) com estudantes do ensino m&eacute;dio de escolas p&uacute;blicas apontou grande n&uacute;mero de viola&ccedil;&otilde;es em cinco propagandas de cerveja selecionadas como as mais apreciadas pelos estudantes. <\/p>\n<p><\/span><span>Uma das recomenda&ccedil;&otilde;es do Conar com respeito &agrave; propaganda de &aacute;lcool &eacute; que ela &lsquo;evite associa&ccedil;&atilde;o com erotismo&rsquo;. O leitor que j&aacute; tenha assistido a algum comercial de cerveja talvez nos acompanhe na d&uacute;vida quanto ao cumprimento desse item. De qualquer maneira, a principal inten&ccedil;&atilde;o da auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o no caso das bebidas alco&oacute;licas &eacute; evitar inger&ecirc;ncia externa -leia-se restri&ccedil;&atilde;o &agrave; quantidade de propaganda. E &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o, no final, o que realmente importa em termos do impacto no consumo dos adolescentes e jovens. <\/p>\n<p><\/span><span>O ministro da Sa&uacute;de, grande defensor da sa&uacute;de p&uacute;blica, j&aacute; expressou a sua prefer&ecirc;ncia pela restri&ccedil;&atilde;o da propaganda do &aacute;lcool, &agrave; semelhan&ccedil;a do que foi feito com o cigarro. Do presidente Lula espera-se que tenha a coragem e a determina&ccedil;&atilde;o para optar pela restri&ccedil;&atilde;o desse tipo de propaganda que estimula que menores de idade bebam. Afinal, n&atilde;o &eacute; a concorr&ecirc;ncia entre marcas que est&aacute; em jogo, mas a sa&uacute;de da sociedade brasileira. <\/p>\n<p><em>* <\/em><\/span><span><em>RONALDO LARANJEIRA, 50, doutor em psiquiatria pela Universidade de Londres (Inglaterra), &eacute; professor livre docente do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de S&atilde;o Paulo). <\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>* ILANA PINSKY, 40, psicoterapeuta, mestre em psicologia pela USP e doutora em psiquiatria e psicologia m&eacute;dica pela Unifesp, &eacute; pesquisadora s&ecirc;nior do Departamento de Psiquiatria da Unifesp.&quot;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><span>* copyright Folha de S. Paulo, 12\/07\/07<\/span><\/span><span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o da propaganda, no Brasil exercida pelo Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria), &eacute; a estrat&eacute;gia defendida pelas ind&uacute;strias de bebidas alco&oacute;licas como efetiva para regulamentar a promo&ccedil;&atilde;o de seus produtos. As vantagens presumidas seriam: efici&ecirc;ncia, maiores incentivos para obedi&ecirc;ncia e custo reduzido. 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