{"id":18725,"date":"2007-07-13T12:27:44","date_gmt":"2007-07-13T12:27:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18725"},"modified":"2007-07-13T12:27:44","modified_gmt":"2007-07-13T12:27:44","slug":"a-democratizacao-do-acesso-a-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18725","title":{"rendered":"A democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 cultura"},"content":{"rendered":"<p><span><strong>O Sesc &eacute; um modelo de democratiza&ccedil;&atilde;o da cultura, tem programa para todas as idades, em todos os bairros, por mais distantes que sejam, a pre&ccedil;os acess&iacute;veis a todos. &Eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o que faz mais pela cultura do que os &oacute;rg&atilde;os competentes nessa &aacute;rea. O que explica isso? <br \/><\/strong><\/span><span>O Sesc nasceu de uma conjun&ccedil;&atilde;o de fatores muito curiosos. Sabemos que o empresariado, de modo geral, n&atilde;o prima por uma posi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do ponto de vista cultural e social. No que diz respeito a neg&oacute;cios, quer absoluta liberdade, tanto que a livre-iniciativa &eacute; seu grande paradigma, o liberalismo assumido. Mas, cada vez mais, percebe-se a import&acirc;ncia de inst&acirc;ncias reguladoras, que de alguma forma organizem esse processo para garantir direitos. <\/p>\n<p><\/span><span>A impress&atilde;o que eu tenho &eacute; que, quando o Sesc foi criado nos anos 40, um grupo de empres&aacute;rios se deixou influenciar, ou foi influenciado, por pessoas com vis&atilde;o de futuro. A grande maioria n&atilde;o tinha essa perspectiva. Portanto, intelectuais da &eacute;poca, especialistas na &aacute;rea social e cultural, ganharam algum peso, alguma import&acirc;ncia, porque fizeram uma matriz de organiza&ccedil;&atilde;o que, em primeiro lugar, garantia o financiamento; em segundo, certa independ&ecirc;ncia e relativa autonomia de atua&ccedil;&atilde;o; em terceiro, tinha o prop&oacute;sito de criar uma sociedade de bem-estar, voltada para a qualidade de vida. Ou seja, sabiam que o empresariado tinha obriga&ccedil;&otilde;es de ordem econ&ocirc;mica com a sociedade. Isso num per&iacute;odo muito especial, no p&oacute;s-guerra, quando os democratas ganharam no mundo inteiro. <\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, havia o crescimento das propostas de valoriza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, de forma empiricamente organizada, n&atilde;o como temos hoje &ndash; organiza&ccedil;&otilde;es tanto com uma vis&atilde;o marxista como ligadas &agrave; Igreja, ao operariado mais consciente. Se o empresariado n&atilde;o tivesse o cuidado de gerar alguma solu&ccedil;&atilde;o para o equil&iacute;brio social, poderia correr o risco de ver o pa&iacute;s virar. J&aacute; tinha visto uma amea&ccedil;a com a famosa Intentona Comunista de 35. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Ali&aacute;s, intentona, &eacute; a &uacute;nica da hist&oacute;ria do Brasil e do mundo. <\/strong><\/span><span><br \/>Havia o risco do comunismo, &ldquo;aquela fera perigos&iacute;ssima&rdquo;, o empresariado estava assustado. Ent&atilde;o, provavelmente decidiram abrir m&atilde;o de alguma coisa, pagar, uma vez que o Estado n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es de resolver quest&otilde;es que atendessem ao anseio da sociedade. Est&aacute;vamos no processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, que criou as condi&ccedil;&otilde;es no Brasil para uma base industrial razo&aacute;vel. Antes s&oacute; havia agroind&uacute;stria e de tecido. N&atilde;o havia siderurgia, ind&uacute;stria pesada, de energia e de infra-estrutura. Nesse momento, tem in&iacute;cio a ind&uacute;stria brasileira, gra&ccedil;as ao &ldquo;presente&rdquo; do governo americano &ndash; em decorr&ecirc;ncia da nossa participa&ccedil;&atilde;o na Segunda Guerra &ndash;, a Companhia Sider&uacute;rgica Nacional (CSN), a primeira empresa de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;o no pa&iacute;s, instalada no Brasil nos anos 40. Da&iacute; o Estado brasileiro p&ocirc;de criar, logo em seguida, a Petrobras. Enfim, era um momento de nacionaliza&ccedil;&atilde;o das bases de uma sociedade industrial e infra-estrutura um pouco mais consistente. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Al&eacute;m disso, era tamb&eacute;m um momento relevante do ponto de vista cultural. Vivemos nos anos 40 o amadurecimento de uma verdadeira reflex&atilde;o sobre a cultura brasileira, que havia se iniciado com a Semana de Arte Moderna, nos anos 20, com grandes pensadores da &eacute;poca, em um movimento liderado por S&atilde;o Paulo mas nacional. Gra&ccedil;a Aranha, Di Cavalcanti, Villa-Lobos, por exemplo, n&atilde;o eram paulistas. Para mim, al&eacute;m de Caio Prado, S&eacute;rgio Buarque, Gilberto Freyre, Antonio Candido, grandes nomes que ajudaram a criar um pensamento mais aut&ocirc;nomo da cultura brasileira s&atilde;o Mario de Andrade e Oswald de Andrade. Teve papel relevante tamb&eacute;m essa realidade nossa que mistura conhecimento europeu, influ&ecirc;ncia negra, &iacute;ndia, de uma forma nova, com influ&ecirc;ncias important&iacute;ssimas. Da&iacute; vem a verdadeira literatura produzida naquele momento, com Jorge Amado, Graciliano Ramos, Jos&eacute; Lins do Rego &ndash; os grandes nomes do Nordeste.<\/p>\n<p><\/span><span>Com a urbaniza&ccedil;&atilde;o intensa, o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, a migra&ccedil;&atilde;o do campo para a cidade, S&atilde;o Paulo, que at&eacute; ent&atilde;o tinha pouco mais de 1 milh&atilde;o de habitantes, come&ccedil;a a explodir. Os empres&aacute;rios percebem que precisam fazer alguma coisa. Assim, com recursos provenientes das empresas, s&atilde;o criadas algumas organiza&ccedil;&otilde;es para possibilitar, em primeiro lugar, a forma&ccedil;&atilde;o profissional dos trabalhadores para o com&eacute;rcio e a ind&uacute;stria. Nasce ent&atilde;o a primeira delas, o Servi&ccedil;o Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai. &Eacute; interessante observar que a educa&ccedil;&atilde;o profissional &eacute; a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o para a ind&uacute;stria, em 1942.&nbsp; Em seguida &eacute; criado o Servi&ccedil;o Nacional de Aprendizagem Comercial, o Senac, direcionado &agrave; administra&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o de escrit&oacute;rios, de toda a parte da infra-estrutura necess&aacute;ria para os servi&ccedil;os. Depois vieram o Servi&ccedil;o Social da Ind&uacute;stria, o Sesi, e o Servi&ccedil;o Social do Com&eacute;rcio, o Sesc. <\/p>\n<p><\/span><span>Esses dois s&atilde;o criados porque, al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o profissional e dos direitos trabalhistas que vieram a ser garantidos por Get&uacute;lio no in&iacute;cio dos anos 40, h&aacute; a necessidade de proporcionar algum bem-estar ao trabalhador. Ent&atilde;o o Estado faz um acordo com o empresariado: o governo garante em lei que todo mundo pague e o empresariado administra. A lei institui um imposto patronal, uma contribui&ccedil;&atilde;o proveniente das empresas, calculado em cima da folha de pagamentos. O n&uacute;mero de funcion&aacute;rios &eacute; que determina a necessidade de uma contribui&ccedil;&atilde;o maior ou menor da empresa.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&Eacute; por n&uacute;mero de funcion&aacute;rios ou volume salarial?<br \/><\/strong><\/span><span>&Eacute; um percentual sobre sal&aacute;rio de empregado, n&atilde;o &eacute; sobre o faturamento. Trata-se de um percentual simb&oacute;lico, pequeno, que no decorrer destes sessenta anos diminuiu. Perceberam que era uma solu&ccedil;&atilde;o interessante. Nos &uacute;ltimos anos acrescentaram algumas outras institui&ccedil;&otilde;es parecidas. Ent&atilde;o, esse galho de onde passou a vir recurso foi pendurando muita coisa, come&ccedil;ou a envergar e pode quebrar de uma hora para outra, pondo em risco quem se utiliza disso de maneira adequada.<\/p>\n<p><\/span><span>Essa &eacute; um pouco a origem do chamado Sistema S. Particularmente, sou um pouco refrat&aacute;rio a esse nome, porque no Sistema S s&atilde;o colocadas numa mesma categoria realidades muito diferentes com objetivos diferentes.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E quais s&atilde;o os objetivos do Sesc?<br \/><\/strong><\/span><span>O Sesc tem muito claro o seu DNA, o que comp&otilde;e sua cadeia gen&eacute;tica, o que faz a institui&ccedil;&atilde;o ser o que &eacute;. O Sesc tem, na origem, um programa de bem-estar social que hoje se traduz por qualidade de vida, acesso a cultura, informa&ccedil;&atilde;o, conhecimento, sa&uacute;de, enfim, acesso a uma vida saud&aacute;vel. Mas isso &eacute; um programa de governo! A pretens&atilde;o no in&iacute;cio era essa. Por isso, temos muita proximidade com programas e objetivos de car&aacute;ter p&uacute;blico, para uma clientela prioritariamente definida, que s&atilde;o os trabalhadores do com&eacute;rcio e servi&ccedil;os, seus dependentes e a popula&ccedil;&atilde;o em geral, como decorr&ecirc;ncia. Nestes sessenta anos, a estrat&eacute;gia da institui&ccedil;&atilde;o foi migrando de metodologias v&aacute;rias at&eacute; encontrar uma que fosse a mais abrangente e concreta poss&iacute;vel, a&ccedil;&atilde;o sociocultural para a popula&ccedil;&atilde;o comerci&aacute;ria, trabalhadores na &aacute;rea de servi&ccedil;os e p&uacute;blico em geral. Isso nunca foi tratado de maneira muito objetiva no in&iacute;cio. Mas tem fundamentos conceituais, na medida em que uma a&ccedil;&atilde;o cultural destinada a uma clientela definida dentro da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; impedindo, em parte, que o restante tenha acesso. E a cultura e determinados n&iacute;veis de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; como restringir, n&atilde;o tem sentido. Ent&atilde;o, priorizamos os trabalhadores, porque as empresas &eacute; que pagam a conta, e isso se d&aacute; de maneira muito clara, sobretudo no beneficiamento e facilita&ccedil;&atilde;o do acesso. Simplificando, desconto em entrada, prefer&ecirc;ncia na hora de fazer op&ccedil;&otilde;es para determinadas atividades etc.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Sesc tem instala&ccedil;&otilde;es em Itaquera, Interlagos, Santo Andr&eacute;, S&atilde;o Caetano. Ir ao Belenzinho &agrave; noite pode ser dif&iacute;cil para quem mora no Jardim Paulista, mas o que passa em uma unidade n&atilde;o passa em outra. Trazem um artista de Paris para expor em Santo Andr&eacute; (SP). &Eacute; muito democr&aacute;tico, &eacute; a deslocaliza&ccedil;&atilde;o da cultura. Em S&atilde;o Paulo h&aacute; uma grande concentra&ccedil;&atilde;o de museu, teatro, cinema.<br \/><\/strong><\/span><span>Fazemos isso de prop&oacute;sito. H&aacute; uma vis&atilde;o um pouco deturpada da sociedade, que se organiza dando prefer&ecirc;ncia para a classe dominante. Temos a inten&ccedil;&atilde;o muito clara de atingir esse processo de democratiza&ccedil;&atilde;o. Isso for&ccedil;a o Sesc a trazer a qualidade, que tem car&aacute;ter central, para a periferia. Em 1975, em plena ditadura, o Sesc decidiu fazer o centro campestre em Interlagos. Causou certo espanto, porque usou os melhores materiais, um tipo de constru&ccedil;&atilde;o e de inten&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;prio das classes mais privilegiadas, voltado para o trabalhador de periferia.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>H&aacute; Sesc em todos os estados?<br \/><\/strong><\/span><span>Sim. A governan&ccedil;a da institui&ccedil;&atilde;o, desde o in&iacute;cio, foi atribu&iacute;da aos empres&aacute;rios de uma forma bem clara e numa perspectiva de car&aacute;ter privado mas com controle p&uacute;blico. Quando o Sesc foi criado, em 1946, o regulamento j&aacute; estabelece que o Tribunal de Contas da Uni&atilde;o fiscaliza a aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos. Estou falando de uma institui&ccedil;&atilde;o no Brasil inteiro. A governan&ccedil;a &eacute; muito importante, tendo em vista o car&aacute;ter regional. Cada estado cria suas condi&ccedil;&otilde;es e realiza dentro do espectro de programas de bem-estar social aqueles mais adequados a sua realidade. Norte e Nordeste t&ecirc;m necessidades diferentes de S&atilde;o Paulo, por exemplo, alfabetiza&ccedil;&atilde;o de base. T&ecirc;m programas mais definidos nessa dire&ccedil;&atilde;o, como alimenta&ccedil;&atilde;o do trabalhador. <\/span>S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro e outros estados v&atilde;o ter programas mais ligados ao lazer, &agrave; cultura e ao esporte.<\/p>\n<p><strong>O direcionamento da verba tem a ver com a arrecada&ccedil;&atilde;o? O que cada estado arrecada &eacute; o que ele tem para aplicar?<br \/><\/strong>Qualquer arrecada&ccedil;&atilde;o de ordem nacional, S&atilde;o Paulo tem mais. &Eacute; o estado que concentra for&ccedil;a econ&ocirc;mica, grande quantidade de empresas e empregados. O Sesc foi criado com um car&aacute;ter redistributivista. Isso &eacute; muito original no Brasil: 20% do recurso recolhido em todo o pa&iacute;s &eacute; redistribu&iacute;do para lugares onde h&aacute; menos recursos, portanto, mais car&ecirc;ncias. Na pr&aacute;tica, s&atilde;o cinco ou seis estados que t&ecirc;m mais recursos. &Eacute; uma perspectiva dos impostos em n&iacute;vel nacional, o que a Uni&atilde;o arrecada em S&atilde;o Paulo n&atilde;o pode ser usado somente no estado. Esse &eacute; o sentido da Federa&ccedil;&atilde;o e da Rep&uacute;blica. Os quatro Ss originais &ndash; Sesc, Senai, Sesi e Senac &ndash; t&ecirc;m fiscaliza&ccedil;&atilde;o nacional e car&aacute;ter redistributivista, o que os aproxima muito das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. <\/p>\n<p>O Sesc come&ccedil;ou com cada estado aut&ocirc;nomo, numa perspectiva bastante provedora, assistencialista e paternalista. Empres&aacute;rios com alguma condi&ccedil;&atilde;o que tiram dinheiro &ldquo;do bolso&rdquo; para criar um fundo, mais moderno do que muitas a&ccedil;&otilde;es de responsabilidade social que se fazem hoje. <\/p>\n<p><strong>O senhor se refere a institui&ccedil;&otilde;es que se valem de isen&ccedil;&atilde;o fiscal para &ldquo;promover&rdquo; cultura?<br \/><\/strong>H&aacute; quem veja como um avan&ccedil;o enorme que empresas assumam a&ccedil;&otilde;es de responsabilidade social. No entanto, elas o fazem em nome de suas funda&ccedil;&otilde;es ou diretorias, ou de sua marca, e com isso agregam os tais valores do marketing, podendo ganhar dimens&atilde;o de uma empresa cidad&atilde;, mas o nome dela est&aacute; l&aacute;. Os maiores financiadores do Sesc no Brasil s&atilde;o o P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car e a Rede Globo, e no entanto nunca se ouviu falar que a entidade esteja fazendo alguma coisa em nome de uma dessas empresas. Elas ajudam a pagar, h&aacute; &ldquo;socializa&ccedil;&atilde;o do prest&iacute;gio&rdquo;, algo muito mais adequado para uma sociedade republicana do que o recurso proveniente de um banco, que tem isen&ccedil;&atilde;o fiscal, portanto recurso p&uacute;blico, aplicado em uma funda&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio banco. N&atilde;o &eacute; errado, mas n&atilde;o &eacute; abrangente como o nosso.<\/p>\n<p><strong>Como se deu a mudan&ccedil;a de enfoque&#8230;<br \/><\/strong>As coisas n&atilde;o eram vistas sob o enfoque do respeito &agrave; igualdade, &agrave; dignidade, era um car&aacute;ter meio filantr&oacute;pico qualitativo. Ao poucos, por meio da comunidade t&eacute;cnica que atua no Sesc, cito o de S&atilde;o Paulo, a institui&ccedil;&atilde;o foi abrindo caminho, fazendo uma reflex&atilde;o mais aprofundada sobre o trabalhador, buscando especialistas no mundo inteiro. Quando o pacto &eacute; feito entre empres&aacute;rios e governo, o trabalhador n&atilde;o est&aacute; presente. Isso para n&oacute;s, hoje, &eacute; um crime, uma falha, mas na &eacute;poca n&atilde;o era fundamental, era moderno fazer daquele jeito. Como era moderna a Carta da Paz Social, um documento que hoje poderia ser assinado pela CUT, em que empres&aacute;rios discutem nos anos 40 a import&acirc;ncia da empresa, sua fun&ccedil;&atilde;o social, e do envolvimento do empres&aacute;rio na perspectiva da melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida do trabalhador, rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, o n&atilde;o-trabalho, o tempo livre e o lazer. Da&iacute; toda uma pol&iacute;tica voltada para a ocupa&ccedil;&atilde;o desse tempo livre de uma maneira produtiva e adequada, oferecendo condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento do trabalhador. H&aacute; uma perspectiva educativa como elemento vital para esse desenvolvimento. Hoje a institui&ccedil;&atilde;o est&aacute; voltada para a educa&ccedil;&atilde;o permanente, de modo a estimular a autonomia do trabalhador e dos freq&uuml;entadores. Para isso, proporciona um cabedal imenso de informa&ccedil;&otilde;es por meio da cultura, do lazer, do esporte inclusivo. O esporte e o tempo livre s&atilde;o importantes e a institui&ccedil;&atilde;o vai percebendo aos poucos que a cultura tem um papel relevante na transforma&ccedil;&atilde;o e na mudan&ccedil;a das pessoas. Por isso a democratiza&ccedil;&atilde;o da cultura acaba sendo um objetivo fundamental, da&iacute; promovermos o bem-estar sociocultural.<\/p>\n<p>E esse cultural n&atilde;o diz respeito somente a artes e espet&aacute;culos e mesmo ao patrim&ocirc;nio e &agrave; mem&oacute;ria, refere-se ao ser humano, &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es. Elegemos clientelas exclu&iacute;das, como o idoso e a crian&ccedil;a, que n&atilde;o est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de risco comportamental ou pol&iacute;tico, mas de vulnerabilidade econ&ocirc;mico-social. <\/p>\n<p><strong>O Sesc &eacute; reconhecido pelo trabalho que desenvolve com idosos, fale-nos um pouco sobre esse p&uacute;blico.<br \/><\/strong>Por conhecermos essa quest&atilde;o a fundo, a Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo nos procurou para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa sobre idosos. Desde os anos 60 atuamos junto ao idoso para ajud&aacute;-lo a descobrir o caminho, e nunca de uma perspectiva paternalista. Oferecemos informa&ccedil;&atilde;o, todo o tipo de atividade, f&iacute;sica inclusive. No Sesc Pinheiros, instalamos equipamentos de gin&aacute;stica pr&oacute;prios para trabalhar o equil&iacute;brio, a percep&ccedil;&atilde;o do piso, o t&aacute;til&#8230; O idoso depois de algum tempo tem dificuldades naturais, e esses equipamentos s&atilde;o apropriados para exercitar atividades mais complicadas, quando membros, m&uacute;sculos e ossos est&atilde;o ligeiramente mais enfraquecidos. Nosso programa para idosos hoje &eacute; intergeracional. Numa sociedade organizada, normal, as pessoas convivem com idades diferentes. N&atilde;o segregamos o idoso. Da exist&ecirc;ncia humana, temos de lidar com tudo, come&ccedil;o, meio e fim.&nbsp; <\/p>\n<p>No Sesc Consola&ccedil;&atilde;o, fizemos uns quatro anos seguidos uma grande a&ccedil;&atilde;o voltada para a atividade c&ecirc;nica, teatro, musical, que mistura idosos, jovens, adultos, crian&ccedil;as se apresentando. Voc&ecirc;s nem imaginam como isso revitaliza o idoso.<\/p>\n<p><strong>D&ecirc; um exemplo.<br \/><\/strong>O Andr&eacute; Abujamra montou uma esp&eacute;cie de &oacute;pera em que cantavam, dan&ccedil;avam, representavam, um processo progressivo que tem esse car&aacute;ter educativo fundamental. Grande parte dos idosos &eacute; sozinha ou n&atilde;o est&aacute; incorporada &agrave; fam&iacute;lia, de metr&oacute;pole moderna. N&atilde;o queremos substituir a fam&iacute;lia, mas pretendemos que a sociedade seja normal, que as pessoas convivam dentro de normas, com acompanhamento adequado. Vamos divulgar nossa pesquisa no Brasil todo.<\/p>\n<p><strong>A programa&ccedil;&atilde;o do Sesc &eacute; vasta, tem hap, m&uacute;sica eletr&ocirc;nica, ikebana, tai-chi, teatro&#8230; Como voc&ecirc; a sintetizaria? &Eacute; definida em fun&ccedil;&atilde;o da unidade e do perfil do p&uacute;blico que a freq&uuml;enta?<br \/><\/strong>Os equipamentos e a arquitetura s&atilde;o diferentes em cada unidade. Existe uma s&eacute;rie de elementos que orientam as voca&ccedil;&otilde;es dos espa&ccedil;os. Eu n&atilde;o posso colocar os Racionais MC no Sesc Anchieta para 300 lugares. Eles t&ecirc;m de se apresentar&nbsp; onde caibam milhares de pessoas, como j&aacute; fizemos sem problema nenhum.<\/p>\n<p>Temos uma perspectiva de democratiza&ccedil;&atilde;o e facilita&ccedil;&atilde;o de acesso. O Sesc que me vem &agrave; cabe&ccedil;a sempre quando falo disso &eacute; o Pomp&eacute;ia, uma rua que entra, sem bloqueios vis&iacute;veis, catraca ou portaria. Futuramente, vamos ter uma unidade na Rua 24 de Maio em que o t&eacute;rreo ser&aacute; tamb&eacute;m integrado com a rua, perto da Galeria do Rock, onde era a Mesbla anos atr&aacute;s. &Eacute; uma pracinha coberta que se mistura com a rua. Esse &eacute; o Sesc ideal. Esse conceito do acesso que facilita entrar da rua &eacute; a ess&ecirc;ncia da nossa proposta de democratiza&ccedil;&atilde;o. Uma vez dentro, h&aacute; muitas possibilidades, uma oferta bastante ampla, do ponto de vista do custo, da linguagem e do tempo &ndash; moderna, tradicional, antiga. H&aacute; respeito a todas as tend&ecirc;ncias. Para a gente, hap, &oacute;pera, cl&aacute;ssica, moderna, dodecaf&ocirc;nica, tudo isso cabe, desde que tenha qualidade e seja proposta educativa. <\/p>\n<p>Tivemos recentemente um teatro polon&ecirc;s que se apresentou no Sesc Pomp&eacute;ia do lado de fora. O espet&aacute;culo era em polon&ecirc;s, tratava de intoler&acirc;ncia, era sobre a B&oacute;snia. Queimavam uma parte do cen&aacute;rio, era bem agressivo, havia estupro, purifica&ccedil;&atilde;o racial, limpeza &eacute;tnica, uma realidade do centro da Europa. O freq&uuml;entador do fundo do Sesc Pomp&eacute;ia &eacute; o pessoal do esporte (gin&aacute;sio, piscina etc.), que freq&uuml;enta menos a parte cultural, e assistiu &agrave;quilo envolvido e encantado. Nem eles sabiam que gostavam. Ent&atilde;o, queremos oferecer coisas que &agrave;s vezes as pessoas nem sabem que apreciam ou que podem apreciar. N&atilde;o foi feito com essa inten&ccedil;&atilde;o, mas pode acontecer. <\/p>\n<p>Essa id&eacute;ia de contemplar todas as tend&ecirc;ncias permite que a gente atue de maneira muito diversificada. Somos uma institui&ccedil;&atilde;o que se utiliza, de maneira bastante adequada, da cultura e do esporte para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sociocultural; uma institui&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o permanente, informal. O Sesi optou pela educa&ccedil;&atilde;o escolar. A voca&ccedil;&atilde;o e a perspectiva do Sesc, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia o resultado extraordin&aacute;rio da institui&ccedil;&atilde;o do ponto de vista da aceita&ccedil;&atilde;o, do crescimento, do seu avan&ccedil;o, t&ecirc;m muito a ver com a op&ccedil;&atilde;o por fazer educa&ccedil;&atilde;o mais livre. Temos, por exemplo, o programa Sesc Curumim, voltado para os filhos de trabalhadores que t&ecirc;m, fora do per&iacute;odo escolar, necessidade de algum tipo de suporte, refor&ccedil;o escolar. H&aacute; educa&ccedil;&atilde;o complementar voltada para a cultura, o lazer, o meio ambiente, a vida social, em todas as nossas unidades. As crian&ccedil;as usam uniforme, n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es de forma estruturada, como caderneta, presen&ccedil;a obrigat&oacute;ria e nota. &Eacute; apenas um local para estar de maneira organizada com consultores que acompanham a crian&ccedil;a, v&ecirc;em as exposi&ccedil;&otilde;es, convivem com idosos. <\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o as grandes a&ccedil;&otilde;es que o Sesc realiza?<br \/><\/strong>As grandes linguagens art&iacute;sticas &ndash; artes visuais, m&uacute;sica, c&ecirc;nicas, literatura, dan&ccedil;a &ndash; est&atilde;o todas presentes e com todas as tend&ecirc;ncias em cada uma delas, nas diversas a&ccedil;&otilde;es. Isso do ponto de vista da cultura voltada para as artes. &Eacute; um ponto forte de nossas a&ccedil;&otilde;es a atividade f&iacute;sica como proporcionadora de bem-estar, uma vez que oferecemos informa&ccedil;&atilde;o adequada sobre como cuidar do corpo com exerc&iacute;cio, caminhar e se alimentar. H&aacute; uma grande quantidade de programas voltados para a atividade f&iacute;sica, saindo da banaliza&ccedil;&atilde;o do fitness, da malha&ccedil;&atilde;o, ganhar musculatura&#8230; Isso &eacute; decorr&ecirc;ncia, o principal &eacute; o condicionamento f&iacute;sico e o bem-estar de acordo com a faixa et&aacute;ria. <\/p>\n<p><strong>As instala&ccedil;&otilde;es das unidades s&atilde;o bem pensadas. A arquitetura &eacute; um componente forte da institui&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>Apesar de ter sido criado em 1946, somente nos anos 60 &eacute; que o Sesc teve instala&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das para a institui&ccedil;&atilde;o. A unidade Consola&ccedil;&atilde;o foi a primeira em que convidamos um arquiteto para bolar o pr&eacute;dio, Icaro Castro Mello, especializado em constru&ccedil;&otilde;es esportivas. Com o desenvolvimento de unidades pr&oacute;prias, a arquitetura passa a ganhar papel relevante como ferramenta para a educa&ccedil;&atilde;o que o Sesc oferece. E depois vem Lina Bo Bardi, nos anos 70, que fixa uma marca. <\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc;s tamb&eacute;m investem em sa&uacute;de&#8230;<br \/><\/strong>Em sa&uacute;de, h&aacute; uma aplica&ccedil;&atilde;o de recursos bastante acentuada. Temos, por exemplo, uma rede de atendimento odontol&oacute;gico, no pa&iacute;s inteiro. Em S&atilde;o Paulo s&atilde;o aproximadamente 250 cirurgi&otilde;es-dentistas e 120 gabinetes odontol&oacute;gicos espalhados pelo estado, isso somente para o comerci&aacute;rio, que paga pouco e facilitado. <\/p>\n<p><strong>Como o Sesc consegue proporcionar atividades de alta qualidade a pre&ccedil;os t&atilde;o populares?<br \/><\/strong>H&aacute; algumas estrat&eacute;gias, temos algumas m&aacute;ximas que definem um pouco nossa atua&ccedil;&atilde;o. Uma delas &eacute; n&atilde;o haver nenhuma perspectiva de car&aacute;ter comercial, nosso retorno &eacute; cultural, social, institucional, o financeiro vem em quinto ou sexto lugar, porque recebemos recursos das empresas. N&atilde;o temos por que disputar patroc&iacute;nio nem estamos preocupados com o lucro. Nossa a&ccedil;&atilde;o tem car&aacute;ter redistributivista em todos os sentidos, at&eacute; mesmo de subsidiar o trabalhador para que ele possa ter alimenta&ccedil;&atilde;o, acesso &agrave; cultura, &agrave;s f&eacute;rias, a tratamento odontol&oacute;gico e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de maneira adequada. Ent&atilde;o subsidiamos. <\/p>\n<p><strong>Recentemente circulou abaixo-assinado para que o Sesc n&atilde;o perdesse recursos em fun&ccedil;&atilde;o do Simples Nacional, o chamado Supersimples. Como ficou isso?<br \/><\/strong>A lei ainda n&atilde;o entrou em vigor. N&atilde;o temos certeza se as empresas v&atilde;o aderir de fato ao Supersimples. Se todas as empresas que puderem aderir ao Supersimples o fizerem, o Sesc vai ter preju&iacute;zo. A nova legisla&ccedil;&atilde;o contempla o com&eacute;rcio, o que simplifica a vida das empresas, mas a forma n&atilde;o foi a melhor. <\/p>\n<p>Nossa demanda cresceu. Temos cada vez mais gente freq&uuml;entando nossas unidades, seja comerci&aacute;rio ou n&atilde;o, e com isso aumenta o subs&iacute;dio. Vamos chegar a um limite daqui algum tempo. H&aacute; um risco mais &agrave; frente de termos menos recursos para investir e maior dificuldade para manter o que j&aacute; existe. Precisamos crescer de maneira muito cuidadosa, &eacute; preciso sustentar depois, seja com a programa&ccedil;&atilde;o, seja com parcerias. Temos um plano de expans&atilde;o permanente, estamos crescendo em S&atilde;o Paulo, temos trinta unidades e v&aacute;rias est&atilde;o em andamento, em Santo Amaro, no Bom Retiro, Belenzinho&#8230;<\/p>\n<p><strong>Por que a mudan&ccedil;a da sede administrativa da Paulista para o Belenzinho?<br \/><\/strong>Percebemos que poder&iacute;amos transformar o pr&eacute;dio na Avenida Paulista em uma nova unidade. Achamos conveniente passar para uma &aacute;rea do Belenzinho, uma unidade imensa, e ter uma nova unidade na Paulista, lugar de f&aacute;cil acesso, ao lado da esta&ccedil;&atilde;o do metr&ocirc;. Instalamos a administra&ccedil;&atilde;o numa antiga f&aacute;brica do Moinho Santista, com estacionamento, adequa&ccedil;&atilde;o, ambiente de trabalho, muito bonito do ponto vista do trabalho, e estamos construindo do lado nossa unidade nova, que vai ser a maior de todas.&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo faz parte da filosofia que nos rege, como a aproxima&ccedil;&atilde;o com a zona leste, que &eacute; a maior da cidade de S&atilde;o Paulo. Muita gente estranhou: &ldquo;Como? Deixar a Paulista, a sede dos grandes organismos financeiros, e ir para a zona leste?&rdquo; &Eacute; de prop&oacute;sito. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; dar relev&acirc;ncia a essa regi&atilde;o da cidade, que est&aacute; vivendo um momento de revitaliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Quantas pessoas freq&uuml;entam as unidades do Sesc?<br \/><\/strong>Entre 250 mil e 300 mil pessoas no estado, por semana. Algumas unidades t&ecirc;m mais, outras menos, o que d&aacute; mais de 1 milh&atilde;o de pessoas por m&ecirc;s. Se a pessoa vai todos os dias, &eacute; contada todas as vezes. Mais de 80% &eacute; na capital. No alto ver&atilde;o h&aacute; 25 mil pessoas num dia, nas trinta unidades.<\/p>\n<p>Nossa filosofia &eacute; contemplar a inova&ccedil;&atilde;o, a identidade nacional, o acesso, a democratiza&ccedil;&atilde;o, o respeito a todas as tend&ecirc;ncias, e fazer o que os outros n&atilde;o podem fazer ou n&atilde;o querem fazer. O Sesc realiza muita coisa importante e necess&aacute;ria para a sociedade que outras institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m interesse em fazer; ou fica a cargo de uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, ou &eacute; feito por uma institui&ccedil;&atilde;o como a nossa, que embora privada tem essa preocupa&ccedil;&atilde;o de ordem p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Quem pode contemplar, por exemplo, um artista como o Z&eacute; Celso, que tem uma proposta inovadora, transgressora do ponto de vista cultural, que assusta o estabelecido, at&eacute; mesmo os mais progressistas? Ele &eacute; vital para nossa sociedade, ajuda a respirar, a enxergar o mundo. &Eacute; um homem livre, e o artista que n&atilde;o for livre n&atilde;o &eacute; artista. O trabalho do Z&eacute; Celso n&atilde;o sobreviveria se n&atilde;o fosse o apoio p&uacute;blico ou de institui&ccedil;&otilde;es como o Sesc. Tem o Teatro Oficina, que &eacute; tombado pelo estado, e sua companhia muitas vezes se apresenta no Sesc.<\/p>\n<p><strong>E o trabalho com a identidade nacional?<br \/><\/strong>Para conseguir um car&aacute;ter nacional, temos de valorizar a produ&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, mas &eacute; preciso valorizar o global, tem de haver di&aacute;logo. Por isso trazemos tanta gente de fora e levamos coisas nossas para fora tamb&eacute;m. Tivemos algumas atividades no exterior, bancadas pelos pa&iacute;ses. Uma foi o grupo do Ivaldo Bertazzo com os meninos para Paris e Holanda e, recentemente, levamos uma cole&ccedil;&atilde;o de arte na&iuml;f para Chicago. A exposi&ccedil;&atilde;o da arte popular do Molina foi para Paris no ano Brasil na Fran&ccedil;a. Esse interc&acirc;mbio com o exterior &eacute; importante, educativo. Vamos trazer agora o Teatro de Soleil &ndash; n&atilde;o o Cirque de Soleil. Vai ser um fato extremamente relevante do ponto de vista cultural na cidade de S&atilde;o Paulo e no Brasil. <\/p>\n<p><strong>Como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o institucional com o Minist&eacute;rio da Cultura?<br \/><\/strong><span>H&aacute; uma car&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o aos &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o de cultura do pa&iacute;s. Temos observado um esfor&ccedil;o grande no sentido de buscar sa&iacute;das, tem melhorado bastante. Realizamos alguns programas juntos. H&aacute; o programa Cultura e Pensamento, que organiza a reflex&atilde;o e o debate sobre temas ligados &agrave; cultura no Brasil inteiro; h&aacute; outro voltado para a arte popular e para as popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. Um &iacute;ndio de determinada tribo liga para o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por captar as propostas e diz o que pretende fazer com rela&ccedil;&atilde;o a tradi&ccedil;&atilde;o, m&uacute;sica, dan&ccedil;a. Isso vira uma inscri&ccedil;&atilde;o documentada, gravada em uma fita, e pode ser premiada. Naturalmente existe um acompanhamento da aplica&ccedil;&atilde;o do recurso para ver o resultado, mas &eacute; tido como pr&ecirc;mio. Hoje temos uma rela&ccedil;&atilde;o muito aberta com o ministro Gilberto Gil e seu gabinete. &Eacute; preciso avan&ccedil;ar mais para definir de maneira mais clara que efetivo interesse para a cultura t&ecirc;m os diversos conv&ecirc;nios, sem se deixar levar por influ&ecirc;ncia do marketing, da publicidade e do lobby. Esse problema, embora com dificuldade, o minist&eacute;rio tem enfrentado. N&atilde;o acho adequados pensamentos de ordem totalizante. Por exemplo, existe no Minist&eacute;rio da Cultura o Sistema Nacional de Cultura. Entend&ecirc;-lo como forma de obter informa&ccedil;&atilde;o para facilitar decis&otilde;es &eacute; bom. Mas v&ecirc;-lo como forma de passar informa&ccedil;&atilde;o, captar recursos e ter algum tipo de controle do que se faz no campo da cultura &eacute; uma vis&atilde;o absolutamente perigosa e fascista. Acho que a primeira hip&oacute;tese &eacute; a que prevalece e espero que assim seja sempre. Essas coisas em n&iacute;vel nacional, comiss&otilde;es, conselhos, me assustam. A diversidade da a&ccedil;&atilde;o cultural exige certa liberdade, flexibilidade, desorganiza&ccedil;&atilde;o, se assim voc&ecirc; preferir. A transgress&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel para criar, n&atilde;o haveria arte se n&atilde;o houvesse a transgress&atilde;o, produtiva, criativa, inteligente. Na cabe&ccedil;a das pessoas que t&ecirc;m responsabilidade por administrar qualquer pedacinho da quest&atilde;o cultural, isso tem de estar presente. Se deixar se levar pela ind&uacute;stria cultural, que tem de dar resultado, lucro, est&aacute; roubado. H&aacute; quem pergunte: &ldquo;Qual &eacute; o seu produto?&rdquo; Eu n&atilde;o tenho produto nenhum.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 frente do Sesc-SP desde 1984, dirigente avalia o trabalho da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[324],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18725"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}