{"id":18710,"date":"2007-07-11T16:46:12","date_gmt":"2007-07-11T16:46:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18710"},"modified":"2007-07-11T16:46:12","modified_gmt":"2007-07-11T16:46:12","slug":"classificacao-indicativa-as-criticas-e-os-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18710","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o indicativa: as cr\u00edticas e os fatos"},"content":{"rendered":"<p><span>O Departamento de Justi&ccedil;a, Classifica&ccedil;&atilde;o, T&iacute;tulos e Qualifica&ccedil;&atilde;o (DJCTQ) do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a produziu uma das mais interessantes reflex&otilde;es sobre a televis&atilde;o brasileira. E isso apenas porque resolveu cumprir o disposto no cap&iacute;tulo de Comunica&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (artigos 74, 75, 76 e 254). Atrav&eacute;s da Portaria 264 de 9 de fevereiro de 2007, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a instituiu a classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria da programa&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>A iniciativa gerou enorme pol&ecirc;mica, mas, em geral, os grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o demonstraram interesse em esclarecer como se chegou a esta portaria. Assim, n&atilde;o ficamos sabendo que foram feitas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas nas principais capitais brasileiras, que uma consulta p&uacute;blica recebeu mais de 11 mil manifesta&ccedil;&otilde;es, que ocorreu um semin&aacute;rio internacional em Bras&iacute;lia, que um livro foi publicado e que a Ag&ecirc;ncia Nacional dos Direitos da Inf&acirc;ncia (ANDI) foi contratada para realizar um estudo comparativo sobre a realidade de pa&iacute;ses t&atilde;o distintos quanto Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Argentina, Austr&aacute;lia e Col&ocirc;mbia, por exemplo.<\/p>\n<p><\/span><span>Ou seja, a cobertura da grande imprensa escondeu o fato de que a portaria do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a foi precedida por muitos estudos e um amplo debate. Infelizmente, quem se recusou a participar desse debate foi a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e TV (ABERT), que jamais atendeu aos convites do chefe do DJCTQ, o jovem advogado Jos&eacute; Rom&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Sem contarmos com um notici&aacute;rio isento, a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; levada a acreditar que o Brasil est&aacute; pr&oacute;ximo de adotar uma pol&iacute;tica totalit&aacute;ria, desconhecendo que quase toda a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia j&aacute; utiliza crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria.<\/p>\n<p><\/span><span>A cobertura da imprensa tamb&eacute;m n&atilde;o informou que a classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o incide sobre a TV paga, os tele-jornais e document&aacute;rios, sobre a propaganda e programas ao vivo e esportivos. E tampouco mencionou que h&aacute; anos convivemos com a classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria nas salas de cinema, sem que nenhum produtor, diretor ou ator tenha reclamado de censura.<\/p>\n<p><\/span><span>Mais recentemente, os principais jornais evitaram informar que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a aceitou n&atilde;o fazer uma classifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via. Assim, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o ficar&atilde;o encarregados de classificar sua pr&oacute;pria programa&ccedil;&atilde;o e somente depois de sua exibi&ccedil;&atilde;o &eacute; que caber&aacute; questionamento. Ao contr&aacute;rio da censura, esse ser&aacute; sempre um processo a posteriori e qualquer san&ccedil;&atilde;o ficar&aacute; a cargo da justi&ccedil;a e jamais do Poder Executivo.<\/p>\n<p><\/span><span>Obviamente, com um tal n&iacute;vel de desinforma&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se comenta que o grande receio das emissoras privadas &eacute; ter que &ldquo;atrasar&rdquo; a sua grade de programa&ccedil;&atilde;o no Acre para compatibiliz&aacute;-la com o fuso hor&aacute;rio local. Essa medida (j&aacute; adotada nos Estados Unidos) implicar&aacute; em custos para as emissoras. A quest&atilde;o central para as TVs privadas, portanto, n&atilde;o &eacute; a liberdade de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, mas o tamanho dos gastos que ter&atilde;o que fazer para cumprir a lei.<\/p>\n<p><\/span><span>Sem mostrar tudo isso, os jornais se contentam em entrevistar artistas e diretores famosos (a maior parte composta por empregados da TV Globo) que afirmam que a classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria seria censura. Segundo essa posi&ccedil;&atilde;o, o Estado n&atilde;o teria o direito de cobrar que um concession&aacute;rio de servi&ccedil;o p&uacute;blico tenha preocupa&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o de nossa inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. Por essa vers&atilde;o dos fatos, alterar a exibi&ccedil;&atilde;o de um programa de televis&atilde;o, baseado na quantidade de cenas de sexo e viol&ecirc;ncia (sem impedir a sua exibi&ccedil;&atilde;o em outro hor&aacute;rio), seria censura.<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo discordando desse ponto de vista, cabe-nos respeit&aacute;-lo. O que &eacute; inaceit&aacute;vel, por&eacute;m, &eacute; que os grandes grupos de m&iacute;dia tenham se negado a fazer o debate p&uacute;blico e que agora recorram a uma cobertura tendenciosa. E que os artistas famosos que criticam a atitude do governo n&atilde;o usem seu prest&iacute;gio para igualmente criticar a censura que j&aacute; existe nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o privados (tanto no jornalismo quanto na dramaturgia). Onde estavam quando a Globo escondeu das telas os com&iacute;cios das Diretas J&aacute; ou quando, mais recentemente, a V&ecirc;nus Prateada determinou que o casal de l&eacute;sbicas da novela &ldquo;Torre de Babel&rdquo; morresse numa explos&atilde;o?<\/p>\n<p><\/span><span>O que pedimos aos cr&iacute;ticos da classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria &eacute; t&atilde;o somente um debate democr&aacute;tico nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Nada deveria ser mais fact&iacute;vel para quem diz lutar contra a censura.<\/p>\n<p><\/span><span><em>*Gustavo Gindre &eacute; um dos coordenadores do N&uacute;cleo de Pesquisa, Estudos e Forma&ccedil;&atilde;o da Rits [Nupef\/Rits]; secret&aacute;rio executivo do INDECS e membro do Coletivo Intervozes. <br \/><\/em><\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Departamento de Justi&ccedil;a, Classifica&ccedil;&atilde;o, T&iacute;tulos e Qualifica&ccedil;&atilde;o (DJCTQ) do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a produziu uma das mais interessantes reflex&otilde;es sobre a televis&atilde;o brasileira. 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