{"id":18705,"date":"2007-07-11T14:59:37","date_gmt":"2007-07-11T14:59:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18705"},"modified":"2007-07-11T14:59:37","modified_gmt":"2007-07-11T14:59:37","slug":"detentas-fazem-programas-sobre-sua-rotina-em-radio-no-presidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18705","title":{"rendered":"Detentas fazem programas sobre sua rotina em r\u00e1dio no pres\u00eddio"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><font class=\"not\"><!-- ### inicio_texto -->Diante do espelho, a apresentadora Viviane Rodrigues, de 32 anos, retoca o batom, repassa o l&aacute;pis em torno dos olhos azuis, ajeita os cabelos compridos e, em seguida, assume o microfone &agrave; frente do entrevistado, d. Eduardo Bentes Rodrigues, arcebispo de Sorocaba, no interior paulista. O est&uacute;dio, com mesa de grava&ccedil;&atilde;o e computador, fica numa cela da Cadeia Feminina de Votorantim, a 100 quil&ocirc;metros de S&atilde;o Paulo, na regi&atilde;o de Sorocaba. <\/p>\n<p>A entrevista com o bispo, realizada h&aacute; tr&ecirc;s semanas, marcou a estr&eacute;ia da R&aacute;dio Povo Marcado, a primeira r&aacute;dio comunit&aacute;ria a funcionar, pelo menos legalmente, no interior de uma pris&atilde;o. O promotor de Votorantim, Wellington Veloso, foi o entrevistado no dia 3. O projeto foi elaborado pela Secretaria de Cultura da cidade, com o apoio da Pol&iacute;cia Civil. <\/p>\n<p>Segundo a delegada Sueli Morales da Silva, diretora da cadeia, a r&aacute;dio motiva as presas e ajuda a reduzir as agruras de uma pris&atilde;o superlotada. O pr&eacute;dio tem capacidade para 48 detentas, mas abriga atualmente mais que o triplo disso: 172 mulheres. &ldquo;&Eacute; uma forma tamb&eacute;m de contato com a sociedade, o que deve ajudar na ressocializa&ccedil;&atilde;o quando sa&iacute;rem&rdquo;, diz Sueli.<\/p>\n<p>&Eacute; o caso da apresentadora Viviane. Condenada por tr&aacute;fico de drogas, est&aacute; cumprindo pena e espera vaga no sistema prisional para ser transferida. &ldquo;Enquanto n&atilde;o acontece, tento ser &uacute;til e ajudar as outras presas&rdquo;, afirma a presa. <\/p>\n<p>Viviane, que tem uma filha de 7 anos, quase terminou o segundo grau. Era auxiliar de faturamento e tinha uma vida comum, mas foi levada ao tr&aacute;fico pelo marido. Presa h&aacute; um ano, relutou em se expor, com medo &ldquo;do que v&atilde;o pensar l&aacute; fora&rdquo;. Por fim, aceitou o convite. &ldquo;Vi que a r&aacute;dio era uma forma de levar para as pessoas a situa&ccedil;&atilde;o real aqui dentro.&rdquo; <\/p>\n<p>A presa Valdirene Gomes, de 25 anos, comp&ocirc;s a trilha sonora do programa de entrevistas. A m&uacute;sica fala do drama das presas e do sonho de liberdade. Tamb&eacute;m foi presa por tr&aacute;fico, assim como Raquel Aparecida da Costa, de 20 anos, respons&aacute;vel pelas reportagens e entrevistas com outras detentas. <\/p>\n<p>O programa, de uma hora, &eacute; retransmitido pela FM Tropical, emissora local, e por duas r&aacute;dios comunit&aacute;rias da regi&atilde;o. Tamb&eacute;m est&aacute; dispon&iacute;vel em um <a href=\"http:\/\/povomarcado.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><u>blog na internet<\/u><\/a>.<\/p>\n<p><strong>L&Aacute;GRIMAS <br \/><\/strong><br \/>As presas, que assistem &agrave;s atra&ccedil;&otilde;es da r&aacute;dio no p&aacute;tio da cadeia, s&atilde;o convidadas a participar. Pelo menos tr&ecirc;s fizeram perguntas ao arcebispo de Sorocaba. Uma delas, Ang&eacute;lica, chegou a chorar ao perguntar o que poderia ser feito para evitar, l&aacute; fora, a discrimina&ccedil;&atilde;o contra as presas. <\/p>\n<p>&ldquo;Seria bom se a sociedade visitasse os pres&iacute;dios&rdquo;, disse d. Eduardo. A apresentadora reclamou que padres e freiras n&atilde;o visitam os presos. O bispo prometeu que a diocese dar&aacute; mais aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s detentas. No fim do programa, todos rezaram. <\/p>\n<p>O secret&aacute;rio de Cultura de Votorantim, Werinton Kermes, tem planos maiores. Est&aacute; gravando um programa com as detentas para ser veiculado num canal educativo regional de TV a cabo. Ele acredita que a comunica&ccedil;&atilde;o pode ser uma &ldquo;ponte&rdquo; entre as presas e a sociedade.<\/p>\n<p><strong>SEM REBELI&Otilde;ES<\/p>\n<p><\/strong>As seis detentas que tocam o dia-a-dia da r&aacute;dio s&atilde;o orientadas pela jornalista Luciana Lopez e pela doutora em comunica&ccedil;&atilde;o Miriam Cris Carlos. Outras detentas est&atilde;o sendo treinadas. Algumas l&ecirc;em livros sobre comunica&ccedil;&atilde;o. Por causa do excesso de lota&ccedil;&atilde;o, a cadeia feminina tem um grande hist&oacute;rico de rebeli&otilde;es, tentativas de fuga e protestos. <\/p>\n<p>Este ano, n&atilde;o houve fugas nem rebeli&atilde;o desde que, al&eacute;m da r&aacute;dio, as presas ganharam biblioteca e cursos de bordado e fotografia.<\/font><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante do espelho, a apresentadora Viviane Rodrigues, de 32 anos, retoca o batom, repassa o l&aacute;pis em torno dos olhos azuis, ajeita os cabelos compridos e, em seguida, assume o microfone &agrave; frente do entrevistado, d. Eduardo Bentes Rodrigues, arcebispo de Sorocaba, no interior paulista. 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