{"id":18695,"date":"2007-07-10T12:28:21","date_gmt":"2007-07-10T12:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18695"},"modified":"2007-07-10T12:28:21","modified_gmt":"2007-07-10T12:28:21","slug":"movimento-quer-flexibilizar-leis-sobre-direito-autoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18695","title":{"rendered":"Movimento quer flexibilizar leis sobre direito autoral"},"content":{"rendered":"<p>Em qualquer di&aacute;logo sobre diversidade cultural, logo &eacute; exposta a contradi&ccedil;&atilde;o entre a restri&ccedil;&atilde;o do mercado na defesa da propriedade intelectual privada e o pensamento sobre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que potencializem o desenvolvimento cultural da sociedade. Acordos conquistados nas esferas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (TRIPS &#8211; OMC) e na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI &ndash; ONU) comprometem a atua&ccedil;&atilde;o dos estados na defesa por soberania sobre suas pol&iacute;ticas. <\/p>\n<p>&Iacute;cones do conhecimento livre, como Yochai Benkler, autor de A Riqueza das Redes; Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons ; Jimmy Wales, fundador da Wikipedia; Cory Ondrejka, do Linden Labs (Second Life); Joi Ito , empreendedor do mundo digital; e Cory Doctorow, editor do blog Boing Boing , entre outras 300 intelectuais, artistas, advogados, tecn&oacute;logos e ativistas estiveram em Dubrovnik, na Cro&aacute;cia, entre os dias 15 e 17 de junho, no iCommons Summit 2007 para discutir os rumos da cultura e do conhecimento na rede.<\/p>\n<p>O<a target=\"_blankhref=&quot;http:\/\/www.icommons.org\/&quot;\"> iCommons<\/a> &eacute; a entidade internacional que conglomera os representantes do Creative Commons de todo o mundo, formando a maior rede internacional de pensadores e ativistas atuantes na &aacute;rea de propriedade intelectual e tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o. O iCommons busca promover as condi&ccedil;&otilde;es para um futuro no qual todos possuam a capacidade de participar de forma ativa e cr&iacute;tica dos campos da cultura, da tecnologia e do conhecimento, considerados como os combust&iacute;veis universais e essenciais para a inova&ccedil;&atilde;o e a criatividade. Por tudo isso, sua principal miss&atilde;o &eacute; promover ferramentas, modelos e pol&iacute;ticas que facilitem esse acesso, participa&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o. O iCommons Summit 2006 teve o Rio de Janeiro como sede e contou com a presen&ccedil;a da ministra da Cultura do Chile, Paulina Urrutia, e do ministro Gilberto Gil.<\/p>\n<p>Quem coordena o debate sobre direito autoral no Minist&eacute;rio da Cultura &eacute; Jos&eacute; Vaz de Souza Filho. Ele acompanhou os debates e relatou que o a sensa&ccedil;&atilde;o sobre o iSummit &eacute; o de estar participando de um congresso igual ao de outros tantos movimentos sociais. <\/p>\n<p>&quot;Os militantes por uma cultura livre debatiam entusiasmados, a pluralidade de propostas e a diversidade de experi&ecirc;ncias relatadas demonstravam a grande vitalidade do movimento. Claro, houve tamb&eacute;m os embates de id&eacute;ias, alguns bem acalorados. Mas, ao contr&aacute;rio da grande maioria dos demais movimentos sociais, n&atilde;o havia ali um clima de disputa de poder, de busca de hegemonias de uns sobre outros. Esse talvez seja o maior m&eacute;rito que anima o movimento Cultura Livre: ningu&eacute;m quer ser dono de nada, l&iacute;der de nada: todos querem que todos tenham uma ampla liberdade de criar, compartilhar, transformar e produzir de forma colaborativa&quot;, pontua. <\/p>\n<p>No movimento ao menos &eacute; consenso que o atual sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais imp&otilde;e obst&aacute;culos absurdos ao desenvolvimento das artes, ao acesso &agrave; cultura e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, e que a resposta a ser dada passa pela constru&ccedil;&atilde;o de uma nova hegemonia baseada no conceito dos commons. O representante do MinC reflete ainda que os commons s&atilde;o apenas um conceito de base essencialmente emp&iacute;rica. &quot;A experimenta&ccedil;&atilde;o e a criatividade s&atilde;o o motor da cultura livre&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Tom Chance, do Partido Verde da Inglaterra e Pa&iacute;s de Gales, prop&ocirc;s um sistema de prote&ccedil;&atilde;o de direitos autorais em novas bases, de clara vincula&ccedil;&atilde;o do criador com sua obra, em que a presen&ccedil;a de dispositivos de DRM (digital managements rights) poderiam at&eacute; ser vistos como algo positivo para os artistas. O iSummit 2006 condenou duramente este tipo de dispositivo. Mas, Tom Chance alerta para o fato que discutir limita&ccedil;&otilde;es aos direitos e licenciamentos flex&iacute;veis sem discutir simultaneamente o acesso aos meios de produ&ccedil;&atilde;o cultural poderia levar o movimento para um beco sem sa&iacute;da.<\/p>\n<p>Lawrence Liang, da ALF-Alternative Law Forum, tamb&eacute;m tocou no tema: &quot;O desafio est&aacute; em passar do iCommons para o weCommons&quot;. Ou seja, sem o acesso aos equipamentos digitais, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sequer o acesso a produtos pirateados. &quot;O compartilhamento da cultura e do conhecimento n&atilde;o pode ser um privil&eacute;gio de alguns, mas uma necessidade para a sobreviv&ecirc;ncia de todos na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescenta Jos&eacute; Vaz.<\/p>\n<p>No outro extremo do debate, David Berry (Swanmsea University) apresentou uma tese erudita, em que analisou o movimento pela cultura livre a partir de duas categorias filos&oacute;ficas de Martin Heidegger: &ocirc;ntico e ontol&oacute;gico. &Ocirc;ntica seria a luta contra os sistemas de propriedade intelectual, um embate restrito e limitado; ontol&oacute;gico seria uma luta mais ampla, dentro de uma perspectiva de mudan&ccedil;a social global. Assim, para realizar essa dimens&atilde;o maior (ontol&oacute;gica), o movimento por uma cultura livre deveria se articular com outros movimentos sociais (ambientalistas, anti-racistas, anti-capitalistas) com uma perspectiva revolucion&aacute;ria, de transforma&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p><strong>Arte remixada<br \/><\/strong><br \/>Segundo Vaz, o relato dos artistas que participaram do Programa de Resid&ecirc;ncia do iCommons foi outro ponto alto do evento. Alguns recusaram qualquer cobran&ccedil;a no sentido de vincular seus processos criativos a uma milit&acirc;ncia pelo commons, ainda que essa seja uma op&ccedil;&atilde;o plena de possibilidades. Mas os processos criativos e o destino dado a cada obra podem variar e cada artista deve ter a liberdade de experimentar e difundir suas pr&oacute;prias cria&ccedil;&otilde;es da forma que quiser.<\/p>\n<p>O relato da artista Joy Garnett, que se envolveu numa disputa de direitos autorais por ter utilizado uma fotografia que se encontra em dom&iacute;nio privado (Molotov, de Susan Meiselas), mostra como a propriedade intelectual como &eacute; tratada impede o processo criativo humano. Usando diversos exemplos da hist&oacute;ria da arte, a artista demonstrou como o sistema de direitos autorais pode ser nocivo para a evolu&ccedil;&atilde;o da arte, particularmente quando restringe a possibilidade de usos transformativos. Para Garnett, o processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica sempre foi baseado em algum tipo de &quot;remix&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Para quem trabalha no &acirc;mbito da formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, estamos diante de um grande desafio. Sem d&uacute;vida, revisar o marco legal &eacute; um primeiro passo para reequilibrar os direitos intelectuais (de interesse privado) com os direitos culturais (de interesse p&uacute;blico). A balan&ccedil;a ainda est&aacute; muito mais inclinada para os primeiros, em preju&iacute;zo do conjunto da sociedade&quot;, conclui Vasquez.<\/p>\n<p>* Com informa&ccedil;&otilde;es do Cultura Livre e do centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito &#8211; Rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o 2007 do iCommons Summit re\u00fane representantes do Creative Commons, pensadores e ativistas da \u00e1rea de propriedade intelectual e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o para discutir os rumos e propor mudan\u00e7as nas pol\u00edticas de socializa\u00e7\u00e3o da cultura e do conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[179],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18695"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18695"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18695\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}