{"id":18691,"date":"2007-07-09T19:47:35","date_gmt":"2007-07-09T19:47:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18691"},"modified":"2007-07-09T19:47:35","modified_gmt":"2007-07-09T19:47:35","slug":"por-uma-tv-publica-tambem-no-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18691","title":{"rendered":"Por uma TV P\u00fablica, tamb\u00e9m no Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"<p><span>O sistema de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s pode, pela primeira vez em sua hist&oacute;ria, contar com uma Rede Nacional de TV&acute;s P&uacute;blicas. No ano passado, o Governo Federal lan&ccedil;ou ao debate a proposta que ser&aacute; finalizada nos pr&oacute;ximos dias com o envio de uma medida provis&oacute;ria ao Congresso Nacional. No Esp&iacute;rito Santo, a sociedade aguarda ainda um posicionamento do Governo do Estado sobre o tema e as propostas para o futuro da autarquia R&aacute;dio e Televis&atilde;o Esp&iacute;rito Santo (RTV\/ES), que administra &#8211; desde a funda&ccedil;&atilde;o em 1989 &#8211; a TVE e a R&aacute;dio Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p><\/span><span>A comunica&ccedil;&atilde;o cumpre papel fundamental no processo de forma&ccedil;&atilde;o cultural, educacional e pol&iacute;tica de nossa sociedade. A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 estabelece em seu artigo 223 a necessidade da complementariedade entre os sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o comercial, estatal e p&uacute;blico. O fato &eacute; que nunca houve neste pa&iacute;s, apesar da mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade comprometida com a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, interesse pol&iacute;tico dos governos para a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o. Portanto h&aacute; quase 20 anos existe um ataque frontal ao que j&aacute; est&aacute; estabelecido em lei.<\/p>\n<p><\/span><span>O que h&aacute; na TV aberta brasileira &eacute; a hegemonia de um &uacute;nico modelo: o sistema comercial de TV, que possui uma baixa qualidade da programa&ccedil;&atilde;o (apesar da auto-propaganda rotineira feita pelas pr&oacute;prias emissoras), que se digladiam sem limites na disputa pela audi&ecirc;ncia, que n&atilde;o garantem a diversidade regional, &eacute;tnica, racial, social e pol&iacute;tica do pa&iacute;s e que transformam a informa&ccedil;&atilde;o em mercadoria que serve apenas ao lucro. O sistema comercial aberto &eacute; formado pelas j&aacute; tradicionais &#8211; e pouqu&iacute;ssimas &#8211; emissoras comerciais: Globo, SBT, Record, Band, RedeTV e MTV que possuem 95% da audi&ecirc;ncia e 100% das verbas publicit&aacute;rias da TV aberta.<\/p>\n<p><\/span><span>No sistema estatal encontram-se as emissoras legislativas, exclusivas para os canais de TV por assinatura &#8211; TV&#39;s Assembl&eacute;ias, TV C&acirc;mara e TV Senado; a TV Justi&ccedil;a do Poder Judici&aacute;rio e ainda as emissoras administradas pelos poderes executivos, como &eacute; o caso das TV&#39;s Educativas do Esp&iacute;rito Santo e de outros Estados. O Governo Federal possui a TV Nacional e a Nbr &#8211; canais do Poder Executivo sob responsabilidade da Radiobr&aacute;s e ainda a TVE do Rio de Janeiro e a TVE do Maranh&atilde;o sob a responsabilidade da Associa&ccedil;&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Educativa Roquette Pinto. <\/p>\n<p><\/span><span>Conforme estabelece a Lei da TV a Cabo, de 1995, os canais universit&aacute;rios e os canais comunit&aacute;rios s&atilde;o tamb&eacute;m exclusivos para as pouco mais de 4 milh&otilde;es de resid&ecirc;ncias que possuem TV por assinatura no pa&iacute;s. No Esp&iacute;rito Santo o canal universit&aacute;rio &eacute; utilizado pelas TV&#39;s da Ufes, Faesa e UVV. J&aacute; o canal comunit&aacute;rio jamais foi utilizado para os seus devidos fins &#8211; apesar de ter sido criada a associa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de entidades populares que faria a sua gest&atilde;o &#8211; e no momento transmite a programa&ccedil;&atilde;o da chamada TV Ambiental.<\/p>\n<p><\/span><span>As emissoras estatais cumprem um importante papel de darem visibilidade (apenas para a minoria que t&ecirc;m acesso) e de relativa fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre as a&ccedil;&otilde;es dos poderes p&uacute;blicos. Funcionam com recursos p&uacute;blicos mas com gest&atilde;o estatal sob comando direto dos governos. Os canais universit&aacute;rios funcionam com pouco apoio e tamb&eacute;m com uma gest&atilde;o n&atilde;o p&uacute;blica, j&aacute; que est&atilde;o sob inteira responsabilidade das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>F&oacute;rum Nacional de TV&#39;s P&uacute;blicas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Desde setembro de 2006, oito grupos de trabalho produziram duas publica&ccedil;&otilde;es como contribui&ccedil;&otilde;es preparat&oacute;rias ao I F&oacute;rum Nacional de TV&#39;s P&uacute;blicas, realizado em maio deste ano em Bras&iacute;lia. Essa articula&ccedil;&atilde;o foi promovida pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Radiobr&aacute;s, Minist&eacute;rio da Cultura e Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais, Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria, Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rios e Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&otilde;es e R&aacute;dios Legislativas.<\/p>\n<p><\/span><span>O Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; apresentou como contribui&ccedil;&atilde;o ao conjunto dos participantes do F&oacute;rum um documento intitulado Proposta para um Sistema P&uacute;blico de Radiodifus&atilde;o. Defendemos uma Rede Nacional de TV&#39;s P&uacute;blicas que afirme a Comunica&ccedil;&atilde;o como um Direito Humano, central para consolida&ccedil;&atilde;o de uma sociedade democr&aacute;tica; tenha uma programa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o viole os direitos humanos, que contribua com o acesso &agrave; cultura e com a forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica; tenha primazia do interesse p&uacute;blico, em vez dos fins comerciais.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; seu papel ainda garantir a diversidade cultural (especialmente &eacute;tnico-racial, de g&ecirc;nero <\/span><span>e regional); estimular a diversidade de formatos, abordagens e g&ecirc;neros; democratizar e garantir igualdade de acesso aos meios de produ&ccedil;&atilde;o e veicula&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o de massa; estabelecer associa&ccedil;&atilde;o entre as emissoras p&uacute;blicas e os produtores independentes; promover a descentraliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, viabilizando a veicula&ccedil;&atilde;o nacional de produ&ccedil;&otilde;es regionais.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; preciso que as emissoras p&uacute;blicas tenham independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos governos e ao mercado e, por isso, a gest&atilde;o dessas emissoras deve se dar atrav&eacute;s de conselhos eleitos pela sociedade, podendo contar tamb&eacute;m, desde que em minoria, com representantes dos poderes p&uacute;blicos. <\/p>\n<p><\/span><span>Os or&ccedil;amentos dos sistemas p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o do Reino Unido, Dinamarca, &Aacute;ustria, Alemanha e Su&eacute;cia ultrapassam 0,3% do PIB desses pa&iacute;ses. No Brasil, n&atilde;o chega a R$ 450 milh&otilde;es, ou 0,025% do PIB, investidos nas atuais &quot;emissoras p&uacute;blicas&quot;. Enquanto isso, a cada ano os poderes p&uacute;blicos (executivo, legislativo e judici&aacute;rio) e estatais gastam mais de R$ 3 bilh&otilde;es em publicidade &#8211; quase que exclusivamente em m&iacute;dias comerciais. <\/p>\n<p><\/span><span>O Governo Federal enviar&aacute; nos pr&oacute;ximos dias uma medida provis&oacute;ria ao Congresso e j&aacute; anunciou que no dia 6 de agosto entra no ar a TV Brasil &#8211; prov&aacute;vel nome da nova TV formada pela fus&atilde;o entre a Radiobr&aacute;s e as TVE&#39;s do Rio de Janeiro e do Maranh&atilde;o. O investimento anunciado para o primeiro ano de funcionamento &eacute; de R$ 350 milh&otilde;es. Por&eacute;m, as exig&ecirc;ncias da Carta de Bras&iacute;lia (confira no link abaixo) n&atilde;o foram na maior parte &#8211; ao menos para a sociedade &#8211; respondidas. E mais: as &uacute;ltimas declara&ccedil;&otilde;es distanciam o projeto de uma rede p&uacute;blica e o aproximam de uma rede estatal (confira no link abaixo). <\/p>\n<p><\/span><span>Poucos governos estaduais iniciaram debates com a sociedade e legislativos sobre como pretendem inserir as suas emissoras &#8211; as atuais TVE&#39;s &#8211; nessa nova Rede Nacional. O Governo do Esp&iacute;rito Santo, que no ano de 2007 utilizar&aacute; R$ 37 milh&otilde;es para a &aacute;rea da &quot;comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, ainda n&atilde;o abriu di&aacute;logo sobre o processo que incluiria (ou n&atilde;o) a transforma&ccedil;&atilde;o da TVE em uma emissora, de fato, p&uacute;blica. Cabe a sociedade capixaba exigir que o debate venha a p&uacute;blico e apresentar propostas para que tenhamos a garantia de uma TV P&uacute;blica, tamb&eacute;m no Esp&iacute;rito Santo. <\/p>\n<p><\/span><span><em>* Fl&aacute;vio Gon&ccedil;alves &eacute; jornalista e militante do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s pode, pela primeira vez em sua hist&oacute;ria, contar com uma Rede Nacional de TV&acute;s P&uacute;blicas. No ano passado, o Governo Federal lan&ccedil;ou ao debate a proposta que ser&aacute; finalizada nos pr&oacute;ximos dias com o envio de uma medida provis&oacute;ria ao Congresso Nacional. 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