{"id":18674,"date":"2007-07-06T17:24:53","date_gmt":"2007-07-06T17:24:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18674"},"modified":"2007-07-06T17:24:53","modified_gmt":"2007-07-06T17:24:53","slug":"especialistas-defendem-governanca-democratica-e-transparente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18674","title":{"rendered":"Especialistas defendem governan\u00e7a democr\u00e1tica e transparente"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Em novembro deste ano acontece no Rio de Janeiro a segunda edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum de Governan&ccedil;a da Internet (IGF, sigla em ingl&ecirc;s para Internet Governance Forum). Como etapa preparat&oacute;ria, foi realizado nos dias 3 e 4 de julho um semin&aacute;rio na Faculdade Get&uacute;lio Vargas de S&atilde;o Paulo, que contou com a presen&ccedil;a dos principais especialistas brasileiros envolvidos na discuss&atilde;o da governan&ccedil;a da Internet. O semin&aacute;rio ser&aacute; complementado por uma segunda edi&ccedil;&atilde;o, em setembro, na capital fluminense.<\/p>\n<p><\/span><span>Os participantes do semin&aacute;rio ressaltaram a import&acirc;ncia da atua&ccedil;&atilde;o do Brasil na discuss&atilde;o sobre quem estabelece os marcos regulat&oacute;rios e administra a Internet em &acirc;mbito global. Gustavo Gindre, representante do terceiro setor no Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), frisou que &eacute; importante desmistificar o senso comum de que a governan&ccedil;a da rede se d&aacute; de forma espont&acirc;nea. &ldquo;Existem diferentes interesses se contrapondo, a Internet n&atilde;o segue uma linha evolutiva normal &ndash; o grande m&eacute;rito do IGF &eacute; consolidar essa id&eacute;ia para que as pessoas atentem para isso&rdquo;.&nbsp; Para Alexandre Bicalho, do Conselho Diretor da Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), a import&acirc;ncia do F&oacute;rum vai al&eacute;m, pois &ldquo;vai formatar n&atilde;o s&oacute; o mecanismo de governan&ccedil;a da Internet. &Eacute; uma discuss&atilde;o de modelo global de governan&ccedil;a, em todos os &acirc;mbitos&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Assim como j&aacute; faz h&aacute; alguns anos, a tend&ecirc;ncia &eacute; que o Brasil defenda no IGF uma governan&ccedil;a diferente doaatual, que tem regras definidas e aplicadas pela ICANN (<\/span><span>Internet Corporation for Assigned Names and Numbers)<\/span><span>, ag&ecirc;ncia sediada na Calif&oacute;rnia e que, mesmo com membros de diversos pa&iacute;ses, &eacute; controlada pelos Estados Unidos, respondendo, inclusive, &agrave;s leis do Departamento de Com&eacute;rcio do pa&iacute;s. <\/span><span>O que prop&otilde;em os brasileiros &eacute; um modelo semelhante ao do CGI.Br, que tem participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas de representantes do governo, mas tamb&eacute;m da sociedade civil, de acad&ecirc;micos e empres&aacute;rios. Bicalho afirma que &eacute; necess&aacute;ria uma composi&ccedil;&atilde;o que difira tanto da ICANN quanto de entidades como a ONU, onde s&oacute; h&aacute; representa&ccedil;&atilde;o governamental. &ldquo;Ambos os modelos precisam ser adequados de acordo com os princ&iacute;pios da multilateralidade, transpar&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o de todos&rdquo;, defende.<\/p>\n<p><\/span><span>O F&oacute;rum de Governan&ccedil;a da Internet n&atilde;o ter&aacute; car&aacute;ter deliberativo, mas pode fazer recomenda&ccedil;&otilde;es e encaminh&aacute;-las para a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e para a ICANN, al&eacute;m de produzir estudos e documentos. Ser&atilde;o realizadas mesas de debate e tamb&eacute;m discuss&otilde;es paralelas, como workshops e as chamadas coaliz&otilde;es din&acirc;micas, grupos de discuss&atilde;o com a presen&ccedil;a de representantes tanto governamentais quanto de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e que se estendem para al&eacute;m dos dias em que o IGF acontece. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Padr&otilde;es e propriedade intelectual<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>S&eacute;rgio Rosa, ex-diretor do Servi&ccedil;o Federal de Processamento de Dados (Serpro), e S&eacute;rgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero e ex-representante da Casa Civil no CGI.br, compuseram a mesa sobre padr&otilde;es abertos. Rosa ressaltou que &ldquo;a Internet n&atilde;o &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o para os povos, ela &eacute; um meio de comunica&ccedil;&atilde;o. Ela n&atilde;o vai resolver desaven&ccedil;as e diferen&ccedil;as culturais&rdquo;. Para ele, h&aacute; que se tomar muito cuidado para que a quest&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o de crimes pela Internet n&atilde;o descambe para projetos como o do Senador Eduardo Azeredo (PSDB\/MG), que, entre outros pontos, tenta acabar com o anonimato na rede e estabelece quais crimes ganham agravante quando praticados pela Internet. &ldquo;O freio foi feito para o carro andar em alta velocidade; a tecnologia est&aacute; andando r&aacute;pido, &eacute; s&oacute; estabelecermos freios que n&atilde;o a fa&ccedil;am parar&rdquo;, afirma o ex-diretor da Serpro.<\/p>\n<p><\/span><span>Ap&oacute;s ressaltar que a tecnologia n&atilde;o &eacute; neutra, e sim fruto de defini&ccedil;&otilde;es humanas, S&eacute;rgio Amadeu dedicou sua exposi&ccedil;&atilde;o a uma disputa que existe atualmente dentro da ABNT (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas) sobre a aprova&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o de um padr&atilde;o de documentos defendido pela Microsoft, chamado de OOXML. A quest&atilde;o &eacute; que, recentemente, j&aacute; foi aprovado outro padr&atilde;o, o ODF, que &eacute; totalmente aberto e permite que um arquivo rode em qualquer sistema operacional (Linux, Apple, Windows, etc.), diferentemente do padr&atilde;o da empresa norte-americana, que &ldquo;&eacute; um arranjo mal feito de muitas patentes. O arranjo &eacute; aberto, as patentes n&atilde;o&rdquo;, afirma Amadeu. &ldquo;Se o monop&oacute;lio [da Microsoft] &eacute; tecnicamente competente, por que teme a concorr&ecirc;ncia?&rdquo;, questionou?<\/p>\n<p><\/span><span>Robin Grass, norte-americana representante dos usu&aacute;rios n&atilde;o-comerciais na ICANN e ativista da luta pela liberdade de express&atilde;o, e Pedro Paranagu&aacute;, da Faculdade Get&uacute;lio Vargas do Rio de Janeiro, abordaram quest&otilde;es relativas &agrave; propriedade intelectual e liberdade do conhecimento. Robin alertou para o risco de que a cria&ccedil;&atilde;o de novos dom&iacute;nios (como os atuais &ldquo;.com&rdquo; ou &ldquo;.org&rdquo; &ndash; por exemplo &ldquo;.fun&rdquo; para fam&iacute;lia ou &ldquo;.xxx&rdquo; para pornografia) acabe gerando censura e imposi&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que prev&ecirc;, por exemplo, a proibi&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nios com nomes &ldquo;imorais&rdquo; ou ofensivos. Segundo ela, o problema reside em saber quem define o que &eacute; imoral e\/ou ofensivo. J&aacute; Paranagu&aacute; apresentou um hist&oacute;rico da propriedade intelectual, mostrando que ela foi inicialmente regulamentada a fim de proteger o autor e estimular sua produ&ccedil;&atilde;o, algo muito diferente do que ocorre hoje. &ldquo;H&aacute; grande diferen&ccedil;a entre o autor e o titular dos direitos autorais. Proteger e incentivar a cria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a mesma coisa que propriedade intelectual, j&aacute; que o titular da obra (quem recebe os direitos) &eacute; a ind&uacute;stria, n&atilde;o o autor.&rdquo; <\/p>\n<p><\/span><span>Na &uacute;ltima mesa do dia, Magaly Pazello, do movimento de mulheres e especialista em regula&ccedil;&atilde;o da Internet, discutiu a quest&atilde;o de g&ecirc;nero na rede mundial de computadores e a luta do movimento feminista contra a resist&ecirc;ncia em se aceitar, internacionalmente, o combate &agrave; exclus&atilde;o digital baseada no g&ecirc;nero. Lembrou tamb&eacute;m que n&atilde;o h&aacute; proporcionalidade entre homens e mulheres nos cargos diretivos da ONU e da ICANN, o que acaba fazendo com que as pol&iacute;ticas sejam feitas &ldquo;em nome&rdquo; das mulheres, n&atilde;o por elas mesmas.<\/p>\n<p><\/span><span>O semin&aacute;rio preparat&oacute;rio foi organizado pelo N&uacute;cleo de Pesquisas, Estudos e Forma&ccedil;&atilde;o da Rits (Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor) em parceria com o Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e a Faculdade de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reunidos em SP, especialistas em governan\u00e7a da Internet apontam caminhos para tornar a rede de computadores mais democr\u00e1tica e transparente. 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