{"id":18665,"date":"2007-07-04T16:32:50","date_gmt":"2007-07-04T16:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18665"},"modified":"2007-07-04T16:32:50","modified_gmt":"2007-07-04T16:32:50","slug":"o-novo-comandante-da-inclusao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18665","title":{"rendered":"O novo comandante da inclus\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<p><span>O assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Cezar Alvarez, assumiu a coordena&ccedil;&atilde;o dos programas federais de inclus&atilde;o digital, e, com ela, tamb&eacute;m o desafio de consolidar dentro do governo as propostas de um Plano Nacional de Banda Larga. Para atualizar a estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s, ele defende a combina&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s ingredientes: um backbone p&uacute;blico (como o dispon&iacute;vel na Eletronet), eventualmente compartilhado com prestadores privados de servi&ccedil;os; a convers&atilde;o das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o das operadoras de telefonia em instala&ccedil;&atilde;o de backhaul (pontos de acesso banda larga), numa alternativa aos Postos de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es; e a inclus&atilde;o de conex&otilde;es banda larga m&oacute;veis entre os quesitos das licita&ccedil;&otilde;es das freq&uuml;&ecirc;ncias para a terceira gera&ccedil;&atilde;o da telefonia celular.&nbsp;<\/p>\n<p>Alvarez afirma que est&atilde;o sendo analisadas as diversas a&ccedil;&otilde;es federais de inclus&atilde;o digital, mas ele j&aacute; detecta duplica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os, desperd&iacute;cios e aus&ecirc;ncia de uma vis&atilde;o articulada de sustentabilidade. Para estruturar um Programa Brasileiro de Inclus&atilde;o Digital, come&ccedil;ou a compor comit&ecirc;s de trabalho com integrantes dos v&aacute;rios minist&eacute;rios envolvidos no tema. A id&eacute;ia &eacute; repactuar as iniciativas, fortalecendo a participa&ccedil;&atilde;o de governos locais, da sociedade civil e de empresas. De modo a evitar o que considera uma presen&ccedil;a exagerada da Uni&atilde;o nos projetos. Cezar Alvarez, que &eacute; o respons&aacute;vel pelo programa Computador para Todos, adianta que o governo vai licitar entre 100 mil e 200 mil micros port&aacute;teis educacionais com software livre, para o projeto Um Computador com Aluno (UCA). A id&eacute;ia &eacute; que os laptops sejam entregues at&eacute; outubro.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como ser&aacute; a coordena&ccedil;&atilde;o dos programas de inclus&atilde;o digital, e a constru&ccedil;&atilde;o de um plano nacional de combate &agrave; exclus&atilde;o digital?<br \/><\/strong><\/span><span>Cezar&nbsp;Alvarez &#8211;&nbsp;Cada &aacute;rea continua com suas responsabilidades, seus projetos, suas prioridades, sua vis&atilde;o setorial e a legitimidade dela. Meu papel &eacute; ajudar a que essas &aacute;reas se conversem, se potencializem &mdash; da compra &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o e ao suporte &mdash;, e que evitem duplica&ccedil;&atilde;o. Para que, juntos, sejamos capazes de criar novos programas ou a&ccedil;&otilde;es que completem lacunas, nas muitas dimens&otilde;es do papel do governo na inclus&atilde;o digital &mdash; seja na dimens&atilde;o pedag&oacute;gica, ou de servi&ccedil;o e informa&ccedil;&atilde;o &agrave; cidadania, seja no uso, como governo consumidor, at&eacute; no fomento dos telecentros, j&aacute; na dimens&atilde;o de pol&iacute;tica social. Superando a vis&atilde;o de telecentro de um &uacute;nico tipo.<\/p>\n<p><\/span><span>Em algumas regi&otilde;es, h&aacute; telecentros que s&atilde;o um espa&ccedil;o quase &uacute;nico de cidadania. Por exemplo, no semi-&aacute;rido, alguns t&ecirc;m papel estrat&eacute;gico na produ&ccedil;&atilde;o, ou para um pequeno n&uacute;cleo de pescadores, ou numa regi&atilde;o de agricultura familiar. Isso &eacute; uma experi&ecirc;ncia muito forte do Mdic (Minist&eacute;rio da Ind&uacute;stria), os telecentros adquirindo, cada vez mais, a dimens&atilde;o de servi&ccedil;os. A id&eacute;ia, ent&atilde;o, &eacute; detectar lacunas e potenciais a explorar. De modo que as a&ccedil;&otilde;es estejam inclu&iacute;das em uma pol&iacute;tica estrat&eacute;gica, acordada em comum entre as diferentes partes, mas preservando as especificidades.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>J&aacute; h&aacute; um diagn&oacute;stico dos programas?<br \/><\/strong><\/span><span>Principalmente na &aacute;rea dos telecentros, &eacute; evidente a duplica&ccedil;&atilde;o, as lacunas e as dificuldades de construir uma vis&atilde;o comum da auto-sustentabilidade. &Eacute; preciso trabalhar com parcerias, seja com mini-sociedades usu&aacute;rias em torno de um telecentro, seja com aquele setor social, quando o telecentro est&aacute; mais viculado a um servi&ccedil;o, ou sejam as lideran&ccedil;as daquela comunidade, ou o prefeito ou a prefeita. &Eacute; preciso haver uma vis&atilde;o clara da capacidade de sustenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; lisonjeiro, mas preocupante, que, no primeiro mapa da inclus&atilde;o digital, feito pelo MCT (Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia), via Ibict (veja a p&aacute;gina 24), de 16 mil pontos, cerca de 11 mil sejam da Uni&atilde;o. &Eacute; evidente a distor&ccedil;&atilde;o, em um estado federativo com 27 unidades e 5,4 mil munic&iacute;pios. O governo federal n&atilde;o precisa abrir m&atilde;o de fazer diretamente, mas tem que trabalhar de forma associada; tem que haver uma repactua&ccedil;&atilde;o federativa. A partir da&iacute;, queremos desenvolver pol&iacute;ticas de servi&ccedil;os, eventualmente fomentar aplicativos comuns. A capacita&ccedil;&atilde;o, por exemplo, n&atilde;o pode ser digita&ccedil;&atilde;o, alfabetiza&ccedil;&atilde;o digital. Inclus&atilde;o significa uma capacidade de obter, armazenar, produzir, criticar, modificar a informa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; na rede ou num banco de dados. Queremos ampliar e atualizar o conceito de inclus&atilde;o com essa din&acirc;mica mais ampla. E tamb&eacute;m como instrumento para aumentar a possibilidade do emprego, de capacita&ccedil;&atilde;o profissional. S&atilde;o quest&otilde;es em fase de diagn&oacute;stico, depois ser&atilde;o hierarquizadas, e n&oacute;s teremos um plano de a&ccedil;&atilde;o mais efetivo, com metas, responsabilidades, indicadores, custos. &Eacute; uma repactua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Em que prazo ser&aacute; poss&iacute;vel ter esse plano e essa repactua&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Ainda estou apresentando [a id&eacute;ia] aos ministros, cujas &aacute;reas t&ecirc;m atua&ccedil;&atilde;o nesse mundo da inclus&atilde;o digital. E eles est&atilde;o designando dois assessores para trabalhar comigo. Um ser&aacute; um quadro t&eacute;cnico, que formar&aacute; uma coordena&ccedil;&atilde;o operacional, em que trabalharemos juntos dez, 12, 15 minist&eacute;rios. Estou dizendo que gostaria que fosse um quadro t&eacute;cnico e que, no m&iacute;nimo, 20% do seu trabalho pudesse ser para essa a&ccedil;&atilde;o. Depois, a id&eacute;ia &eacute; constituir um comit&ecirc; t&eacute;cnico-pol&iacute;tico, com os secret&aacute;rios das &aacute;reas, com vis&atilde;o das grandes diretrizes.<\/p>\n<p><\/span><span>Outra dimens&atilde;o &eacute; que essa articula&ccedil;&atilde;o do governo federal discuta federativamente com as entidades de prefeitos e governadores, seus secret&aacute;rios de Educa&ccedil;&atilde;o, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, com os movimentos sociais, as ONGs que trabalham o tema; e, principalmente, com os diferentes ramos das empresas envolvidas &mdash; equipamentos, &aacute;rea de transmiss&atilde;o, internet, conte&uacute;dos, aplicativos. Para &mdash; e a&iacute; &eacute; uma meta bastante ambiciosa &mdash; criar aquilo que poderemos chamar de um Programa Brasileiro de Inclus&atilde;o Digital. Porque a gente percebe que diferentes setores sociais gostariam de ter uma mesa, onde pudessem conhecer cen&aacute;rios de longo prazo e onde cada qual conhecesse as estrat&eacute;gias dos principais atores, para definir suas estrat&eacute;gias comerciais, empresariais, sociais, governamentais, estabelecendo um mix, sempre rico no desenvolvimento de um setor, de colabora&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o. Isso passar&aacute; pela matura&ccedil;&atilde;o das empresas brasileiras, que v&atilde;o ter que perceber que o Estado &eacute; um parceiro. Mas n&atilde;o se pode reduzir a discuss&atilde;o &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o de tributos; tem de incluir a produtividade, a competividade e a contribui&ccedil;&atilde;o que cada empresa poder&aacute; dar para inclus&atilde;o digital.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>As a&ccedil;&otilde;es federais de inclus&atilde;o digital t&ecirc;m metodologias muito distintas. Seria poss&iacute;vel definir requisitos m&iacute;nimos?<br \/><\/strong><\/span><span>&Eacute; preciso trabalhar no fio da navalha entre a especificidade, a hist&oacute;ria, a cultura que originou e em que se relaciona um determinado programa com um determinado ambiente social, e os elementos comuns que podem dar a ele mais efetividade, menor custo. N&atilde;o posso padronizar num standard que n&atilde;o contemple a diversidade. Mas, hoje, h&aacute; muito mais dispers&atilde;o e desperd&iacute;cio do que homogeneiza&ccedil;&atilde;o e pasteuriza&ccedil;&atilde;o. Eu diria que est&aacute; desbalanceado. Por isso, n&atilde;o por acaso, o presidente [Lula] disse: &lsquo;&rsquo;vamos trazer &agrave; Presid&ecirc;ncia, ao meu gabinete, porque percebo que cada &oacute;rg&atilde;o tem sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, sua cultura e &eacute; sempre muito cioso da sua autonomia. Mas, sem ferir a autonomia de ningu&eacute;m, vamos trazer para c&aacute;&rdquo;. &Eacute; uma decis&atilde;o muito ponderada do presidente.<\/p>\n<p><\/span><span>Evidentemente, se uma coisa &eacute; capaz de ganhar escala, por exemplo, ao ter um banco de dados m&iacute;nimo, um banco de aplicativos, ou na &aacute;rea de capacita&ccedil;&atilde;o, de manuten&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; na &aacute;rea da compra, da licita&ccedil;&atilde;o, h&aacute; um longo caminho a percorrer, mas que trar&aacute; efic&aacute;cia e efetividade a um sistema de inclus&atilde;o digital. Quando eu falo em inclus&atilde;o digital n&atilde;o falo apenas da cultura de um usu&aacute;rio na ponta, mas tamb&eacute;m do atendimento do SUS, do cidad&atilde;o sendo informado do seu benef&iacute;cio na Previd&ecirc;ncia, ou da vaga na escola. Tamb&eacute;m estou pensando numa cultura a que o brasileiro m&eacute;dio j&aacute; tem determinado acesso, em algumas tecnologias com as quais ele j&aacute; est&aacute; familiarizado, como a tecnologia banc&aacute;ria, ou o celular. &Eacute; preciso ver, tamb&eacute;m, essa dimens&atilde;o de servi&ccedil;os de governo, e de servi&ccedil;os para uma determinada comunidade produtiva. Uma das primeiras tarefas &eacute; atualizar esse diagn&oacute;stico. Mais do que um c&aacute;lculo cont&aacute;bil, &eacute; uma avalia&ccedil;&atilde;o da efetividade de cada proposta, do benef&iacute;cio. Dar uma olhada l&aacute; no princ&iacute;pio que gerou determinado servi&ccedil;o ou equipamento e ver o que ele alcan&ccedil;ou, que resultados tem. Tentar, de forma n&atilde;o-burocr&aacute;tica, medir a efetividade das a&ccedil;&otilde;es do governo.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como a sua coordena&ccedil;&atilde;o se articula com um Plano Nacional de Banda Larga? E como deveria ser esse plano?<br \/><\/strong><\/span><span>H&aacute; um tema que perpassa tudo. &Eacute; o compromisso do governo, explicitado cabalmente pelo presidente no seu discurso, em primeiro de janeiro, que inclusive parou no meio da leitura e disse: &ldquo;vou repetir&rdquo;. E o que ele tinha lido e repetiu? &ldquo;At&eacute; 2010 todas as escolas p&uacute;blicas brasileiras ter&atilde;o equipamento de inform&aacute;tica com conex&atilde;o &agrave; internet em banda larga.&rdquo; Esse compromisso &eacute; o que vai mover esse grupo. Todas as a&ccedil;&otilde;es que tivermos e fizermos estar&atilde;o nessa dire&ccedil;&atilde;o: o tema da banda larga, chegando nas escolas e, a&iacute;, iluminando os munic&iacute;pios. A combina&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &mdash; eventualmente estatal &mdash; com a realidade de mercado &eacute; a grande busca do equil&iacute;bro, daquilo que &eacute; capaz de ser provido pelo mercado e, aonde o mercado n&atilde;o vai, porque o seu investimento e retorno n&atilde;o configuram bom neg&oacute;cio, o governo ou os governos ter&atilde;o que ir.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesse sentido, a discuss&atilde;o de um backbone estatal deve ser vista com muita normalidade. Se &eacute; um backbone que estar&aacute;, tamb&eacute;m, com backhaul e depois com os pontos de acesso, todo numa din&acirc;mica exclusivamente estatal, &eacute; uma discuss&atilde;o que vejo com reserva. Agora, um grande backbone nacional que possa ser utilizado em comum, e a partir da&iacute; a distin&ccedil;&atilde;o se fa&ccedil;a na disputa de servi&ccedil;os no mercado, com todos os prestadores, &eacute; a id&eacute;ia de que n&atilde;o d&aacute; mais para duplicar. Queremos ver como podemos articular uma estrutura em que o mercado mantenha sua competi&ccedil;&atilde;o, com sua distin&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o e qualidade, e, eventualmente, possa ser acordada uma infra-estrutura m&iacute;nima e compartilhada. &Eacute; menor custo, maior lucro e menor pre&ccedil;o para o consumidor, e maior capacidade de incorporar tecnologia.<\/p>\n<p><\/span><span>Estamos maduros para acelerar essa discuss&atilde;o. Claro que ela tem que observar lacunas legislativas, quest&otilde;es de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e um mercado que, na &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es, se reconcentra. Mas, no final de junho, termina o prazo, j&aacute; prorrogado, para as operadoras de telefonia fixa come&ccedil;arem a implanta&ccedil;&atilde;o dos Postos de Servi&ccedil;os Telef&ocirc;nicos (PSTs). Por isso, estamos trabalhando com o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, com enorme urg&ecirc;ncia, para vermos a densidade jur&iacute;dica, tecnol&oacute;gica e empresarial da hip&oacute;tese de converter obriga&ccedil;&otilde;es do PST em constru&ccedil;&atilde;o de backhaul. Essa &eacute; uma discuss&atilde;o que, como anunciou o ministro H&eacute;lio Costa, est&aacute; no seu jur&iacute;dico e ser&aacute; trazida ao presidente [Lula] nesse per&iacute;odo. Essa proposta n&atilde;o &eacute; excludente, mas complementar &agrave; discuss&atilde;o sobre a constru&ccedil;&atilde;o de um backbone nacional, em que entram as alternativas daquele sistema que j&aacute; existia na Eletronet.<\/p>\n<p><\/span><span>Se abrirmos o leque da atua&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e privada para acelerar a banda larga nas escolas, tem mais uma dimens&atilde;o que &eacute; a terceira gera&ccedil;&atilde;o do celular. As licita&ccedil;&otilde;es [da Anatel, para venda das freq&uuml;&ecirc;ncias da 3G] podem combinar pre&ccedil;o da licen&ccedil;a e cobertura dos servi&ccedil;os banda larga. Na licita&ccedil;&atilde;o da 3G, o ministro H&eacute;lio Costa n&atilde;o exclui que ganhe quem tiver pre&ccedil;o x, mas tamb&eacute;m quem fizer conex&atilde;o em banda larga em mais munic&iacute;pios. Ent&atilde;o, no m&iacute;nimo, j&aacute; estou com tr&ecirc;s moedas para banda larga: estrutura pr&oacute;pria, convers&atilde;o de PST e 3G. Temos que acelerar essa discuss&atilde;o dentro do governo.<\/p>\n<p><\/span><span>A id&eacute;ia de uma coordena&ccedil;&atilde;o &eacute; combinar essas a&ccedil;&otilde;es, que significam a atualiza&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, o que &eacute; estrat&eacute;gico para um projeto de desenvolvimento. Qual &eacute; a dimens&atilde;o que banda larga n&atilde;o perpassa? N&atilde;o &eacute; um projeto de governo, &eacute; um projeto de Brasil, de sociedade. Nesse quadro: da converg&ecirc;ncia, complementaridade, conte&uacute;dos, legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais os pr&oacute;ximos passos do projeto Um Computador por Aluno (UCA)?<br \/><\/strong><\/span><span>Estamos batendo o martelo que vamos comprar entre 100 mil e 200 mil computadores. Vamos fazer uma licita&ccedil;&atilde;o: se vir&aacute; XO [o modelo da ONG OLPC], Classmate [da Intel], Mobilis [da Encore], n&atilde;o sei; ser&aacute; um computador, um device educacional. Equipamentos m&oacute;veis para a sala de aula. O computador chegar&aacute; apenas em outubro. At&eacute; instalar, treinar professores, come&ccedil;ar&aacute;, de fato, na sala de aula, a partir de 2008.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A Positivo vai fabricar o XO?<br \/><\/strong><\/span><span>A Positivo, mais do que fabricar o XO, quer fazer um acordo de distribui&ccedil;&atilde;o e suporte. Porque o XO &eacute; de uma ONG, que est&aacute; fazendo um acordo operacional. Mas, depois, e o transporte, e o suporte, e a intala&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o? Estamos em novas fronteiras pedag&oacute;gicas, tecnol&oacute;gicas e, inclusive, da compra p&uacute;blica. Vou iniciar uma conversa com o TCU (Tribunal de Contas da Uni&atilde;o), para contar como est&aacute; o projeto. Porque &eacute; um mercado novo. Nenhum desses equipamentos est&aacute; homologado na dimens&atilde;o comercial. Haver&aacute; uma homologa&ccedil;&atilde;o de institutos de pesquisa, mas homologa&ccedil;&atilde;o de uso, n&atilde;o. Por que? Porque o [Nicholas] Negroponte [pesquisador do MIT, que liderou a proposta do XO e a cria&ccedil;&atilde;o da OLPC] quebrou o paradigma que ele se prop&otilde;s a quebrar, que &eacute;: para revolucionar o processo pedag&oacute;gico, num mundo em que educa&ccedil;&atilde;o e aprendizado s&atilde;o permanentes, eu preciso das novas tecnologias. E o mundo dos fabricantes s&oacute; se preocupa com o bilh&atilde;o de terr&aacute;queos que consomem, e n&atilde;o com os outros 5,6 bilh&otilde;es que n&atilde;o consomem, e que s&atilde;o a juventude pobre dos pa&iacute;ses. O Negroponte disse: eu vou fazer a ind&uacute;stria produzir um equipamento que baixe o pre&ccedil;o. E a Intel j&aacute; est&aacute; fazendo.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>No que consiste o UCA?<br \/><\/strong><\/span><span>O UCA &eacute; uma atividade de governo muito ampla. Envolve tecnologia e envolve pol&iacute;tica industrial. Se tiver que comprar o UCA no exterior, at&eacute; compro, no primeiro momento. Mas, depois, quero uma associa&ccedil;&atilde;o que envolva produ&ccedil;&atilde;o nacional. Ser&aacute; que vou conseguir trazer uma f&aacute;brica de semicondutor para o Brasil? N&atilde;o sei. Quem sabe, consigo trazer algumas das grandes &aacute;reas do display &mdash; o backlight, por exempo? H&aacute; &aacute;reas de ponta, em que se deve ver onde se pode estimular, se associar, ou ter pol&iacute;ticas industriais para adensar a cadeia, enfrentar diversidades regionais. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A Microsoft anunciou pacote de aplicativos a US$ 3,5. A op&ccedil;&atilde;o pelo software livre tem a ver com custo ou estrat&eacute;gica tecnol&oacute;gica?<br \/><\/strong><\/span><span>Tem a ver com o desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia, com a capacidade de desenvolver e adaptar aplicativos para nossa diversidade &eacute;tnica, cultural, territorial e social, al&eacute;m dos elementos de seguran&ccedil;a. A compra brasileira do computador educacional ser&aacute; feita com sistema operacional aberto, um volume de aplicativos, e a capacidade de desenvolver esses aplicativos. O pre&ccedil;o &eacute; importante, mas n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico elemento de uma aquisi&ccedil;&atilde;o. Sem falarmos que, nas disputas comerciais leg&iacute;timas que existem no mundo, n&atilde;o vamos ficar ref&eacute;m de pol&iacute;ticas de dumping ou, depois, de exclusivismo e depend&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. O Brasil n&atilde;o ficar&aacute;, nos seus limites, evidentemente, ref&eacute;m de pol&iacute;tica tecnol&oacute;gica naquilo que ele tem conhecimento. Estudo da Universidade de Maastricht, na B&eacute;lgica, patrocinado pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, identificou, no Brasil, 541 desenvolvedores de software livre, o maior n&uacute;mero entre os pa&iacute;ses pesquisados, com a Argentina em segundo lugar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/cc_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Vamos repactuar as iniciativas para evitar a duplica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[308],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}