{"id":18651,"date":"2007-07-03T17:33:56","date_gmt":"2007-07-03T17:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18651"},"modified":"2007-07-03T17:33:56","modified_gmt":"2007-07-03T17:33:56","slug":"emissoras-de-sp-permanecem-na-busca-pela-legalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18651","title":{"rendered":"Emissoras de SP permanecem na busca pela legaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Nove anos depois da promulga&ccedil;&atilde;o da Lei 9.612, que regulamenta a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria no Brasil, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ainda n&atilde;o regularizou a situa&ccedil;&atilde;o de sequer uma emissora na capital paulista. Ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do aviso de habilita&ccedil;&atilde;o (em dezembro &uacute;ltimo) e a apura&ccedil;&atilde;o dos pedidos (cujo prazo pra envio ao Minicom foi 5 de mar&ccedil;o), 110 associa&ccedil;&otilde;es que pleiteiam a autoriza&ccedil;&atilde;o j&aacute; foram consideradas aptas, entre os 154 pedidos recebidos pelo Minist&eacute;rio. Deste total, 24 foram arquivados, a maioria por n&atilde;o se tratar de r&aacute;dio comunit&aacute;ria. Outros 20 pedidos ainda est&atilde;o sendo analisados.<\/p>\n<p><\/span><span>Definidas as entidades aptas, &eacute; preciso agora enfrentar o maior problema. Consideradas as especifica&ccedil;&otilde;es previstas na Norma 01\/2004 da Anatel, n&atilde;o haver&aacute; espa&ccedil;o para todas, porque a norma prev&ecirc; a dist&acirc;ncia m&iacute;nima de quatro quil&ocirc;metros entre as antenas transmissoras. No &uacute;ltimo dia 25, quando foi realizada a 11&ordf; Mesa de Trabalho sobre R&aacute;dios Comunit&aacute;rias em S&atilde;o Paulo, o foco da discuss&atilde;o foi esta restri&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de r&aacute;dios aptas a transmitir. &ldquo;Tanto morros quanto pr&eacute;dios impedem a propaga&ccedil;&atilde;o do sinal das FMs; isso quer dizer que, dependendo da localiza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios, poder&aacute; haver uma dist&acirc;ncia inferior a quatro quil&ocirc;metros entre elas sem risco de interfer&ecirc;ncia&rdquo;, explica S&eacute;rgio Gomes, diretor da Obor&eacute;, entidade que trabalha com comunica&ccedil;&atilde;o popular e acompanha todo o processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios. O processo em curso em S&atilde;o Paulo evidencia esta e uma s&eacute;rie de outras quest&otilde;es legais que restringem e dificultam o funcionamento das r&aacute;dios. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Uma lei excludente<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A Lei 9.612 determina o que caracteriza uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria e isso envolve desde quest&otilde;es t&eacute;cnicas &#8211; como o alcance, a pot&ecirc;ncia e a freq&uuml;&ecirc;ncia &#8211; at&eacute; a programa&ccedil;&atilde;o por elas veiculada, e &eacute; nas determina&ccedil;&otilde;es da lei que algumas quest&otilde;es se colocam em confronto com a realidade. <\/p>\n<p><\/span><span>A lei, por exemplo, reserva apenas um canal no espectro paulistano para atender &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. &ldquo;Isso &eacute; uma decis&atilde;o pol&iacute;tica arbitr&aacute;ria&rdquo;, defende S&eacute;rgio Gomes. &ldquo;Enquanto as r&aacute;dios comunit&aacute;rias brigaram para ter esse canal, toda freq&uuml;&ecirc;ncia foi entregue para as r&aacute;dios comerciais&rdquo;. Para que esse canal fosse disponibilizado para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias a Anatel passou oito anos para ach&aacute;-lo. &ldquo;E s&oacute; encontrou essa freq&uuml;&ecirc;ncia por press&atilde;o&rdquo;, explica Anna Claudia Vazzoler do Escrit&oacute;rio Modelo D. Paulo Evaristo Arns da PUC\/SP, que presta assessoria jur&iacute;dica &agrave;s r&aacute;dios.<\/p>\n<p><\/span><span>Outro gargalo &eacute; a quest&atilde;o da sustentabilidade das r&aacute;dios. A quest&atilde;o &eacute; pol&ecirc;mica e envolve a veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade e o financiamento p&uacute;blico. Segundo a lei, uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria pode admitir patroc&iacute;nio sob a forma de apoio cultural de estabelecimentos localizados na comunidade atendida (o que n&atilde;o configura publicidade). Para Paulo Tadeu, presidente da r&aacute;dio Cratera em Parelheiros, se a r&aacute;dio conseguiu a concess&atilde;o &ldquo;tem que receber algum financiamento p&uacute;blico&rdquo;, para garantir a sua sustentabilidade. Pl&iacute;nio Parente, da R&aacute;dio Savic FM, ve&iacute;culo da Sociedade dos Amigos da Vila Constan&ccedil;a, defende a propaganda comercial. &ldquo;Tem que cair a m&aacute;scara do cinismo, sen&atilde;o vai ter comercial disfar&ccedil;ado de apoio cultural&rdquo;, diz. A limita&ccedil;&atilde;o do apoio por parte de entidades da pr&oacute;pria comunidade tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; consenso: para S&eacute;rgio Gomes, a abrang&ecirc;ncia deveria ser maior &ldquo;Se a Obor&eacute; quiser apoiar a r&aacute;dio Heli&oacute;polis n&atilde;o pode. Nem sempre haver&aacute;, nas comunidades, estabelecimentos para patrocinar as r&aacute;dios&rdquo;, pontua.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Mapas ignorantes<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Por conta destas e de outras imprecis&otilde;es e distor&ccedil;&otilde;es na lei, associa&ccedil;&otilde;es e grupos que assessoram as r&aacute;dios no processo de legaliza&ccedil;&atilde;o d&atilde;o continuidade &agrave; luta pol&iacute;tica pela modifica&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o. Em paralelo, procuram mostrar ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es como acomodar o maior n&uacute;mero de r&aacute;dios poss&iacute;vel nesse &uacute;nico canal.<\/p>\n<p><\/span><span>Como apontado por S&eacute;rgio Gomes, a dist&acirc;ncia de quatro quil&ocirc;metros ignora o relevo da cidade, que deve ser necessariamente avaliado no processo de habilita&ccedil;&atilde;o de forma profissional: por uma equipe de engenheiros capacitados e mapas tridimensionais. Ainda assim, para o engenheiro Marcos Manh&atilde;es, pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD), isso n&atilde;o &eacute; suficiente para atender a demanda, porque o que se deve objetivar &eacute; o aumento no n&uacute;mero de canais. &ldquo;O mapa tridimensional pode apontar diferen&ccedil;as de alguns metros entre as r&aacute;dios, mas n&atilde;o vai haver diferen&ccedil;a significativa se n&atilde;o houver mais freq&uuml;&ecirc;ncias para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias&rdquo;, diz Manh&atilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Apesar do esfor&ccedil;o e destas constata&ccedil;&otilde;es, na Mesa de Trabalho, Alexandra Costa, representante do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es afirmou que o MiniCom trabalhar&aacute; com mapas planos e com a dist&acirc;ncia m&iacute;nima de quatro quil&ocirc;metros entre as r&aacute;dios. Ou seja: se seguidas essas especifica&ccedil;&otilde;es, restar&aacute; &agrave;s r&aacute;dios operar a composi&ccedil;&atilde;o de pelo menos 110 pontos em no m&aacute;ximo 30.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Composi&ccedil;&atilde;o ou competi&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em quase todas as regi&otilde;es da cidade a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma: h&aacute; mais de uma associa&ccedil;&atilde;o considerada apta para ter uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria. A legisla&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; um di&aacute;logo entre as entidades para que elas se unam, produzindo uma programa&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para aquela regi&atilde;o. Na pr&aacute;tica, as r&aacute;dios que operam numa mesma &aacute;rea (do limite de quatro quil&ocirc;metros) se tornam concorrentes em busca da concess&atilde;o. A lei prev&ecirc; que, em caso de impasse, a quest&atilde;o ser&aacute; resolvida com um pedido para que elas se associem e, caso n&atilde;o haja acordo, o crit&eacute;rio ser&aacute; o da &ldquo;representatividade&rdquo;. Ou seja, a r&aacute;dio que tiver mais manifesta&ccedil;&otilde;es de apoio ter&aacute; a concess&atilde;o. Havendo empate, a escolha ser&aacute; por sorteio. <\/p>\n<p><\/span><span>A imposi&ccedil;&atilde;o e a falta de objetividade dos crit&eacute;rios parecem ser, em si, quest&otilde;es relevantes. Mas em S&atilde;o Paulo h&aacute; um outro problema. Um dos grandes problemas da capital paulista &eacute; que o enorme n&uacute;mero de associa&ccedil;&otilde;es aptas torna o mapa da cidade um &#39;domin&oacute;&#39; de r&aacute;dios. Ao mexer em uma, influencia-se todo o conjunto do sistema. A maioria das entidades aptas est&aacute; a menos de 4 km de v&aacute;rias outras, em diferentes dire&ccedil;&otilde;es. Isso torna muito mais complicada a engenharia de definir quem deve tentar composi&ccedil;&atilde;o com quem. <\/p>\n<p><\/span><span>Pl&iacute;nio Parente diz que prefere perder a concess&atilde;o a se unir com outra r&aacute;dio, por temer que ela n&atilde;o seja realmente comunit&aacute;ria ou por n&atilde;o ter como conciliar duas programa&ccedil;&otilde;es que tenham focos diferentes, &ldquo;na Savic a gente trabalha com a juventude, a outra pode trabalhar com ecologia. Quem vai sediar? Quem vai coordenar? Quem decide a programa&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o tem como!&rdquo;, afirma. H&aacute;, contudo, quem n&atilde;o veja problemas. &ldquo;As que s&atilde;o comunit&aacute;rias mesmo n&atilde;o se importar&atilde;o em compor&rdquo;, diz Luci Martins, de uma r&aacute;dio da regi&atilde;o do Butant&atilde;. Ela se diz mais otimista, porque h&aacute; poucas r&aacute;dios no Butant&atilde;. &ldquo;Se nenhum pol&iacute;tico botar o dedinho, n&oacute;s temos chance&rdquo;, afirma Luci.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Pr&oacute;ximos passos<br \/><\/strong><\/span><span><br \/>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es se comprometeu a dar prosseguimento nas autoriza&ccedil;&otilde;es das r&aacute;dios em regi&otilde;es em que n&atilde;o h&aacute; conflito de abrang&ecirc;ncia. Embora sejam poucas entidades nessa situa&ccedil;&atilde;o, a legaliza&ccedil;&atilde;o de algumas delas far&aacute; com que o processo avance. Ao mesmo tempo, a Obor&eacute; ir&aacute; propor um semin&aacute;rio sobre o uso do espectro em S&atilde;o Paulo, reunindo especialistas da &aacute;rea t&eacute;cnica para discutir solu&ccedil;&otilde;es para o &#39;congestionamento&#39;.<\/p>\n<p><\/span><span>Os vereadores da rec&eacute;m-criada Frente Parlamentar em defesa das r&aacute;dios comunit&aacute;rias comprometeram-se em viabilizar o di&aacute;logo com a Prefeitura do munic&iacute;pio, que &eacute; respons&aacute;vel pela atualiza&ccedil;&atilde;o do Plano Diretor, que deve passar a contar com uma sess&atilde;o espec&iacute;fica sobre radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. A consecu&ccedil;&atilde;o desse Plano Diretor &eacute; essencial para se pensar as &aacute;reas de abrang&ecirc;ncia nas quais atuar&atilde;o as r&aacute;dios. Os vereadores ir&atilde;o propor a forma&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio, que possa ter legitimidade para definir as &aacute;reas de abrang&ecirc;ncia e apoiar na avalia&ccedil;&atilde;o do processo de legaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m disso, ser&aacute; proposta a altera&ccedil;&atilde;o do artigo que determina a dedica&ccedil;&atilde;o de apenas um canal para as emissoras comunit&aacute;rias em S&atilde;o Paulo. O pedido ser&aacute; encaminhado &agrave; subcomiss&atilde;o sobre concess&otilde;es presidida pela Deputada Luiza Erundina, dentro da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica &ndash; CCTCI da C&acirc;mara dos Deputados. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A pr&oacute;xima mesa de trabalho est&aacute; prevista para o dia 23 de julho, mas pode ser transferida para a primeira semana de agosto, por conta do recesso parlamentar.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><br \/><\/span>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nove anos ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Lei 9.612, governo federal ainda n\u00e3o regularizou a situa\u00e7\u00e3o de sequer uma emissora na capital paulista. Aproximadamente 110 associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas aptas, mas restri\u00e7\u00f5es da Lei podem reduzir para 20 o n\u00famero de r\u00e1dios autorizadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[200],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18651"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}