{"id":18649,"date":"2007-07-03T16:03:58","date_gmt":"2007-07-03T16:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18649"},"modified":"2007-07-03T16:03:58","modified_gmt":"2007-07-03T16:03:58","slug":"brasil-lidera-busca-por-politicas-para-as-expressoes-artisticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18649","title":{"rendered":"Brasil lidera busca por pol\u00edticas para as express\u00f5es art\u00edsticas"},"content":{"rendered":"<div id=\"titulo-print\">A Conven&ccedil;&atilde;o pela Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o da Diversidade das Express&otilde;es Art&iacute;sticas, adotada em outubro de 2005 na Unesco, foi ratificada em tempo recorde e j&aacute; conta com a ades&atilde;o de quase 60 pa&iacute;ses. Hoje, as culturas locais, exclu&iacute;das da ind&uacute;stria cultural de massa, contam com um fort&iacute;ssimo instrumento de luta e defesa dos desejos de suas vidas (&ldquo;dj&#39;s de suas vidas&rdquo;, como prefere o ministro Gilberto Gil). Mas, entre um documento assinado e a implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que garantam esse direito, um longo caminho de debates e pr&aacute;xis h&aacute; de ser percorrido.<\/p>\n<p>Entre os dias 27 e 29 de junho, Bras&iacute;lia sediou o Semin&aacute;rio Internacional sobre Diversidade Cultural &ndash; Pr&aacute;ticas e Perspectivas. Promovido pela Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos com o governo brasileiro, os debates que tiveram in&iacute;cio em f&oacute;runs p&uacute;blicos virtuais, foram divididos entre diversidade cultural no mundo contempor&acirc;neo, diversidade cultural nas Am&eacute;ricas, comunica&ccedil;&atilde;o e converg&ecirc;ncia digital, economia da cultura e setores estrat&eacute;gicos, e globaliza&ccedil;&atilde;o e cultura.<\/p>\n<p>Todos os pa&iacute;ses do continente, menos Cuba (que n&atilde;o integra a OEA por embargo econ&ocirc;mico), tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos e pol&iacute;ticas. Com as pol&iacute;ticas que est&atilde;o sendo implantadas no Brasil, como o Programa Cultura Viva, o Minist&eacute;rio da Cultura coloca-se como lideran&ccedil;a e contraponto na balan&ccedil;a da OEA contra a pol&iacute;tica mercantil e de massa dos Estados Unidos. O pa&iacute;s norte-americano que, com Israel, votou contra a aprova&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o, apresentou suas perspectivas no semin&aacute;rio atrav&eacute;s de uma representante da Discovery. <\/p>\n<p><strong>Democracia Cultural<\/p>\n<p><\/strong>O soci&oacute;logo e editor do peri&oacute;dico franc&ecirc;s Le Monde Diplomatique, Ign&aacute;cio Ramonet, afirma que os EUA preferem fazer concess&otilde;es em outras &aacute;reas, mas n&atilde;o arredam o p&eacute; quando a discuss&atilde;o &eacute; sobre bens culturais. Ele entende que &ldquo;soberania pol&iacute;tica e soberania cultural est&atilde;o interligadas&rdquo; e o assunto central da diversidade cultural refere-se &agrave; democracia.<\/p>\n<p>Ramonet, na aula inaugural do Semin&aacute;rio, lembrou o caso da China, para explicar como os Estados Unidos tratam as quest&otilde;es culturais. O congresso estadunidense ainda n&atilde;o ratificou um acordo bilateral com a China, pois os chineses permanecem inflex&iacute;veis em fazer concess&otilde;es sobre quest&otilde;es de propriedade intelectual, entre outros pontos que se referem a bens simb&oacute;licos.<\/p>\n<p>O pensador franc&ecirc;s lembra tamb&eacute;m que o consenso midi&aacute;tico, controlado pelas ind&uacute;strias da cultura e do conhecimento, considera qualquer tipo de regula&ccedil;&atilde;o do setor uma forma de censura. Exemplo claro, diz ele, &eacute; o caso da Venezuela, onde leis de responsabilidade para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa exigem ao menos de 50% de m&uacute;sicas venezuelanas nas r&aacute;dios e m&iacute;nimo de cinco horas di&aacute;rias de conte&uacute;do que valorize a cultura nacional.<\/p>\n<p>Recentemente, a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da emissora RCTV, que participou da articula&ccedil;&atilde;o do golpe contra o governo bolivariano de Hugo Ch&aacute;vez em 2002, causou rebuli&ccedil;o da m&iacute;dia e do governo dos EUA e de seus agentes externos, os grandes jornais de todo o mundo. &ldquo;Os Estados Unidos t&ecirc;m de fazer sua li&ccedil;&atilde;o de casa antes de falarem qualquer coisa. O modelo de liberalismo financeiro que eles t&ecirc;m como modelo de globaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante diversidade&rdquo;, pontua o escritor. A popula&ccedil;&atilde;o do mundo dos sonhos hollywoodianos &eacute; dividida em sua grande parte por brancos, negros e latinos. Hoje, apenas 1,9% das concess&otilde;es de r&aacute;dio representam os latinos, os negros ficam com 3,2% do bolo midi&aacute;tico e as mulheres est&atilde;o representadas em 6%.<\/p>\n<p>&ldquo;Em Queb&eacute;c, no Canad&aacute;, pa&iacute;s decisivo na articula&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas como a que pro&iacute;bem qualquer propaganda p&uacute;blica que n&atilde;o seja em franc&ecirc;s j&aacute; est&atilde;o funcionando e mexendo com a vida das pessoas. N&atilde;o pode nem ser bil&iacute;ngue. Essas medidas devem causar grandes impactos nas culturas locais daqui a um tempo&rdquo;, pontua Ramonet.<\/p>\n<p><strong>Mercantiliza&ccedil;&atilde;o da Cultura<\/p>\n<p><\/strong>Para o pensador franc&ecirc;s, as express&otilde;es culturais ainda s&atilde;o tratadas como mercadoria e administrada por grandes conglomerados que atuam mundialmente, o que inviabiliza o processo democr&aacute;tico e o direito de comunica&ccedil;&atilde;o humana. &ldquo;Os Estados Unidos, assim como outras ind&uacute;strias de outras matrizes, vendem primeiro a sua cultura liberal e seu american way of life para depois comercializar os seus jeans e outros produtos relacionados.<\/p>\n<p>&ldquo;Tudo &eacute; mercadoria: a escola, a sa&uacute;de, a natureza, a cultura, o conhecimento. Ent&atilde;o, tudo deve ser submetido &agrave; lei da oferta e da demanda. A mercantiliza&ccedil;&atilde;o da cultura amea&ccedil;a a criatividade e a identidade de comunidades. &Eacute; por isso que a quest&atilde;o da diversidade torna-se central, e a batalha pela diversidade cultural &eacute; capital na luta contra a globaliza&ccedil;&atilde;o liberal&rdquo;, conclui Ramonet..<\/p>\n<p>O ministro da Cultura Gilberto Gil entende que &eacute; imposs&iacute;vel falar em modelos pol&iacute;ticos prontos para promover e proteger as express&otilde;es culturais: &ldquo;A diversidade exige novas pol&iacute;ticas para estancar as feridas de toda a mercantiliza&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria e descontrolada dos nossos bens culturais&rdquo;. Referindo-se &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o de debates abrir espa&ccedil;o at&eacute; mesmo para a exposi&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica dos Estados Unidos, que curiosamente foi apresentada por uma representante da megacorpora&ccedil;&atilde;o Discovery Communications.<\/p>\n<p>O auge da apresenta&ccedil;&atilde;o de Mary Pitelli foi a exibi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos educacionais produzidos pela Discovery Atlas que serve de material b&aacute;sico na educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica estadunidense sobre o mundo. As pe&ccedil;as publicit&aacute;rias destacam as op&ccedil;&otilde;es tur&iacute;sticas mundializadas, da capoeira em Salvador a um estranho ator pintado de abor&iacute;gene australiano.<\/p>\n<p>O intelectual espanhol Jesus Mat&iacute;n-Barbero, que abriu a mesa onde foi exposta a proposta, lembrou que a chave da diversidade &eacute; preservar a criatividade humana, mas os sistemas educacionais de todo o mundo est&atilde;o &ldquo;castrando a criatividade&rdquo;. &ldquo;Os jovens est&atilde;o anos-luz &agrave; nossa frente. Eles j&aacute; nascem com o chipe do compartilhamento do conhecimento (<a href=\"http:\/\/http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=14319\" target=\"_blank\">saiba mais sobre Cultura Livre<\/a>)&rdquo;, considera.<\/p>\n<p>Barber lembrou como no M&eacute;xico a inclus&atilde;o digital do sistema p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o segue a cartilha da Macintosh: &ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que a escola p&uacute;blica, que est&aacute; conectada com as culturas locais e suas necessidades espec&iacute;ficas, seja incapaz de pensar seus pr&oacute;prios m&eacute;todos e pol&iacute;ticas. Essas empresas n&atilde;o est&atilde;o ajudando comunidades locais, elas est&atilde;o matando aos poucos o jeito das pessoas de serem e interagirem com o mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>O ministro Gilberto Gil, que integrou a mesma discuss&atilde;o, lembrou que outro mundo &eacute; poss&iacute;vel, citando Revolu&ccedil;&otilde;es do Capitalismo, do italiano Maur&iacute;cio Lazzaratto. Para Gil, &ldquo;the culture hotspots (os pontos de cultura, do Cultura Viva) invertem a l&oacute;gica liberal da cultura&rdquo;. Lembrando os pensamentos de Milton Santos, o ministro afirma que h&aacute; necessidade de vivermos a fase popular da Hist&oacute;ria, que est&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o nas periferias globais.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso recentralizar o que est&aacute; centralizado nas m&atilde;os de poucos. As matrizes da ind&uacute;stria cultural n&atilde;o deixaram nada para as periferias. Por isso, hoje, o papel do Estado brasileiro na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; empoderar as micro manifesta&ccedil;&otilde;es, para que eles se apropriem cada vez mais dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos e que sejam protagonistas na prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da diversidade&rdquo;, entende Gil. Al&eacute;m disso, Gil acredita que essas comunidades t&ecirc;m at&eacute; mesmo a oportunidade de pular o s&eacute;culo XX e a sua l&oacute;gica mercantil e liberal, propondo novos modelos de desenvolvimento.<\/p>\n<p><em>(*)A reportagem do <strong>100canais<\/strong> acompanhou os tr&ecirc;s dias do Semin&aacute;rio em Bras&iacute;lia a convite do Minist&eacute;rio da Cultura e amplificar&aacute; os principais desdobramentos sobre a prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural.<br \/><\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Conven&ccedil;&atilde;o pela Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o da Diversidade das Express&otilde;es Art&iacute;sticas, adotada em outubro de 2005 na Unesco, foi ratificada em tempo recorde e j&aacute; conta com a ades&atilde;o de quase 60 pa&iacute;ses. 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