{"id":18641,"date":"2007-07-02T19:48:22","date_gmt":"2007-07-02T19:48:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18641"},"modified":"2014-09-07T02:53:33","modified_gmt":"2014-09-07T02:53:33","slug":"a-reforma-politica-e-a-comunicacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18641","title":{"rendered":"A reforma pol\u00edtica e a comunica\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Ao falarmos de reforma pol&iacute;tica &#8211; tema que definitivamente entrou na agenda do pa&iacute;s quando o Congresso decidiu que ela seria votada em regime de urg&ecirc;ncia &ndash; e comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, as possibilidades de conex&atilde;o entre os temas s&atilde;o muitas e dizem respeito a basicamente dois pontos de vista: o dos conte&uacute;dos e o das pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p><\/span><span>Quando o assunto &eacute; conte&uacute;do, a rela&ccedil;&atilde;o se d&aacute; na abordagem da grande imprensa comercial e conservadora sobre o tema: a &ecirc;nfase &ndash; quando n&atilde;o a redu&ccedil;&atilde;o exclusiva do debate &#8211; numa reforma da legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral e dos partidos. N&atilde;o &eacute; por acaso que a reforma pol&iacute;tico-eleitoral que est&aacute; tramitando no Congresso &eacute; limitada ao debate da democracia em sua vertente representativa, deixando de lado quest&otilde;es reivindicadas por organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que vem construindo um movimento de discuss&atilde;o sobre a reforma pol&iacute;tica necess&aacute;ria para o pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/span><span>O projeto que estava em vota&ccedil;&atilde;o &eacute; restrito ao aspecto pol&iacute;tico-eleitoral e contempla apenas quatro pontos: fidelidade partid&aacute;ria, lista fechada, financiamento p&uacute;blico de campanha e fim das coliga&ccedil;&otilde;es para elei&ccedil;&otilde;es proporcionais. Com a vota&ccedil;&atilde;o, na semana passada, do item da lista fechada e a rejei&ccedil;&atilde;o das listas preordenadas, sequer &eacute; poss&iacute;vel chamar o processo em curso de reforma pol&iacute;tica (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18134\">veja a nota p&uacute;blica da Mobiliza&ccedil;&atilde;o por uma Reforma Pol&iacute;tica Ampla, Democr&aacute;tica e Participativa clicando aqui<\/a>).<\/p>\n<p><\/span><span>No Congresso e na m&iacute;dia, desde que o tema come&ccedil;ou a ser pautado, ficaram de fora a democracia direta e participativa e os debates sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es e a transpar&ecirc;ncia do judici&aacute;rio. <\/p>\n<p><\/span><span>De alguma forma, podemos concluir que o sistema, minimamente alterado, seguir&aacute; servindo aos interesses dos grandes grupos e corpora&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fazem quest&atilde;o de ampliar o debate e de ouvir as vozes da sociedade civil, que sustentam que esta reforma m&iacute;nima n&atilde;o nos interessa e &eacute; insuficiente. Mais do que a possibilidade de a reforma n&atilde;o dar conta de reivindica&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, corre-se o risco de criar ainda mais barreiras para uma real reforma que acabe com o patriarcado, o patrimonialismo, as oligarquias, o nepotismo, o clientelismo, o personalismo e a corrup&ccedil;&atilde;o em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>Entendemos que a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade democr&aacute;tica est&aacute; inserida em um contexto mais amplo, que diz respeito a mudan&ccedil;as no sistema pol&iacute;tico, na cultura pol&iacute;tica e no pr&oacute;prio Estado. Por isso, uma reforma pol&iacute;tica que amplie a democracia e fortale&ccedil;a a participa&ccedil;&atilde;o popular em nosso pa&iacute;s deve necessariamente abranger a democracia tamb&eacute;m em suas vertentes participativa e direta, al&eacute;m da democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es e a transpar&ecirc;ncia do Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p><\/span><span>Esses quatro eixos somados ao da democracia representativa est&atilde;o reunidos na plataforma constru&iacute;da por organiza&ccedil;&otilde;es, redes, f&oacute;runs e movimentos da sociedade civil reunidos na mobiliza&ccedil;&atilde;o por uma reforma pol&iacute;tica ampla, democr&aacute;tica e participativa.<\/p>\n<p><\/span><span>O quarto eixo da plataforma versa pelo segundo enfoque poss&iacute;vel do debate sobre comunica&ccedil;&atilde;o e reforma: o das pol&iacute;ticas. N&atilde;o h&aacute; como pensar em democracia hoje no pa&iacute;s sem pensar na constitui&ccedil;&atilde;o de um sistema de comunica&ccedil;&otilde;es, setor hoje completamente desguarnecido de pol&iacute;ticas e regulamenta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; preciso que discutamos um marco institucional para a comunica&ccedil;&atilde;o, com a realiza&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia nacional do setor nos moldes das demais (ampla, democr&aacute;tica e participativa) e a constitui&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&otilde;es para o Brasil com controle social sobre as pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p><\/span><span>Desde as elei&ccedil;&otilde;es do ano passado, a popula&ccedil;&atilde;o como um todo vem se dando conta da for&ccedil;a da m&iacute;dia e sua influ&ecirc;ncia na agenda pol&iacute;tica do pa&iacute;s. &Eacute; pena que esta influ&ecirc;ncia se de por meio de uma ofensiva impiedosa em rela&ccedil;&atilde;o a alguns avan&ccedil;os e lutas hist&oacute;ricas dos movimentos sociais, como a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa, por exemplo. Isso sem falar nas capas de revista contra as cotas raciais, nas mat&eacute;rias nas televis&otilde;es contra as comunidades quilombolas, nas reportagens criminalizando as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, entre outras viola&ccedil;&otilde;es que assistimos, lemos e ouvimos cotidianamente.<\/p>\n<p><\/span><span>Refor&ccedil;ando a sensa&ccedil;&atilde;o causada por este processo que vem desde as elei&ccedil;&otilde;es, o debate sobre a constitui&ccedil;&atilde;o de uma TV P&uacute;blica para o Brasil colocou na agenda p&uacute;blica as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m suscitou uma s&eacute;rie de manifesta&ccedil;&otilde;es. Outro tema que deveria ocupar os notici&aacute;rios em breve &eacute; o das concess&otilde;es. Este ano, ser&atilde;o renovadas diversas outorgas de televis&otilde;es e seria o momento de a popula&ccedil;&atilde;o saber que elas s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas, pass&iacute;veis de n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o, o que provavelmente n&atilde;o vai acontecer, por falta de regras.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; neste ponto que os debates sobre pol&iacute;tica e conte&uacute;do de comunica&ccedil;&atilde;o se cruzam: as vozes que lutam pela implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas para o setor, pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, para que regulem a concess&atilde;o e uso dos meios no Brasil, para que haja controle p&uacute;blico dos meios, s&atilde;o exclu&iacute;das do debate p&uacute;blico quando n&atilde;o disp&otilde;em de espa&ccedil;o para expor seus pontos de vista no ambiente tendencioso realizado pela m&iacute;dia, que deixa de cumprir seu papel de zelar pelo interesse p&uacute;blico e de promover o debate plural.<\/p>\n<p><\/span><span>A reforma pol&iacute;tica se configura em uma oportunidade de mostrarmos que uma real reforma do sistema n&atilde;o poderia ser feita sem a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o existe sociedade democr&aacute;tica sem uma comunica&ccedil;&atilde;o igualmente democr&aacute;tica. Carecendo de um debate sobre o sistema de comunica&ccedil;&otilde;es, qualquer reforma ser&aacute; insuficiente. <\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>*Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Moroni &eacute; fil&oacute;sofo, membro do colegiado de gest&atilde;o do Instituto de Estudos Socioecon&ocirc;micos (Inesc), diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais (Abong) e secret&aacute;rio nacional do FNPP.<br \/><\/em><\/span><span><em>* Michelle Prazeres &eacute; jornalista, mestre em comunica&ccedil;&atilde;o e semi&oacute;tica, integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, editora do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e integrante do F&oacute;rum Nacional de Participa&ccedil;&atilde;o Popular &#8211; FNPP. <br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao falarmos de reforma pol&iacute;tica &#8211; tema que definitivamente entrou na agenda do pa&iacute;s quando o Congresso decidiu que ela seria votada em regime de urg&ecirc;ncia &ndash; e comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, as possibilidades de conex&atilde;o entre os temas s&atilde;o muitas e dizem respeito a basicamente dois pontos de vista: o dos conte&uacute;dos e o das &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18641\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A reforma pol\u00edtica e a comunica\u00e7\u00e3o no Brasil<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18641"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27744,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18641\/revisions\/27744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}