{"id":18632,"date":"2007-06-29T18:13:19","date_gmt":"2007-06-29T18:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18632"},"modified":"2007-06-29T18:13:19","modified_gmt":"2007-06-29T18:13:19","slug":"os-lacos-entre-os-radiodifusores-brasileiros-e-venezuelanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18632","title":{"rendered":"Os la\u00e7os entre os radiodifusores brasileiros e venezuelanos"},"content":{"rendered":"<p><span>Elites costumam se relacionar bem com elites, independente de barreiras geogr&aacute;ficas ou ling&uuml;&iacute;sticas. Nesta quinta-feira (28\/6), esta sinergia ficou expl&iacute;cita em um encontro promovido em S&atilde;o Paulo entre o presidente da R&aacute;dio Caracas Television (RCTV), Marcel Granier, e os radiodifusores brasileiros. Numa das pomposas salas do Hotel Meli&aacute; Monfarrej, na Alameda Santos, com a promo&ccedil;&atilde;o da Revista Imprensa &ndash; acreditem&#8230; &ndash;, as principais associa&ccedil;&otilde;es de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Radiodifus&atilde;o (AIR) declararam seu apoio expl&iacute;cito &agrave; RCTV, que n&atilde;o teve sua concess&atilde;o renovada pelo governo venezuelano no &uacute;ltimo dia 27 de maio. <\/p>\n<p><\/span><span>O &ldquo;Ato em Defesa da Liberdade de Express&atilde;o&rdquo; de liberdade n&atilde;o teve nada. Do lado de fora, impedidos de entrar no sal&atilde;o, ficaram manifestantes do movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Com nariz de palha&ccedil;o e vendas na boca, eles empunharam cartazes que diziam: &ldquo;concess&atilde;o &eacute; p&uacute;blica&rdquo;, &ldquo;liberdade de imprensa &eacute; diferente de liberdade de empresa&rdquo;, &ldquo;liberdade de express&atilde;o para todos&rdquo; e &ldquo;Globo e RCTV: tudo a ver&rdquo;. Do lado de dentro, al&eacute;m da imprensa, duas dezenas de executivos e entidades patronais que historicamente defendem o oligop&oacute;lio privado da comunica&ccedil;&atilde;o Brasil. <\/p>\n<p><\/span><span>Em mundos apartados, protegido pela seguran&ccedil;a da cadeia Meli&aacute;, Marcel Granier se sentiu &agrave; vontade em seu discurso. Falou depois o editor da Revista Imprensa, Sinval de Itacarambi Le&atilde;o, que indiretamente tentou justificar o envolvimento do ve&iacute;culo no evento ao dizer que a revista tem voca&ccedil;&atilde;o plural e dialoga com profissionais, empresas e sindicatos. Depois falou H&eacute;ctor Oscar Amengual, diretor geral da AIR, que num discurso emocionado disse que os radiodifusores privados, livres e independentes est&atilde;o &ldquo;unidos e un&acirc;nimes&rdquo; em sua opini&atilde;o em apoio e solidariedade &agrave; emissora venezuelana. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Sentimos a tristeza e as l&aacute;grimas dos trabalhadores da RCTV, feridos em seu orgulho de pertencer a um meio de comunica&ccedil;&atilde;o que por mais de 53 anos obteve a prefer&ecirc;ncia de milh&otilde;es de venezuelanos, aqueles que s&atilde;o impedidos de exercer sua liberdade de express&atilde;o&rdquo;, declarou. &ldquo;N&atilde;o vamos medir esfor&ccedil;os at&eacute; que a RCTV volte ao ar, ao ar da Venezuela, ao ar da liberdade, ao ar que respiramos todos da AIR&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p><\/span><span>Depois, tapete vermelho ao senhor Granier, que iniciou sua apresenta&ccedil;&atilde;o com trechos em v&iacute;deo de declara&ccedil;&otilde;es de Ch&aacute;vez que, na sua vis&atilde;o, caracterizam a conforma&ccedil;&atilde;o, na Venezuela, da aus&ecirc;ncia de um Estado Democr&aacute;tico de Direito. Ao fundo, uma m&uacute;sica de suspense, para ajudar no clima. S&oacute; ficaram de fora as imagens &ndash; j&aacute; excessivamente veiculadas pela imprensa brasileira &ndash; dos funcion&aacute;rios da RCTV chorando ao cantar o hino nacional minutos antes da TV sair fora do ar. <\/p>\n<p><\/span><span>Granier contextualizou o processo de n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da RCTV, explicou as mudan&ccedil;as feitas nos &uacute;ltimos anos na legisla&ccedil;&atilde;o para o setor e ent&atilde;o abriu fogo contra o regime chavista. Disse que h&aacute; sete anos o governo venezuelano descumpre o que estabelece a regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor, ao n&atilde;o promover as adequa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias a todas as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o depois das altera&ccedil;&otilde;es na lei. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o de mais de 150 concess&otilde;es est&aacute; pendente&rdquo;, disse, ao afirmar que somente a RCTV foi responsabilizada por isso.<\/p>\n<p><\/span><span>Acusou o Poder Judici&aacute;rio de n&atilde;o atuar de forma independente do Executivo. Segundo Granier, a Justi&ccedil;a da Venezuela entregou as instala&ccedil;&otilde;es de transmiss&atilde;o da emissora privada &agrave; Comiss&atilde;o Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, ordenando sua ocupa&ccedil;&atilde;o militar, antes de julgar em definitivo o recurso interposto pela RCTV contra a decis&atilde;o do governo. At&eacute; hoje n&atilde;o houve um posicionamento do Tribunal Supremo de Justi&ccedil;a sobre o caso. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;No dia 28 de dezembro o presidente anunciou o fechamento (sic) da RCTV, mas durante tr&ecirc;s meses n&atilde;o houve nenhum ato administrativo, nenhum documento, do qual pud&eacute;ssemos apelar nos tribunais&rdquo;, reclamou Granier. O empres&aacute;rio tamb&eacute;m pintou um quadro sombrio da situa&ccedil;&atilde;o na Venezuela, ao relacionar o que entende por &ldquo;investidas do governo contra as liberdades e garantias fundamentais em todos os planos&rdquo;. Palavras como &ldquo;secreta&rdquo;, &ldquo;clandestina&rdquo;, &ldquo;ilegal&rdquo; foram abundantes. <\/p>\n<p><\/span><span>Acusou Ch&aacute;vez de mover uma campanha contra as empresas privadas, os sindicatos, as institui&ccedil;&otilde;es de ensino privado e os gr&ecirc;mios profissionais e de reprimir com viol&ecirc;ncia policial os protestos desses setores. Chegou a dizer que &ldquo;muitos estudantes foram presos, apanharam, foram torturados&rdquo; e que o governo convocou a popula&ccedil;&atilde;o a &ldquo;realizar a&ccedil;&otilde;es vand&aacute;licas&rdquo; contra os jornalistas independentes. Por fim, informou das den&uacute;ncias feitas &agrave; Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos contra essas agress&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&ldquo;Vazio de poder&rdquo;<br \/><\/strong><\/span><span>O momento mais interessante veio depois, quando teve in&iacute;cio uma coletiva de imprensa com Granier. O rep&oacute;rter da TV Globo, Jos&eacute; Roberto Burnier, deu seu testemunho do totalitarismo de Ch&aacute;vez. &ldquo;&Eacute; vis&iacute;vel, e pude ver isso quando era correspondente em Buenos Aires, que o presidente Hugo Ch&aacute;vez, desde 2005 ou um pouco antes, vinha tomando medidas para controlar o conte&uacute;do das emissoras de TV e dos jornais&rdquo;, disse. Levantou a bola para Granier cortar, na mais profunda sintonia e &quot;independ&ecirc;ncia jornal&iacute;stica&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da RCTV elencou ent&atilde;o um rol de a&ccedil;&otilde;es para o controle das comunica&ccedil;&otilde;es, a come&ccedil;ar por uma lei que regula conte&uacute;dos veiculados na televis&atilde;o. &ldquo;Os programas s&atilde;o classificados de acordo com a linguagem, o grau de viol&ecirc;ncia, de sexo exibido. S&atilde;o defini&ccedil;&otilde;es muito vagas e o funcion&aacute;rio do governo respons&aacute;vel pela classifica&ccedil;&atilde;o pode sancionar qualquer programa que julgar conveniente. O resultado tem levado a uma auto-censura cada vez maior dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou. Qualquer semelhan&ccedil;a com a cr&iacute;tica feroz que a Abert (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o) vem fazendo contra a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa do Minist&eacute;rio na Justi&ccedil;a no Brasil n&atilde;o &eacute; mera coincid&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><\/span><span>Ch&aacute;vez tamb&eacute;m retribuiria, em forma de publicidade governamental, os ve&iacute;culos que desenvolvem linha editorial favor&aacute;vel a seu governo. Mas disso as emissoras privadas no Brasil n&atilde;o podem se queixar, j&aacute; que abocanham a imensa maioria dos recursos de comunica&ccedil;&atilde;o do governo em fun&ccedil;&atilde;o dos chamados crit&eacute;rios de audi&ecirc;ncia e alcance dos ve&iacute;culos. <\/p>\n<p><\/span><span>O ponto alto da coletiva foi quando Granier &ndash; talvez inspirado no que ocorreu quando os militares brasileiros derrubaram Jo&atilde;o Goulart do poder &ndash; negou que tenha havido um golpe na Venezuela. Segundo ele, o que houve foi um &ldquo;vazio de poder&rdquo;, o mesmo dito pelo presidente do Congresso Nacional por aqui em 1964. Ter planejado o golpe e feito uma cobertura altamente favor&aacute;vel aos que tiraram Ch&aacute;vez do poder s&atilde;o as principais justificativas do governo venezuelano para n&atilde;o ter renovado a concess&atilde;o da RCTV. Para seu presidente, no entanto, este golpe nunca ocorreu. &ldquo;O tema do golpe &eacute; algo que o governo coloca porque n&atilde;o tem argumentos jur&iacute;dicos&rdquo;, disse Granier. &ldquo;Em abril de 2002, depois de protestos que reuniram mais de um milh&atilde;o de pessoas em Caracas, o chefe do Estado Maior do presidente se apresenta &agrave; televis&atilde;o e diz que, em fun&ccedil;&atilde;o de graves acontecimentos, o alto comando militar pediu a ren&uacute;ncia ao presidente e ele aceitou. Nunca o presidente ou os militares nos explicaram qual era a raz&atilde;o da ren&uacute;ncia&rdquo;, explicou Granier. <\/p>\n<p><\/span><span>Faltou dizer, no entanto, por que a RCTV n&atilde;o se preocupou em perguntar essa raz&atilde;o, antes de anunciar que Ch&aacute;vez havia abandonado do pa&iacute;s &ndash; uma mentira &ndash; e dar in&iacute;cio, ao vivo, &agrave;s comemora&ccedil;&otilde;es pelo golpe. Talvez disso Granier n&atilde;o se lembre, como parece n&atilde;o se lembrar das reuni&otilde;es que aconteceram em sua casa e que planejaram o golpe de 2002. &ldquo;Exer&ccedil;o o jornalismo h&aacute; 50 anos. Nunca, neste per&iacute;odo, ningu&eacute;m ouviu uma &uacute;nica frase minha ou uma atitude minha de defesa de um golpe de estado, em nenhuma circunst&acirc;ncia&rdquo;, garantiu.<\/p>\n<p><\/span><span>A imprensa brasileira tamb&eacute;m se esqueceu de questionar a declara&ccedil;&atilde;o minimamente &ldquo;estranha&rdquo; de Granier nos jornais televisivos desta quinta. <\/p>\n<p><\/span><span>Ao ser interrogado sobre o hist&oacute;rico de san&ccedil;&otilde;es sofridas pela emissora ao longo de sua hist&oacute;ria por abusos cometidos na programa&ccedil;&atilde;o e sobre o resultado do processo que correu na Justi&ccedil;a venezuelana que concluiu que a RCTV infringiu a constitui&ccedil;&atilde;o nacional, a lei org&acirc;nica das crian&ccedil;as e adolescentes, a lei org&acirc;nica das telecomunica&ccedil;&otilde;es e a lei de responsabilidade social do r&aacute;dio e da TV, Granier respondeu: &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nenhum pa&iacute;s em que as rela&ccedil;&otilde;es entre a imprensa e o poder sejam de absoluta normalidade. Anormal seria que, em 53 anos, nunca tiv&eacute;ssemos tido problemas com nenhum governo&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>O encerramento da coletiva foi esclarecedor &ndash; para aqueles que ainda n&atilde;o conheciam as origens e a ideologia do dirigente principal da RCTV. &ldquo;Me preocupa muito o discurso que o presidente Ch&aacute;vez tem adotado, que fala de uma guerra que ningu&eacute;m reconhece, que est&aacute; em sua mente, que supostamente temos com os Estados Unidos. E que nos obriga a ser o principal comprador de armamento da Am&eacute;rica. Compramos mais armas que o Ir&atilde;. Ningu&eacute;m entende porque cada venezuelano tem que ter um fuzil. Entender&iacute;amos que o presidente propusesse que cada venezuelano tivesse um computador ou acesso &agrave;s bibliotecas, a boa comida nas escolas&rdquo;. &ldquo;Os pa&iacute;ses menores est&atilde;o criando uma depend&ecirc;ncia da Venezuela, como &eacute; o caso dos estados da Am&eacute;rica Central, que compram gasolina subsidiada pelo governo Ch&aacute;vez. Isso &eacute; um problema&rdquo;. &ldquo;Os Estados Unidos s&atilde;o o principal cliente do nosso petr&oacute;leo, os que mais investem no pa&iacute;s, para quem mais vendemos nosso servi&ccedil;o. Ent&atilde;o n&atilde;o podemos critic&aacute;-los assim&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Do lado de c&aacute;<br \/><\/strong><\/span><span>N&atilde;o estranha que Abert, Abra (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores), Aner (Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais), entre outras, estejam t&atilde;o preocupadas com a situa&ccedil;&atilde;o da vizinha RCTV. A decis&atilde;o do governo Ch&aacute;vez pela n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da RCTV ajuda a desmontar a tradi&ccedil;&atilde;o mundial de renova&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica das outorgas, algo que n&atilde;o interessa a nenhum atual concession&aacute;rio.<\/p>\n<p><\/span><span>Por aqui, o exemplo da Venezuela pode parecer amea&ccedil;ador aos que se beneficiam da condi&ccedil;&atilde;o de concession&aacute;rios para utilizar a m&iacute;dia como instrumento de poder. Isso explica a rea&ccedil;&atilde;o desmensurada e editorizalizada da grande imprensa brasileira ao caso da RCTV e ao grande &ldquo;ato pela liberdade de express&atilde;o&rdquo; promovido em S&atilde;o Paulo nesta quinta, principalmente se lembrarmos que no dia 5 de outubro vencem diversas outorgas, incluindo as concedidas a todas as cinco emissoras pr&oacute;prias da Rede Globo.<\/p>\n<p><\/span><span>Ao final da coletiva, questionei o diretor geral da Abert, Fl&aacute;vio Cavalcanti Jr, sobre que crit&eacute;rios que, na sua opini&atilde;o, deveriam ser levados em conta para a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o de uma concess&atilde;o no Brasil. Ele disse que os contratos de concess&atilde;o s&atilde;o p&uacute;blicos e que, se forem quebrados, a concess&atilde;o deveria ser questionada na Justi&ccedil;a: &ldquo;todo dia &eacute; dia para quem est&aacute; insatisfeito fazer isso&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; verdade que ainda falta ao governo Ch&aacute;vez deixar claro todos os tr&acirc;mites do processo de n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da RCTV, incluindo a apela&ccedil;&atilde;o ainda em aberto na Justi&ccedil;a Venezuela. E &eacute; fato que medidas como o confisco das instala&ccedil;&otilde;es da RCTV s&atilde;o pouco &ndash; ou nada &ndash; justific&aacute;veis se comparadas &agrave; garantia do exerc&iacute;cio soberano de qualquer Estado gerir o bem p&uacute;blico espectro eletromagn&eacute;tico. Mas &eacute; verdade tamb&eacute;m que o cen&aacute;rio geopol&iacute;tico em que se encontra a Venezuela &eacute; bastante diferente do brasileiro. Agora, se nossos radiodifusores querem tanto discutir as &ldquo;amea&ccedil;as&rdquo; do governo Ch&aacute;vez &agrave; liberdade de express&atilde;o, por que n&atilde;o se disp&otilde;em logo a olhar pro seu quintal? <\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, a forte concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a forte influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica que estas empresas exercem t&ecirc;m impedido qualquer debate sobre a import&acirc;ncia para o estado democr&aacute;tico de analisar, avaliar, julgar e, quando necess&aacute;rio, n&atilde;o renovar uma concess&atilde;o. E por aqui, o uso das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV tamb&eacute;m descumpre princ&iacute;pios e par&acirc;metros estabelecidos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Por aqui, s&atilde;o os donos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que, na pr&aacute;tica, asfixiam a liberdade de express&atilde;o, mantendo o controle absoluto do que se ouve, l&ecirc; e escuta por 180 milh&otilde;es de brasileiros. <\/p>\n<p><\/span><span>Pelo discurso de Marcel Granier, ficou claro que a apropria&ccedil;&atilde;o da defesa da liberdade de express&atilde;o e sua utiliza&ccedil;&atilde;o como figura de ret&oacute;rica &eacute; algo que os radiodifusores fazem muito bem. No Brasil e na Venezuela.<\/p>\n<p><\/span><span><em>* Bia Barbosa &eacute; editora de Direitos Humanos da Carta Maior, membro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e empreendedora social da Ashoka.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elites costumam se relacionar bem com elites, independente de barreiras geogr&aacute;ficas ou ling&uuml;&iacute;sticas. Nesta quinta-feira (28\/6), esta sinergia ficou expl&iacute;cita em um encontro promovido em S&atilde;o Paulo entre o presidente da R&aacute;dio Caracas Television (RCTV), Marcel Granier, e os radiodifusores brasileiros. 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