{"id":18609,"date":"2007-06-27T17:45:56","date_gmt":"2007-06-27T17:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18609"},"modified":"2007-06-27T17:45:56","modified_gmt":"2007-06-27T17:45:56","slug":"inscricao-das-entidades-para-eleicoes-acaba-dia-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18609","title":{"rendered":"Inscri\u00e7\u00e3o das entidades para elei\u00e7\u00f5es acaba dia 3"},"content":{"rendered":"<p><span>Encerra-se no pr&oacute;ximo dia 3 de julho o prazo para a inscri&ccedil;&atilde;o de entidades que queiram participar das elei&ccedil;&otilde;es para o Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Podem concorrer &agrave;s vagas organiza&ccedil;&otilde;es do terceiro setor, da comunidade cient&iacute;fica e do setor empresarial que tenham, no m&iacute;nimo, dois anos de atua&ccedil;&atilde;o legal. As inscri&ccedil;&otilde;es podem ser feitas atrav&eacute;s do site <a href=\"http:\/\/www.cgi.br\/\">www.cgi.br<\/a>. As pr&oacute;prias entidades inscritas formam o col&eacute;gio eleitoral de cada segmento e cada uma pode indicar apenas um candidato. O resultado do pleito ser&aacute; anunciado em novembro.<\/p>\n<p><\/span><span>O CGI.br existe desde 1995 e foi criado atrav&eacute;s de uma portaria assinada pelos minist&eacute;rios das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da Internet no pa&iacute;s, regulando seus padr&otilde;es t&eacute;cnicos e coordenando a atribui&ccedil;&atilde;o de endere&ccedil;os e o registro de dom&iacute;nios. Em decreto assinado em 2003, o presidente Lula modificou a composi&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc;, aumentando a representa&ccedil;&atilde;o de setores n&atilde;o ligados ao governo. Estes representantes passaram a ser escolhidos atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es e, no final deste ano, terminam seus mandatos (de tr&ecirc;s anos).<\/p>\n<p><\/span><span>A partir do decreto de 2003, o governo passou a ser minoria entre os 21 membros do Comit&ecirc;, sendo a maioria constitu&iacute;da pela soma dos representantes do terceiro setor, da comunidade cient&iacute;fica e do setor empresarial, al&eacute;m de um representante de &ldquo;not&oacute;rio saber em assuntos da Internet&rdquo;. Segundo S&eacute;rgio Amadeu da Silveira, que foi representante da Casa Civil entre 2003 e 2005, &ldquo;foi uma mudan&ccedil;a de conte&uacute;do formal muito grande, a composi&ccedil;&atilde;o passou a ser bem mais democr&aacute;tica e est&aacute;vel. Antes, o governo cooptava e indicava, hoje s&oacute; escolhe os seus pr&oacute;prios representantes&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Proposta para modelo mundial<br \/><\/strong><\/span><span>&Eacute; este modelo de composi&ccedil;&atilde;o, com participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil junto com os governos, que o CGI.br prop&otilde;e para ser implementado tamb&eacute;m no n&iacute;vel global de governan&ccedil;a da Internet, substituindo a atual hegemonia da Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), organiza&ccedil;&atilde;o que, mesmo tendo integrantes de diversos pa&iacute;ses, &eacute; controlada pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p><\/span><span>A partir da C&uacute;pula Mundial sobre a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, realizada no final de 2003 em Genebra, o Brasil se tornou um dos protagonistas na reivindica&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o das pol&iacute;ticas de governan&ccedil;a da Internet. Foi criado ent&atilde;o o F&oacute;rum de Governan&ccedil;a na Internet (IGF), cuja segunda edi&ccedil;&atilde;o ser&aacute; realizada este ano no Rio de Janeiro* (a primeira foi em 2006, em Atenas).&nbsp; <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;H&aacute; uma vis&atilde;o comum, tanto do governo como do CGI.br, de que todos os assuntos de governan&ccedil;a devem ser debatidos no IGF, o que n&atilde;o ocorreu na primeira edi&ccedil;&atilde;o do f&oacute;rum. De fato, temas como a discuss&atilde;o da infra-estrutura l&oacute;gica (hoje realizada por uma entidade sediada nos EUA que opera segundo um contrato com o governo americano) foram quase proibidos em Atenas, e gra&ccedil;as &agrave; insist&ecirc;ncia de setores da sociedade civil e de governos como o do Brasil o tema dever&aacute; ser tratado na segunda edi&ccedil;&atilde;o&rdquo; afirma Carlos Alberto Afonso, diretor da Rits (Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor) e um dos representantes do terceiro setor no Comit&ecirc;.<\/p>\n<p><\/span><span>S&eacute;rgio Amadeu ressalta que o CGI.br funciona, cresce e &eacute; um dos mais bem estruturados do mundo, al&eacute;m de ter uma engenharia institucional muito bem montada. Concorda, assim, com Carlos Afonso, para quem o Comit&ecirc; &ldquo;&eacute; um exerc&iacute;cio muito bom de democracia, j&aacute; que h&aacute; equil&iacute;brio na representa&ccedil;&atilde;o dos membros n&atilde;o governamentais e h&aacute; uma minoria de representantes de governo&rdquo;. Al&eacute;m disso, Afonso destaca a qualidade dos operadores dos sistemas t&eacute;cnico e administrativo. O Comit&ecirc; obteve avan&ccedil;os significativos em rela&ccedil;&atilde;o ao registro de dom&iacute;nios, que hoje &eacute; feito de maneira mais r&aacute;pida e simples, al&eacute;m de ser mais barato. Criou tamb&eacute;m pontos gratuitos de troca de informa&ccedil;&atilde;o para os provedores, o que representa maior velocidade para o usu&aacute;rio de Internet. Al&eacute;m disso, implementou uma exitosa campanha contra os spams, os e-mails de propaganda mandados em massa sem o consentimento do destinat&aacute;rios.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Desafios<br \/><\/strong><\/span><span>No entanto, ambos concordam que h&aacute; problemas a serem resolvidos. O principal deles &eacute; o fato de que o Comit&ecirc; ainda &eacute; regulamentado apenas por um decreto presidencial, que pode, portanto, ser modificado ou revogado a qualquer momento, ou mesmo substitu&iacute;do por alguma lei. Para Afonso, &ldquo;todas as conquistas se deram por portarias de minist&eacute;rios ou decretos, n&atilde;o por legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que possa sacramentar estruturalmente a governan&ccedil;a da Internet no Brasil. N&atilde;o h&aacute; uma lei que garanta que o CGI.br ser&aacute; para sempre um organismo pluralista, com representa&ccedil;&atilde;o efetiva de todos os grupos de interesse, e que os nomes de dom&iacute;nios brasileiros ser&atilde;o para sempre um bem da comunidade e n&atilde;o uma mercadoria. Se um novo presidente assumir e achar que tem que privatizar tudo, por exemplo, nem precisa consultar o Congresso para isso&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Amadeu concorda, mas acredita que a atual conjuntura &eacute; desfavor&aacute;vel &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de outra regulamenta&ccedil;&atilde;o para o Comit&ecirc;. &ldquo;Publicar uma nova legisla&ccedil;&atilde;o regulamentando o Comit&ecirc; seria mais seguro, s&oacute; que ele teria que passar pelos deputados, ou seja, pelos lobbys dos bancos, das teles, das empresas de software, etc. Tamb&eacute;m &eacute; muito perigoso&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>A esta quest&atilde;o Carlos Afonso acrescenta o problema do relacionamento com a Fapesp (Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo a Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo), que arrecadou o dinheiro do registro dos dom&iacute;nios at&eacute; 2006, quando foi criado o NIC.br (N&uacute;cleo de Coordena&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o), atual respons&aacute;vel administrativo pela arrecada&ccedil;&atilde;o. Como resultado, a Fapesp acumulou mais de R$ 130 milh&otilde;es em seus cofres. &ldquo;Uma vez criado o NIC.br, seria natural e &oacute;bvio que a Fapesp simplesmente transferisse esses recursos para a nova autoridade administrativa da governan&ccedil;a da Internet no pa&iacute;s&rdquo;, conta Afonso. &ldquo;Infelizmente, por mais que o CGI.br se esforce, essa negocia&ccedil;&atilde;o se arrasta h&aacute; anos e ainda n&atilde;o foi resolvida&rdquo;. A Fapesp n&atilde;o pode utilizar este dinheiro, que permanece investido para n&atilde;o se desvalorizar, e o NIC.br s&oacute; pode faz&ecirc;-lo com autoriza&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Sem o acesso a esses recursos, projetos priorit&aacute;rios para o pa&iacute;s no campo das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento humano, que o CGI.br poderia e deveria estar apoiando, n&atilde;o caminham&rdquo; alerta Afonso.<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo com os avan&ccedil;os do Comit&ecirc;, S&eacute;rgio Amadeu frisa a import&acirc;ncia de a sociedade permanecer vigilante contra os constates ataques que sofre a liberdade na Internet. &ldquo;Como no come&ccedil;o ningu&eacute;m ligava para a Internet, sua implementa&ccedil;&atilde;o se fez de modo livre, democr&aacute;tico. Quando as empresas come&ccedil;aram a perceber que n&atilde;o era brincadeira, que tinha grana em jogo, quiseram trazer seus interesses e ideologia da sociedade industrial pra ela, pra controlar a rede. Mas estamos ganhando, eles &eacute; que t&ecirc;m que inverter o jogo&rdquo;.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<p><span><em>*A pr&oacute;xima reuni&atilde;o do F&oacute;rum de Governan&ccedil;a da Internet (IGF) acontece em novembro deste ano, no Rio de Janeiro. Como parte do processo preparat&oacute;rio est&aacute; marcado um semin&aacute;rio, a ser realizado nos dias 3 e 4 de julho, no audit&oacute;rio de Direito da FGV, em S&atilde;o Paulo. Mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o semin&aacute;rio em <\/em><a href=\"http:\/\/www.nupef.org.br\/\"><em>www.nupef.org.br<\/em><\/a><em> .<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/em>permitida a reprodu&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inscri\u00e7\u00e3o de entidades interessadas em participar das elei\u00e7\u00f5es para o Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil encerra-se no pr\u00f3ximo dia 3 de julho. Concorrem \u00e0s vagas organiza\u00e7\u00f5es do terceiro setor, da comunidade cient\u00edfica e do empresariado. 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